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O que é a Síndrome do Piriforme?

Figura: Representação da localização da síndrome do piriforme, mostrando o nervo ciático (em amarelo) passando próximo ao músculo piriforme (em vermelho) na pelve. A síndrome do piriforme é uma condição em que o músculo piriforme – um músculo profundo da região dos glúteos – irrita ou comprime o nervo ciático. Esse nervo é o mais calibroso do corpo humano, percorre do final da coluna lombar pela região glútea até a perna.

Quando o piriforme está tenso, inflamado ou com espasmo, ele pode pressionar o nervo ciático contra os ossos da pelve (especialmente na área do forame isquiático onde o nervo passa). Como resultado, a pessoa sente sintomas parecidos com a “ciática”, como dor no glúteo que pode irradiar para a parte de trás da coxa e perna.

A síndrome do piriforme nem sempre é facilmente reconhecida, pois seus sintomas podem ser confundidos com outros problemas, como a hérnia de disco lombar ou uma dor ciática de origem na coluna. Estima-se que uma parcela relativamente pequena (alguns poucos por cento) dos casos de dor ciática venha de fato do piriforme comprimindo o nervo.

Ainda assim, isso representa muitas pessoas acometidas – possivelmente milhões de casos ao ano. A condição pode afetar homens e mulheres de qualquer idade, mas algumas pesquisas indicam que é mais comum em mulheres de meia-idade. Geralmente ocorre em apenas um dos lados (unilateral) e pode impactar bastante a qualidade de vida do paciente.

Causas e Fatores de Risco

As causas da síndrome do piriforme normalmente envolvem irritação ou uso excessivo do músculo piriforme. Algumas situações comuns incluem:

  • Tensão muscular e sobrecarga: Movimentos repetitivos do quadril, como corrida, ciclismo ou longos períodos caminhando, podem sobrecarregar o piriforme. Atividades que exigem giro externo do quadril (por exemplo, certos exercícios, dança ou agachamentos) também podem desencadear microlesões e contraturas no músculo.
  • Sedentarismo e postura inadequada: Paradoxalmente, ficar sentado por muitas horas (especialmente sentado sobre carteiras ou objetos no bolso de trás) pode manter o piriforme em posição encurtada, favorecendo o desenvolvimento de pontos de tensão. Motoristas que dirigem longas distâncias sem pausa têm risco maior de desenvolver o problema.
  • Traumas ou lesões: Uma queda nas nádegas, um impacto direto na região glútea ou um estiramento podem lesionar o piriforme, levando a inflamação e inchaço que irritam o nervo próximo. Cirurgias na região do quadril também podem, raramente, causar cicatrizes que afetam o piriforme.
  • Variações anatômicas: Em aproximadamente 10% das pessoas, o trajeto do nervo ciático é diferente – podendo passar através das fibras do músculo piriforme ou dividindo-se em ramos que cercam o músculo. Nesses indivíduos, é mais fácil o piriforme comprimir o nervo, mesmo com atividades cotidianas.
  • Outros fatores: Problemas na articulação sacroilíaca (na bacia) ou discrepância no comprimento das pernas podem alterar a mecânica do quadril e desencadear compensações musculares, incluindo contração excessiva do piriforme. Espasmos musculares involuntários no piriforme também podem ocorrer em resposta a irritações ou inflamações locais.

Sintomas e Impacto Funcional

Os principais sintomas da síndrome do piriforme são dores e desconforto na região glútea (nádegas), que podem irradiar para a perna. A dor costuma ser em pontada ou em queimação na nádega, podendo se estender pela parte de trás da coxa, até o joelho ou mesmo o pé, seguindo o trajeto do nervo ciático. Muitos pacientes relatam dormência, formigamento ou sensação de “choque” elétrico descendo pela perna. Em casos mais intensos, pode haver fraqueza em músculos inervados pelo ciático, dificultando movimentos como subir escadas.

Uma característica típica é a piora dos sintomas após ficar muito tempo sentado, agachado ou ao se levantar de uma cadeira. Dirigir automóvel por período prolongado ou correr também podem exacerbar a dor. O ato de cruzar as pernas ao sentar ou deitar de lado sem apoio adequado pode desencadear desconforto. Alguns pacientes notam alívio ao deitar de costas ou caminhar suavemente, mas atividades que envolvem o giro do quadril tendem a agravar a dor.

No dia a dia, a síndrome do piriforme pode limitar bastante as atividades. O impacto funcional inclui dificuldade em permanecer sentado no trabalho ou em viagens (devido à dor no glúteo), redução da capacidade de praticar exercícios físicos e esportes, e limitação para realizar tarefas simples como agachar para pegar objetos. O sono também pode ser prejudicado, pois certas posições na cama causam dor. Com o tempo, a dor crônica pode levar a alterações na marcha (a pessoa começa a mancar ou evitar apoiar completamente a perna dolorida) e afetar o humor e bem-estar, gerando bastante frustração. Por isso, buscar tratamento adequado é importante para restaurar a funcionalidade e aliviar os sintomas.

O que é a Acupuntura?

A acupuntura é uma forma de terapia originada da Medicina Tradicional Chinesa, na qual se inserem agulhas muito finas em pontos específicos do corpo para tratar diversas condições de saúde. Esses pontos, segundo a tradição oriental, estão localizados em “meridianos” pelos quais fluiria a energia vital do corpo (o Qi). O objetivo clássico da acupuntura é equilibrar essa energia e, com isso, aliviar dores e tratar doenças. Hoje, mesmo fora do contexto tradicional, a acupuntura é reconhecida como uma modalidade eficaz para aliviar dores e promover bem-estar, e seus efeitos fisiológicos têm explicações científicas (como liberação de neurotransmissores e modulação do sistema nervoso).

  • Acupuntura tradicional chinesa (corporal): É a forma clássica de acupuntura, em que agulhas são inseridas em pontos ao longo dos meridianos energéticos do corpo. No caso de dores glúteas ou ciáticas, o acupunturista pode escolher pontos tanto localmente (próximos ao piriforme e ao trajeto do nervo ciático) quanto distalmente (por exemplo, pontos nas pernas ou mãos relacionados à ciática segundo a Medicina Chinesa). A estimulação desses pontos visa aliviar a estagnação de energia e melhorar a circulação sanguínea, reduzindo a dor.
  • Acupuntura auricular (auriculoterapia): Nessa técnica, pontos específicos na orelha são estimulados com agulhas ou esferas. A orelha é vista como um microssistema que reflete todo o corpo. Assim, existem pontos auriculares correspondentes ao nervo ciático, à região do quadril e ao músculo piriforme. A acupuntura auricular é muitas vezes usada como complemento à acupuntura corporal, potencializando a analgesia e ajudando no relaxamento muscular.
  • Agulhamento-seco ou dry needling: Consiste no uso de agulhas de acupuntura, mas com abordagem ocidental, focada em pontos-gatilho miofasciais. Pontos-gatilho são pequenas “náuseas” ou nós em músculos tensionados que causam dor referida. No caso do piriforme, o terapeuta identifica manualmente a área mais tensa do músculo (que pode reproduzir a dor do paciente) e insere a agulha diretamente ali, sem injetar nenhuma substância (daí o termo “seca”). Essa técnica provoca uma resposta local que ajuda a desativar o ponto-gatilho e relaxar o músculo. Médicos fisiatras frequentemente utilizam o agulhamento seco como parte do tratamento de síndrome do piriforme e outras dores miofasciais.
  • Eletroacupuntura: É a combinação da acupuntura tradicional com estímulos elétricos. Após inserir as agulhas em pontos específicos (sejam pontos tradicionais ou pontos-gatilho), conecta-se pequenos eletrodos a elas, gerando correntes de baixa intensidade. A sensação é de um formigamento ou pulso rítmico. Na síndrome do piriforme, a eletroacupuntura pode ser aplicada com agulhas no próprio piriforme e na região ciática para aumentar a estimulação analgésica. Estudos indicam que a eletroacupuntura produz um efeito analgésico potente, pois estimula liberação de endorfinas de forma prolongada e pode promover um relaxamento muscular mais profundo devido à estimulação contínua.

Além dessas, outras modalidades associadas à acupuntura também podem ser consideradas, como a moxabustão (aplicação de calor por combustão de ervas perto da agulha) ou laseracupuntura (estimulação dos pontos com laser de baixa intensidade em vez de agulha). Contudo, para a síndrome do piriforme, as mais utilizadas e estudadas são as técnicas citadas acima, com destaque para a acupuntura tradicional, o agulhamento seco e a eletroacupuntura.

Como a Acupuntura atua na Síndrome do Piriforme?

A acupuntura tem efeitos fisiológicos importantes que explicam por que ela pode aliviar a dor e melhorar a função na síndrome do piriforme. De forma geral, ao inserir as agulhas, ocorrem reações no sistema nervoso e nos tecidos locais que promovem analgesia (alívio da dor) e relaxamento muscular. Vejamos alguns mecanismos principais:

  • Alívio da dor e neuromodulação: A inserção de agulhas em pontos adequados estimula terminações nervosas na pele e músculos, enviando sinais ao sistema nervoso central. Isso desencadeia a liberação de substâncias neurotransmissoras e hormônios que modulam a percepção de dor. Por exemplo, a acupuntura leva o cérebro a liberar endorfinas e encefalinas – analgésicos naturais do corpo – que reduzem a sensação dolorosa. Também há liberação de serotonina e noradrenalina, que ativam vias inibitórias da dor na medula espinhal (efeito de “fechamento do portão” da dor). Em exames de ressonância magnética funcional, vê-se que a acupuntura pode reduzir a atividade em áreas do cérebro relacionadas à dor e ao estresse, ao mesmo tempo em que ativa regiões que controlam o alívio da dor. Assim, ela recalibra o sistema nervoso, tornando-o menos sensível à dor da região glútea e perna.
  • Ação local e liberação miofascial: No ponto de inserção, a agulha provoca uma microlesão controlada no tecido muscular, o que estimula o fluxo sanguíneo na região. Esse aumento de circulação traz nutrientes e células de defesa que ajudam a reduzir inflamações locais. No caso do piriforme, diminuir a inflamação ao redor do músculo e do nervo ciático pode aliviar a compressão e a irritação neural. Além disso, quando a agulha penetra um ponto-gatilho no músculo piriforme, frequentemente ocorre um reflexo chamado resposta de espasmo local: o músculo contrai rapidamente e então relaxa. Esse fenômeno ajuda a “desfazer” a contratura naquele pequeno feixe muscular, aliviando a tensão acumulada. Em outras palavras, o agulhamento funciona como uma forma de liberação miofascial (técnica de relaxamento do músculo e da fáscia) a partir de dentro do músculo. Ao relaxar o piriforme, reduz-se a pressão sobre o nervo ciático, tratando a causa da dor.
  • Modulação inflamatória e autonômica: Estudos indicam que a acupuntura também influencia o sistema imunológico e o equilíbrio de substâncias inflamatórias. A estimulação com agulhas induz a liberação local de cortisol (um hormônio anti-inflamatório natural) e de moduladores imunológicos que podem diminuir a produção de citocinas pró-inflamatórias. Isso contribui para reduzir o inchaço e a irritação nos tecidos ao redor do nervo. Outra vertente de ação é via sistema nervoso autonômico: a acupuntura tende a estimular o ramo parassimpático (relaxamento) e reduzir a atividade exagerada do ramo simpático (o de “luta ou fuga”). Como resultado, há um relaxamento global na musculatura e melhora no fluxo sanguíneo, potencializando a recuperação do músculo piriforme lesionado. Essa normalização autonômica também pode explicar por que muitos pacientes se sentem relaxados e até sonolentos durante e após uma sessão – o corpo está saindo do estado de alerta doloroso e entrando em modo de cura.
  • Estimulação de vias específicas e efeitos da eletroacupuntura: No caso da eletroacupuntura, a adição de um leve estímulo elétrico às agulhas mantém uma ativação prolongada das fibras nervosas. Dependendo da frequência utilizada, podem-se ativar diferentes tipos de fibras: frequências baixas estimulam mais a liberação de endorfinas (alívio mais lento e profundo), enquanto frequências mais altas bloqueiam sinais de dor mais rapidamente (alívio mais imediato). A combinação disso oferece um controle da dor sustentado. Já a auriculoterapia age por meio de reflexos: ao estimular pontos na orelha, mensagens são enviadas ao cérebro que por sua vez modulam regiões correspondentes do corpo (como a área glútea). Assim, usar um ponto na orelha para o ciático pode induzir o cérebro a liberar neurotransmissores específicos que reduzem a dor naquela perna. Todos esses mecanismos – neurológicos, químicos e mecânicos – se somam, resultando em menos dor, menos espasmo muscular e melhora da função.

Evidências Científicas Recentes

acupuntura medica sao paulo34

Estudos clínicos sobre agulhamento no piriforme:

Em 2019, um estudo clínico controlado randomizado avaliou 32 pacientes com síndrome do piriforme, dividindo-os em dois grupos – um recebeu três sessões de agulhamento seco no músculo piriforme guiado por ultrassom (ou seja, com imagem para posicionar a agulha corretamente) ao longo de uma semana, e o outro grupo recebeu apenas tratamento conservador padrão. Os resultados foram animadores: após uma semana, o grupo submetido ao agulhamento teve redução significativa na intensidade da dor, medida por escala visual analógica, em comparação ao grupo controle. Além disso, apresentaram aumento na amplitude de movimento do quadril e diminuição da sensibilidade dolorosa à pressão no piriforme.

Revisões e meta-análises:

Uma revisão abrangente da literatura publicada em 2021 (Anestesia e Medicina da Dor) analisou as opções de tratamento para síndrome do piriforme, incluindo tanto intervenções cirúrgicas quanto não cirúrgicas. Nessa revisão, os autores observaram que terapias alternativas como acupuntura e o agulhamento seco mostraram resultados promissores para aliviar a dor do piriforme, especialmente em pacientes que não responderam bem a anti-inflamatórios ou fisioterapia convencional.

Os estudos mencionados na revisão indicam melhora clínica significativa com a acupuntura, porém também ressaltam a necessidade de mais pesquisas comparativas para determinar qual técnica de acupuntura seria mais eficaz (por exemplo, comparar acupuntura tradicional com eletroacupuntura ou agulhamento seco). Já no contexto de dores ciáticas em geral (que englobam casos causados pelo piriforme e outras causas), há evidências robustas de eficácia da acupuntura.

Uma meta-análise publicada em 2022 reuniu os dados de 28 ensaios clínicos randomizados, com um total de mais de 2.700 pacientes sofrendo de ciática, para comparar acupuntura com tratamentos convencionais (principalmente uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios). Os resultados mostraram que a acupuntura, em média, foi mais efetiva em reduzir a dor ciática do que os medicamentos: os pacientes tratados com acupuntura reportaram escores de dor significativamente mais baixos e também apresentaram maior tolerância à pressão ao longo do trajeto do nervo.

Além disso, a taxa de efeitos colaterais no grupo da acupuntura foi menor do que no grupo medicado (os remédios produziram mais eventos adversos como gastrite, sonolência ou outros). Esse tipo de evidência científica reforça a credibilidade da acupuntura como tratamento não farmacológico seguro e eficaz para dores neuropáticas do tipo ciática.

Outros achados relevantes:

Pesquisas em neurociência têm aprofundado a compreensão de como a acupuntura funciona. Estudos com técnicas modernas (como eletroencefalograma e ressonância cerebral funcional) em pacientes com dor crônica tratada com acupuntura mostram alterações mensuráveis na atividade do cérebro, indicando modulação de áreas límbicas (relacionadas às emoções e percepção da dor) e liberação de opioides endógenos.

No âmbito musculoesquelético, revisões sobre pontos-gatilho miofasciais apontam que o agulhamento seco é eficaz para várias síndromes dolorosas musculares, melhorando a dor e a função de maneira comparável a técnicas manuais, com a vantagem de ter efeito analgésico mais imediato em muitos casos. Para a região do quadril e glúteos, há evidências de melhora na marcha e na rotação do quadril após o tratamento com agulhamento nos músculos profundos.

Vale citar também que estão em andamento estudos para comparar diferentes formas de acupuntura especificamente na síndrome do piriforme – por exemplo, um protocolo de pesquisa de 2023 pretende realizar uma network meta-analysis (uma meta-análise que compara múltiplos tratamentos) incluindo apenas ensaios clínicos de acupuntura em síndrome do piriforme, a fim de classificar qual método (manual, elétrico, aquecido, etc.) proporciona os melhores resultados de alívio da dor e recuperação funcional. Isso demonstra o crescente interesse científico e a busca por otimizar ainda mais essa terapia milenar no contexto de condições específicas como a do piriforme.

Benefícios da Acupuntura para a Síndrome do Piriforme

  • Alívio da dor e do espasmo muscular: A acupuntura pode reduzir efetivamente a dor no glúteo e na perna, ao mesmo tempo em que relaxa o músculo piriforme tenso. Muitos pacientes experimentam diminuição da intensidade da dor já nas primeiras sessões, o que facilita movimentos antes dolorosos.
  • Melhora da função e qualidade de vida: Com menos dor e maior relaxamento muscular, o paciente consegue aumentar a amplitude de movimento do quadril. Atividades cotidianas como sentar, levantar, caminhar e dirigir tornam-se mais confortáveis. Isso leva a uma retomada das tarefas diárias e exercícios, melhorando globalmente a qualidade de vida.
  • Redução do uso de medicamentos: Ao controlar a dor naturalmente, a acupuntura pode diminuir ou mesmo eliminar a necessidade de analgésicos e anti-inflamatórios em alguns casos. Isso é vantajoso, pois evita os efeitos colaterais desses fármacos (como problemas gástricos pelos anti-inflamatórios ou risco de dependência de opioides).
  • Terapia de baixo risco e minimamente invasiva: Diferente de uma cirurgia ou injeções de corticoide, a acupuntura é um procedimento minimamente invasivo (apenas agulhas finas na pele) e geralmente muito seguro. Não envolve introduzir medicamentos no corpo, o que reduz riscos sistêmicos. Quando bem aplicada, provoca no máximo um leve desconforto momentâneo.
  • Abordagem integrativa e holística: A acupuntura trata não apenas a dor localizada, mas também ajuda a equilibrar o organismo como um todo – muitos pacientes relatam melhora do sono, redução do estresse e sensação de relaxamento geral. Essa abordagem integrativa pode ser benéfica, já que dores crônicas frequentemente afetam também o estado emocional.
  • Compatível com outros tratamentos: A acupuntura pode ser usada em conjunto com fisioterapia, alongamentos, exercícios e outras terapias sem problema. Na verdade, combinar essas abordagens costuma trazer resultados mais completos – por exemplo, a acupuntura alivia a dor e solta o músculo, enquanto a fisioterapia fortalece e previne recidivas. Assim, é uma ferramenta adicional valiosa no plano de reabilitação.

Limitações do Tratamento por Acupuntura

  • Resposta individual variável: Nem todos os pacientes respondem da mesma maneira à acupuntura. Enquanto algumas pessoas têm alívio rápido e marcante, outras podem sentir apenas melhora moderada. Fatores individuais (gravidade da compressão do nervo, tempo de sintomas, diferenças biológicas) influenciam a efetividade.
  • Necessidade de múltiplas sessões: Embora ocasionalmente haja alívio na primeira aplicação, tipicamente a acupuntura requer uma série de sessões ao longo de semanas para consolidar a melhora. Isso exige do paciente certa paciência e comprometimento com o tratamento, pois os efeitos são cumulativos. Pessoas buscando uma solução “imediata” podem se frustrar se não forem bem orientadas quanto a esse aspecto.
  • Não corrige deformidades anatômicas: Se a causa da síndrome for uma variação estrutural significativa (como o nervo atravessando o músculo) ou uma lesão grave, a acupuntura sozinha pode não resolver completamente o problema. Ela ajuda nos sintomas e a relaxar o músculo, mas em casos raros pode ser necessário considerar outras intervenções (por exemplo, infiltrações ou procedimentos cirúrgicos) caso haja compressão persistente do nervo.

Riscos e Orientações Práticas

Quando realizada por médico especialista capacitado, a acupuntura é considerada muito segura. Ainda assim, como qualquer intervenção, existem alguns riscos e cuidados recomendados:

  • Efeitos adversos leves: É comum ocorrer, após a sessão, leve dor ou sensibilidade no local da aplicação das agulhas. Pequenos hematomas (manchas roxas) podem aparecer se algum vasinho for perfurado. Algumas pessoas relatam sensação de relaxamento profundo ou sonolência após o tratamento – o que não é um problema, apenas requer cautela ao dirigir em seguida, por exemplo. Esses efeitos geralmente são transitórios e desaparecem em horas ou poucos dias.
  • Riscos raros: Complicações graves com acupuntura são extremamente raras, mas podem incluir infecção (se as práticas de esterilização falharem) ou lesão de estruturas profundas. No caso da síndrome do piriforme, o risco teórico mais notável é tocar ou lesar o nervo ciático com a agulha. Felizmente, médicos experientes conhecem bem a anatomia e evitam essa ocorrência, mantendo a inserção na área segura do músculo. O uso de guias de imagem (ultrassom) durante o agulhamento seco do piriforme é uma prática que pode aumentar ainda mais a segurança em casos complexos, garantindo que a agulha esteja na posição correta.

Médico qualificado:

Sempre procure um médico especialista em acupuntura/agulhamento seco. Verifique se o profissional tem formação adequada, pois a correta aplicação das técnicas é crucial para eficácia e segurança. Agulhas devem ser estéreis e descartáveis, usadas uma única vez.

Duração do tratamento:

Siga a orientação do profissional quanto ao número de sessões recomendadas. O protocolo pode variar, mas é comum iniciar com 1 a 2 sessões por semana. Após algumas semanas, avaliando a resposta, pode-se espaçar as sessões. Muitos pacientes apresentam uma melhora significativa após 4 a 6 sessões, mas isso varia. Mesmo após melhora, algumas pessoas optam por fazer sessões de manutenção mensal ou bimestral para prevenir recidivas de dor.

Cuidados complementares:

A acupuntura será mais efetiva se aliada a outras medidas. O médico provavelmente instruirá exercícios de alongamento do piriforme e dos músculos do quadril para você fazer em casa – esses alongamentos ajudam a manter o músculo relaxado entre as sessões. Fortalecer a musculatura do core e do quadril com exercícios apropriados (orientados por um fisioterapeuta) também é importante a longo prazo, para evitar que o piriforme volte a sobrecarregar.

Além disso, ajustar hábitos cotidianos pode ser necessário: evitar ficar sentado por períodos prolongados sem pausa para alongar, alternar posições, usar cadeiras ergonômicas ou almofadas adequadas e praticar atividades físicas regularmente dentro de suas tolerâncias. A acupuntura, portanto, se insere num contexto de cuidados abrangentes – é uma aliada poderosa para aliviar a dor e permitir que o paciente realize essas outras mudanças benéficas.

Em conclusão

o uso da acupuntura na síndrome do piriforme apresenta-se como uma opção terapêutica promissora e acessível ao público leigo. Explicamos o que é essa síndrome dolorosa, suas causas, sintomas e consequências no dia a dia, e vimos como a acupuntura – seja tradicional, auricular, seca ou elétrica – pode atuar para aliviar a dor e tratar a tensão do piriforme.

Com base em mecanismos fisiológicos bem estabelecidos e evidências científicas recentes, nota-se que a acupuntura oferece analgesia, modulação neurológica e liberação muscular de forma segura. Como qualquer tratamento, possui suas limitações e requer a orientação de médicos qualificados, mas os potenciais benefícios em reduzir a dor e melhorar a função fazem dela uma aliada valiosa.

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CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorado em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Presidente do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual (SBRET). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).