O que é a Apneia do Sono?

A síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) é um distúrbio respiratório do sono caracterizado por episódios repetitivos de obstrução parcial ou completa da via aérea superior durante o sono. Essa obstrução causa pausas respiratórias (apneias) ou reduções significativas do fluxo aéreo (hipopneias), levando a dessaturação de oxigênio e microdespertares.

A prevalência é de 9-38% na população adulta geral, sendo mais comum em homens, obesos e idosos. No Brasil, o estudo EPISONO (Tufik et al., 2010) identificou SAOS (AHI ≥5) em aproximadamente 32,8% da população adulta de São Paulo — reflete prevalência urbana com alta carga de fatores de risco (obesidade, idade). A grande maioria dos casos permanece sem diagnóstico.

A SAOS é um fator de risco independente para hipertensão arterial resistente, doença coronariana, arritmias cardíacas, acidente vascular cerebral e mortalidade cardiovascular. Além disso, a fragmentação do sono causa sonolência diurna excessiva, comprometimento cognitivo e aumento do risco de acidentes automobilísticos.

9-38%
DA POPULAÇÃO ADULTA É AFETADA PELA SAOS
80%
DOS CASOS PERMANECEM SEM DIAGNÓSTICO
2-3x
MAIOR RISCO DE HIPERTENSÃO ARTERIAL
7x
MAIOR RISCO DE ACIDENTES AUTOMOBILÍSTICOS EM SAOS GRAVE

Fisiopatologia

A via aérea superior é um tubo colapsável sustentado pela atividade tônica dos músculos dilatadores da faringe, especialmente o genioglosso. Durante o sono, há redução fisiológica do tônus muscular. Em pacientes com SAOS, fatores anatômicos e neuromusculares tornam a via aérea propensa ao colapso.

A obstrução gera esforço respiratório contra a via aérea fechada, aumento da pressão negativa intratorácica, hipoxemia intermitente e hipercapnia. O microdespertar restaura o tônus muscular e reabre a via aérea, mas fragmenta a arquitetura do sono. Este ciclo se repete dezenas a centenas de vezes por noite.

Mecanismo da apneia obstrutiva: colapso da via aérea superior, esforço respiratório, dessaturação de O2, microdespertar e restauração do fluxo aéreo
Mecanismo da apneia obstrutiva: colapso da via aérea superior, esforço respiratório, dessaturação de O2, microdespertar e restauração do fluxo aéreo
Mecanismo da apneia obstrutiva: colapso da via aérea superior, esforço respiratório, dessaturação de O2, microdespertar e restauração do fluxo aéreo
01

Hipoxemia Intermitente

Ciclos repetidos de dessaturação-reoxigenação geram estresse oxidativo, inflamação sistêmica e disfunção endotelial — mediadores do risco cardiovascular.

02

Hiperativação Simpática

Os microdespertares ativam o sistema nervoso simpático, elevando a pressão arterial, a frequência cardíaca e o risco de arritmias noturnas.

03

Fragmentação do Sono

A repetição dos microdespertares impede o sono profundo e REM, causando sonolência diurna, déficit cognitivo e alterações metabólicas.

Sintomas

Os sintomas da SAOS dividem-se em noturnos e diurnos. Frequentemente, é o parceiro de cama quem primeiro percebe o ronco intenso e as pausas respiratórias. O paciente pode não ter consciência da fragmentação do sono, atribuindo seus sintomas diurnos a outras causas.

Critérios clínicos
07 itens

Sintomas da Apneia Obstrutiva do Sono

  1. 01

    Ronco alto e habitual

    Presente em mais de 90% dos pacientes. Tipicamente intenso, irregular, com pausas seguidas de gasps ou engasgos.

  2. 02

    Pausas respiratórias testemunhadas

    Apneias observadas pelo parceiro de cama. O paciente pode relatar acordar com sensação de sufocamento ou engasgo.

  3. 03

    Sonolência diurna excessiva

    Necessidade de cochilar durante o dia, dificuldade para manter-se acordado em reuniões, leitura ou dirigindo.

  4. 04

    Cefaleia matinal

    Dor de cabeça ao despertar, geralmente frontal, causada pela hipercapnia e vasodilatação cerebral noturna.

  5. 05

    Noctúria

    Necessidade frequente de urinar durante a noite, causada pela liberação de peptídeo natriurético atrial devido ao esforço respiratório.

  6. 06

    Comprometimento cognitivo

    Dificuldade de concentração, memória e atenção. Redução do desempenho profissional e acadêmico.

  7. 07

    Alterações de humor

    Irritabilidade, depressão e ansiedade associadas à fragmentação crônica do sono e hipoxemia.

Diagnóstico

O diagnóstico definitivo da SAOS requer a polissonografia (tipo I em laboratório ou tipo III domiciliar). O principal parâmetro é o Índice de Apneia-Hipopneia (IAH), que quantifica o número de eventos obstrutivos por hora de sono.

Questionários de triagem como o STOP-BANG auxiliam na identificação de pacientes com alta probabilidade de SAOS. Pontuação STOP-BANG maior ou igual a 5 têm alta sensibilidade para SAOS moderada a grave.

🏥Classificação da Gravidade da SAOS

  • 1.IAH 5-14 eventos/hora: SAOS leve — considerar tratamento se sintomático
  • 2.IAH 15-29 eventos/hora: SAOS moderada — tratamento indicado
  • 3.IAH ≥ 30 eventos/hora: SAOS grave — tratamento mandatório
  • 4.Saturação mínima < 80%: indicador de gravidade adicional com risco cardiovascular elevado
  • 5.Índice de microdespertares elevado: correlaciona-se com sonolência diurna e comprometimento cognitivo

POLISSONOGRAFIA: LABORATÓRIO VS. DOMICILIAR

CARACTERÍSTICAPSG LABORATÓRIO (TIPO I)PSG DOMICILIAR (TIPO III)
Canais monitoradosEEG, EOG, EMG, ECG, fluxo aéreo, esforço, SpO2, posiçãoFluxo aéreo, esforço, SpO2, posição
Estadiamento do sonoSim — identifica estágios N1-N3 e REMNão — não diferência vigília de sono
Detecção de outros distúrbiosMovimentos periódicos, parassoniasNão avalia
ConveniênciaRequer noite no laboratórioNo conforto de casa
Indicação principalSuspeita de outros distúrbios do sonoTriagem de SAOS em alta probabilidade clínica

Diagnóstico Diferencial

A sonolência diurna excessiva, o ronco e a fadiga matinal têm várias causas além da SAOS. A diferênciação diagnóstica entre hipersonolência, SAOS, narcolepsia e outros transtornos do sono é realizada pelo especialista em medicina do sono / pneumologista com base em polissonografia; o médico acupunturista trabalha em coordenação com essa equipe como parte de cuidado multidisciplinar.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Diagnóstico Diferencial

Síndrome de Hipoventilação por Obesidade

  • IMC > 30 + hipercapnia diurna (PaCO2 > 45 mmHg)
  • Hipoxemia mesmo acordado
  • Policitemia e cor pulmonale em casos avançados
  • Frequentemente coexiste com SAOS
Sinais de Alerta
  • PaCO2 diurna elevada indica falência ventilatória
  • Requer BiPAP ou VAC, não apenas CPAP

Testes Diagnósticos

  • Gasometria arterial diurna
  • Espirometria
  • Polissonografia com titulação de BiPAP
  • Ecocardiograma (cor pulmonale)

Nessa síndrome, a prioridade é ventilação mecânica não invasiva. A acupuntura pode auxiliar no programa de perda de peso como adjuvante ao tratamento principal.

Apneia Central (vs Obstrutiva)

  • Pausas respiratórias sem esforço torácico (central) vs com esforço (obstrutiva)
  • Apneia de Cheyne-Stokes: padrão crescendo-decrescendo do fluxo aéreo
  • Frequentemente associada a ICC, AVC ou uso de opioides
  • IAH predominantemente central na polissonografia
Sinais de Alerta
  • Apneia central de novo em paciente em CPAP: síndrome de apneia central complexa

Testes Diagnósticos

  • Polissonografia laboratorial (diferência central de obstrutiva)
  • Ecocardiograma (ICC como causa)
  • BNP se suspeita de ICC

A apneia central exige tratamento da causa (ICC, opioides, AVC). O médico acupunturista pode contribuir no manejo da ICC e na reabilitação pós-AVC como parte do cuidado multiprofissional.

Insônia

  • Dificuldade para iniciar ou manter o sono, sem ronco proeminente
  • Cansaço diurno mas não sonolência clássica (diferença sutil)
  • Polissonografia: latência de sono prolongada, eficiência reduzida, sem apneias
  • Frequentemente comorbidade com SAOS (complexo insônia-SAOS)
Sinais de Alerta
  • Insônia resistente: investigar SAOS subdiagnosticada como causa de fragmentação

Testes Diagnósticos

  • Polissonografia
  • Diário do sono por 2 semanas
  • Actigrafia

A acupuntura médica têm evidência para alívio de sintomas de insônia e pode ser integrada ao plano de cuidado quando a polissonografia exclui SAOS significativa, em conjunto com higiene do sono e TCC-I quando indicada.

Narcolepsia

  • Sonolência diurna irresistível desde a infância ou adolescência
  • Cataplexia: perda súbita de tônus muscular com emoção forte (patognomônica)
  • Paralisia do sono e alucinações hipnagógicas
  • Polissonografia + TLMS: latência de sono REM < 15 min em 2 ou mais sonecas
Sinais de Alerta
  • Cataplexia grave com quedas: risco de trauma

Testes Diagnósticos

  • Polissonografia + teste de latências múltiplas do sono (TLMS)
  • HLA DQB1*06:02 (marcador genético)
  • Hipocretina-1 no LCR (tipo 1)

A narcolepsia requer tratamento farmacológico específico. A acupuntura pode auxiliar no manejo da fadiga e melhora da qualidade do sono como adjuvante.

Hipotireoidismo com Ronco

  • Ronco de início tardio em adulto previamente sem queixas
  • Fadiga, ganho de peso, voz rouca, pele seca
  • Macroglossia e depósito de mucopolissacarídeos nas vias aéreas
  • TSH elevado com T4 livre reduzido
Sinais de Alerta
  • Hipotireoidismo grave pode causar SAOS que resolve completamente com levotiroxina

Testes Diagnósticos

  • TSH e T4 livre
  • Polissonografia antes e após tratamento do hipotireoidismo
  • Anticorpos anti-TPO (Hashimoto)

O médico acupunturista investiga hipotireoidismo em todos os pacientes com ronco de início tardio. A normalização do TSH com levotiroxina pode eliminar a necessidade de CPAP.

Apneia Obstrutiva versus Central

A apneia obstrutiva do sono (SAOS) e a apneia central do sono (ACS) compartilham a apresentação clínica de pausas respiratórias durante o sono, mas diferem fundamentalmente no mecanismo fisiopatológico e no tratamento. Na SAOS, há esforço respiratório presente (movimentos torácicos e abdominais são detectados durante a apneia), mas o fluxo aéreo está ausente por obstrução mecânica da via aérea superior. Na ACS, tanto o esforço quanto o fluxo estão ausentes — o drive respiratório central está temporariamente inibido, sem comando para a musculatura respiratória. A polissonografia com canal de esforço respiratório (banda torácica e abdominal) é o exame que realiza essa distinção. A apneia de Cheyne-Stokes, padrão crescendo-decrescendo do volume corrente com apneias centrais intercaladas, é altamente sugestiva de insuficiência cardíaca congestiva como causa.

O tratamento da ACS é dirigido à causa subjacente: otimização da ICC com carvedilol, IECA e diuréticos; redução ou suspensão de opioides; adaptação do CPAP para BiPAP com frequência de backup (VAPS) quando necessário. A síndrome de apneia central complexa — surgimento de apneias centrais após adaptação ao CPAP — é uma entidade reconhecida que pode exigir ASV (servo-ventilação adaptativa). O médico acupunturista deve solicitar gasometria e ecocardiograma em pacientes com apneias predominantemente centrais na polissonografia.

Síndrome de Hipoventilação por Obesidade

A síndrome de hipoventilação por obesidade (SHO), anteriormente chamada síndrome de Pickwick, é definida pela tríade: obesidade (IMC acima de 30 kg/m²), hipercapnia diurna (PaCO2 acima de 45 mmHg na gasometria arterial em vigília) e exclusão de outras causas de hipoventilação alveolar. A SHO ocorre quando o excesso de tecido adiposo torácico e abdominal compromete a mecânica respiratória a ponto de o CO2 não ser adequadamente eliminado mesmo durante a vigília — distinguindo-se da SAOS simples, onde a hipercapnia ocorre apenas durante o sono. Coexiste com SAOS em 70-90% dos casos. Complicações incluem policitemia secundária, hipertensão pulmonar e cor pulmonale.

O tratamento requer ventilação não invasiva com BiPAP ou ventilação com pressão de suporte (ASV/VAPS) para corrigir a hipoventilação, além de programa intensivo de perda de peso — a perda de 25-30% do peso pode resultar em resolução completa. O CPAP simples é insuficiente na maioria dos casos de SHO. A acupuntura pode ser integrada ao programa de tratamento como suporte à perda de peso, modulação do apetite e redução da inflamação sistêmica, mas a prioridade é garantir ventilação adequada e acompanhamento pneumológico especializado.

Narcolepsia e Hipersonia

A narcolepsia tipo 1 é uma hipersonia central causada pela perda seletiva de neurônios produtores de hipocretina (orexina) no hipotálamo lateral, de origem autoimune. A tétrade clássica inclui: sonolência diurna irresistível (EDS), cataplexia (perda súbita e reversível do tônus muscular desencadeada por emoções positivas — riso, surpresa — patognomônica), paralisia do sono e alucinações hipnagógicas/hipnopômpicas. A cataplexia distingue clinicamente a narcolepsia tipo 1 da SAOS e da hipersonia idiopática. A narcolepsia tipo 2 cursa sem cataplexia, com hipocretina-1 no LCR normal ou limítrofe, sendo diagnóstico mais desafiador. O teste de latências múltiplas do sono (TLMS) demonstra latência de sono média abaixo de 8 minutos com dois ou mais períodos de sono REM precoce.

A hipersonia idiopática é outra hipersonia central com sonolência diurna excessiva sem cataplexia e TLMS não conclusivo para narcolepsia — diagnóstico de exclusão após SAOS, insuficiência de sono e narcolepsia afastados. O tratamento farmacológico da narcolepsia inclui modafinila, oxibato de sódio e antidepressivos para a cataplexia. A acupuntura têm papel adjuvante no manejo da fadiga e melhora da qualidade do sono noturno, podendo reduzir a carga de sintomas. O médico acupunturista deve encaminhar prontamente para centro de sono todo paciente com suspeita de narcolepsia ou hipersonia central.

Tratamento

O tratamento padrão-ouro da SAOS moderada a grave é o CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas). Outras opções incluem dispositivos intraorais, terapia posicional, cirurgia e medidas comportamentais como perda de peso e higiene do sono.

Medidas Comportamentais

Perda de peso (redução de 10% do peso pode diminuir o IAH em 26-32%). Evitar álcool e sedativos antes de dormir. Cessar tabagismo. Dormir em decúbito lateral quando a apneia é posição-dependente.

CPAP / BiPAP

CPAP nasal ou oronasal com pressão titulada por polissonografia. Elimina as apneias, normaliza a saturação de oxigênio e restaura a arquitetura do sono. Adesão é o principal desafio — 30-50% dos pacientes abandonam.

Dispositivo Intraoral

Aparelho de avanço mandibular confeccionado por dentista do sono. Indicado para SAOS leve a moderada ou intolerância ao CPAP. Avança a mandíbula, aumentando o espaço retrofaríngeo.

Cirurgia e Terapias Complementares

Uvulopalatofaringoplastia, estimulação do nervo hipoglosso e cirurgia ortognática em casos selecionados. Acupuntura como adjuvante para melhorar tônus muscular faríngeo e qualidade do sono.

Acupuntura como Tratamento

A acupuntura têm sido investigada como terapia complementar para SAOS, com mecanismos propostos que incluem possível modulação do tônus dos músculos dilatadores da faringe, modulação do reflexo quimiorreceptor central, regulação do padrão de sono e redução da inflamação sistêmica. A base de evidência ainda é limitada e os achados devem ser confirmados em estudos maiores.

Um ensaio randomizado brasileiro de pequeno porte (Freire et al., Sleep Medicine 2007; n=36 com SAOS leve a moderada) sugeriu redução do IAH com eletroacupuntura em comparação a acupuntura simulada. A evidência é limitada a este estudo e não suficiente para recomendação como terapia primária em SAOS moderada ou grave. A eletroacupuntura em pontos cervicais e submentuais é investigada como forma de estimulação dos músculos faríngeos, mas o efeito clínico em longo prazo ainda não está estabelecido.

A acupuntura não substitui o CPAP na SAOS moderada a grave. Em SAOS leve, pode ser considerada como parte de um plano integrado em pacientes que não toleram ou recusam o CPAP, sempre com polissonografia de controle após o ciclo de tratamento e em coordenação com o pneumologista do sono. Também pode auxiliar na adesão ao CPAP ao tratar sintomas como congestão nasal e ansiedade.

Prognóstico

A SAOS não tratada é uma condição progressiva com consequências cardiovasculares significativas. Pacientes com SAOS grave não tratada apresentam risco aumentado de hipertensão arterial, fibrilação atrial, infarto do miocárdio, AVC e mortalidade cardiovascular.

O tratamento adequado com CPAP normaliza o risco cardiovascular na maioria dos pacientes aderentes. A perda de peso substancial pode reduzir significativamente ou até resolver a SAOS em pacientes obesos. A cirurgia bariátrica, quando indicada por outras razões, frequentemente melhora a SAOS.

A sonolência diurna, o comprometimento cognitivo e as alterações de humor melhoram significativamente com tratamento adequado, geralmente nas primeiras semanas de uso regular do CPAP. A adesão sustentada é fundamental para manutenção dos benefícios.

Mitos e Fatos

Mito vs. Fato

MITO

Apneia do sono é apenas ronco mais forte

FATO

A SAOS é uma doença com consequências cardiovasculares, metabólicas e cognitivas graves. O ronco é um sintoma, mas as pausas respiratórias, a hipoxemia e a fragmentação do sono causam danos sistêmicos.

MITO

Só pessoas obesas têm apneia do sono

FATO

Embora a obesidade seja o principal fator de risco, pessoas magras com alterações anatômicas craniofaciais (retrognatia, micrognatia, amígdalas hipertrofiadas) podem ter SAOS significativa.

MITO

O CPAP é desconfortável e ninguém consegue usar

FATO

Com a interface adequada e acompanhamento profissional, a maioria dos pacientes adapta-se ao CPAP em 2-4 semanas. As interfaces modernas são muito mais confortáveis que as antigas.

MITO

Cirurgia cura a apneia do sono

FATO

A uvulopalatofaringoplastia isolada têm taxa de sucesso de apenas 40-50%. A abordagem cirúrgica requer seleção criteriosa. A cirurgia ortognática têm melhores resultados em casos selecionados.

Quando Procurar Ajuda

A suspeita de apneia do sono deve ser investigada, especialmente quando há ronco habitual associado a sonolência diurna, hipertensão ou fatores de risco metabólicos.

PERGUNTAS FREQUENTES · 10

Perguntas Frequentes sobre Apneia do Sono

Na apneia obstrutiva (SAOS), a via aérea colapsa mecanicamente mas o esforço respiratório continua — há movimento do tórax e abdômen mas sem fluxo aéreo. Na apneia central, o cérebro falha em enviar o sinal para respirar — não há esforço nem fluxo. A diferença é diagnosticada pela polissonografia completa, que mede tanto o fluxo aéreo quanto o esforço respiratório.

O IAH (Índice de Apneia-Hipopneia) é o número de eventos obstrutivos por hora de sono. IAH 5-14 = SAOS leve; IAH 15-29 = SAOS moderada; IAH ≥ 30 = SAOS grave. Abaixo de 5 em adultos é considerado normal. O IAH deve ser interpretado em conjunto com a saturação mínima de oxigênio e a escala de sonolência diurna.

O CPAP é superior ao aparelho intraoral em redução do IAH e é o padrão-ouro para SAOS moderada a grave. O aparelho de avanço mandibular é mais tolerado a longo prazo por muitos pacientes e é eficaz para SAOS leve a moderada. A escolha deve ser individualizada pelo médico considerando gravidade, anatomia, tolerância e preferência do paciente. Ambos são eficazes se usados regularmente.

A melhora da sonolência diurna e do humor começa na primeira semana. A redução da pressão arterial e dos marcadores cardiovasculares leva semanas a meses. Para benefício cardiovascular máximo, recomenda-se uso de pelo menos 4 horas por noite em mais de 70% das noites. Pacientes que usam o CPAP por mais de 6 horas têm os maiores benefícios.

Sim. A polissonografia domiciliar (tipo III) é uma opção válida para triagem de SAOS em pacientes com alta probabilidade clínica (STOP-BANG ≥ 5) e sem outras doenças do sono. Monitoriza fluxo aéreo, esforço respiratório, saturação de oxigênio e posição corporal. Não avalia estadiamento do sono nem detecta outros distúrbios (movimentos periódicos, parassonias), para os quais é necessária polissonografia laboratorial completa.

Ronco habitual em crianças deve sempre ser investigado. A causa mais comum é hipertrofia de adenoides e amígdalas. A SAOS infantil pode causar retardo do crescimento, problemas comportamentais, dificuldade escolar e, em casos graves, complicações cardíacas. A polissonografia pediátrica têm critérios diferentes do adulto — qualquer IAH ≥ 1 em criança é anormal. A amigdalectomia com adenoidectomia é curativa em 80-90% dos casos.

Não para SAOS moderada a grave. Para SAOS leve, o ensaio de Freire et al. (2007) sugere possível redução do IAH com eletroacupuntura como adjuvante; a evidência é limitada a este estudo pequeno. Para SAOS moderada a grave, o CPAP permanece o tratamento de primeira linha — a acupuntura não o substitui. A polissonografia de controle após o ciclo de acupuntura é essencial para confirmar qualquer redução objetiva.

Sim, muito relevante. A SAOS é uma das principais causas secundárias de hipertensão resistente (PA elevada apesar de 3 ou mais medicamentos). A hipoxemia intermitente e a ativação simpática noturna elevam cronicamente a pressão arterial. O tratamento adequado da SAOS com CPAP pode reduzir a pressão sistólica em 2-5 mmHg e, em alguns casos, permitir redução dos anti-hipertensivos.

IAH ≥ 30 eventos por hora define SAOS grave. Porém, a gravidade real depende também da saturação mínima de oxigênio — dessaturações abaixo de 80% indicam risco cardiovascular elevado independentemente do IAH. O índice de tempo com saturação abaixo de 90% (T90) é outro marcador importante de hipoxemia acumulada durante o sono.

Para SAOS leve associada a obesidade, a perda de peso substancial pode eliminar completamente a apneia. A cirurgia bariátrica em obesos mórbidos cura a SAOS em 60-80% dos casos. Cirurgias ortognáticas (avanço maxilomandibular) têm taxa de sucesso de 80-90% em casos anatômicos selecionados. Para a maioria dos pacientes, o CPAP é um tratamento de longo prazo — eficaz enquanto usado, mas sem efeito modificador da doença.