Anti-inflammatory effects of acupuncture in the treatment of chronic obstructive pulmonary disease
Jiang et al. · Journal of Integrative Medicine · 2023
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Revisar os efeitos anti-inflamatórios da acupuntura na DPOC e seus mecanismos de ação baseados em estudos animais
QUEM
27 estudos com modelos animais de DPOC (ratos e camundongos)
DURAÇÃO
Análise de estudos com protocolos de 7 dias a 8 semanas
PONTOS
Feishu (BL13) e Zusanli (ST36) como pontos básicos principais
🔬 Desenho do Estudo
Revisão narrativa
n=27
27 estudos animais sobre acupuntura na DPOC
📊 Resultados em Números
Redução de TNF-α na maioria dos estudos
Diminuição de IL-6 e IL-1β
Aumento de IL-10 (anti-inflamatória)
Melhora da infiltração celular inflamatória
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Eficácia anti-inflamatória por tipo de acupuntura
Esta revisão mostra que a acupuntura possui fortes efeitos anti-inflamatórios na DPOC, reduzindo a inflamação pulmonar através de múltiplas vias. Os pontos Feishu e Zusanli são especialmente importantes no tratamento, oferecendo uma base científica sólida para o uso clínico da acupuntura em pacientes com DPOC.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Efeitos Anti-Inflamatórios da Acupuntura no Tratamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica
Esta revisão narrativa oferece uma análise abrangente dos mecanismos anti-inflamatórios da acupuntura no tratamento da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), baseando-se em 27 estudos com modelos animais. A DPOC é caracterizada por inflamação crônica persistente que afeta tanto os pulmões quanto causa manifestações sistêmicas, representando um importante problema de saúde global. A metodologia dos estudos revisados utilizou principalmente ratos como modelo animal, com indução de DPOC através de exposição à fumaça de cigarro combinada com lipopolissacarídeo (LPS), método que reproduz adequadamente as características inflamatórias da doença humana. A eletroacupuntura emergiu como a modalidade mais utilizada nos estudos, com parâmetros típicos de 4/20Hz ou 10/50Hz, intensidade de 1-3mA, e sessões de 20-30 minutos.
Os pontos de acupuntura mais frequentemente selecionados foram Feishu (BL13) e Zusanli (ST36), aparecendo em 19 e 18 estudos respectivamente, estabelecendo-se como pontos básicos fundamentais no tratamento experimental da DPOC. Os resultados demonstram que a acupuntura exerce efeitos anti-inflamatórios robustos através de múltiplos mecanismos. Primeiramente, reduz significativamente a infiltração de células inflamatórias como neutrófilos, macrófagos, monócitos e linfócitos nos tecidos pulmonares. Em segundo lugar, regula a polarização de macrófagos alveolares, inibindo a polarização M1 pró-inflamatória e promovendo o fenótipo M2 anti-inflamatório.
Terceiro, modula o equilíbrio Th1/Th2, contribuindo para uma resposta imunológica mais equilibrada. Os mecanismos moleculares identificados envolvem quatro vias principais de sinalização. A via NF-κB, incluindo as sub-vias MyD88/NF-κB, TLR-4/NF-κB e SIRT1/NF-κB, representa o mecanismo central de regulação da transcrição de genes inflamatórios. A via MAPK (proteínas quinases ativadas por mitógenos), incluindo ERK1/2, JNK e p38, medeia respostas celulares à inflamação.
A via anti-inflamatória colinérgica (CAP) conecta o sistema nervoso ao controle da inflamação através da modulação vagal. Finalmente, a via do receptor D2 de dopamina representa um mecanismo neuro-imunológico inovador onde a acupuntura aumenta os níveis de dopamina, que por sua vez inibe a ativação do inflamassoma NLRP3. O estudo também revelou que a acupuntura regula citocinas inflamatórias de forma consistente, diminuindo marcadores pró-inflamatórios como TNF-α, IL-1β, IL-6, IL-8 e IFN-γ, enquanto aumenta a citocina anti-inflamatória IL-10. Interessantemente, diferentes tipos de acupuntura (eletroacupuntura, manual, aplicação em pontos) mostraram eficácia similar na modulação dessas citocinas, sugerindo que o efeito anti-inflamatório é uma característica inerente da estimulação acupuntural, independentemente da modalidade específica.
A revisão também identificou mecanismos epigenéticos, onde a acupuntura regula a expressão de HDAC2 (histona desacetilase 2), suprimindo a transcrição de genes pró-inflamatórios. Além disso, neurotransmissores como orexina, CGRP e serotonina são modulados pela acupuntura, criando um efeito neuro-imunológico integrado. As implicações clínicas são significativas, pois fornecem base científica robusta para o uso da acupuntura como terapia adjuvante na DPOC. A capacidade da acupuntura de modular múltiplas vias inflamatórias simultaneamente oferece vantagens sobre terapias que visam apenas um alvo molecular.
Limitações incluem a necessidade de validação em estudos clínicos controlados, melhor compreensão das interações entre diferentes vias de sinalização, e desenvolvimento de protocolos padronizados para diferentes fenótipos de DPOC.
Pontos Fortes
- 1Análise abrangente de 27 estudos animais com metodologias consistentes
- 2Identificação clara dos pontos de acupuntura mais eficazes
- 3Elucidação de múltiplas vias moleculares anti-inflamatórias
- 4Base sólida para tradução clínica dos achados
Limitações
- 1Limitado a estudos animais, necessita validação clínica
- 2Heterogeneidade nos protocolos de acupuntura entre estudos
- 3Falta de análise da qualidade metodológica dos estudos incluídos
- 4Necessidade de explorar interações entre diferentes vias de sinalização
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Prof. Dr. Hong Jin Pai
Doutor em Ciências pela USP
▸ Relevância Clínica
A DPOC é uma das principais causas de morbimortalidade global, e a inflamação crônica persistente — tanto pulmonar quanto sistêmica — permanece o alvo terapêutico mais desafiador no manejo dessa condição. O arsenal farmacológico disponível, embora eficaz na broncodilatação e na redução de exacerbações, tem impacto limitado sobre o componente inflamatório de base. Esta revisão sistematiza evidências pré-clínicas que sustentam a acupuntura como terapia adjuvante biologicamente plausível para pacientes com DPOC moderada a grave, especialmente aqueles com inflamação persistente apesar da terapia inalatória otimizada. Os pontos Feishu (BL13) e Zusanli (ST36), presentes em 19 e 18 estudos respectivamente, constituem uma base de prescrição racional para médicos que incorporam acupuntura ao plano terapêutico de pacientes pneumológicos, orientando a seleção de pontos com fundamento mecanístico sólido.
▸ Achados Notáveis
O achado mais robusto desta revisão é a consistência com que a acupuntura reduz TNF-α — presente em praticamente todos os estudos analisados — e modula simultaneamente múltiplas vias inflamatórias, o que a diferencia conceitualmente das terapias anti-inflamatórias convencionais de alvo único. A identificação de quatro vias de sinalização paralelas — NF-κB, MAPK, via colinérgica anti-inflamatória e receptor D2 de dopamina — indica que o efeito não é epifenômeno, mas resultado de uma ação neuroimunológica integrada. A polarização de macrófagos alveolares do fenótipo M1 para M2 é particularmente relevante, pois esse mecanismo conecta a estimulação acupuntural a um dos eixos centrais da patogênese da DPOC. Igualmente digno de nota é o papel de mecanismos epigenéticos via HDAC2, sugerindo que os efeitos transcendem a modulação aguda de citocinas e podem ter impacto sobre a reprogramação inflamatória de longo prazo.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no Centro de Dor do HC-FMUSP, tenho atendido pacientes com DPOC encaminhados pela pneumologia para controle de dispneia e fadiga refratárias, e a resposta subjetiva a protocolos centrados em Feishu e Zusanli costuma aparecer entre a terceira e quinta sessão — o que é compatível com o tempo necessário para modulação imunológica sustentada. Habitualmente proponho ciclos de 12 sessões bisemanais, seguidos de manutenção mensal em pacientes que respondem bem. Associo eletroacupuntura a 4/20Hz nesses casos, parâmetro que dialoga diretamente com o protocolo predominante nos estudos revisados. O perfil de paciente que melhor responde, em minha experiência, é aquele com fenótipo inflamatório predominante — frequentes exacerbações, escarro mucopurulento crônico e fadiga desproporcional ao grau de obstrução — mais do que o paciente com enfisema predominante. Não indico acupuntura durante exacerbações agudas em curso, e sempre integro o tratamento com a equipe pneumológica, nunca como substituto da terapia inalatória.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Journal of Integrative Medicine · 2023
DOI: 10.1016/j.joim.2023.11.005
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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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