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Early history of laser acupuncture: who used it first?

Jang et al. · Integrative Medicine Research · 2019

📚Revisão Histórica🔍Análise de Literatura📖Educacional

Nível de Evidência

MODERADA
75/ 100
Qualidade
4/5
Amostra
3/5
Replicação
4/5
🎯

OBJETIVO

Investigar e esclarecer as origens históricas da laser acupuntura e quem a utilizou primeiro

👥

QUEM

Análise de pesquisadores pioneiros na Alemanha, URSS, China e Ásia

⏱️

PERÍODO

Década de 1970 até o presente

📍

TÉCNICAS

Lasers HeNe, InGaAlP, CO2 e YAG aplicados em pontos de acupuntura

🔬 Desenho do Estudo

0participantes
randomização

Revisão histórica

n=0

Análise de literatura sobre origens da laser acupuntura

⏱️ Duração: Análise de 50 anos de desenvolvimento

📊 Resultados em Números

0

Primeiro uso documentado na URSS

0

Primeiro relato sistemático (Plog)

0

Primeiro uso na China

0

Cunhagem do termo 'laser acupuntura'

📊 Comparação de Resultados

Cronologia dos primeiros usos

URSS (Utemuratova)
1970
Alemanha (Plog)
1973
China
1976
Coreia
1980
Japão
1983
💬 O que isso significa para você?

Este estudo histórico revela que a laser acupuntura, uma técnica indolor que usa luz laser ao invés de agulhas, foi desenvolvida no início da década de 1970. Embora tradicionalmente se credite a um médico alemão como pioneiro, evidências mostram que pesquisadores soviéticos podem ter sido os primeiros a usar essa técnica.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Breve História da Laserpuntura: Quem a Utilizou Primeiro?

Este artigo de revisão histórica examina as origens controversas da laser acupuntura, uma modalidade terapêutica que combina os princípios milenares da acupuntura com a tecnologia laser desenvolvida na década de 1960. A laser acupuntura utiliza diferentes tipos de laser, incluindo InGaAlP (630-685 nm), HeNe (633 nm), GaAlAs, GaAs, CO2 e YAG, sendo particularmente valiosa para pacientes pediátricos e aqueles com fobia de agulhas devido à sua natureza não invasiva e praticamente indolor.

Traicionalmente, o médico alemão-canadense Friedrich M. W. Plog (1920-2009) era considerado o pioneiro da laser acupuntura, tendo supostamente iniciado sua prática em 1973. Plog desenvolveu o primeiro dispositivo de laser acupuntura chamado 'akupLaser System Plog' em 1975-1976 na empresa Messerschmitt-Bolkoew-Blihm GabH (MBB).

Em sua publicação de 1980, ele descreveu detalhadamente os procedimentos, apresentou 17 indicações terapêuticas incluindo cefaleia, dor cervical, dor lombar, herpes zoster e insônia, e documentou métodos específicos de tratamento.

Contudo, uma análise mais aprofundada da literatura revela que pesquisadores soviéticos podem ter precedido Plog. Utemuratova e Sokolova relataram em 1970 o tratamento de 118 pacientes hipertensos usando laser HeNe em pontos de acupuntura. Ermukhambetor (1971) descreveu o tratamento de 31 pacientes hipertensos com laser HeNe de 12 mW, irradiando pontos de acupuntura por 10-20 segundos diários durante 10 dias. Outros pesquisadores soviéticos como Shakirova e Inyushin (1971) tentaram tratar paralisia cerebral infantil, enquanto Shchur (1972) reportou tratamentos para hipertensão e Voronina (1972) trabalhou com asma brônquica.

Embora estes estudos soviéticos sejam frequentemente apresentados como relatórios breves, eles forneceram indicações e métodos de tratamento específicos. Uma limitação importante é que muitos não especificavam claramente os pontos de acupuntura utilizados e às vezes misturavam terapia de zonas reflexológicas com acupuntura verdadeira, que devem ser consideradas tratamentos distintos.

Na China, o primeiro uso documentado da laser acupuntura ocorreu em 1976 para tratar leucopenia usando laser CO2, precedendo o trabalho mais conhecido de Yuecheng Zhou, que começou a usar laser acupuntura em anestesia odontológica em 1979. Na Coreia e Japão, a técnica foi implementada mais tarde, em 1980 e 1983 respectivamente.

Interessantemente, Plog não utilizou o termo 'laser acupuntura' em seus trabalhos iniciais. Este termo apareceu pela primeira vez na revista 'Omni' em 1978, em uma introdução ao dispositivo AkupLas fabricado pela empresa alemã MBB.

Apesar de controvérsias sobre penetração cutânea, sensação de deqi e estímulos nóxicos, os efeitos terapêuticos e indicações da laser acupuntura são hoje amplamente reconhecidos. A técnica oferece uma alternativa valiosa para pacientes que não toleram agulhas convencionais, mantendo os benefícios terapêuticos tradicionais da acupuntura.

As implicações clínicas desta revisão histórica vão além do interesse acadêmico, destacando a importância de reconhecer contribuições científicas de diferentes culturas e sistemas de pesquisa. O desenvolvimento da laser acupuntura ilustra como inovações médicas frequentemente emergem simultaneamente em diferentes regiões, refletindo necessidades clínicas universais e avanços tecnológicos globais.

Pontos Fortes

  • 1Análise abrangente de literatura primária em múltiplos idiomas
  • 2Documentação detalhada de cronologia histórica
  • 3Reconhecimento de contribuições previamente negligenciadas da URSS
  • 4Contextualização técnica dos diferentes tipos de laser utilizados
⚠️

Limitações

  • 1Muitos estudos soviéticos eram relatórios breves sem detalhamento completo
  • 2Mistura entre terapia de zonas reflexológicas e acupuntura verdadeira
  • 3Falta de especificação de pontos de acupuntura em alguns estudos
  • 4Acesso limitado a algumas fontes primárias históricas

📅 Contexto Histórico

1960Desenvolvimento do laser beam
1970Primeiro uso documentado na URSS (Utemuratova e Sokolova)
1973Plog inicia prática sistemática na Alemanha
1976Primeiro uso documentado na China
1978Cunhagem do termo 'laser acupuntura'
Prof. Dr. Hong Jin Pai

Comentário do Especialista

Prof. Dr. Hong Jin Pai

Doutor em Ciências pela USP

Relevância Clínica

A laser acupuntura ocupa hoje um espaço clínico bem definido: pacientes pediátricos, indivíduos com fobia de agulhas, portadores de coagulopatias e aqueles sob anticoagulação plena que demandam estimulação de pontos sem risco hemorrágico. Este trabalho histórico, ao documentar que a técnica já era aplicada em hipertensão, asma brônquica, cefaleia, dor cervical, dor lombar e herpes zoster desde o início dos anos 1970, reafirma a robustez do seu perfil de indicações — praticamente coincidente com o que utilizamos hoje. Conhecer essa genealogia importa ao médico praticante porque consolida a legitimidade da modalidade frente a questionamentos institucionais e de auditoria. Saber que diferentes centros, em contextos tecnológicos distintos, chegaram independentemente às mesmas indicações clínicas confere peso epidemiológico à consistência dos efeitos observados, muito além do que qualquer ensaio isolado poderia oferecer.

Achados Notáveis

O achado central — e surpreendente para quem acompanhou a literatura consolidada em torno de Plog — é que pesquisadores soviéticos documentaram o uso de laser HeNe em pontos de acupuntura já em 1970, três anos antes do relato sistemático alemão-canadense. O grupo de Utemuratova e Sokolova tratou 118 pacientes hipertensos naquele ano; Ermukhambetor, em 1971, descreveu protocolo com especificação de potência e duração de irradiação. Essa anterioridade soviética permaneceu negligenciada por décadas, provavelmente pela barreira linguística e pelo isolamento científico da Guerra Fria. Igualmente revelador é o fato de o próprio Plog não ter cunhado o termo 'laser acupuntura': a expressão surgiu em 1978, na revista Omni, para descrever o dispositivo AkupLas da MBB. Isso ilustra como nomenclaturas clínicas frequentemente se dissociam das trajetórias dos seus criadores.

Da Minha Experiência

No Centro de Dor do HC-FMUSP, a laser acupuntura integra nossa rotina principalmente em dois cenários: crianças encaminhadas por neuropediatria e adultos que chegam com historial de lipotimia em procedimentos invasivos. Tenho observado que a velocidade de resposta é ligeiramente mais lenta do que com agulhamento convencional — costumo ver sinal clínico perceptível entre a quarta e a sexta sessão, enquanto com agulhas o feedback costuma aparecer na segunda ou terceira. Para manutenção, trabalho habitualmente com ciclos de oito a doze sessões, espaçadas progressivamente. Associo com frequência à cinesioterapia e, em dores crônicas musculoesqueléticas, à eletroestimulação convencional em sessões alternadas. O perfil de paciente que responde melhor, na minha experiência, é o ansiosos com boa sensibilidade autonômica — curiosamente, os mesmos que relatam deqi intenso com agulhas finas. Evito a técnica como monoterapia em quadros agudos com componente inflamatório exuberante, onde o agulhamento profundo me parece fisiologicamente mais adequado.

Médico especialista em Acupuntura. Professor Colaborador do Instituto de Ortopedia do HC-FMUSP. Coordenador do Grupo de Acupuntura do Centro de Dor do HC-FMUSP.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

Integrative Medicine Research · 2019

DOI: 10.1016/j.imr.2019.04.009

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.