O que é Espondilolistese?

Espondilolistese é o deslizamento anterior (anterolistese) ou, mais raramente, posterior (retrolistese) de uma vértebra em relação à vértebra imediatamente inferior. O termo deriva do grego: "spondylos" (vértebra) e "olisthesis" (escorregamento).

A condição pode ser congênita, resultante de defeito na pars interarticularis (ístmica), degenerativa, traumática ou patológica. Os dois tipos mais comuns são a espondilolistese ístmica — frequente em adolescentes e adultos jovens — e a espondilolistese degenerativa — predominante em mulheres acima de 50 anos.

O grau de deslizamento é classificado pelo sistema de Meyerding, que divide o escorregamento em quatro graus conforme a porcentagem de deslocamento da vértebra sobre a inferior. A maioria dos pacientes sintomáticos apresenta graus I ou II (até 50% de deslizamento) e responde bem ao tratamento conservador.

01

Deslizamento Vertebral

Uma vértebra desliza para frente (ou para trás) sobre a inferior, podendo comprimir raízes nervosas ou causar instabilidade.

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Classificação de Meyerding

Grau I (0-25%), II (25-50%), III (50-75%) e IV (75-100%). Grau V = espondiloptose (queda completa).

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Dois Tipos Principais

Ístmica: defeito na pars interarticularis em jovens. Degenerativa: artrose facetária com instabilidade em idosos.

Epidemiologia

A espondilólise (defeito na pars interarticularis, precursora da espondilolistese ístmica) afeta aproximadamente 6% da população geral, sendo mais frequente em homens. Em atletas que realizam hiperextensão lombar repetitiva — como ginastas, mergulhadores, lutadores e jogadores de futebol americano — a prevalência pode chegar a 20-30%.

A espondilolistese degenerativa é mais prevalente em mulheres (3:1 em relação aos homens), com pico de incidência após os 50 anos, acometendo predominantemente o nível L4-L5. A espondilolistese ístmica é mais comum no nível L5-S1, correspondendo a 85% dos casos ístmicos.

6%
PREVALÊNCIA DE ESPONDILÓLISE NA POPULAÇÃO GERAL
L5-S1
NÍVEL MAIS FREQUENTE NA FORMA ÍSTMICA
L4-L5
NÍVEL MAIS FREQUENTE NA FORMA DEGENERATIVA
3:1
RELAÇÃO MULHERES/HOMENS NA FORMA DEGENERATIVA

TIPOS DE ESPONDILOLISTESE

TIPOCAUSAIDADE TÍPICANÍVEL MAIS COMUM
Ístmica (Tipo II)Defeito (lise) na pars interarticularisAdolescentes e adultos jovensL5-S1 (85%)
Degenerativa (Tipo III)Artrose facetária e instabilidadeAcima de 50 anosL4-L5 (mais frequente)
Displásica (Tipo I)Malformação congênita da pars ou facetáriasInfância e adolescênciaL5-S1
Traumática (Tipo IV)Fratura aguda da pars ou pedículoQualquer idadeVariável
Patológica (Tipo V)Doença óssea (tumor, infecção, Paget)VariávelVariável

Fisiopatologia

A compreensão da fisiopatologia da espondilolistese requer conhecimento da anatomia funcional da pars interarticularis e das articulações facetárias. A pars interarticularis é a região do arco posterior vertebral entre os processos articulares superior e inferior — ela funciona como um "elo" estrutural que mantém a estabilidade do segmento vertebral.

Na espondilolistese ístmica, o mecanismo primário é a fratura por estresse da pars interarticularis (espondilólise) devido a hiperextensão repetitiva. Quando o defeito é bilateral, a vértebra perde a ancoragem posterior e desliza anteriormente sobre a vértebra inferior. Na espondilolistese degenerativa, a artrose facetária progressiva com remodelamento articular permite o escorregamento anterior, sem defeito na pars.

Anatomia da pars interarticularis: comparação entre espondilolistese ístmica (lise da pars) e degenerativa (artrose facetária), com classificação de Meyerding (graus I–IV)
Anatomia da pars interarticularis: comparação entre espondilolistese ístmica (lise da pars) e degenerativa (artrose facetária), com classificação de Meyerding (graus I–IV)
Anatomia da pars interarticularis: comparação entre espondilolistese ístmica (lise da pars) e degenerativa (artrose facetária), com classificação de Meyerding (graus I–IV)

Mecanismos de Dor e Déficit

A dor na espondilolistese pode originar-se de múltiplas fontes: instabilidade mecânica do segmento afetado (dor axial), compressão das raízes nervosas no forame intervertebral estreitado pelo deslizamento (dor radicular), artropatia facetária associada e espasmo da musculatura paravertebral reativa.

Na espondilolistese degenerativa de L4-L5, a raiz L5 é particularmente vulnerável à compressão no recesso lateral. O deslizamento anterior de L4 reduz o diâmetro do canal central e do forame, podendo causar estenose espinhal secundária com claudicação neurogênica — uma apresentação frequente em idosos.

Sintomas

A apresentação clínica da espondilolistese varia conforme o tipo (ístmica versus degenerativa), o grau de deslizamento e a presença de compressão neural. Muitos pacientes com espondilolistese de baixo grau são assintomáticos, sendo o achado descoberto incidentalmente em exames de imagem.

Critérios clínicos
07 itens

Sintomas da Espondilolistese

  1. 01

    Dor lombar mecânica

    Dor axial na região lombar que piora com extensão, atividade física e posição ortostática prolongada.

  2. 02

    Dor radicular

    Irradiação para nádegas e pernas no trajeto da raiz comprimida — L5 na degenerativa (L4-L5), S1 na ístmica (L5-S1).

  3. 03

    Rigidez lombar

    Limitação da mobilidade lombar, especialmente da extensão, com sensação de "travamento".

  4. 04

    Claudicação neurogênica

    Na forma degenerativa com estenose secundária: dor nas pernas ao caminhar, aliviada ao sentar.

  5. 05

    Espasmo muscular paravertebral

    Contratura protetora da musculatura paravertebral bilateral, com retificação da lordose lombar.

  6. 06

    Degrau palpável

    Na palpação da coluna, pode-se sentir um "degrau" no processo espinhoso do nível acometido (especialmente em graus II ou mais).

  7. 07

    Hamstrings tensas

    Encurtamento dos músculos isquiotibiais é frequente, especialmente em adolescentes com espondilolistese ístmica.

Diagnóstico

O diagnóstico da espondilolistese é confirmado por exames de imagem, sendo a radiografia simples da coluna lombar o exame inicial. A ressonância magnética complementa a avaliação ao demonstrar a compressão neural e a condição dos discos e das articulações facetárias.

🏥Avaliação Diagnóstica da Espondilolistese

Fonte: Diretrizes da Scoliosis Research Society e NASS

Exame Clínico
  • 1.Palpação do degrau no processo espinhoso (step-off)
  • 2.Dor à extensão lombar — teste de extensão em uma perna (teste de Stork)
  • 3.Avaliação neurológica segmentar: força, sensibilidade e reflexos L4-S1
  • 4.Teste de Lasègue para radiculopatia associada
  • 5.Avaliação do encurtamento dos isquiotibiais
  • 6.Marcha: observar hiperlordose lombar ou inclinação pélvica posterior
Exames de Imagem
  • 1.Radiografia lateral da coluna lombar: identifica o deslizamento e permite classificação de Meyerding
  • 2.Radiografia oblíqua: visualiza a pars interarticularis ("cachorrinho de La Chapelle") — defeito na pars aparece como colar no pescoço
  • 3.Radiografia dinâmica (flexão-extensão): avalia instabilidade (translação > 4 mm é significativa)
  • 4.RM lombar: avalia compressão neural, discos, facetárias e exclui outras causas
  • 5.TC com reconstrução sagital: melhor avaliação do defeito da pars
Radiografia oblíqua mostrando o sinal do cachorrinho de La Chapelle (colar no pescoço) e radiografia lateral com classificação de Meyerding
Radiografia oblíqua mostrando o sinal do cachorrinho de La Chapelle (colar no pescoço) e radiografia lateral com classificação de Meyerding
Radiografia oblíqua mostrando o sinal do cachorrinho de La Chapelle (colar no pescoço) e radiografia lateral com classificação de Meyerding

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Diagnóstico Diferencial

Hérnia de Disco Lombar

  • Dor radicular aguda unilateral
  • Lasègue positivo
  • Sem degrau palpável na coluna

Testes Diagnósticos

  • RM lombar
  • Exame neurológico segmentar

Estenose Espinhal Degenerativa

Leia mais →
  • Claudicação neurogênica
  • Pode coexistir com listese
  • Sem instabilidade obrigatória

Testes Diagnósticos

  • RM lombar
  • Radiografia dinâmica

Dor Facetária Lombar

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  • Dor axial com extensão
  • Sem deslizamento na radiografia
  • Sem radiculopatia

Testes Diagnósticos

  • Radiografia lateral
  • Bloqueio do ramo medial

Sacroileíte

Leia mais →
  • Dor sobre a articulação sacroilíaca
  • Testes de provocação da ASI positivos
  • Sem deslizamento

Testes Diagnósticos

  • Teste de Gaenslen, FABER
  • Bloqueio intra-articular da ASI

Fratura Vertebral por Insuficiência

  • Dor aguda após trauma mínimo
  • Paciente com osteoporose
  • Dor à percussão do processo espinhoso

Testes Diagnósticos

  • Radiografia
  • RM com edema medular

Tratamentos

O tratamento da espondilolistese é predominantemente conservador para graus I e II sem déficit neurológico progressivo. A cirurgia é reservada para casos com instabilidade significativa, progressão do deslizamento, déficit neurológico ou falha do tratamento conservador após período adequado.

A base do tratamento conservador é o fortalecimento muscular do core e da musculatura estabilizadora da coluna lombar, associado a modificação de atividades, controle álgico e reabilitação funcional progressiva.

OPÇÕES DE TRATAMENTO PARA ESPONDILOLISTESE

TRATAMENTOINDICAÇÃOEVIDÊNCIACONSIDERAÇÕES
Exercícios de estabilização lombarGraus I e II, tratamento de primeira linhaForteFortalecimento do core, flexores profundos e glúteos
Órtese lombar (colete)Espondilólise aguda em adolescentesModeradaUso temporário (3-6 meses) para permitir cicatrização da pars
Médicação analgésicaControle sintomáticoModeradaAINEs, gabapentinoides para componente neuropático
Acupuntura e laserterapiaDor crônica, espasmo muscular associadoLimitada para espondilolistese especificamente — em lombalgia crônica geral a evidência é moderada, mas a extrapolação para condição estrutural específica requer cautelaAdjuvante ao programa de exercícios
Infiltração epiduralRadiculopatia ou claudicação refratáriasModeradaAlívio temporário para facilitar reabilitação
Fusão vertebral (artrodese)Graus III-IV, instabilidade, déficit neurológicoForteCom descompressão quando há estenose associada
Descompressão isoladaEstenose com listese estávelModeradaRisco de desestabilização — selecionar criteriosamente

Abordagem da Espondilolistese de Baixo Grau

Fase 1
0-4 semanas
Modificação de Atividades e Analgesia

Evitar extensão lombar excessiva, médicação analgésica, início de exercícios suaves de flexão. Acupuntura para controle da dor aguda e espasmo muscular.

Fase 2
4-12 semanas
Programa de Estabilização

Exercícios progressivos de fortalecimento do core, flexores profundos (multífidos, transverso abdominal), glúteos e isquiotibiais.

Fase 3
3-6 meses
Retorno Funcional

Progressão para atividades funcionais e esportivas com técnica adequada. Radiografia de controle para avaliar estabilidade.

Manutenção
Longo prazo
Programa de Manutenção

Exercícios regulares de fortalecimento, controle de peso, acompanhamento clínico e radiográfico periódico.

Acupuntura e Laserterapia

A acupuntura médica desempenha papel adjuvante importante no tratamento conservador da espondilolistese, atuando no controle da dor axial e radicular, na redução do espasmo muscular paravertebral reativo e na facilitação do programa de exercícios terapêuticos.

Os mecanismos propostos incluem modulação segmentar da nocicepção no nível do deslizamento, possível liberação de opioides endógenos centrais e periféricos, relaxamento da musculatura paravertebral e glútea em espasmo protetor, e melhora da microcirculação local — hipóteses derivadas da literatura geral de acupuntura em dor lombar; evidência específica para espondilolistese é limitada.

A laserterapia de baixa intensidade complementa a acupuntura com efeito anti-inflamatório local sobre as estruturas periarticulares, modulação da dor nociceptiva e neuropática, e potencial estímulo à reparação tecidual. Na espondilólise aguda em adolescentes, a laserterapia pode auxiliar na modulação do processo inflamatório no local da lise.

Para mais informações sobre o uso específico da acupuntura nesta condição, consulte nosso artigo detalhado sobre acupuntura para espondilolistese lombar.

Prognóstico

O prognóstico da espondilolistese é geralmente favorável para graus I e II. A maioria dos pacientes com espondilolistese de baixo grau melhora com tratamento conservador e mantém funcionalidade satisfatória em longo prazo.

A progressão do deslizamento é incomum em adultos com espondilolistese ístmica de baixo grau. Na forma degenerativa, a progressão tende a ser lenta (1-2 mm por década) e estabiliza-se com o agravamento da artrose facetária, que "trava" o segmento.

A cirurgia de fusão (artrodese) oferece resultados consistentes para casos que não respondem ao tratamento conservador, com taxas de satisfação de 70-85%. Em adolescentes com espondilólise aguda, o tratamento conservador com órtese permite cicatrização do defeito em até 80% dos casos quando iniciado precocemente.

70-85%
MELHORA COM TRATAMENTO CONSERVADOR (GRAUS I-II)
80%
CICATRIZAÇÃO DA PARS COM ÓRTESE EM ADOLESCENTES
< 5%
PROGRESSÃO DO DESLIZAMENTO EM ADULTOS POR DÉCADA
70-85%
SATISFAÇÃO APÓS ARTRODESE EM CASOS SELECIONADOS

Mitos e Fatos

Mito vs. Fato

MITO

Espondilolistese significa que a vértebra vai "cair" e paralisar.

FATO

A maioria das espondilolisteses é de baixo grau (I ou II) e permanece estável ao longo da vida. A progressão para graus graves é rara em adultos. Paralisia é um evento extremamente incomum, mesmo em graus elevados.

MITO

Quem têm espondilolistese não pode fazer exercício físico.

FATO

Exercícios são a base do tratamento conservador. Fortalecimento do core, natação e bicicleta são seguros e benéficos. Apenas esportes com hiperextensão lombar excessiva devem ser adaptados ou evitados durante a fase sintomática.

MITO

A cirurgia é inevitável para quem têm espondilolistese.

FATO

70-85% dos pacientes com graus I e II respondem bem ao tratamento conservador. A cirurgia é reservada para graus elevados, instabilidade significativa, déficit neurológico progressivo ou falha do tratamento conservador adequado.

MITO

Se a radiografia mostra espondilolistese, isso é a causa da minha dor.

FATO

Muitos pacientes com espondilolistese radiológica são completamente assintomáticos. A correlação clínico-radiológica é essencial — a listese pode ser um achado incidental, e a dor pode ter outra origem.

Quando Procurar Ajuda Médica

PERGUNTAS FREQUENTES · 07

Perguntas Frequentes sobre Espondilolistese

Espondilolistese é o deslizamento de uma vértebra sobre a inferior. Os dois tipos mais comuns são: ístmica — causada por defeito (fratura por estresse) na pars interarticularis, frequente em adolescentes e adultos jovens, predominando no nível L5-S1; e degenerativa — causada por artrose facetária e instabilidade progressiva, mais comum em mulheres acima de 50 anos no nível L4-L5. A classificação de Meyerding gradua o deslizamento de I (0-25%) a IV (75-100%).

O diagnóstico é confirmado por radiografia lateral da coluna lombar, que demonstra o deslizamento e permite a classificação de Meyerding. A radiografia oblíqua visualiza a pars interarticularis (imagem do "cachorrinho de La Chapelle"). Radiografias dinâmicas em flexão e extensão avaliam instabilidade (translação superior a 4 mm é significativa). A ressonância magnética complementa a avaliação demonstrando compressão neural, condição dos discos e facetárias.

Não. A maioria dos pacientes com graus I e II (até 50% de deslizamento) responde bem ao tratamento conservador: exercícios de estabilização lombar, fortalecimento do core, médicação e acupuntura. A cirurgia é indicada para graus III-IV com instabilidade, déficit neurológico progressivo, síndrome da cauda equina ou falha do tratamento conservador adequado após 3-6 meses. Em adolescentes com espondilólise aguda, o uso de órtese por 3-6 meses permite cicatrização em 80% dos casos.

A acupuntura atua como tratamento adjuvante no controle da dor axial e radicular, na redução do espasmo da musculatura paravertebral e na facilitação do programa de exercícios. A eletroacupuntura nos pontos paravertebrais do segmento afetado promove analgesia endorfinérgica e relaxamento muscular. A laserterapia complementa com efeito anti-inflamatório local. A combinação permite que o paciente progrida mais rapidamente no programa de estabilização, que é a base do tratamento.

Exercícios de estabilização do core são a base do tratamento: prancha, bird-dog (sem extensão excessiva), dead bug e ativação do transverso abdominal são seguros e eficazes. Exercícios de flexão lombar (joelhos ao peito) são bem tolerados. Natação, bicicleta e caminhada em terreno plano são atividades aeróbicas seguras. Deve-se evitar hiperextensão lombar, saltos com impacto axial e levantamento de peso com técnica inadequada.

Em adultos com espondilolistese ístmica de baixo grau, a progressão é rara e geralmente inferior a 5% por década. Na forma degenerativa, a progressão tende a ser lenta e autolimitada, pois a própria artrose facetária "estabiliza" o segmento com o tempo. Em adolescentes em fase de crescimento, a monitorização radiográfica é mais importante, pois há maior risco de progressão. O fortalecimento muscular regular é a melhor estratégia preventiva.

Um ciclo inicial de 8 a 12 sessões, realizadas 1-2 vezes por semana, é recomendado. O benefício principal é a facilitação do programa de exercícios: ao controlar a dor, permite a progressão mais precoce dos exercícios de estabilização. Sessões de manutenção quinzenais ou mensais podem ser indicadas para pacientes com dor crônica recorrente. O médico acupunturista avalia a resposta individual e ajusta o plano conforme a evolução clínica.