Efficacy and Safety of Acupuncture and Related Techniques in the Management of Oncological Children and Adolescent Patients: A Systematic Review
Martínez García et al. · Cancers · 2024
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Avaliar a eficácia e segurança da acupuntura no controle de náusea e vômito induzidos por quimioterapia em crianças com câncer
QUEM
Crianças e adolescentes (0-18 anos) em tratamento oncológico
DURAÇÃO
Estudos realizados entre 2008 e 2024
PONTOS
PC6 (Neiguan), E36 (Zusanli), IG4 (Hegu), auriculoterapia
🔬 Desenho do Estudo
Acupuntura/Acupressão
n=362
Diferentes técnicas de acupuntura
Controle/Placebo
n=361
Sham ou cuidado padrão
📊 Resultados em Números
Redução na severidade de náusea
Episodios de vômito
Efeitos adversos leves
Estudos incluídos na meta-análise
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Severidade de náusea (redução)
Esta revisão analisou estudos sobre acupuntura em crianças com câncer que sofrem de náusea e vômito durante o tratamento. Os resultados sugerem que a acupuntura pode ajudar a reduzir a náusea, mas são necessários mais estudos de melhor qualidade para confirmar esses benefícios e garantir a segurança em crianças.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Eficácia e Segurança da Acupuntura e Técnicas Relacionadas no Manejo de Crianças e Adolescentes Oncológicos: Revisão Sistemática
A acupuntura na oncologia pediátrica tem ganhado crescente interesse como tratamento complementar para aliviar os sintomas relacionados ao câncer e aos efeitos colaterais dos tratamentos convencionais. O câncer infantil e seus tratamentos frequentemente causam náuseas, vômitos, fadiga e dor, impactando significativamente a qualidade de vida das crianças. Por ser um procedimento simples, de baixo custo, sem interações medicamentosas e com alto perfil de segurança, a acupuntura tem sido implementada em importantes centros oncológicos mundiais. A Organização Mundial da Saúde reconhece sua eficácia e segurança desde 1979, e as diretrizes da Sociedade Americana de Oncologia Clínica sugerem a acupuntura para manejo de dor oncológica em adultos.
No entanto, existem lacunas importantes no conhecimento sobre sua aplicação em crianças e adolescentes com câncer.
Este estudo sistemático foi desenvolvido para avaliar a eficácia e segurança da acupuntura e técnicas relacionadas no tratamento de sintomas em pacientes oncológicos pediátricos. Os pesquisadores conduziram uma busca abrangente em nove bases de dados, incluindo publicações em inglês e chinês, até junho de 2024. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados e quasi-randomizados envolvendo crianças de zero a 18 anos com qualquer tipo e estágio de câncer. As intervenções estudadas incluíram acupuntura com agulhas, eletroacupuntura, moxabustão, acupressão, acupuntura auricular e acupuntura a laser, comparadas com grupos controle que receberam tratamento simulado, cuidados habituais ou nenhum tratamento.
Os desfechos analisados incluíram náuseas, vômitos, uso de medicação antiemética de resgate, fadiga e eventos adversos.
A análise identificou onze estudos realizados em diferentes países entre 2008 e 2024, envolvendo 747 participantes com idades entre 4,75 e 13,6 anos. Os estudos abrangeram diversos tipos de câncer, incluindo leucemia, sarcomas, linfomas e tumores sólidos. As técnicas de acupuntura mais utilizadas foram acupressão (cinco estudos) e acupuntura auricular (três estudos), sendo os pontos P6 e ST36 os mais frequentemente aplicados. A qualidade metodológica dos estudos foi considerada baixa a moderada, com limitações importantes no desenho e relato dos resultados.
A heterogeneidade entre os estudos foi significativa, limitando a possibilidade de realizar meta-análises abrangentes.
Os principais resultados indicam que a acupuntura pode oferecer benefícios no controle de náuseas induzidas pela quimioterapia quando comparada a intervenções simuladas. A meta-análise de quatro estudos com 244 participantes demonstrou redução estatisticamente significativa na severidade das náuseas após o tratamento. No entanto, não houve evidência convincente de redução no número de episodios de vômito. Alguns estudos individuais relataram melhorias na intensidade da fadiga uma hora após o tratamento, mas esses benefícios não se mantiveram após 12 horas.
Quanto ao uso de medicação antiemética de resgate, os resultados foram inconsistentes entre os estudos. Em relação à segurança, foram reportados apenas efeitos adversos menores e transitórios, incluindo dor local leve, desconforto por bandas muito apertadas e coceira auricular, sem eventos adversos graves.
Para pacientes e familiares, esses achados sugerem que a acupuntura pode ser uma opção segura e potencialmente útil como tratamento complementar para ajudar no controle de náuseas durante a quimioterapia. É importante destacar que a acupuntura não substitui os tratamentos convencionais, mas pode ser utilizada em conjunto com medicações antieméticas para melhorar o conforto da criança. Para profissionais de saúde, os resultados indicam que a acupuntura pode ser considerada como parte de uma abordagem integrada no cuidado oncológico pediátrico, especialmente para manejo de náuseas. No entanto, é fundamental que seja realizada por profissionais treinados e experientes, considerando a vulnerabilidade desta população.
O estudo apresenta limitações importantes que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. O pequeno número de participantes em alguns estudos, a heterogeneidade nas metodologias utilizadas e a qualidade metodológica limitada dos ensaios restringem a força das conclusões. Muitos estudos não forneceram dados suficientes para análises estatísticas robustas, e a diversidade de instrumentos de avaliação dificultou comparações diretas entre os resultados. Além disso, não foi possível avaliar o viés de publicação devido ao número insuficiente de estudos incluídos.
Apesar dessas limitações, a revisão utilizou metodologia sistemática rigorosa e busca abrangente, incluindo bases de dados chinesas, o que fortalece a confiabilidade dos achados. Os resultados são consistentes com outras revisões sistemáticas na área, reforçando as evidências de benefício potencial da acupuntura no controle de náuseas em pacientes oncológicos pediátricos.
Em conclusão, embora os resultados sejam promissores, são necessários mais estudos de alta qualidade, com amostras maiores e metodologias padronizadas, para estabelecer definitivamente o papel da acupuntura no cuidado oncológico pediátrico e orientar sua aplicação clínica de forma mais precisa e segura.
Pontos Fortes
- 1Busca abrangente em múltiplas bases de dados
- 2Inclusão de estudos em chinês
- 3Análise de segurança detalhada
- 4Metodologia sistemática robusta
Limitações
- 1Qualidade metodológica variável dos estudos
- 2Heterogeneidade nas intervenções
- 3Amostras pequenas em alguns estudos
- 4Dados insuficientes para meta-análises abrangentes
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241
▸ Relevância Clínica
O manejo de náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia em crianças permanece um dos desafios mais frustrantes da oncologia pediátrica. Mesmo com protocolos antieméticos modernos baseados em antagonistas 5-HT3 e NK1, uma parcela significativa dos pacientes continua com controle inadequado, especialmente nas fases tardia e antecipatória. Esta revisão posiciona a acupuntura — particularmente acupressão no P6 e eletroacupuntura no ST36 — como adjuvante viável nesse cenário, com perfil de segurança demonstrado em população pediátrica oncológica vulnerável. A SMD de -0,57 para severidade de náusea, embora modesta, representa um ganho clinicamente relevante quando somada à farmacoterapia padrão. Centros oncológicos pediátricos que já operam com equipes multidisciplinares encontrarão nessa evidência respaldo para integrar acupuntura ao protocolo de suporte, sobretudo nos ciclos de quimioterapia de alta emetogenicidade.
▸ Achados Notáveis
Entre os achados que merecem atenção clínica está a predominância de acupressão e acupuntura auricular como técnicas mais estudadas — modalidades que dispensam agulhamento convencional e apresentam logística favorável em ambiente hospitalar pediátrico, incluindo possibilidade de autoaplicação supervisionada pelos responsáveis no ponto P6. A taxa de efeitos adversos de 17,4%, todos leves e transitórios — dor local, desconforto por banda de pressão e prurido auricular —, é particularmente relevante para a tomada de decisão em oncologia pediátrica, onde qualquer intervenção adicional exige justificativa de risco-benefício rigorosa. O benefício na fadiga, presente imediatamente após a sessão mas não sustentado às 12 horas, sugere que a temporalidade da aplicação em relação aos picos de toxicidade quimioterápica pode ser um fator determinante de resposta — dado que orienta diretamente o planejamento de sessões.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática em dor oncológica, a solicitação de acupuntura em pacientes pediátricos geralmente chega por indicação do oncologista após esgotamento das estratégias antieméticas convencionais, e raramente como primeira linha complementar — o que este trabalho nos convida a reconsiderar. Tenho observado que a acupressão no P6 é a porta de entrada mais aceita pelas famílias, justamente pela possibilidade de ensinar a técnica e reduzir a dependência de consultas presenciais. Costumo ver resposta perceptível em náusea a partir da segunda ou terceira sessão, com manutenção associada a pelo menos um ponto de somatização abdominal como ST36. A combinação com orientação nutricional e manejo ansiolítico não farmacológico potencializa o resultado. Nessa população, o principal critério de não indicação para mim é trombocitopenia grave — e mesmo nesses casos a acupressão sem agulha permanece aplicável. O perfil que responde melhor, empiricamente, é o adolescente com náusea antecipatória intensa, onde o componente neurovegetativo e de modulação central da acupuntura parece ter impacto mais expressivo.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Cancers · 2024
DOI: 10.3390/cancers16183197
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Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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