O que é Radiculopatia Cervical?
Radiculopatia cervical é uma condição neurológica resultante da compressão, irritação ou inflamação de uma raiz nervosa na coluna cervical. O resultado é dor irradiada para o membro superior (braquialgia), frequentemente acompanhada de dormência, formigamento e/ou fraqueza muscular no território da raiz afetada.
As causas mais comuns são a herniação discal (predominante em pacientes mais jovens, 20-45 anos) e a espondilose cervical com estenose foraminal (predominante em pacientes acima de 50 anos). Ambas levam ao estreitamento do forame intervertebral por onde a raiz nervosa emerge.
A boa notícia é que a maioria dos casos de radiculopatia cervical melhora com tratamento conservador. Estudos de história natural demonstram que 80-90% dos pacientes apresentam melhora significativa em 2-3 meses sem necessidade de cirurgia.
Dor Radicular
A dor segue o trajeto do nervo comprimido — do pescoço ao braço, antebraço e/ou mão, em padrão dermatomérico.
C6 e C7 Mais Comuns
As raízes C6 e C7 são afetadas em mais de 70% dos casos, correspondendo aos níveis C5-C6 e C6-C7.
Evolução Favorável
80-90% dos pacientes melhoram com tratamento conservador em 2-3 meses.
Epidemiologia
A incidência anual de radiculopatia cervical é de aproximadamente 83 por 100.000 habitantes. Afeta homens e mulheres igualmente, com pico de incidência entre 50 e 54 anos. A raiz C7 é a mais frequentemente afetada (45-60%), seguida por C6 (20-25%), C8 (10-15%) e C5 (5-10%).
Fisiopatologia
A raiz nervosa cervical pode ser comprimida por diferentes mecanismos. A herniação discal envolve a protrusão do núcleo pulposo através do anel fibroso, comprimindo a raiz nervosa adjacente. Na espondilose, osteófitos (bicos de papagaio), hipertrofia das articulações uncovertebrais e facetárias, e espessamento ligamentar progressivamente estreitam o forame neural.
Além da compressão mecânica, há um componente inflamatório químico significativo. O material do núcleo pulposo liberado na herniação contém fosfolipase A2, citocinas inflamatórias (TNF-alfa, IL-1, IL-6) e óxido nítrico, que irritam a raiz nervosa e causam edema e disfunção neural mesmo sem compressão mecânica direta.

A dor radicular resulta de ativação de nociceptores no nervi nervorum (nervos dos nervos), inflamação do gânglio da raiz dorsal e sensibilização dos neurônios do corno dorsal da medula. Os déficits sensitivos e motores refletem o bloqueio de condução nas fibras aferentes e eferentes da raiz comprimida.
Sintomas
A apresentação clínica depende da raiz afetada. O sintoma principal é dor que irradia do pescoço para o membro superior em padrão dermatomérico específico. A dor é tipicamente descrita como lancinante, em queimação ou elétrica.
PADRÃO POR RAIZ NERVOSA
| RAIZ | ÁREA DE DOR/DORMÊNCIA | FRAQUEZA MUSCULAR | REFLEXO AFETADO |
|---|---|---|---|
| C5 | Ombro lateral, braço lateral | Deltoide, bíceps | Bicipital |
| C6 | Braço lateral, polegar e indicador | Bíceps, extensores do punho | Braquiorradial |
| C7 | Dedo médio, face posterior do antebraço | Tríceps, flexores do punho | Tricipital |
| C8 | Dedo anular e mínimo, face medial do antebraço | Interósseos, flexores dos dedos | Nenhum específico |
Sintomas Comuns da Radiculopatia Cervical
- 01
Dor cervical com irradiação para o braço
Dor que segue o trajeto do nervo comprimido. Pode ser agravada por movimentos do pescoço, especialmente extensão e rotação para o lado afetado.
- 02
Parestesias (dormência e formigamento)
Alteração sensitiva no dermátomo da raiz afetada — polegar/indicador (C6), dedo médio (C7), mínimo/anular (C8).
- 03
Fraqueza muscular
Fraqueza no miótomo correspondente. Pode ser sutil e percebida como dificuldade para segurar objetos ou abrir tampas.
- 04
Sinal de Spurling positivo
Dor reproduzida pela extensão e rotação do pescoço para o lado afetado com compressão axial — teste provocativo clássico.
- 05
Alívio com abdução do ombro
O "sinal de abdução do ombro" (mão sobre a cabeça) alivia a tensão na raiz e reduz a dor — achado sugestivo de radiculopatia.
- 06
Dor noturna
A dor pode piorar à noite, dificultando encontrar posição confortável para dormir.
Diagnóstico
O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história e no exame neurológico. A ressonância magnética é o exame de escolha para confirmar e localizar a compressão, mas só é indicada quando há dúvida diagnóstica, sinais de mielopatia ou quando se contempla tratamento cirúrgico.
🏥Avaliação Diagnóstica
Fonte: North American Spine Society (NASS) Guidelines
Exame Neurológico
- 1.Teste de Spurling: extensão + rotação + compressão axial
- 2.Teste de distração cervical: tração alivia a dor
- 3.Teste de abdução do ombro: mão sobre cabeça alivia
- 4.Avaliação de dermátomos, miótomos e reflexos
- 5.Exclusão de sinais de mielopatia (sinal de Hoffman, Babinski, marcha atáxica)
Exames de Imagem
- 1.RM cervical: padrão-ouro para visualizar disco, medula e raízes
- 2.TC cervical: alternativa se RM contraindicada; melhor para avaliar osteófitos
- 3.Radiografia cervical: avaliação de alinhamento, instabilidade, espondilose
Eletroneuromiografia (ENMG)
- 1.Indicada quando há dúvida entre radiculopatia e neuropatia periférica
- 2.Confirma desnervação no miótomo afetado
- 3.Pode ser normal nas primeiras 3 semanas (aguardar degeneração walleriana)
Diagnóstico Diferencial
A dor cervical com irradiação para o membro superior pode ter diversas causas além da radiculopatia. O diagnóstico diferencial preciso evita tratamentos inadequados e identifica condições que requerem atenção urgente.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Diagnóstico Diferencial
Síndrome do Desfiladeiro Torácico
- Sintomas em todo o membro superior
- Piora ao elevar os braços
- Teste de Adson positivo
Testes Diagnósticos
- Teste de Adson
- Doppler arterial
- RNM cervicotorácica
Síndrome do Túnel do Carpo
Leia mais →- Dermátomo mediano
- Phalen positivo
- Piora à noite
Testes Diagnósticos
- EMG
Tendinopatia do Manguito Rotador
Leia mais →- Dor localizada no ombro
- Piora com elevação
- Sem irradiação distal
Testes Diagnósticos
- RNM do ombro
- Ultrassonografia
Mielopatia Cervical
- Sinais de NMS: hiperreflexia, Babinski
- Disfunção vesical
- Marcha instável
- Mielopatia = avaliação neurocirúrgica
Testes Diagnósticos
- RNM cervical urgente
Dor Miofascial Cervical
Leia mais →- Pontos-gatilho sem déficit neurológico
- EMG normal
- Responde ao agulhamento
A acupuntura pode ser útil como adjuvante no manejo da dor miofascial cervical
Radiculopatia vs. Síndrome do Túnel do Carpo e Manguito Rotador
A síndrome do túnel do carpo (STC) é frequentemente confundida com radiculopatia C6, pois ambas causam parestesias no polegar, indicador e dedo médio. A diferênciação é importante: na STC, os sintomas são restritos ao dermátomo mediano (polegar, indicador, dedo médio), o Phalen e Tinel são positivos, os sintomas pioram à noite e ao segurar objetos, e o EMG confirma neuropatia do nervo mediano no carpo. Na radiculopatia C6, há dor que irradia do pescoço, o sinal de Spurling é positivo e o reflexo bicipital pode estar reduzido. As duas condições podem coexistir ("síndrome do duplo esmagamento").
A tendinopatia do manguito rotador causa dor no ombro que pode irradiar para o braço, simulando radiculopatia C5-C6. A distinção chave é que a dor do manguito é localizada no ombro e na face lateral do úmero, piora com abdução e rotação específica do ombro, e não irradia além do cotovelo. Testes especiais do ombro (Neer, Hawkins, Jobe) são positivos. A ultrassonografia e RNM do ombro confirmam a patologia do manguito.
Mielopatia Cervical: Red Flag Obrigatório
A mielopatia cervical é uma complicação da espondilose cervical grave e requer avaliação neurocirúrgica urgente. Diferentemente da radiculopatia (neurônio motor inferior), a mielopatia causa sinais de neurônio motor superior: hiperreflexia dos membros inferiores, clonus, Babinski, sinal de Hoffmann, marcha espástica instável e disfunção vesical. Qualquer paciente com dor cervical e esses sinais deve ter RNM cervical urgente e encaminhamento ao neurocirurgião. A radiculopatia sem mielopatia têm prognóstico muito mais favorável com tratamento conservador.
A dor miofascial cervical é uma causa muito comum de dor cervical com irradiação para os membros superiores que simula radiculopatia. Diferentemente da radiculopatia, não há déficit neurológico (força, reflexos e sensibilidade normais), o EMG é normal, e a RNM não mostra correlação com os sintomas. A dor miofascial responde bem ao agulhamento seco e à acupuntura — sendo uma das indicações mais consistentes para a acupuntura médica no contexto cervical.
Síndrome do Desfiladeiro Torácico
A síndrome do desfiladeiro torácico (SDT) envolve compressão do plexo braquial e/ou vasos subclávios entre a clavícula, a primeira costela e os músculos escalenos. Causa dor, parestesias e fraqueza em todo o membro superior, frequentemente com piora ao elevar os braços acima da cabeça. Diferentemente da radiculopatia (irradiação dermatomérica específica do pescoço), a SDT afeta todo o membro superior sem padrão radicular claro. O teste de Adson (diminuição do pulso radial com hiperextensão e rotação do pescoço) pode ser positivo. O diagnóstico confirmatório requer Doppler arterial e RNM cervicotorácica.
A acupuntura pode contribuir no manejo da radiculopatia cervical por mecanismos ainda em investigação — entre os propostos estão redução do espasmo muscular paravertebral (que pode agravar a compressão foraminal), modulação central da dor neuropática e efeitos sobre a microcirculação local. O médico acupunturista deve confirmar o diagnóstico antes de iniciar o tratamento e manter vigilância para sinais de mielopatia que exijam encaminhamento neurocirúrgico.
Tratamento
O tratamento conservador é a primeira linha para a grande maioria dos casos. A cirurgia é reservada para pacientes com mielopatia cervical, déficit motor progressivo ou dor refratária após 6-12 semanas de tratamento conservador adequado.
Fase Aguda
0-2 semanasControle da dor com AINEs, analgésicos e, quando indicado, ciclo curto de corticosteroide oral. Colar cervical macio pode ser usado brevemente para conforto (não mais que 1-2 semanas). Modificação de atividades.
Fase Subaguda
2-6 semanasFisioterapia: tração cervical, exercícios de mobilização, fortalecimento da musculatura estabilizadora, educação postural. Gabapentina ou pregabalina se componente neuropático persistente.
Fase de Recuperação
6-12 semanasPrograma de exercícios progressivos, retorno gradual às atividades. Se resposta parcial: injeção epidural cervical de corticosteroide (fluoroscopia obrigatória).
Cirurgia
Se refratário ou mielopatiaDiscectomia e fusão cervical anterior (ACDF): padrão-ouro. Foraminotomia posterior minimamente invasiva. Artroplastia cervical (disco artificial) em casos selecionados.
Acupuntura como Tratamento
A acupuntura é considerada uma opção complementar para radiculopatia cervical; a evidência específica é limitada (Cochrane 2016 — Trinh — concluiu insuficiência de dados de qualidade). Entre os mecanismos propostos — ainda em investigação — estão modulação das vias descendentes inibitórias da dor, possível redução da inflamação perirradicular, relaxamento da musculatura paravertebral e melhora da microcirculação local.
A abordagem pode incluir agulhamento paravertebral cervical, pontos ao longo do trajeto do nervo afetado no membro superior, pontos distais para modulação central da dor e eletroacupuntura. A estimulação de pontos cervicais pode reduzir o espasmo muscular protetor e contribuir para o alívio sintomático local; o impacto direto sobre a compressão foraminal não está demonstrado. O agulhamento paravertebral cervical baixo e torácico alto deve ser realizado com técnica adequada pelo médico acupunturista, dado o risco raro mas documentado de pneumotórax.
A acupuntura pode ser particularmente útil na fase subaguda, complementando a fisioterapia, e como alternativa para pacientes com intolerância a anti-inflamatórios ou que desejam reduzir o uso de medicamentos.
Prognóstico
O prognóstico da radiculopatia cervical é geralmente favorável. Aproximadamente 80-90% dos pacientes melhoram significativamente com tratamento conservador dentro de 2-3 meses. A reabsorção parcial ou total do material herniado é documentada em estudos de seguimento com RM.
Pacientes que requerem cirurgia também apresentam bons resultados, com taxa de satisfação superior a 85-90% para discectomia cervical anterior. Recorrência no mesmo nível é incomum, mas doença degenerativa em níveis adjacentes pode ocorrer a longo prazo.
Mitos e Fatos
Mito vs. Fato
Hérnia de disco cervical sempre requer cirurgia.
A grande maioria (80-90%) das radiculopatias cervicais por hérnia de disco melhora sem cirurgia. O disco herniado pode reabsorver-se parcialmente com o tempo. A cirurgia é reservada para casos com mielopatia, déficit motor progressivo ou dor refratária ao tratamento conservador.
Mito vs. Fato
Uma protrusão discal na RM significa que preciso de tratamento.
Protrusões discais são achados extremamente comuns na população assintomática. A decisão de tratar deve ser baseada nos sintomas clínicos e na correlação com os achados de imagem, não na imagem isoladamente.
Mito vs. Fato
Repouso absoluto é o melhor tratamento.
O repouso prolongado pode piorar a condição, levando a descondicionamento muscular e rigidez. Atividade física modificada, exercícios terapêuticos e retorno gradual às atividades são mais benéficos.
Quando Procurar Ajuda
Perguntas Frequentes
Perguntas Frequentes
Não. A grande maioria (80-90%) das radiculopatias cervicais melhora com tratamento conservador em 2-3 meses. O disco herniado pode reabsorver-se parcialmente com o tempo. A cirurgia é reservada para: mielopatia cervical, déficit motor progressivo, dor refratária após 6-12 semanas de tratamento conservador adequado, ou quando a qualidade de vida está gravemente comprometida. A decisão cirúrgica deve ser individualizada e discutida em conjunto com neurocirurgião.
O diagnóstico de radiculopatia cervical é primariamente clínico — baseado na história de dor irradiada em padrão dermatomérico, parestesias, fraqueza e testes provocativos (Spurling). A RNM cervical é o exame de confirmação de escolha, mas só é indicada quando há dúvida diagnóstica, sinais de mielopatia ou contemplação de intervenção. Importante: a RNM não deve ser solicitada de rotina para cervicalgia simples, pois achados degenerativos são extremamente comuns em adultos assintomáticos.
Porque as raízes nervosas cervicais carregam fibras sensoriais que inerva o membro superior. A raiz C6, por exemplo, inerva o polegar e o indicador. Quando essa raiz é comprimida no pescoço, os sinais de dor viajam pelo nervo para a área que ele inerva — o cérebro "percebe" a dor como vindo do braço, mesmo que a origem seja no pescoço. É o mesmo princípio pelo qual a dor cardíaca pode irradiar para o braço esquerdo.
O colar cervical macio pode proporcionar alívio a curto prazo ao limitar movimentos que agravam a compressão radicular. No entanto, não deve ser usado por mais de 1-2 semanas, pois o uso prolongado causa atrofia da musculatura cervical, aumenta a dependência e retarda a recuperação. A preferência atual é por mobilização precoce com fisioterapia, que fortalece a musculatura estabilizadora e acelera a recuperação.
Na fase aguda, exercícios suaves de mobilidade cervical dentro da faixa indolor são benéficos. Evitar exercícios que aumentam a dor radicular — especialmente extensão cervical e rotação para o lado afetado. Na fase subaguda, exercícios de estabilização cervical (fortalecimento de músculos profundos do pescoço) são essenciais. A fisioterapia deve orientar e progredir o programa de exercícios de forma individualizada.
A injeção epidural cervical de corticosteroide (transforaminal, guiada por fluoroscopia) pode proporcionar alívio significativo da dor radicular quando o tratamento conservador é insuficiente. Atua reduzindo a inflamação perirradicular. O benefício tende a ser mais pronunciado nos primeiros 3 meses. É um procedimento de médio risco que deve ser realizado por especialista treinado, com fluoroscopia obrigatória para segurança. Não modifica a história natural da doença, mas permite reabilitação com menor dor.
Ensaios clínicos randomizados sugerem que a acupuntura pode reduzir a dor cervical e braquial nesses pacientes, embora a qualidade metodológica dos estudos seja variável. Parte da evidência disponível indica benefício quando a acupuntura é somada à fisioterapia convencional, sem substituir o tratamento padrão. É uma opção complementar útil principalmente na fase subaguda e em pacientes que desejam reduzir o uso de medicamentos. A presença de mielopatia, déficit motor progressivo ou dor refratária exige reavaliação e possível encaminhamento neurocirúrgico.
Com tratamento conservador adequado (analgésicos, fisioterapia), a maioria dos pacientes apresenta melhora progressiva nas primeiras 4-8 semanas. Aproximadamente 50% melhoram nas primeiras 2-4 semanas e 80-90% em 2-3 meses. Se não houver melhora significativa após 6 semanas de tratamento conservador, deve-se reavaliar o diagnóstico, considerar exames de imagem se não realizados, e discutir opções como injeção epidural ou encaminhamento cirúrgico.
A radiculopatia cervical isolada raramente causa paralisia permanente. Entretanto, a mielopatia cervical (compressão da medula espinhal, não apenas da raiz) pode causar fraqueza progressiva nos membros. Se houver fraqueza progressiva, marcha instável, dificuldade para usar as mãos ou alterações na bexiga, é necessário avaliação neurocirúrgica urgente. O tratamento cirúrgico oportuno previne déficit neurológico permanente.
Sim, recorrências são possíveis, especialmente em níveis diferentes. A degeneração discal é um processo progressivo relacionado à idade. No entanto, recorrência no mesmo nível tratado cirurgicamente é incomum (5-10%). Exercícios regulares de fortalecimento cervical, boa ergonomia (postura no trabalho, altura do monitor), manutenção do peso adequado e evitar tabagismo são medidas preventivas importantes.
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