The medical perspective of cupping therapy: Effects and mechanisms of action
Al-Bedah et al. · Journal of Traditional and Complementary Medicine · 2019
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Identificar possíveis mecanismos de ação da ventosaterapia (cupping) baseados na medicina moderna
QUEM
Revisão de literatura médica sobre ventosaterapia
DURAÇÃO
Análise de estudos até 2017
PONTOS
Diversos pontos cutâneos e áreas reflexas utilizados na ventosaterapia
🔬 Desenho do Estudo
Estudos incluídos
n=64
Revisão de teorias e mecanismos da ventosaterapia
Estudos excluídos
n=159
Artigos não relevantes ou duplicados
📊 Resultados em Números
Teorias principais identificadas
Estudos incluídos na análise
Artigos inicialmente identificados
Mecanismos neurológicos propostos
📊 Comparação de Resultados
Teorias de Mecanismo
Este estudo explica como a ventosaterapia (cupping) pode funcionar no corpo humano através de seis teorias diferentes. Os pesquisadores descobriram que esta técnica milenar pode aliviar dores, melhorar a circulação sanguínea, fortalecer o sistema imunológico e ajudar a eliminar toxinas, mas cada efeito acontece através de mecanismos diferentes no organismo.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Perspectiva Médica da Ventosaterapia: Efeitos e Mecanismos de Ação
A acupuntura por ventosa, conhecida popularmente como cupping, é uma técnica milenar que vem ganhando cada vez mais atenção na medicina moderna. Esta terapia utiliza copos especiais aplicados sobre a pele para criar pressão negativa, promovendo diversos efeitos terapêuticos no organismo. Apesar de sua longa história de uso e crescente popularidade, os mecanismos pelos quais a ventosa produz seus efeitos benéficos ainda não eram completamente compreendidos pela comunidade científica.
Os pesquisadores Al-Bedah e colaboradores conduziram uma revisão abrangente da literatura científica com o objetivo de identificar e explicar os possíveis mecanismos de ação da terapia por ventosa sob a perspectiva da medicina moderna. O estudo foi realizado através de uma busca sistemática em importantes bases de dados científicas, incluindo PubMed, Cochrane Library e Google Scholar. Os pesquisadores utilizaram palavras-chave específicas relacionadas à ventosa e seus mecanismos de ação, inicialmente identificando 223 artigos. Após rigorosa seleção e análise por dois avaliadores independentes, foram incluídos 64 estudos relevantes na revisão final.
Esta metodologia garantiu que apenas pesquisas de qualidade e diretamente relacionadas ao tema fossem consideradas.
Os resultados da pesquisa revelaram que a ventosa produz uma ampla gama de efeitos no organismo humano. Entre os principais benefícios identificados estão a redução da dor, melhora da circulação sanguínea, relaxamento muscular, modulação do sistema imunológico e remoção de toxinas do corpo. A terapia demonstrou eficácia no tratamento de diversas condições médicas, incluindo dores musculares, problemas de pele como acne e herpes zoster, hipertensão arterial, fibromialgia, dores de cabeça e enxaquecas, além de condições respiratórias. Os pesquisadores identificaram seis teorias principais que explicam como a ventosa funciona: a Teoria do Portão da Dor, os Controles Inibitórios Difusos Nocivos, a Teoria das Zonas Reflexas, a Teoria do Óxido Nítrico, a Ativação do Sistema Imunológico e a Teoria da Desintoxicação Sanguínea.
Cada uma dessas teorias explica diferentes aspectos dos efeitos terapêuticos observados.
Para pacientes e profissionais de saúde, essas descobertas representam um avanço significativo na compreensão científica da ventosa. A identificação desses mecanismos oferece uma base racional para o uso da terapia, ajudando a desmistificar uma prática que muitas vezes era vista apenas como tradicional ou placebo. Para os pacientes, isso significa maior confiança no tratamento, sabendo que existe fundamentação científica para os benefícios observados. Os profissionais de saúde podem agora integrar a ventosa em suas práticas com melhor compreensão de como e quando utilizá-la, podendo fazer indicações mais precisas baseadas nos mecanismos específicos necessários para cada condição.
A pesquisa também sugere que a ventosa pode ser particularmente útil como terapia complementar, trabalhando em conjunto com tratamentos convencionais para potencializar os resultados terapêuticos.
Entretanto, é importante reconhecer as limitações deste estudo. Os pesquisadores destacaram que nenhuma teoria isolada consegue explicar completamente todos os efeitos da ventosa, sugerindo que múltiplos mecanismos trabalham de forma interconectada. Além disso, determinar qual aspecto específico do procedimento de ventosa é responsável por cada efeito observado ainda representa um desafio. A complexidade dos mecanismos biológicos envolvidos torna difícil uma descrição completamente detalhada de como cada processo funciona.
Os autores também notaram que, embora tenham focado em teorias da medicina moderna, existem outras perspectivas tradicionais que merecem investigação futura. É essencial que novos estudos clínicos controlados e randomizados sejam realizados para validar essas teorias e desenvolver protocolos padronizados de tratamento. A pesquisa representa um passo importante para estabelecer a ventosa como uma terapia baseada em evidências, mas ainda há muito trabalho a ser feito para compreender plenamente todos os aspectos desta antiga prática de cura e otimizar seu uso na medicina contemporânea.
Pontos Fortes
- 1Análise abrangente de 64 estudos científicos
- 2Identificação de 6 teorias distintas de mecanismos
- 3Conexão entre medicina tradicional e moderna
- 4Base teórica sólida para pesquisas futuras
Limitações
- 1Revisão narrativa sem meta-análise quantitativa
- 2Necessidade de mais estudos clínicos controlados
- 3Mecanismos ainda não completamente compreendidos
- 4Foco apenas em teorias da medicina ocidental
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Prof. Dr. Hong Jin Pai
Doutor em Ciências pela USP
▸ Relevância Clínica
A ventosaterapia ocupa um espaço crescente na prática médica integrativa, e esta revisão de Al-Bedah et al. oferece uma estrutura conceitual valiosa para médicos que desejam incorporá-la de maneira racional ao arsenal terapêutico. Ao mapear seis teorias mecanísticas — incluindo a Teoria do Portão da Dor, os Controles Inibitórios Difusos Nocivos e a Teoria do Óxido Nítrico — o trabalho permite que o clínico selecione a técnica com base no mecanismo predominante de cada quadro. Em pacientes com fibromialgia, dores miofasciais crônicas ou enxaqueca refratária, onde o componente de sensibilização central é preponderante, a racionalidade dos mecanismos neurológicos propostos justifica a indicação. Da mesma forma, condições como hipertensão leve a moderada e afecções dermatológicas como herpes zoster encontram respaldo na modulação imunológica e circulatória identificada. A revisão fortalece a posição da ventosaterapia como terapia complementar estruturada, não como recurso empírico isolado.
▸ Achados Notáveis
O achado mais relevante desta revisão é a demonstração de que nenhuma teoria única explica a totalidade dos efeitos da ventosa — os mecanismos atuam de forma complementar e sobreponível. A Teoria do Óxido Nítrico merece atenção especial: a pressão negativa gerada pelos copos induziria liberação local de NO, mediando vasodilatação, analgesia e modulação inflamatória simultaneamente, o que confere à técnica um perfil de ação sistêmica a partir de estímulo local. Igualmente notável é a articulação entre os Controles Inibitórios Difusos Nocivos e o mecanismo de ação em dores difusas, aproximando a ventosaterapia do repertório neurofisiológico já consagrado na acupuntura corporal. A identificação de efeitos sobre o sistema imunológico — com ativação documentada em 64 estudos selecionados — abre perspectiva para uso adjuvante em condições de desregulação imune, expandindo a indicação além do controle álgico tradicional.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no Centro de Dor do HC-FMUSP, tenho utilizado a ventosaterapia predominantemente como recurso adjuvante à acupuntura sistêmica, especialmente em quadros de dor miofascial extensa onde os pontos-gatilho são múltiplos e o componente de rigidez tecidual é pronunciado. Costumo observar resposta analgésica já nas duas ou três primeiras sessões, particularmente em pacientes com lombalgia crônica e síndrome miofascial cervical. Para manutenção, um ciclo de oito a dez sessões quinzenais tem se mostrado suficiente na maioria dos casos, com reavaliação posterior. A combinação com exercício de alongamento supervisionado potencializa os efeitos de relaxamento tecidual descritos nesta revisão. Prefiro não indicar ventosaterapia isolada em pacientes anticoagulados, com fragilidade capilar marcada ou em uso de corticoterapia sistêmica prolongada. O perfil que responde melhor, em minha experiência, é o paciente com dor musculoesquelética crônica, tônus elevado e componente ansioso associado — exatamente o cenário onde múltiplos mecanismos identificados nesta revisão convergem favoravelmente.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Journal of Traditional and Complementary Medicine · 2019
DOI: 10.1016/j.jtcme.2018.03.003
Acessar Artigo OriginalRevisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
Artigos Relacionados
Baseado nas categorias deste artigo