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The Efficacy of Acupuncture in the Treatment of Bell's Palsy Sequelae

Öksüz et al. · Journal of Acupuncture and Meridian Studies · 2019

🎲Estudo Randomizado Controlado👥n=40 participantesEvidência moderada

Nível de Evidência

MODERADA
68/ 100
Qualidade
3/5
Amostra
2/5
Replicação
3/5
🎯

OBJETIVO

Avaliar a eficácia da acupuntura no tratamento de sequelas da paralisia de Bell

👥

QUEM

40 pacientes com paralisia de Bell há pelo menos 3 meses

⏱️

DURAÇÃO

12 sessões ao longo de 4 semanas

📍

PONTOS

25 agulhas por sessão incluindo ST2, ST6, TE17, Ex-HN5 e pontos sistêmicos

🔬 Desenho do Estudo

40participantes
randomização

Acupuntura

n=20

Eletroacupuntura e auriculoterapia Nogier

Controle

n=20

Lista de espera sem tratamento

⏱️ Duração: 4 semanas

📊 Resultados em Números

p=0,036

Melhora na amplitude CMAP no grupo acupuntura

p<0,05

Melhora significativa nas escalas HB e SB em ambos grupos

p=0,011

Taxa de melhora superior no grupo acupuntura

0%

Pacientes com melhora funcional - acupuntura

0%

Pacientes com melhora funcional - controle

Destaques Percentuais

75%
Pacientes com melhora funcional - acupuntura
35%
Pacientes com melhora funcional - controle

📊 Comparação de Resultados

Taxa de melhora funcional

Acupuntura
75
Controle
35
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostra que a acupuntura pode ajudar pessoas que ainda têm sintomas da paralisia de Bell após o tratamento inicial. Os pacientes que receberam acupuntura tiveram mais chance de melhorar do que aqueles que não receberam nenhum tratamento adicional.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Este estudo randomizado controlado investigou a eficácia da acupuntura no tratamento de sequelas da paralisia de Bell, uma condição que afeta o nervo facial causando fraqueza ou paralisia dos músculos de um lado do rosto. Embora a maioria dos casos de paralisia de Bell se resolva espontaneamente em três semanas, alguns pacientes desenvolvem sequelas permanentes como paresia, contratura, espasmo facial ou sincinesia. O estudo foi conduzido na Universidade Técnica Karadeniz, na Turquia, envolvendo 40 pacientes que apresentavam sequelas de paralisia de Bell há pelo menos três meses após o diagnóstico inicial. Os participantes foram randomizados em dois grupos: 20 receberam tratamento com acupuntura e 20 foram mantidos em lista de espera como grupo controle.

O protocolo de acupuntura incluiu eletroacupuntura e auriculoterapia Nogier, com 25 agulhas inseridas por sessão em pontos específicos como ST2, ST6, TE17, Ex-HN5 do lado afetado, além de pontos sistêmicos. O tratamento foi realizado três vezes por semana durante quatro semanas, totalizando 12 sessões. A avaliação foi feita através de eletromiografia medindo o potencial de ação motor composto do nervo facial e escalas funcionais House-Brackmann e Sunnybrook. Os resultados mostraram melhora significativa no grupo acupuntura comparado ao controle.

O potencial de ação motor composto melhorou significativamente apenas no grupo acupuntura (p=0,036), indicando recuperação da função nervosa. Ambos os grupos mostraram melhoras nas escalas funcionais, mas o grupo acupuntura apresentou taxa de melhora significativamente superior (p=0,011). Especificamente, 75% dos pacientes do grupo acupuntura apresentaram melhora funcional comparado a apenas 35% do grupo controle. A proporção de pacientes com paralisia severa (House-Brackmann grau III ou pior) diminuiu de 45% para 5% no grupo acupuntura, enquanto no controle diminuiu de 35% para 20%.

Não foram observados eventos adversos relacionados ao tratamento. A análise de concordância entre as escalas House-Brackmann e Sunnybrook mostrou concordância aceitável, validando os instrumentos de avaliação utilizados. As limitações incluem o tamanho amostral relativamente pequeno, impossibilidade de cegamento devido à natureza da intervenção, e período de seguimento limitado. O estudo contribui para a evidência de que a acupuntura pode ser uma opção terapêutica segura e eficaz para sequelas de paralisia de Bell, especialmente quando os tratamentos convencionais não são suficientes.

Os autores sugerem que a acupuntura pode ser considerada como terapia complementar para pacientes com sequelas persistentes, oferecendo uma abordagem não farmacológica com potencial para melhorar a função facial e qualidade de vida desses pacientes.

Pontos Fortes

  • 1Estudo randomizado controlado com metodologia adequada
  • 2Avaliação objetiva através de eletromiografia
  • 3Uso de escalas validadas para função facial
  • 4Protocolo de acupuntura bem definido baseado na literatura
  • 5Nenhum evento adverso observado
⚠️

Limitações

  • 1Tamanho amostral pequeno (n=40)
  • 2Impossibilidade de cegamento dos participantes
  • 3Período de seguimento limitado a 4 semanas
  • 4Grupo controle em lista de espera pode ter limitações éticas
  • 5Necessidade de replicação em estudos maiores

📅 Contexto Histórico

2010Primeiros estudos sobre acupuntura em paralisia de Bell
2015Meta-análise sugere eficácia da acupuntura
2018Início do presente estudo na Turquia
2019Publicação demonstrando eficácia da acupuntura em sequelas
Dr. Marcus Yu Bin Pai

Comentário do Especialista

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241

Relevância Clínica

Sequelas de paralisia de Bell representam um desafio real no ambulatório de reabilitação: o paciente que passou pela fase aguda, recebeu corticoterapia adequada e ainda carrega paresia, sincinesia ou contraturas meses depois. É exatamente nessa janela — pelo menos três meses após o diagnóstico inicial — que este trabalho se situa, tornando-o diretamente aplicável à nossa casuística habitual. O protocolo avaliado combina eletroacupuntura em pontos faciais do lado afetado com auriculoterapia Nogier em 12 sessões ao longo de quatro semanas, uma estrutura logisticamente viável em serviços de reabilitação. Para o médico que atende essa população, o dado mais relevante é a melhora objetiva no potencial de ação motor composto do nervo facial, confirmando que o efeito não se restringe à percepção subjetiva do paciente. A acupuntura posiciona-se aqui como adjuvante ao arsenal já disponível — fisioterapia facial, biofeedback e toxina botulínica nas sincinesias —, ampliando as opções para os casos que não atingiram recuperação funcional satisfatória.

Achados Notáveis

O achado que mais chama atenção não é a melhora nas escalas clínicas — esperada em algum grau pela recuperação espontânea tardia — mas a divergência entre os grupos na eletroneuromiografia: apenas o grupo acupuntura apresentou melhora significativa na amplitude do CMAP do nervo facial (p=0,036), sugerindo regeneração axonal ou remielinização acelerada, e não simplesmente adaptação funcional compensatória. Somado a isso, a proporção de pacientes com grau severo na escala House-Brackmann caiu de 45% para apenas 5% no grupo tratado, frente a uma redução de 35% para 20% no controle — uma diferença clinicamente expressiva em quatro semanas. O fato de ambos os grupos terem melhorado nas escalas funcionais reforça a presença de recuperação espontânea em curso, mas a taxa de melhora significativamente superior no grupo acupuntura (p=0,011) e o índice de 75% de resposta funcional versus 35% no controle indicam um efeito terapêutico real, não apenas temporal.

Da Minha Experiência

Na minha prática com sequelas de neuropatia facial periférica, costumo ver as primeiras respostas perceptíveis entre a quarta e sexta sessão — o paciente relata redução da assimetria ao sorrir ou menor rigidez matinal na hemiface afetada. O protocolo deste estudo, com três sessões semanais por quatro semanas, é compatível com o que adoto no serviço, embora eu habitualmente estenda para 16 a 20 sessões nos casos com sincinesia estabelecida, onde associo toxina botulínica nos grupamentos hiperativos antes de iniciar o agulhamento. Tenho observado que pacientes com acometimento há três a doze meses respondem melhor do que aqueles com sequelas muito consolidadas acima de dois anos, possivelmente pela maior plasticidade axonal nessa janela. Quando há componente álgico associado — neuralgia pós-herpética ou dor miofascial periorbital —, combino pontos distais como LI4 e ST36 ao protocolo facial, o que melhora a adesão. Casos com paralisia muito severa e ausência de condução elétrica ao CMAP de base são os que oferecem menor prognóstico de resposta, e prefiro comunicar isso ao paciente desde o início.

Doutor em Ciências pela USP. Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

Journal of Acupuncture and Meridian Studies · 2019

DOI: https://doi.org/10.1016/j.jams.2019.03.001

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.