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Comparison of treatment effects on lateral epicondylitis between acupuncture and extracorporeal shockwave therapy

Wong et al. · Asia-Pacific Journal of Sports Medicine, Arthroscopy, Rehabilitation and Technology · 2017

⚖️Estudo Comparativo Paralelo👥n=34 participantes📊Evidência Moderada

Nível de Evidência

MODERADA
72/ 100
Qualidade
3/5
Amostra
3/5
Replicação
4/5
🎯

OBJETIVO

Comparar os efeitos da acupuntura e terapia por ondas de choque extracorpóreas no tratamento da epicondilite lateral (cotovelo de tenista)

👥

QUEM

34 pacientes com epicondilite lateral, sem tratamento cirúrgico prévio

⏱️

DURAÇÃO

3 semanas de tratamento com acompanhamento por 2 semanas

📍

PONTOS

Ah-shi, IG10 (Shousanli), IG11 (Quchi), P5 (Chize), IG4 (Hegu), SJ5 (Waiguan)

🔬 Desenho do Estudo

34participantes
randomização

Acupuntura

n=17

6 sessões em 3 semanas, 2x por semana, 20 min por sessão

Ondas de Choque

n=17

3 sessões em 3 semanas, 1x por semana, 2000 Hz

⏱️ Duração: 3 semanas de tratamento + 2 semanas de seguimento

📊 Resultados em Números

36,6%

Redução da dor (acupuntura)

33,3%

Redução da dor (ondas de choque)

p>0,05

Diferença entre grupos

2 semanas

Persistência do alívio

17,6%

Efeitos adversos (acupuntura)

Destaques Percentuais

36,6%
Redução da dor (acupuntura)
33,3%
Redução da dor (ondas de choque)
17,6%
Efeitos adversos (acupuntura)

📊 Comparação de Resultados

Escala Visual Analógica de Dor (baseline)

Acupuntura
6.12
Ondas de Choque
5.47

Escala Visual Analógica de Dor (pós-tratamento)

Acupuntura
3.88
Ondas de Choque
3.65
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostra que tanto a acupuntura quanto a terapia por ondas de choque são igualmente eficazes para reduzir a dor do cotovelo de tenista. Ambos os tratamentos proporcionaram alívio significativo da dor que persistiu por pelo menos duas semanas após o fim do tratamento, oferecendo aos pacientes opções terapêuticas validadas.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

A epicondilite lateral, popularmente conhecida como cotovelo de tenista, é uma lesão por esforço repetitivo que afeta entre 1-3% da população geral e até 23% de trabalhadores com atividades ocupacionais específicas. Esta condição é caracterizada por dor e sensibilidade no epicôndilo lateral do úmero, afetando significativamente a função e as atividades da vida diária. Apesar de sua alta prevalência, ainda não existe um tratamento padrão estabelecido para esta condição. Em Hong Kong, tanto a acupuntura quanto a terapia por ondas de choque extracorpóreas (ESWT) têm ganhado popularidade no tratamento da epicondilite lateral, porém poucos estudos compararam diretamente a eficácia destes métodos.

Este estudo pioneiro foi desenvolvido para comparar os efeitos terapêuticos da acupuntura e ESWT no tratamento da epicondilite lateral. Utilizando um desenho de estudo paralelo, 34 pacientes com diagnóstico confirmado foram randomizados em dois grupos de 17 participantes cada. O grupo de acupuntura recebeu tratamento duas vezes por semana durante três semanas, totalizando seis sessões de 20 minutos cada. O protocolo incluiu seis pontos específicos: Ah-shi (ponto local de dor), IG10 (Shousanli), IG11 (Quchi), P5 (Chize), IG4 (Hegu) e SJ5 (Waiguan), com profundidade de inserção de 1,25-2,5 cm e indução da sensação De Qi a cada cinco minutos.

O grupo ESWT recebeu três sessões semanais por três semanas, utilizando um gerador de ondas de choque focalizadas com frequência de 2000 Hz e densidade de fluxo de energia variando entre 0,032-0,822 mJ/mm², aplicadas na origem do tendão extensor comum.

As avaliações foram realizadas em três momentos: antes do tratamento (baseline), imediatamente após o término do tratamento e duas semanas após o fim da intervenção. Os desfechos primários incluíram intensidade da dor medida pela Escala Visual Analógica (VAS), força de preensão máxima avaliada pelo dinamômetro Jamar, e nível de comprometimento funcional mensurado pelo questionário DASH (Disabilities of the Arm, Shoulder and Hand).

Os resultados demonstraram que não houve diferença estatisticamente significativa entre os dois tratamentos em qualquer momento da avaliação. Ambos os grupos apresentaram melhora significativa na pontuação de dor nas comparações longitudinais. No grupo acupuntura, a dor reduziu de 6,12 para 3,88 pontos na VAS após o tratamento, representando uma redução de aproximadamente 37%. No grupo ESWT, a redução foi de 5,47 para 3,65 pontos, correspondendo a uma diminuição de cerca de 33%.

Importante destacar que esta melhora se manteve significativa no acompanhamento de duas semanas em ambos os grupos, com tamanhos de efeito considerados grandes (>0,8) para ambas as intervenções.

Quanto à força de preensão e funcionalidade medida pelo questionário DASH, embora tenha sido observada uma tendência de melhora em ambos os grupos, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas. Este achado sugere que, embora ambos os tratamentos sejam eficazes para o alívio da dor, podem ser necessários períodos mais longos ou protocolos modificados para observar melhorias funcionais substanciais.

Um aspecto interessante observado foi que a melhora na dor cessou quando o tratamento terminou em ambos os grupos, sugerindo que o efeito analgésico está diretamente relacionado ao período de intervenção ativa. No entanto, o alívio da dor persistiu por pelo menos duas semanas após o término do tratamento, indicando um efeito residual benéfico.

Em termos de segurança, 17,6% dos pacientes do grupo acupuntura relataram dor local após o tratamento, enquanto 29,4% dos pacientes do grupo ESWT queixaram-se de dor durante ou após as sessões. Estes achados sugerem um perfil de tolerabilidade ligeiramente melhor para a acupuntura.

Este estudo representa a primeira comparação direta entre acupuntura e ESWT para epicondilite lateral com tamanho amostral adequado, fornecendo evidências importantes para orientar a prática clínica. Os resultados sugerem que ambas as modalidades são opções terapêuticas viáveis, com eficácia similar no alívio da dor a curto prazo, permitindo que profissionais e pacientes façam escolhas informadas baseadas em preferências pessoais, disponibilidade e considerações de custo-efetividade.

Pontos Fortes

  • 1Primeiro estudo a comparar diretamente acupuntura e ESWT para epicondilite lateral
  • 2Tamanho amostral adequadamente calculado (n=34)
  • 3Protocolo padronizado de acupuntura bem definido
  • 4Avaliação em múltiplos momentos temporais
  • 5Uso de medidas de desfecho validadas (VAS, DASH, dinamometria)
⚠️

Limitações

  • 1Ausência de grupo controle placebo
  • 2Seguimento limitado a apenas 2 semanas
  • 3Não registro de uso de analgésicos pelos pacientes
  • 4Possível viés devido a automassagem não controlada
  • 5Tamanho amostral pequeno para detectar diferenças sutis

📅 Contexto Histórico

2005Revisão sistemática estabelece evidências limitadas para tratamentos físicos da epicondilite lateral
2006Meta-análise questiona eficácia da ESWT para epicondilite lateral
2014Revisão sistemática confirma efeitos de curto prazo da acupuntura
2016Estudo atual demonstra eficácia similar entre acupuntura e ESWT
2017Publicação dos resultados fornece primeira comparação direta das modalidades
Dr. Marcus Yu Bin Pai

Comentário do Especialista

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241

Relevância Clínica

A epicondilite lateral é uma das condições musculoesqueléticas mais frequentes no ambulatório de dor e reabilitação, afetando de 1 a 3% da população geral e chegando a 23% em trabalhadores com atividades de preensão repetitiva. A ausência de um padrão terapêutico consolidado torna qualquer evidência comparativa direta extremamente útil para a tomada de decisão. Este trabalho oferece ao médico uma base concreta para posicionar a acupuntura como alternativa equivalente à ESWT, especialmente em cenários onde o acesso ao equipamento de ondas de choque é limitado, o paciente tem contraindicações à terapia por ondas de choque, ou quando o perfil de tolerabilidade é determinante. A redução de dor em torno de 37% com seis sessões de acupuntura, mantida duas semanas após o encerramento do protocolo, qualifica a técnica como opção de primeira linha em populações de trabalhadores manuais, praticantes de esportes de raquete e músicos.

Achados Notáveis

A equivalência estatística entre acupuntura e ESWT — com tamanhos de efeito grandes para ambas as intervenções em dor pela VAS — é o dado central que merece atenção. O protocolo de acupuntura combinou ponto Ah-shi local com pontos distais clássicos do meridiano do intestino grosso e triplo aquecedor, induzindo De Qi a cada cinco minutos, o que representa uma densidade de estimulação elevada e reproduzível. O perfil de eventos adversos é revelador: 17,6% de dor local pós-sessão na acupuntura contra 29,4% no grupo ESWT, diferença clinicamente relevante no contexto de adesão ao tratamento. A ausência de melhora estatisticamente significativa em força de preensão e escore DASH em ambos os grupos em três semanas indica que o benefício inicial é predominantemente analgésico, e que desfechos funcionais demandam horizontes terapêuticos mais longos.

Da Minha Experiência

Na minha prática no ambulatório de dor musculoesquelética, a epicondilite lateral é uma das indicações em que a acupuntura tem retorno mais previsível. Costumo observar redução perceptível da dor já entre a segunda e a terceira sessão, o que melhora consideravelmente a adesão do paciente ao programa de reabilitação como um todo. Trabalho habitualmente com oito a doze sessões como ciclo completo, seguidas de reavaliação funcional antes de decidir por manutenção ou alta. A combinação com programa excêntrico de fortalecimento dos extensores do punho e orientação ergonômica é indispensável — a acupuntura isolada, como os dados deste estudo sugerem, produz alívio analgésico sem necessariamente resolver o substrato tendinopático. O perfil de paciente que responde melhor na minha experiência é aquele com dor de duração inferior a seis meses, sem calcificação tendinosa significativa ao ultrassom e com boa resposta à palpação do ponto Ah-shi. Quando há cronificação intensa com alteração estrutural ecográfica expressiva, prefiro associar acupuntura e ESWT sequencialmente, e tenho visto resultados funcionais mais consistentes com essa abordagem combinada.

Doutor em Ciências pela USP. Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

Asia-Pacific Journal of Sports Medicine, Arthroscopy, Rehabilitation and Technology · 2017

DOI: 10.1016/j.asmart.2016.10.001

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.