The Effect of Acupuncture and Physiotherapy on Patients with Knee Osteoarthritis: A Randomized Controlled Study
Atalay et al. · Pain Physician · 2021
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Comparar os efeitos da acupuntura e fisioterapia na dor, função física e qualidade de vida em pacientes com osteoartrite de joelho
QUEM
100 pacientes entre 38-80 anos com osteoartrite de joelho grau 2-3 segundo critérios de Kellgren-Lawrence
DURAÇÃO
12 sessões ao longo de 6 semanas, com seguimento até 12 semanas
PONTOS
13 pontos: GB34, SP10, SP9, ST36, ST35, ST34, EX-LE2, EX-LE5, EXLE4 (locais) e KI3, SP6, LI4, ST41 (distais)
🔬 Desenho do Estudo
Acupuntura
n=50
Acupuntura tradicional com 13 pontos, 20 minutos por sessão
Fisioterapia
n=50
Ultrassom, TENS e compressa quente por 12 sessões
📊 Resultados em Números
Redução da dor (EVA) - Acupuntura
Redução da dor (EVA) - Fisioterapia
Melhora WOMAC - Acupuntura
Melhora WOMAC - Fisioterapia
📊 Comparação de Resultados
Escala Visual Analógica de Dor (0-10)
WOMAC Total (0-96)
Este estudo mostrou que tanto a acupuntura quanto a fisioterapia são eficazes para reduzir a dor e melhorar a função em pessoas com osteoartrite de joelho. Ambos os tratamentos apresentaram resultados similares, oferecendo alívio duradouro que se manteve por até 3 meses após o tratamento, sem eventos adversos significativos.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Efeito da Acupuntura e da Fisioterapia em Pacientes com Osteoartrite de Joelho: Estudo Randomizado Controlado
A artrose de joelho representa uma das condições mais comuns e debilitantes que afetam as articulações, sendo considerada a principal causa de dor articular e incapacidade física em pessoas idosas. Esta doença degenerativa caracteriza-se pela destruição progressiva da cartilagem, formação de osteófitos e alterações no osso subcondral, especialmente em articulações que suportam peso como os joelhos. A artrose compromete significativamente a qualidade de vida dos pacientes, causando dor persistente, rigidez articular, redução da amplitude de movimento e limitação funcional. Com o envelhecimento populacional crescente, o impacto desta condição na saúde pública torna-se cada vez mais relevante, demandando abordagens terapêuticas eficazes e seguras.
O manejo da artrose de joelho tradicionalmente inclui medicamentos anti-inflamatórios, analgésicos, fisioterapia e, em casos mais severos, cirurgia. Entretanto, o uso prolongado de medicamentos pode causar efeitos colaterais significativos, como úlceras gástricas, sangramento gastrointestinal e danos renais. Por essa razão, muitos pacientes buscam tratamentos alternativos e complementares, como a acupuntura, que tem sido reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como eficaz para diversas condições, incluindo a artrose.
Este estudo teve como objetivo comparar a eficácia da acupuntura versus fisioterapia convencional no tratamento da artrose de joelho, avaliando especificamente os efeitos sobre a dor, função física e qualidade de vida dos pacientes. Os pesquisadores conduziram um ensaio clínico randomizado controlado, considerado o padrão ouro para avaliação de intervenções médicas. O estudo foi realizado em um hospital universitário na Turquia, entre janeiro e setembro de 2018, com aprovação do comitê de ética local e consentimento informado de todos os participantes.
A metodologia envolveu cem pacientes com diagnóstico de artrose de joelho confirmado pelos critérios do Colégio Americano de Reumatologia, com idades entre 38 e 80 anos e dor crônica há mais de seis meses. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos de cinquenta pessoas cada: um grupo recebeu tratamento com acupuntura e outro com fisioterapia convencional. Ambos os tratamentos foram realizados duas vezes por semana durante seis semanas, totalizando doze sessões. O grupo de acupuntura recebeu aplicação de agulhas em treze pontos específicos, incluindo pontos locais ao redor do joelho e pontos distantes, durante vinte minutos por sessão.
O grupo de fisioterapia recebeu uma combinação de modalidades incluindo ultrassom terapêutico, estimulação elétrica nervosa transcutânea e compressas quentes. Ambos os grupos também realizaram exercícios domiciliares de fortalecimento.
Para avaliar os resultados, os pesquisadores utilizaram instrumentos validados cientificamente. A intensidade da dor foi medida pela Escala Visual Analógica, onde os pacientes marcam sua dor em uma linha de zero a dez centímetros. A função física foi avaliada pelo índice WOMAC, um questionário específico para artrose que mede dor, rigidez e capacidade funcional através de vinte e quatro questões. A qualidade de vida foi mensurada pelo questionário SF-36, que avalia oito dimensões da saúde incluindo função física, dor corporal, saúde geral e bem-estar emocional.
Todas as avaliações foram realizadas antes do tratamento, imediatamente após o término das sessões e doze semanas depois.
Os principais resultados demonstraram que ambos os tratamentos foram igualmente eficazes na redução da dor e melhoria da função física. Não houve diferença estatisticamente significativa entre acupuntura e fisioterapia em relação aos níveis de dor, pontuação total do WOMAC e qualidade de vida nas avaliações após o tratamento e no seguimento de doze semanas. No grupo de acupuntura, a dor pela escala visual analógica diminuiu de 8,32 para 5,54 pontos, enquanto no grupo de fisioterapia reduziu de 7,86 para 5,68 pontos. Ambos os grupos também apresentaram melhorias significativas na função física, com o WOMAC melhorando de 63,8 para 53,72 no grupo acupuntura e de 59,04 para 52,28 no grupo fisioterapia.
Uma diferença interessante observada foi que o grupo de acupuntura apresentou melhoras mais precoces, com benefícios já evidentes imediatamente após o tratamento, enquanto o grupo de fisioterapia mostrou melhorias mais pronunciadas apenas no seguimento de doze semanas. Isso sugere que a acupuntura pode ter um efeito mais rápido, enquanto a fisioterapia demonstra benefícios mais duradouros. Ambos os tratamentos mantiveram seus efeitos benéficos durante o período de seguimento de três meses, indicando benefícios sustentados mesmo após o término das sessões.
As implicações clínicas destes achados são relevantes tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde. Para os pacientes, os resultados oferecem evidências de que tanto a acupuntura quanto a fisioterapia representam opções terapêuticas válidas e eficazes para o manejo da artrose de joelho. Ambos os tratamentos proporcionaram alívio significativo da dor e melhoria funcional com bom perfil de tolerabilidade, apresentando-se como alternativas seguras aos medicamentos anti-inflamatórios. A escolha entre acupuntura e fisioterapia pode basear-se nas preferências pessoais do paciente, disponibilidade local dos tratamentos e características individuais da condição.
Para os profissionais de saúde, o estudo fornece evidências científicas sólidas para orientar decisões terapêuticas. A eficácia similar entre as modalidades sugere que ambas devem ser consideradas no planejamento terapêutico, podendo ser utilizadas individualmente ou em combinação. Os resultados também apoiam as diretrizes clínicas que recomendam tratamentos não farmacológicos como primeira linha para artrose de joelho, especialmente em pacientes que não podem ou preferem não usar medicamentos.
O estudo apresenta algumas limitações importantes que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. A principal limitação é a ausência de grupos controle com placebo ou acupuntura simulada, o que pode ter influenciado os resultados devido ao efeito placebo. Além disso, ambos os grupos realizaram exercícios domiciliares, tornando difícil determinar quanto da melhoria deve-se especificamente à acupuntura ou fisioterapia versus aos exercícios. O tempo de contato entre paciente e terapeuta também foi diferente entre os grupos, potencialmente influenciando os resultados.
Em conclusão, este estudo demonstra que tanto a acupuntura quanto a fisioterapia são tratamentos eficazes para artrose de joelho, proporcionando benefícios significativos e duradouros na redução da dor e melhoria da função física. Os resultados sugerem que os pacientes podem escolher entre essas modalidades baseando-se em suas preferências pessoais e disponibilidade, sabendo que ambas oferecem benefícios clinicamente relevantes. Futuras pesquisas com grupos controle placebo e períodos de seguimento mais longos serão importantes para confirmar e expandir estes achados promissores.
Pontos Fortes
- 1Ensaio randomizado controlado com boa qualidade metodológica
- 2Tamanho de amostra adequado (100 participantes)
- 3Seguimento de longo prazo (12 semanas)
- 4Ausência de eventos adversos em ambos os grupos
- 5Protocolos de tratamento bem definidos e padronizados
Limitações
- 1Ausência de grupos placebo ou sham para controle
- 2Impossibilidade de cegar participantes devido à natureza das intervenções
- 3Ambos grupos realizaram exercícios domiciliares que podem ter influenciado os resultados
- 4Diferenças no IMC entre os grupos não foram totalmente controladas
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241
▸ Relevância Clínica
A osteoartrite de joelho é, na prática diária de um serviço de dor e reabilitação, um dos diagnósticos mais frequentes e ao mesmo tempo um dos mais frustrantes de manejar quando o paciente já esgotou anti-inflamatórios e analgésicos sem controle adequado ou com intolerância gastrointestinal. O achado central deste ensaio — equivalência de eficácia entre acupuntura e fisioterapia convencional sobre dor e função ao longo de 18 semanas — oferece ao fisiatra uma base sólida para posicionar a acupuntura como alternativa de primeira linha, e não como recurso de último momento. Isso muda a conversa clínica especialmente em pacientes idosos com contraindicações a AINEs, naqueles com insuficiência renal leve a moderada, ou nos polimedicados em que adicionar analgésicos representa risco de interação. A manutenção dos efeitos por 12 semanas após o término das sessões é particularmente relevante para justificar o custo-efetividade da intervenção em programas públicos e privados de reabilitação.
▸ Achados Notáveis
O dado que merece atenção imediata é a cinética de resposta diferenciada entre os grupos: a acupuntura produziu melhora mais precoce, já perceptível ao término das 12 sessões, enquanto a fisioterapia convencional — combinando ultrassom, TENS e calor superficial — mostrou ganhos mais expressivos apenas no seguimento tardio de 12 semanas. Do ponto de vista neurofisiológico, isso é coerente com o mecanismo de inibição descendente da dor e liberação de opioides endógenos atribuídos à acupuntura, contrastando com o efeito cumulativo de remodelação funcional proporcionado pelos recursos eletrotermoterapêuticos. Outro ponto digno de nota é o perfil de segurança: zero eventos adversos em ambos os grupos ao longo de todo o seguimento, dado relevante quando se compara ao perfil de risco dos AINEs em uso crônico. A magnitude de redução na EVA — em torno de 2,5 pontos em ambos os grupos — alcança o limiar geralmente aceito de diferença clinicamente significativa para dor musculoesquelética crônica.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no ambulatório de dor musculoesquelética, costumo ver resposta clinicamente perceptível à acupuntura em osteoartrite de joelho entre a terceira e a quinta sessão — o que se alinha bem com a resposta precoce descrita por Atalay et al. O protocolo que utilizo habitualmente combina pontos locais periarticularres com pontos distais como ST36 e SP9, às vezes associando agulhamento seco de ponto-gatilho no vasto medial quando há componente de fraqueza e instabilidade. Raramente uso acupuntura isolada: o esquema mais efetivo que tenho observado ao longo dos anos é acupuntura combinada a exercício de fortalecimento supervisionado, porque o ganho analgésico precoce da acupuntura cria uma janela de oportunidade para que o paciente tolere a cinesioterapia sem dor limitante. Em geral, conduzo 8 a 12 sessões para a fase aguda e, nos pacientes com osteoartrite moderada a grave, ofereço manutenção mensal. O perfil que responde melhor, em minha experiência, é o paciente com dor predominantemente nociceptiva, sem componente neuropático dominante e com grau radiológico Kellgren-Lawrence II ou III — os grau IV frequentemente precisam de decisão cirúrgica em paralelo.
Artigo Científico Indexado
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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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