Comparison of dry needling and ischaemic compression techniques on pain and function in patients with patellofemoral pain syndrome: a randomised clinical trial
Behrangrad et al. · Acupuncture in Medicine · 2020
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Comparar efetividade do agulhamento seco versus compressão isquêmica em dor e função em pacientes com síndrome da dor patelofemoral
QUEM
54 adultos jovens (20-30 anos) com dor patelofemoral unilateral e pontos-gatilho no vasto medial oblíquo
DURAÇÃO
3 sessões em 1 semana, seguimento de 3 meses
PONTOS
Pontos-gatilho miofasciais no músculo vasto medial oblíquo (VMO)
🔬 Desenho do Estudo
Agulhamento Seco
n=27
Agulhamento seco nos pontos-gatilho do VMO
Compressão Isquêmica
n=27
Compressão manual direta nos pontos-gatilho do VMO
📊 Resultados em Números
Melhora na dor (SRPN)
Melhora funcional (Kujala)
Limiar de dor à pressão
Diferença entre grupos
📊 Comparação de Resultados
Redução da Dor (escala 0-10)
Função (Questionário Kujala 0-100)
Este estudo comparou duas técnicas para tratar dor no joelho: agulhamento seco (inserção de agulhas finas) e compressão manual. Ambas as técnicas foram igualmente eficazes para reduzir a dor e melhorar a função do joelho em jovens com síndrome da dor patelofemoral.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
A síndrome da dor patelofemoral (SDPF) é uma das condições mais comuns do joelho em jovens ativos, afetando até 40% da população. Caracteriza-se por dor na região anterior ou medial do joelho, agravada por atividades que aumentam a pressão patelofemoral, como subir escadas, agachamentos e permanecer sentado por períodos prolongados. O músculo vasto medial oblíquo (VMO) é considerado um estabilizador dinâmico importante da articulação patelofemoral, e sua insuficiência pode predispor ao desenvolvimento da SDPF. Pontos-gatilho miofasciais no VMO são comumente encontrados em pacientes com SDPF e podem contribuir para os sintomas.
Este ensaio clínico randomizado comparou duas técnicas de tratamento manual para pontos-gatilho: agulhamento seco (AD) e compressão isquêmica (CI). Cinquenta e quatro participantes com idades entre 20-30 anos e diagnóstico de SDPF unilateral foram randomizados igualmente entre os dois grupos. Todos os participantes apresentavam pelo menos um ponto-gatilho ativo no VMO do joelho sintomático. O protocolo incluiu três sessões de tratamento ao longo de uma semana, com seguimento aos 7 dias, 1 mês e 3 meses após o tratamento.
No grupo de agulhamento seco, agulhas estéreis de acupuntura (0,25mm de diâmetro, 50mm de comprimento) foram inseridas perpendicularmente nos pontos-gatilho identificados. Utilizou-se a técnica de inserção rápida com movimentos verticais de 2-3mm por 25-30 segundos para elicitar respostas de contração local. No grupo de compressão isquêmica, aplicou-se pressão manual gradualmente crescente sobre o ponto-gatilho até o paciente relatar dor nível 7 na escala numérica, mantendo essa pressão por 90 segundos, repetindo três vezes com intervalos de 30 segundos.
Os resultados principais foram avaliados através do questionário Kujala (função), escala numérica de dor (SRPN) e limiar de dor à pressão (LDP). Ambos os grupos demonstraram melhorias significativas em todas as medidas ao longo do período de seguimento. A dor reduziu de aproximadamente 6,7 para 1,9 pontos na escala de 0-10 em ambos os grupos. A função melhorou de cerca de 62 para 78 pontos no questionário Kujala (escala 0-100).
O limiar de dor à pressão aumentou de 3,3 para 3,8 em ambos os grupos, indicando menor sensibilidade.
Importantemente, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os dois tratamentos em nenhum momento do seguimento. Ambas as técnicas mostraram efeitos similares e duradouros, com benefícios mantidos até 3 meses após o tratamento. O tamanho do efeito foi considerado grande para ambas as intervenções, sugerindo relevância clínica substancial.
As implicações clínicas sugerem que tanto o agulhamento seco quanto a compressão isquêmica são opções terapêuticas viáveis para pacientes com SDPF e pontos-gatilho no VMO. A escolha entre as técnicas pode depender de fatores como preferência do paciente, experiência do terapeuta e disponibilidade de recursos. Ambas as abordagens visam normalizar a função muscular, reduzir a sensibilidade dolorosa e melhorar o padrão de ativação do VMO, contribuindo para melhor alinhamento patelar.
O estudo apresenta limitações importantes. Não foram avaliados fatores biomecânicos como ângulo Q ou grau de rotação interna do quadril, que poderiam influenciar os resultados. Além disso, as técnicas foram testadas isoladamente, sem combinação com exercícios ou outras modalidades terapêuticas comumente utilizadas na prática clínica. Estudos futuros deveriam incluir grupos controle com tratamento simulado e investigar a relação de ativação VMO/vasto lateral para melhor compreensão dos mecanismos de ação.
Pontos Fortes
- 1Desenho randomizado controlado com seguimento de 3 meses
- 2Uso de múltiplas medidas de desfecho validadas
- 3Protocolo de tratamento bem definido e reproduzível
- 4Tamanho de amostra adequado com baixa taxa de abandono
Limitações
- 1Ausência de grupo controle placebo ou simulado
- 2Não avaliação de fatores biomecânicos importantes
- 3Técnicas testadas isoladamente, sem terapias adjuvantes
- 4População limitada a jovens adultos (20-30 anos)
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65223, 65224
▸ Relevância Clínica
A síndrome da dor patelofemoral é rotineiramente um dos diagnósticos mais frequentes no ambulatório de fisiatria e medicina esportiva, particularmente em adultos jovens ativos. Este ensaio clínico randomizado oferece uma base para a tomada de decisão terapêutica ao demonstrar que o agulhamento seco dos pontos-gatilho do vasto medial oblíquo produz resultados equivalentes à compressão isquêmica, com reduções clinicamente expressivas na dor — de 6,7 para 1,9 na escala numérica — e ganho funcional de 16 pontos no Kujala, desfechos mantidos ao longo de três meses de seguimento. Para o médico que atende corredores, praticantes de musculação e pacientes com síndrome de sobrecarga patelofemoral, isso significa que o agulhamento seco passa a compor o arsenal terapêutico com respaldo de evidência comparativa direta. A equivalência entre as técnicas também fundamenta a personalização do tratamento conforme perfil do paciente e contexto clínico disponível.
▸ Achados Notáveis
O dado mais relevante do estudo não é a superioridade de uma técnica, mas a magnitude do efeito obtido em apenas três sessões ao longo de uma semana. Uma redução de aproximadamente 4,8 pontos na escala de dor representa um tamanho de efeito de grande magnitude, incomum em intervenções isoladas de curta duração para dor musculoesquelética crônica. O aumento no limiar de dor à pressão, embora modesto em valores absolutos, indica modulação da sensibilização periférica no VMO — o que conecta o achado a mecanismos neurofisiológicos conhecidos do agulhamento seco, como liberação de endorfinas locais e normalização da placa motora disfuncional. O fato de os benefícios persistirem aos três meses sugere que a intervenção pontual sobre o ponto-gatilho pode ser suficiente para reorganização neuromuscular duradoura, pelo menos nessa faixa etária e nível de cronicidade.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática, a síndrome da dor patelofemoral com componente miofascial do VMO costuma responder ao agulhamento seco já a partir da segunda ou terceira sessão, com o paciente relatando redução perceptível da dor ao descer escadas e ao agachar — justamente as queixas funcionais que mais comprometem a adesão ao programa de reabilitação. Tenho usado o agulhamento do VMO não como técnica isolada, mas como facilitador para o trabalho de fortalecimento e ativação seletiva do quadríceps: quando o ponto-gatilho está ativo, o feedback motor está comprometido e o exercício terapêutico rende menos. Em geral, planejo de quatro a seis sessões de agulhamento em paralelo ao protocolo de exercícios, com reavaliação ao final. O perfil que responde melhor é exatamente o descrito neste estudo — adulto jovem, carga repetitiva, dor de início relativamente recente. Em pacientes mais velhos com componente articular degenerativo associado, os resultados tendem a ser mais modestos e o número de sessões necessário, maior.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Acupuncture in Medicine · 2020
DOI: 10.1177/0964528420912253
Acessar Artigo OriginalRevisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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