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Acupuncture in the treatment of post-stroke hiccup: A systematic Review and meta-analysis

Wang et al. · Libyan Journal of Medicine · 2023

📊Revisão Sistemática e Meta-análise👥n=1.395 participantes🔬18 estudos incluídos

Nível de Evidência

MODERADA
65/ 100
Qualidade
3/5
Amostra
4/5
Replicação
3/5
🎯

OBJETIVO

Avaliar a eficácia clínica da acupuntura no tratamento de soluços pós-AVC comparada ao tratamento medicamentoso padrão

👥

QUEM

Pacientes com soluços persistentes após acidente vascular cerebral

⏱️

DURAÇÃO

Tratamentos variando de 3 dias a 4 semanas

📍

PONTOS

Variados conforme o estudo - acupuntura corporal tradicional e eletroacupuntura

🔬 Desenho do Estudo

1395participantes
randomização

Acupuntura

n=698

Acupuntura tradicional ou eletroacupuntura

Controle

n=697

Metoclopramida (medicamento padrão)

⏱️ Duração: 3 dias a 4 semanas de tratamento

📊 Resultados em Números

27% superior

Taxa de eficácia do tratamento

1,28 pontos menor

Redução na pontuação de sintomas

8,47 pontos maior

Melhora na qualidade de vida

7,23 pontos menor

Redução na ansiedade (SAS)

Destaques Percentuais

27% superior
Taxa de eficácia do tratamento

📊 Comparação de Resultados

Taxa de eficácia do tratamento

Acupuntura
92
Medicamento
72
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostra que a acupuntura pode ser mais eficaz que medicamentos convencionais para tratar soluços persistentes após AVC. Os pacientes que receberam acupuntura tiveram maior chance de melhora dos sintomas, melhor qualidade de vida e menos efeitos colaterais comparado ao tratamento medicamentoso padrão.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Os soluços pós-AVC representam uma complicação comum e incapacitante que afeta significativamente a qualidade de vida dos pacientes em recuperação. Estudos epidemiológicos mostram que cerca de 13,7% dos pacientes com síndrome de Wallenberg desenvolvem episodios de soluço, uma condição que pode interferir tanto no tratamento agudo quanto na reabilitação posterior. O mecanismo fisiopatológico envolve a estimulação do centro reflexo do soluço no tronco cerebral, criando um arco reflexo que inclui nervos aferentes, centrais e eferentes. O tratamento medicamentoso tradicional com drogas como Metoclopramida, Baclofeno e Gabapentina frequentemente resulta em efeitos adversos pronunciados, incluindo tontura e sedação excessiva, que podem prejudicar a recuperação neurológica.

Esta revisão sistemática e meta-análise foi conduzida para avaliar a eficácia e segurança da acupuntura como alternativa terapêutica para soluços pós-AVC. Os pesquisadores realizaram buscas abrangentes em múltiplas bases de dados, incluindo PubMed, Cochrane Library, EMBASE e bases de dados chinesas, identificando 18 estudos controlados randomizados que atenderam aos critérios de inclusão, totalizando 1.395 participantes. A metodologia seguiu rigorosamente as diretrizes PRISMA e utilizou ferramentas padronizadas para avaliação da qualidade dos estudos. Os resultados demonstraram que a acupuntura proporcionou uma taxa de eficácia significativamente superior comparada ao tratamento medicamentoso padrão, com um risco relativo de 1,27 (IC 95%: 1,21-1,33).

A pontuação de sintomas de soluço mostrou redução substancial no grupo acupuntura, com diferença media ponderada de -1,28 pontos. Particularmente notável foi a melhoria na qualidade de vida dos pacientes, com diferença de 8,47 pontos a favor da acupuntura. O perfil de segurança mostrou-se favorável, com menor incidência de eventos adversos no grupo acupuntura comparado ao controle medicamentoso. Adicionalmente, os pacientes tratados com acupuntura apresentaram redução significativa nos níveis de ansiedade, medidos pela escala SAS.

Os possíveis mecanismos de ação da acupuntura incluem a melhoria da circulação cerebral, restauração da excitabilidade do tecido cerebral e modulação bidirecional da motilidade gastrointestinal. A técnica de 'regulação da mente e estômago' pode influenciar o centro nervoso autonômico visceral no tálamo, impactando o arco reflexo do soluço e aliviando os espasmos diafragmáticos. As limitações do estudo incluem o tamanho relativamente pequeno das amostras individuais, heterogeneidade nos critérios de eficácia entre os estudos, e potencial viés de publicação detectado nos testes estatísticos. A maioria dos estudos incluídos apresentou qualidade metodológica baixa a moderada, com inadequada descrição da ocultação de alocação e impossibilidade de cegamento devido à natureza da intervenção.

Implicações clínicas sugerem que a acupuntura pode ser considerada uma alternativa segura e eficaz para o manejo de soluços pós-AVC, especialmente em pacientes que não toleram bem os medicamentos convencionais ou apresentam contraindicações. A técnica oferece vantagens adicionais como melhoria da qualidade de vida e redução da ansiedade, aspectos cruciais na reabilitação pós-AVC. Para estabelecer definitivamente o papel da acupuntura no tratamento de soluços pós-AVC, são necessários ensaios clínicos randomizados de maior qualidade, com amostras maiores, critérios padronizados de eficácia e seguimento de longo prazo para avaliar a sustentabilidade dos benefícios terapêuticos.

Pontos Fortes

  • 1Meta-análise abrangente incluindo múltiplas bases de dados
  • 2Análise de múltiplos desfechos incluindo qualidade de vida
  • 3Baixa taxa de eventos adversos com acupuntura
  • 4Metodologia rigorosa seguindo diretrizes PRISMA
⚠️

Limitações

  • 1Qualidade metodológica baixa a moderada dos estudos incluídos
  • 2Tamanho pequeno das amostras individuais
  • 3Heterogeneidade nos critérios de avaliação
  • 4Potencial viés de publicação detectado

📅 Contexto Histórico

2005Primeiros estudos sobre soluços pós-AVC em síndrome de Wallenberg
2017Meta-análise prévia sugere potencial da acupuntura
2022Busca sistemática até fevereiro incluindo 18 RCTs
2023Publicação desta meta-análise demonstrando eficácia superior da acupuntura
Dr. Marcus Yu Bin Pai

Comentário do Especialista

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241

Relevância Clínica

O soluço persistente pós-AVC é uma complicação que qualquer fisiatra atuante em unidade de reabilitação neurológica encontra com regularidade, particularmente nos casos de síndrome de Wallenberg e lesões de tronco cerebral. O arsenal medicamentoso disponível — metoclopramida, baclofeno, gabapentina — carrega o ônus de tontura e sedação excessiva, que em pacientes já fragilizados neurologicamente comprometem diretamente o desempenho nas sessões de reabilitação e aumentam o risco de queda. Esta meta-análise, reunindo 1.395 participantes em 18 ensaios controlados randomizados, posiciona a acupuntura como alternativa terapêutica concreta e mensurável: eficácia 27% superior ao controle medicamentoso padrão, com perfil de segurança claramente favorável. Para o médico que conduz programas de reabilitação pós-AVC, isso representa uma opção especialmente relevante nos pacientes polifarmacológicos ou naqueles em que qualquer grau adicional de sedação é inaceitável do ponto de vista funcional.

Achados Notáveis

Entre os desfechos reportados, o que merece atenção destacada não é apenas a superioridade na taxa de eficácia global, mas a magnitude da melhora em qualidade de vida — diferença de 8,47 pontos a favor da acupuntura — e a redução de 7,23 pontos na escala de ansiedade SAS. Isso é clinicamente relevante porque expande a narrativa do tratamento do soluço para além do controle do sintoma isolado: estamos falando de um impacto real no estado psicoemocional do paciente em reabilitação, onde ansiedade e qualidade de vida percebida são preditores independentes de adesão e desfecho funcional. Os mecanismos propostos — modulação do arco reflexo via circulação cerebral, ação no sistema nervoso autonômico visceral e restauração da excitabilidade tecidual — guardam coerência com a neurofisiologia conhecida do soluço e abrem caminho para pensar a acupuntura como intervenção moduladora de circuitos do tronco, não apenas sintomática.

Da Minha Experiência

Na minha prática em reabilitação neurológica, o soluço persistente pós-AVC chega ao ambulatório frequentemente já após tentativas frustradas com metoclopramida, e o paciente muitas vezes relata que a medicação o deixa 'entorpecido' demais para participar das terapias. Tenho adotado a acupuntura como intervenção de primeira linha nesses casos há alguns anos, e costumo observar resposta já nas primeiras duas a três sessões — não raramente o familiar relata redução da frequência ainda na primeira semana. Em geral, trabalhamos com ciclos de seis a dez sessões, avaliando a necessidade de manutenção conforme a estabilidade do quadro neurológico de base. Combino habitualmente com orientações posturais e, quando há componente de dismotilidade associada, com avaliação fonoaudiológica pela sobreposição com disfagia. O perfil que responde melhor, na minha observação, é o paciente alerta, cooperativo, sem agitação psicomotora intensa — exatamente aquele em que preservar o nível de consciência durante a reabilitação é mais crítico.

Doutor em Ciências pela USP. Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

Libyan Journal of Medicine · 2023

DOI: 10.1080/19932820.2023.2251640

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.

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