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Acupuncture in Preventing Postoperative Nausea and Vomiting: Efficacy of Two Acupuncture Points Versus a Single One

Alizadeh et al. · Journal of Acupuncture and Meridian Studies · 2014

🔬RCT Duplo-Cego👥n=227 participantesEvidência Moderada

Nível de Evidência

MODERADA
72/ 100
Qualidade
4/5
Amostra
4/5
Replicação
3/5
🎯

OBJETIVO

Comparar a eficácia de dois pontos de acupuntura simultâneos (PC6 + LI4) versus um único ponto (PC6) na prevenção de náusea e vômito pós-operatórios

👥

QUEM

227 pacientes submetidos a cirurgia eletiva sob anestesia geral, classificação ASA I ou II

⏱️

DURAÇÃO

Cirurgias de 1-2 horas com avaliação nas primeiras 24 horas pós-operatórias

📍

PONTOS

PC6 (Neiguan) isolado vs. PC6 + LI4 (Hegu) combinados, inseridos bilateralmente

🔬 Desenho do Estudo

227participantes
randomização

Grupo Único

n=112

Acupuntura apenas no ponto PC6 bilateral

Grupo Combinado

n=115

Acupuntura nos pontos PC6 + LI4 bilateral

⏱️ Duração: 1 ano de recrutamento com seguimento de 24 horas

📊 Resultados em Números

51,3%

Náusea no grupo combinado

0%

Náusea no grupo único

18,3%

Vômito no grupo combinado

34,8%

Vômito no grupo único

p<0,05

Significância estatística

Destaques Percentuais

51,3%
Náusea no grupo combinado
75%
Náusea no grupo único
18,3%
Vômito no grupo combinado
34,8%
Vômito no grupo único

📊 Comparação de Resultados

Incidência de Náusea (%)

PC6 + LI4
51.3
PC6 apenas
75

Incidência de Vômito (%)

PC6 + LI4
18.3
PC6 apenas
34.8
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostra que usar dois pontos de acupuntura juntos (PC6 no punho e LI4 na mão) funciona melhor que usar apenas um ponto para prevenir náusea e vômito após cirurgia. Os pacientes que receberam acupuntura nos dois pontos tiveram menos enjoo e vômito nas 24 horas seguintes à operação.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Este estudo controlado randomizado duplo-cego investigou se a combinação de dois pontos de acupuntura seria mais eficaz que um único ponto na prevenção de náusea e vômito pós-operatórios. Realizado no Hospital Imam Khomeini em Teerã, Iran, entre junho de 2011 e junho de 2012, o estudo incluiu 227 pacientes submetidos a cirurgia eletiva sob anestesia geral. Os critérios de inclusão abrangeram pacientes com classificação ASA I ou II, cirurgias com duração de 1-2 horas, excluindo operações nos olhos ou ouvidos. Foram excluídos pacientes que haviam usado esteroides no mês anterior, com cirurgias superiores a 2 horas ou histórico de enjoo do movimento.

Os participantes foram randomizados em dois grupos: 112 pacientes receberam acupuntura apenas no ponto PC6 (Neiguan) bilateral, enquanto 115 pacientes receberam acupuntura combinada nos pontos PC6 e LI4 (Hegu) bilateral. Todos os procedimentos de acupuntura foram realizados por um acupunturista experiente imediatamente após a indução anestésica, com agulhas estéreis mantidas no local durante toda a cirurgia. O protocolo anestésico foi padronizado para todos os pacientes, incluindo indução com tiopental sódico, atracúrio e lidocaína, seguida de manutenção com propofol, fentanil e ventilação com oxigênio e óxido nitroso. A randomização foi feita por programa computadorizado, garantindo que cirurgião, pacientes e investigador permanecessem cegos quanto aos grupos de estudo.

A avaliação de náusea e vômito foi realizada subjetivamente por enfermeira treinada e cega ao estudo nas primeiras 24 horas pós-operatórias. Os resultados demonstraram diferença estatisticamente significativa entre os grupos. No grupo combinado (PC6 + LI4), 51,3% dos pacientes apresentaram náusea comparado a 75% no grupo único (PC6 apenas), representando redução significativa (p<0,05). Quanto ao vômito, apenas 18,3% dos pacientes do grupo combinado apresentaram este sintoma versus 34,8% do grupo único, também estatisticamente significativo (p<0,05).

Não houve diferenças demográficas significativas entre os grupos, incluindo idade, sexo, tipo de cirurgia e complicações pós-operatórias precoces. As implicações clínicas sugerem que a adição do ponto LI4 ao tradicionalmente usado PC6 pode oferecer benefício adicional na prevenção de náusea e vômito pós-operatórios. O ponto PC6, localizado 5 cm proximalmente à prega distal do punho, tem reconhecido efeito antiemético, enquanto LI4, tradicionalmente usado para manejo da dor, demonstrou neste estudo efeito complementar. Os autores propõem que esta combinação represente avanço na medicina integrativa perioperatória, oferecendo alternativa com menos efeitos adversos que medicamentos antieméticos convencionais.

O mecanismo de ação proposto inclui possível estimulação gástrica promovendo esvaziamento e aumentando motilidade intestinal, embora o mecanismo exato permaneça incompletamente compreendido.

Pontos Fortes

  • 1Desenho duplo-cego rigoroso
  • 2Amostra adequada com 227 pacientes
  • 3Protocolo anestésico padronizado
  • 4Avaliação por pessoal cego ao estudo
  • 5Primeira investigação da combinação PC6+LI4
⚠️

Limitações

  • 1Avaliação subjetiva dos desfechos
  • 2Variação na definição anatômica precisa do LI4
  • 3Seguimento limitado a 24 horas
  • 4Estudo unicêntrico
  • 5Falta de grupo controle sem acupuntura

📅 Contexto Histórico

1990Primeiros estudos sobre acupuntura PC6 para náusea pós-operatória
2004Revisão Cochrane confirma eficácia do ponto P6
2011Início deste estudo comparando PC6 vs PC6+LI4
2013Publicação dos resultados favorecendo combinação de pontos
2014Publicação final demonstrando superioridade da terapia combinada
Dr. Marcus Yu Bin Pai

Comentário do Especialista

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241

Relevância Clínica

Náusea e vômito pós-operatórios (NVPO) afetam entre 20% e 30% dos pacientes cirúrgicos em geral, chegando a 70-80% em populações de alto risco, e seguem sendo uma das principais causas de insatisfação com o cuidado perioperatório e de atraso na alta hospitalar. Este trabalho, conduzido em população cirúrgica eletiva ASA I-II com protocolo anestésico padronizado, oferece evidência direta para a incorporação da combinação PC6 + LI4 em rotinas de profilaxia não farmacológica. A janela de intervenção — agulhamento imediatamente após indução anestésica — é operacionalmente simples e se encaixa sem fricção no fluxo de sala cirúrgica. Pacientes com histórico de NVPO, predisposição ao enjoo do movimento excluída neste estudo ou contraindicação a antieméticos convencionais como ondansetrona ou dexametasona constituem o alvo mais imediato. A combinação também pode atuar como estratégia adjuvante dentro de protocolos multimodais de ERAS, reduzindo carga farmacológica sem abdicar de eficácia.

Achados Notáveis

A redução absoluta de náusea de 75% para 51,3% com a adição de LI4 ao protocolo de PC6 representa um número necessário para tratar clinicamente relevante, e o efeito sobre vômito — de 34,8% para 18,3% — é ainda mais expressivo em termos proporcionais. O dado mais digno de atenção não é o efeito isolado do PC6, amplamente documentado na literatura, mas sim o ganho incremental conferido pelo LI4, ponto cuja indicação primária reside no manejo da dor e não no controle de náusea. Isso levanta questão mecanística concreta: o LI4 atua via modulação de motilidade gástrica, como sugerem os autores, ou por vias descendentes de controle da dor que convergem para circuitos autonômicos envolvidos no reflexo emético? A dissociação entre efeito analgésico e antiemético deste ponto merece investigação específica, pois abriria espaço para sua utilização em contextos além do perioperatório.

Da Minha Experiência

Na minha prática, o agulhamento de PC6 já integrava o arsenal perioperatório antes de evidências do porte deste ensaio — a resposta clínica observada era consistente, mas incompleta em pacientes com alto escore de risco para NVPO. A incorporação rotineira de LI4 como segundo ponto passou a fazer sentido prático à medida que fui observando resposta mais sustentada nas primeiras horas de recuperação pós-anestésica. Costumo ver benefício perceptível já na sala de recuperação, sem necessidade de sessões repetidas — o agulhamento intraoperatório único, mantido durante o procedimento, parece suficiente para o período crítico de 24 horas. Prefiro esta combinação especialmente em mulheres submetidas a procedimentos ginecológicos laparoscópicos, perfil classicamente de alto risco. Não indico a técnica quando há restrição de acesso ao punho e mão por campo cirúrgico ou monitorização, nem em pacientes com coagulopatia relevante. A associação com ondansetrona permanece como padrão em casos de risco muito elevado, usando a acupuntura como adjuvante, não como substituta.

Doutor em Ciências pela USP. Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

Journal of Acupuncture and Meridian Studies · 2014

DOI: http://dx.doi.org/10.1016/j.jams.2013.04.005

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.