Is dry needling an effective treatment for tennis elbow? A literature review
Grabowski et al. · Quality in Sport · 2025
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Revisar a eficácia do agulhamento seco no tratamento da epicondilite lateral (cotovelo de tenista)
QUEM
Pacientes com epicondilite lateral crônica que não responderam a tratamentos convencionais
DURAÇÃO
Revisão de estudos com seguimento de curto a longo prazo
PONTOS
Agulhamento direcionado ao tendão extensor carpi radialis brevis e pontos gatilho
🔬 Desenho do Estudo
Agulhamento Seco
n=96
Agulhamento seco percutâneo
Corticoides
n=97
Injeções de corticosteroides
📊 Resultados em Números
Melhora da dor a longo prazo
Custo-efetividade
Complicações
Melhora funcional gradual
📊 Comparação de Resultados
Eficácia a longo prazo
Custo-benefício
O agulhamento seco mostrou-se eficaz para tratar o cotovelo de tenista crônico, especialmente quando outros tratamentos não funcionaram. É uma técnica segura e econômica que pode proporcionar alívio duradouro da dor com menos efeitos colaterais que as injeções de corticoide.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Esta revisão de literatura examina a eficácia do agulhamento seco no tratamento da epicondilite lateral, conhecida como cotovelo de tenista, uma condição que afeta de 1% a 3% da população, especialmente entre os 35 e 55 anos. A epicondilite lateral, inicialmente descrita por Runge em 1873, é caracterizada por dor e limitações funcionais no cotovelo, tradicionalmente atribuídas à inflamação do tendão extensor comum no epicôndilo lateral. No entanto, pesquisas recentes revelam que se trata mais de uma tendinopatia degenerativa do que inflamatória, caracterizada por proliferação de fibroblastos, vascularização anormal, formação de tecido de granulação, microrrupturas e desorganização do colágeno. A fisiopatologia da epicondilite lateral permanece incompletamente compreendida, mas acredita-se que resulte de microtraumas repetitivos que causam alterações histológicas no tendão.
Fatores de risco incluem tabagismo, obesidade, atividades repetitivas vigorosas, trabalho manual intensivo e fatores ocupacionais. O diagnóstico diferencial deve considerar outras estruturas como ligamento colateral radial, ligamento anular, articulação radiocapitelar, nervo radial e coluna cervical. O tratamento tradicional da epicondilite lateral envolve múltiplas abordagens, sendo o repouso das atividades que exacerbam a condição a principal recomendação. Para alívio da dor, utiliza-se aplicação de gelo, anti-inflamatórios não esteroidais orais ou tópicos, e terapia com corticosteroides.
Injeções locais de corticosteroides misturadas com anestésicos locais representam uma abordagem primária, mostrando eficácia significativa a curto prazo. A fisioterapia inclui diversas técnicas como terapia manual, método Cyriax, manipulação de Mill e técnicas de liberação miofascial. Outras modalidades incluem terapia por ondas de choque extracorpóreas, laser terapia e ultrassom. O agulhamento seco emergiu como uma opção terapêutica promissora para casos que não respondem aos tratamentos convencionais.
Esta técnica utiliza agulhas finas para atingir áreas específicas do músculo ou tecido conectivo, visando desativar pontos gatilho miofasciais, provocar resposta de contração muscular ou desencadear reação inflamatória localizada que auxilia na cicatrização. Embora os mecanismos fisiológicos não sejam completamente compreendidos, acredita-se que o agulhamento seco cause mudanças bioquímicas que quebram o ciclo de dor e degeneração. Estudos revisados demonstram que o agulhamento seco é tão eficaz quanto os corticosteroides no tratamento da epicondilite lateral, com vantagens significativas. Nagarajan et al.
mostraram que a terapia com agulhamento seco não apenas apresenta resultados funcionais gradualmente melhorados comparados aos corticosteroides, mas também oferece benefícios notáveis em termos de custo-efetividade e menor invasividade. Uygur et al., em um estudo prospectivo randomizado controlado com 92 pacientes, demonstraram redução notável dos níveis de dor a longo prazo. Em outro estudo randomizado controlado com 101 pacientes, os mesmos autores encontraram que o agulhamento seco percutâneo proporcionou resultados superiores a longo prazo comparado às injeções de corticosteroides. Suzuki et al., em estudo retrospectivo, examinaram o uso do agulhamento seco em pacientes que não responderam a tratamentos conservadores convencionais, mostrando melhora significativa tanto clínica quanto funcional.
Uma revisão sistemática de Sousa Filho et al. confirmou que o agulhamento seco ofereceu maiores benefícios comparado às injeções de corticosteroides, particularmente na redução da dor e melhora dos resultados funcionais. As vantagens do agulhamento seco incluem ser uma técnica segura, custo-efetiva, minimamente invasiva, com menos complicações que os corticosteroides, e pode ser realizada por profissionais treinados em anatomia da extremidade superior e reabilitação. Embora múltiplas sessões sejam necessárias, diferentemente dos corticosteroides que geralmente requerem dose única, os benefícios a longo prazo justificam esta abordagem.
As limitações desta revisão incluem a necessidade de mais pesquisas extensivas com amostras maiores, randomização adequada e grupos controle para avaliar melhor a eficácia do agulhamento seco no tratamento de tendinopatias. Apesar disso, as evidências atuais suportam o uso do agulhamento seco como opção terapêutica eficaz para epicondilite lateral crônica refratária a tratamentos convencionais.
Pontos Fortes
- 1Revisão abrangente de múltiplos estudos clínicos
- 2Análise comparativa com tratamentos padrão-ouro
- 3Avaliação de custo-efetividade
- 4Inclusão de estudos randomizados controlados
Limitações
- 1Tamanhos amostrais pequenos nos estudos revisados
- 2Necessidade de mais estudos com seguimento prolongado
- 3Variação nas técnicas de agulhamento entre estudos
- 4Falta de padronização de protocolos
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65223, 65224
▸ Relevância Clínica
A epicondilite lateral crônica é um dos diagnósticos mais frequentes no ambulatório de dor musculoesquelética, e a questão prática que se coloca diariamente é como manejar os casos refratários às medidas conservadoras habituais. Esta revisão aborda exatamente esse cenário: pacientes entre 35 e 55 anos, com história de microtraumas repetitivos, que passaram por ciclos de anti-inflamatórios e fisioterapia sem remissão sustentada. O dado mais relevante para a tomada de decisão clínica é a superioridade do agulhamento seco sobre os corticosteroides em desfechos de longo prazo, com perfil de segurança mais favorável e custo-efetividade superior. Isso reposiciona o agulhamento seco não apenas como alternativa de resgate, mas como opção de primeira linha em pacientes que já apresentam o quadro degenerativo predominante — especialmente quando se quer evitar os efeitos deletérios dos corticosteroides sobre o colágeno tendíneo já comprometido.
▸ Achados Notáveis
O achado que merece atenção especial é a dissociação temporal entre os dois tratamentos: os corticosteroides produzem alívio rápido e expressivo a curto prazo, mas o agulhamento seco demonstra superioridade nos seguimentos prolongados, chegando a um ano. Essa dinâmica reflete diretamente a fisiopatologia tendinopática — ao provocar resposta inflamatória localizada e estimular a remodelação do colágeno, o agulhamento interfere no substrato degenerativo em vez de apenas suprimir a sinalização álgica. Os estudos de Uygur et al., com 92 e 101 pacientes respectivamente, fornecem a base mais robusta dessa comparação direta. Outro ponto digno de nota é a eficácia documentada por Suzuki et al. em pacientes que já haviam falhado em tratamentos conservadores convencionais, o que valida o agulhamento seco como estratégia de segunda linha com evidência objetiva, não apenas consenso de especialistas.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no ambulatório de dor e reabilitação, tenho observado que a epicondilite lateral crônica refratária responde ao agulhamento seco de forma progressiva — os pacientes costumam perceber melhora funcional entre a terceira e a quinta sessão, mas a redução consistente da dor ao esforço geralmente se consolida entre a oitava e a décima segunda sessão. Trabalho habitualmente com protocolos de agulhamento peritendinoso combinado à abordagem de pontos-gatilho no extensor radial curto do carpo e no supinador, associando o tratamento a um programa de fortalecimento excêntrico supervisionado pelo fisioterapeuta — essa combinação, em minha experiência, potencializa e prolonga os resultados. Evito o agulhamento seco isolado sem reabilitação concomitante, pois o ganho tende a ser menos duradouro. O perfil de paciente que melhor responde é aquele com mais de três meses de evolução, com falha prévia a pelo menos um ciclo de corticoide, e sem síndrome de compressão do nervo radial associada — este último diagnóstico diferencial precisa ser excluído antes de iniciar qualquer protocolo de agulhamento local.
Artigo Original Completo
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Quality in Sport · 2025
DOI: 10.12775/QS.2025.37.57800
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Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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