Effects of different acupuncture strategies on the prognosis and inflammatory factor levels associated with the treatment of knee osteoarthritis
Li et al. · Clinics · 2026
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Comparar a eficácia de quatro estratégias de acupuntura no tratamento de osteoartrite de joelho
QUEM
123 pacientes com osteoartrite de joelho, idades entre 39-75 anos
DURAÇÃO
6 semanas de tratamento, 2 sessões por semana
PONTOS
Ashi, Xiyan, Liangqiu, Yanglingquan, Xuanzhong, Xuehai, Zusanli
🔬 Desenho do Estudo
Acupuntura tradicional
n=35
Agulhamento convencional nos pontos principais
Eletroacupuntura
n=33
Agulhamento com estimulação elétrica 50Hz
Acupuntura aquecida
n=30
Agulhamento com moxa aquecida
Acupuntura com fogo
n=25
Agulhamento com agulhas aquecidas ao rubro
📊 Resultados em Números
Melhora na dor (VAS) - eletroacupuntura
Redução IL-6 - eletroacupuntura
Eficácia total - eletroacupuntura
Melhora função física SF-36
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Escore VAS de dor (após tratamento)
Este estudo comparou quatro tipos diferentes de acupuntura para tratar dores no joelho causadas por artrose. Todos os tipos de acupuntura ajudaram a reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida, mas a eletroacupuntura (que usa pequenas correntes elétricas nas agulhas) mostrou os melhores resultados.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Efeitos de Diferentes Estratégias de Acupuntura no Prognóstico e Níveis de Fatores Inflamatórios na Osteoartrite de Joelho
A osteoartrite de joelho é uma condição degenerativa que afeta milhões de pessoas, especialmente idosos, causando dor, rigidez e limitação funcional significativa. Este estudo brasileiro, conduzido no Hospital do Povo de Jiujiang, investigou a eficácia comparativa de quatro modalidades distintas de acupuntura no tratamento desta condição. O trabalho incluiu 123 pacientes com osteoartrite de joelho diagnosticada, com idades entre 39 e 75 anos, distribuídos em quatro grupos de tratamento: acupuntura tradicional (35 pacientes), eletroacupuntura (33 pacientes), acupuntura aquecida com moxa (30 pacientes) e acupuntura com fogo (25 pacientes). O protocolo de tratamento seguiu a medicina tradicional chinesa, utilizando pontos principais como Ashi, Xiyan, Liangqiu e Yanglingquan, com pontos complementares selecionados conforme a diferenciação de síndromes.
Cada paciente recebeu duas sessões semanais durante seis semanas, totalizando 12 sessões por curso de tratamento. A eletroacupuntura utilizou estimulação elétrica de 50Hz por 30 minutos, enquanto a acupuntura aquecida empregou bastões de moxa de 2cm aquecidos sobre as agulhas. A acupuntura com fogo envolveu o aquecimento das agulhas até ficarem incandescentes antes da inserção. Os resultados foram avaliados através de múltiplos instrumentos validados: questionário SF-36 para qualidade de vida, formulário WOMAC para função do joelho, escala visual analógica (VAS) para dor, escore JOA para função articular, e análise de marcadores inflamatórios séricos incluindo IL-6, TNF-α e proteína C reativa.
Os achados revelaram que todas as modalidades de acupuntura proporcionaram melhorias significativas na qualidade de vida dos pacientes, mas com magnitudes diferentes. A eletroacupuntura demonstrou superioridade consistente em múltiplos domínios, incluindo saúde física (58.9→74.0 pontos no SF-36), função física, redução da dor corporal, vitalidade e funcionamento social. Na avaliação WOMAC, a eletroacupuntura mostrou os melhores resultados para redução da dor (10.4→4.0 pontos), rigidez (5.4→1.6 pontos) e melhora da função física (30.0→18.0 pontos). A análise dos escores VAS confirmou a superioridade da eletroacupuntura na redução da dor (5.3→2.7 pontos), seguida pela acupuntura com fogo (5.4→2.6 pontos), acupuntura aquecida (5.8→3.2 pontos) e acupuntura tradicional (6.1→3.7 pontos).
Particularmente impressionante foi o impacto nos marcadores inflamatórios, onde a eletroacupuntura reduziu significativamente a IL-6 (3.9→0.6 ng/mL), TNF-α (42.9→9.0 fmoL/mL) e proteína C reativa (20.9→5.7 mg/L), superando as outras modalidades. Apesar das diferenças nos itens específicos, a eficácia geral entre os tratamentos foi comparável, com taxas de efetividade total variando de 71.3% (acupuntura tradicional) a 76.3% (acupuntura aquecida). O mecanismo proposto envolve a modulação do sistema neuroendócrino-imune, com liberação de neurotransmissores como acetilcolina e substâncias opioides endógenas, resultando em efeitos analgésicos e anti-inflamatórios. A eletroacupuntura pode oferecer vantagens adicionais através da estimulação elétrica controlada, que potencializa os efeitos da acupuntura tradicional.
Clinicamente, estes resultados sugerem que a acupuntura representa uma alternativa segura e eficaz aos tratamentos convencionais, especialmente para pacientes que não toleram anti-inflamatórios não esteroidais ou que preferem abordagens menos invasivas. A eletroacupuntura emerge como a modalidade preferencial quando disponível, oferecendo benefícios superiores em dor, função e inflamação.
Pontos Fortes
- 1Comparação direta de quatro modalidades de acupuntura
- 2Uso de múltiplos instrumentos de avaliação validados
- 3Avaliação de marcadores inflamatórios objetivos
- 4Protocolo padronizado baseado na MTC
- 5Amostra representativa de pacientes com osteoartrite
Limitações
- 1Ausência de grupo controle placebo
- 2Não randomização mencionada
- 3Falta de cegamento dos avaliadores
- 4Ausência de seguimento a longo prazo
- 5Tamanho amostral relativamente pequeno por grupo
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241
▸ Relevância Clínica
A osteoartrite de joelho representa um dos diagnósticos mais frequentes em qualquer ambulatório de fisiatria e dor musculoesquelética, especialmente em pacientes acima dos 60 anos com comorbidades que limitam o uso prolongado de AINEs ou que já esgotaram opções conservadoras convencionais. Este trabalho, ao comparar diretamente quatro modalidades de acupuntura ao longo de seis semanas com 12 sessões no total, oferece ao médico uma base de escolha terapêutica mais racional do que a prática habitual, que frequentemente seleciona a modalidade por disponibilidade ou preferência do serviço. A eletroacupuntura emerge como opção de primeira linha quando o objetivo é redução analgésica objetiva e modulação inflamatória sistêmica, sendo particularmente aplicável em pacientes com osteoartrite sintomática moderada a grave que aguardam artroplastia ou que recusam infiltrações intra-articulares. A redução expressiva de IL-6, TNF-α e proteína C reativa confere a essa modalidade relevância que vai além do alívio sintomático, posicionando-a como intervenção com potencial modificador do ambiente articular inflamatório.
▸ Achados Notáveis
O achado mais expressivo não é simplesmente que a eletroacupuntura superou as demais modalidades em dor — isso já era sugerido por metanálises anteriores — mas sim a magnitude da redução nos marcadores inflamatórios séricos. A queda de IL-6 de 3,9 para 0,6 ng/mL e de TNF-α de 42,9 para 9,0 fmoL/mL após apenas seis semanas de eletroacupuntura a 50 Hz indica ativação robusta de vias inibitórias descendentes com componente neuroendócrino-imune mensurável perifericamente. A acupuntura com fogo, modalidade menos estudada no Ocidente, apresentou desempenho analgésico próximo ao da eletroacupuntura no VAS, o que merece atenção. Outro ponto digno de nota é que mesmo a acupuntura tradicional — a modalidade de menor complexidade técnica — atingiu eficácia total de 71,3%, o que sugere que o denominador comum do agulhamento sobre pontos específicos já carrega substrato terapêutico independente dos adjuvantes elétricos ou térmicos. A melhora funcional no SF-36 de 58,9 para 74,0 pontos no grupo eletroacupuntura tem significado clínico real em termos de capacidade para atividades de vida diária.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no ambulatório de dor musculoesquelética, costumo observar resposta analgésica inicial à eletroacupuntura já na terceira ou quarta sessão em pacientes com osteoartrite de joelho grau II e III de Kellgren-Lawrence — exatamente o perfil que imagino predominar nesta amostra de 39 a 75 anos. Para manutenção clínica, trabalho habitualmente com ciclos de 10 a 12 sessões seguidos de reavaliação, o que coincide com o protocolo de 12 sessões em seis semanas adotado no artigo. Associo rotineiramente a eletroacupuntura a exercícios de fortalecimento de quadríceps supervisionados pelo fisioterapeuta, pois a melhora da dor potencializa a adesão ao exercício — combinação que, na minha experiência, produz resultados funcionais mais duradouros do que qualquer modalidade isolada. Tenho reservas para indicar acupuntura com fogo em pacientes anticoagulados ou com neuropatia periférica avançada. O perfil que melhor responde, na minha observação ao longo de mais de duas décadas, é o paciente com componente inflamatório ativo — derrame articular discreto, rigidez matinal, PCR elevada — exatamente onde os dados deste trabalho mostram o impacto mais expressivo da eletroacupuntura.
Artigo Original Completo
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Clinics · 2026
DOI: 10.1016/j.clinsp.2026.100871
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Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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