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Efficacy of a standardised acupuncture approach for women with bothersome menopausal symptoms: a pragmatic randomised study in primary care (the ACOM study)

Lund et al. · BMJ Open · 2019

⚖️RCT Controlado👥n=70 participantes🏆Alto Impacto Clínico

Nível de Evidência

FORTE
85/ 100
Qualidade
4/5
Amostra
3/5
Replicação
4/5
🎯

OBJETIVO

Investigar a eficácia de acupuntura padronizada para mulheres com sintomas moderados a severos da menopausa

👥

QUEM

70 mulheres (40-65 anos) com ondas de calor moderadas a severas

⏱️

DURAÇÃO

5 tratamentos semanais com seguimento de 6 semanas

📍

PONTOS

CV-3, CV-4, LR-8, SP-6 e SP-9 (abordagem ocidental padronizada)

🔬 Desenho do Estudo

70participantes
randomização

Grupo Intervenção

n=36

5 sessões semanais de acupuntura padronizada

Grupo Controle

n=34

Lista de espera (tratamento após 6 semanas)

⏱️ Duração: 6 semanas de seguimento

📊 Resultados em Números

0

Redução ondas de calor

0

Redução suores dia/noite

0

Redução problemas do sono

0

Redução sintomas emocionais

0%

Efeito benéfico relatado

Destaques Percentuais

80%
Efeito benéfico relatado

📊 Comparação de Resultados

Ondas de calor (escala MenoScores)

Acupuntura
3.4
Controle
5

Sintomas emocionais (escala MenoScores)

Acupuntura
8.1
Controle
11.5
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostrou que mulheres na menopausa que receberam acupuntura tiveram redução significativa dos sintomas mais incômodos, especialmente ondas de calor, suores e problemas de sono. O tratamento foi breve (apenas 5 sessões) e bem tolerado, representando uma opção segura para quem não pode ou não quer usar terapia hormonal.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

O estudo ACOM foi um ensaio clínico randomizado e controlado conduzido em nove clínicas de cuidados primários na Dinamarca, investigando a eficácia de um protocolo padronizado de acupuntura para mulheres com sintomas moderados a severos da menopausa. A pesquisa envolveu 70 mulheres entre 40 e 65 anos que apresentavam ondas de calor significativas, sendo 36 alocadas para o grupo de intervenção e 34 para o grupo controle. O protocolo utilizou acupuntura médica ocidental com pontos padronizados (CV-3, CV-4, LR-8, SP-6 e SP-9), aplicada por médicos generalistas com formação certificada em acupuntura. O tratamento consistiu em cinco sessões semanais de 15 minutos cada, com agulhas retidas por 10 minutos e estímulo manual para obter a sensação 'de-qi'.

Os resultados foram avaliados através do questionário MenoScores, um instrumento validado e específico para sintomas da menopausa. O desfecho primário foi a redução das ondas de calor, enquanto os desfechos secundários incluíram outros domínios como suores noturnos, problemas de sono, sintomas emocionais e físicos. Os resultados demonstraram eficácia significativa da acupuntura em comparação ao grupo controle. As ondas de calor foram reduzidas em 1,6 pontos na escala (IC 95% -2,3 a -0,8; p<0,0001), com melhora já evidente após apenas 3 semanas de tratamento.

Outros sintomas também apresentaram redução estatisticamente significativa: suores diurnos e noturnos (-1,2 pontos), transpiração geral (-0,9 pontos), problemas específicos de sono relacionados à menopausa (-1,8 pontos), sintomas emocionais (-3,4 pontos), sintomas físicos (-1,7 pontos) e alterações de pele e cabelo (-1,5 pontos). A aderência ao tratamento foi excepcional, com apenas 4 participantes desistindo do estudo e 34 das 36 mulheres do grupo intervenção completando todas as cinco sessões. A taxa de resposta aos questionários foi de 100% em todos os momentos de avaliação. Oitenta por cento das participantes relataram perceber efeito benéfico geral do tratamento.

Quanto à segurança, não foram reportados eventos adversos graves. Apenas quatro participantes relataram efeitos adversos leves: cansaço e dor de cabeça, aumento temporário de ondas de calor relacionado a estresse, aumento da frequência urinária e formigamento local. Uma participante desistiu por considerar o agulhamento desconfortável. As implicações clínicas são importantes, especialmente considerando que muitas mulheres não podem ou preferem não usar terapia hormonal devido aos riscos associados.

A acupuntura mostrou-se uma alternativa pragmática, com protocolo padronizado que pode ser facilmente implementado na atenção primária. O estudo destaca-se pela alta qualidade metodológica, incluindo randomização adequada, ocultação de alocação, cegamento dos avaliadores de desfecho e estatístico, e uso de instrumento de medida validado. O protocolo breve e padronizado aumenta a aplicabilidade dos achados na prática clínica real, oferecendo nova opção terapêutica para mulheres com sintomas moderados a severos da menopausa.

✅

Pontos Fortes

  • 1Alta qualidade metodológica com randomização adequada e ocultação de alocação
  • 2Protocolo pragmático e padronizado facilmente implementável na prática clínica
  • 3Aderência excepcional (94% completaram todas as sessões)
  • 4Uso de instrumento validado específico para sintomas da menopausa
  • 5Efeitos rápidos observados já na 3ª semana de tratamento
⚠️

Limitações

  • 1Ausência de grupo placebo/sham adequado devido à dificuldade técnica em estudos de acupuntura
  • 2Impossibilidade de cegar participantes e acupunturistas
  • 3Período de intervenção relativamente breve (5 semanas)
  • 4Não avaliação de parâmetros fisiológicos objetivos
  • 5Efeito placebo não pode ser completamente descartado

📅 Contexto Histórico

2013Revisão Cochrane indica necessidade de estudos de maior qualidade
2016Início do recrutamento (setembro-dezembro)
2017Protocolo do estudo ACOM publicado
2019Publicação dos resultados no BMJ Open
Prof. Dr. Hong Jin Pai

Comentário do Especialista

Prof. Dr. Hong Jin Pai

Doutor em Ciências pela USP

▸ Relevância Clínica

O estudo ACOM preenche uma lacuna prática relevante: oferece um protocolo padronizado, de cinco sessões semanais, aplicável em atenção primária por médicos com formação certificada em acupuntura. Para a clínica do dia a dia, isso significa que não estamos falando de uma intervenção elaborada e de difícil replicação, mas de um roteiro com pontos fixos — CV-3, CV-4, LR-8, SP-6 e SP-9 — executável em 15 minutos por consulta. O impacto imediato é na população de mulheres entre 40 e 65 anos com sintomas moderados a severos que contraindicam ou recusam terapia hormonal — seja por histórico de câncer hormônio-dependente, tromboembolismo ou simples preferência pessoal. Nesse contexto, dispor de um protocolo com eficácia documentada em ondas de calor, suores, sono e sintomas emocionais amplia consideravelmente o arsenal terapêutico do médico que acompanha a mulher no climatério.

▸ Achados Notáveis

O achado que merece atenção especial é a velocidade de resposta: melhora das ondas de calor já evidente na terceira semana, ou seja, após apenas três sessões. Em termos de magnitude, a redução de 3,4 pontos nos sintomas emocionais foi a mais expressiva entre todos os domínios avaliados pelo MenoScores — superando inclusive a redução nas ondas de calor, que era o desfecho primário. Esse dado sugere que a acupuntura pode ter efeito especialmente pronunciado na dimensão psicoafetiva do climatério, muitas vezes subestimada e subtratada. A taxa de 80% de percepção de benefício global pelas participantes, combinada com aderência de 94% ao protocolo completo, indica que a intervenção é bem tolerada e clinicamente significativa do ponto de vista da experiência da paciente — não apenas estatisticamente.

▸ Da Minha Experiência

Na minha prática no Centro de Dor do HC-FMUSP, tenho acompanhado mulheres no climatério com sintomas refratários ou com restrição ao uso de hormônios, e o padrão que observo é consistente com o que o ACOM documenta: as primeiras respostas costumam aparecer entre a terceira e a quarta sessão, especialmente para ondas de calor e qualidade do sono. Para resultados mais duradouros, costumo trabalhar com ciclos de oito a dez sessões, seguidos de manutenção mensal conforme a resposta individual. O protocolo padronizado do estudo — com pontos do meridiano Ren Mai e do baço-pâncreas — é compatível com a abordagem que utilizamos, embora frequentemente associemos pontos adicionais conforme o padrão energético da paciente. Combino habitualmente acupuntura com orientação sobre higiene do sono e, quando possível, atividade física regular. O perfil de melhor resposta, na minha observação ao longo dos anos, é a paciente motivada, sem uso concomitante de antidepressivos em doses elevadas e com sintomas de início recente — exatamente o perfil recrutado neste ensaio.

Médico especialista em Acupuntura. Professor Colaborador do Instituto de Ortopedia do HC-FMUSP. Coordenador do Grupo de Acupuntura do Centro de Dor do HC-FMUSP.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

BMJ Open · 2019

DOI: 10.1136/bmjopen-2018-023637

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

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Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.