Acupuncture and moxibustion for lateral elbow pain: a systematic review of randomized controlled trials
Gadau et al. · BMC Complementary and Alternative Medicine · 2014
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Avaliar a eficácia da acupuntura e moxibustão no tratamento da dor lateral do cotovelo (epicondilite lateral)
QUEM
1190 pacientes com epicondilite lateral de 19 estudos (14 chineses, 5 ocidentais)
DURAÇÃO
Estudos com 1 a 36 sessões ao longo de 1 a 37 dias
PONTOS
Pontos dolorosos locais (Ashi), LI4 (He Gu), LI10 (Shou San Li), LI11 (Qu Chi), GB34 (Yang Ling Quan)
🔬 Desenho do Estudo
Acupuntura/Moxibustão
n=688
Acupuntura manual, eletro-acupuntura ou combinada com moxibustão
Controle
n=502
Acupuntura sham, injeções de corticoides ou tratamentos convencionais
📊 Resultados em Números
Acupuntura vs sham - eficácia superior
Redução da dor imediata (acupuntura vs sham)
Estudos com alto risco de viés
Acupuntura + moxibustão vs acupuntura
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Redução da dor (escala 0-10)
Taxa de cura (%)
Este estudo analisou 19 pesquisas sobre acupuntura para dor no cotovelo (epicondilite lateral ou 'cotovelo de tenista'). Os resultados sugerem que a acupuntura pode ser mais eficaz que o tratamento placebo, especialmente quando combinada com moxibustão. No entanto, a maioria dos estudos teve problemas metodológicos, limitando as conclusões.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Esta revisão sistemática representa a primeira análise abrangente da literatura em inglês e chinês sobre acupuntura e moxibustão para dor lateral do cotovelo (DLC), condição conhecida como epicondilite lateral ou cotovelo de tenista. A DLC afeta 1-3% da população e representa um significativo ônus para a saúde, impactando a produtividade no trabalho e qualidade de vida dos pacientes.
A pesquisa analisou 19 ensaios clínicos randomizados conduzidos entre 1994 e 2011, envolvendo 1190 participantes. Dos estudos incluídos, 14 foram publicados em chinês e conduzidos na China, quatro em inglês (três na Alemanha, um no Canadá) e um em italiano. O tamanho amostral variou de 16 a 120 participantes, com idades entre 17-76 anos.
Os estudos foram categorizados em três grupos principais de comparação. Primeiro, três estudos compararam acupuntura com acupuntura sham, todos demonstrando superioridade da acupuntura real. O estudo de Molsberger encontrou 55,8% de redução da dor no grupo acupuntura versus 15% no grupo sham imediatamente após o tratamento. Irnich demonstrou melhorias significativas na dor e mobilidade do cotovelo em comparação ao sham, mantidas por duas semanas.
Fink reportou melhorias superiores na força máxima, intensidade da dor e função do braço às duas semanas, embora as diferenças não se mantivessem aos dois meses.
Segundo, sete estudos compararam acupuntura com terapias convencionais como injeções de corticoides, ultrassom pulsado e anti-inflamatórios. Três estudos mostraram taxas de cura significativamente maiores para acupuntura comparada a injeções de prednisolona e meloxicam oral. Um estudo italiano encontrou redução significativa no escore funcional de Maigne e dor na escala visual analógica aos seis meses de acompanhamento.
Terceiro, três estudos avaliaram moxibustão versus terapias convencionais, não encontrando diferenças significativas entre os grupos. Adicionalmente, seis estudos compararam acupuntura combinada com moxibustão (ACM) versus acupuntura isolada, todos demonstrando superioridade da combinação. Curiosamente, um estudo de três braços mostrou que eletro-acupuntura foi mais eficaz que ACM.
Os pontos de acupuntura mais utilizados foram pontos dolorosos locais (pontos Ashi) em 14 estudos, seguidos por He Gu (LI4), Shou San Li (LI10) e Qu Chi (LI11) em dez estudos. Apenas um estudo utilizou exclusivamente pontos distais (GB34). O número de sessões variou de 1 a 36, com frequência de uma vez por dia a uma vez a cada três dias, e duração total do tratamento de 1 a 37 dias.
A qualidade metodológica foi avaliada pela ferramenta Cochrane de risco de viés, revelando limitações significativas. Todos os estudos, exceto um, apresentaram pelo menos um domínio classificado como alto risco de viés. Problemas principais incluíram geração inadequada de sequência aleatória, ausência de ocultação de alocação e dificuldades no cegamento devido à natureza da intervenção. Contato telefônico com autores chineses revelou que dois estudos utilizaram alocação alternada, não sendo verdadeiramente randomizados.
A avaliação pelos critérios STRICTA revisados (2010) mostrou que nenhum estudo relatou procedimentos de acupuntura com detalhes suficientes. Informações essenciais como número de agulhas, tempo de retenção e tipo de agulha não foram reportadas em cerca de um terço dos estudos. Eventos adversos foram raramente documentados, com apenas quatro estudos relatando segurança.
As implicações clínicas sugerem que acupuntura pode oferecer benefícios para DLC, particularmente quando comparada a intervenções sham. A combinação com moxibustão pode potencializar os efeitos, embora os mecanismos permaneçam pouco compreendidos. Possíveis mecanismos incluem ativação do controle inibitório nociceptivo difuso, liberação de opioides endógenos, efeitos anti-inflamatórios via estimulação colinérgica e modulação local através da liberação de neuropeptídeos.
As limitações incluem baixa qualidade metodológica da maioria dos estudos, falta de padronização nas medidas de desfecho, ausência de definição clara de desfechos primários, variação nos tratamentos controle e duração dos estudos. Meta-análise não foi possível devido à heterogeneidade metodológica e qualidade inadequada dos estudos.
Pontos Fortes
- 1Primeira revisão incluindo literatura chinesa e moxibustão para dor lateral do cotovelo
- 2Busca abrangente em múltiplas bases de dados sem restrições de idioma
- 3Avaliação detalhada da qualidade metodológica usando critérios Cochrane
- 4Aplicação dos critérios STRICTA para avaliar relato dos procedimentos de acupuntura
- 5Contato direto com autores para verificar adequação da randomização
Limitações
- 1Baixa qualidade metodológica da maioria dos estudos incluídos (18 de 19 com alto risco de viés)
- 2Impossibilidade de realizar meta-análise devido à heterogeneidade e qualidade inadequada
- 3Falta de padronização nos desfechos e variabilidade nos protocolos de tratamento
- 4Relato inadequado de eventos adversos na maioria dos estudos
- 5Possível viés de publicação e limitações na busca de estudos em outras línguas asiáticas
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241
▸ Relevância Clínica
A epicondilite lateral é uma das condições musculoesqueléticas mais frequentes no ambulatório de fisiatria e reabilitação, representando um desafio terapêutico real quando o paciente já percorreu o ciclo de anti-inflamatórios, fisioterapia convencional e infiltração corticoide sem alívio duradouro. Esta revisão sistemática, ao compilar 19 ensaios com 1190 participantes e incorporar pela primeira vez a literatura chinesa, amplia o mapa de evidências disponível para decisões práticas. Os dados apontam para superioridade da acupuntura real sobre sham em todos os três estudos que fizeram essa comparação, e para potencialização do efeito quando moxibustão é associada. Para o clínico que atende o trabalhador braçal ou o atleta de raquete com dor lateral refratária, isso justifica incluir acupuntura como opção ativa no plano terapêutico multimodal, especialmente nos casos em que infiltrações repetidas já foram realizadas ou estão contraindicadas.
▸ Achados Notáveis
O achado mais expressivo desta revisão é a magnitude da diferença entre acupuntura real e sham na redução imediata da dor: 55,8% versus 15% no estudo de Molsberger. Essa diferença vai além do efeito placebo e tem peso clínico, não apenas estatístico. Igualmente relevante é a consistência da combinação acupuntura mais moxibustão sobre a acupuntura isolada em seis dos sete estudos que fizeram essa comparação, sugerindo mecanismo aditivo — possivelmente por ação térmica local somada à modulação segmentar e ao controle inibitório nociceptivo difuso. A predominância de pontos Ashi e pontos do meridiano do intestino grosso (LI4, LI10, LI11) em quatorze dos dezenove estudos sugere convergência empírica entre tradições clínicas distintas, orientais e ocidentais, sobre os sítios de estimulação mais eficazes para dor lateral do cotovelo.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no Centro de Dor e Reabilitação, a epicondilite lateral refratária é uma das indicações em que costumo ver resposta mais rápida à acupuntura — frequentemente a partir da segunda ou terceira sessão, com melhora funcional perceptível na força de preensão e na dor à extensão resistida do punho. Habitualmente conduzo protocolos de oito a doze sessões para o ciclo inicial, combinando pontos locais Ashi com LI10 e LI11, e frequentemente associo eletro-acupuntura em vez de agulhamento manual puro, o que dialoga com o dado do estudo que mostrou a eletro-acupuntura superior à combinação acupuntura-moxibustão. Integro rotineiramente com exercício excêntrico supervisionado e, quando há componente cervical associado, trabalho C5-C6 em paralelo. O perfil de paciente que responde melhor, na minha observação, é aquele com dor há menos de seis meses, sem tendinopatia calcificante e sem histórico de múltiplas infiltrações prévias. Nesses casos, evito priorizar a moxibustão isolada, cuja evidência nesta revisão foi menos consistente quando comparada a controles ativos.
Artigo Original Completo
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BMC Complementary and Alternative Medicine · 2014
DOI: 10.1186/1472-6882-14-136
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Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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