Efficacy of a standardised acupuncture approach for women with bothersome menopausal symptoms: a pragmatic randomised study in primary care (the ACOM study)
Lund et al. · BMJ Open · 2019
Nível de Evidência
FORTEOBJETIVO
Investigar a eficácia de acupuntura padronizada para mulheres com sintomas moderados a severos da menopausa
QUEM
70 mulheres (40-65 anos) com ondas de calor moderadas a severas
DURAÇÃO
5 tratamentos semanais com seguimento de 6 semanas
PONTOS
CV-3, CV-4, LR-8, SP-6 e SP-9 (abordagem ocidental padronizada)
🔬 Desenho do Estudo
Grupo Intervenção
n=36
5 sessões semanais de acupuntura padronizada
Grupo Controle
n=34
Lista de espera (tratamento após 6 semanas)
📊 Resultados em Números
Redução ondas de calor
Redução suores dia/noite
Redução problemas do sono
Redução sintomas emocionais
Efeito benéfico relatado
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Ondas de calor (escala MenoScores)
Sintomas emocionais (escala MenoScores)
Este estudo mostrou que mulheres na menopausa que receberam acupuntura tiveram redução significativa dos sintomas mais incômodos, especialmente ondas de calor, suores e problemas de sono. O tratamento foi breve (apenas 5 sessões) e bem tolerado, representando uma opção segura para quem não pode ou não quer usar terapia hormonal.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
O estudo ACOM foi um ensaio clínico randomizado e controlado conduzido em nove clínicas de cuidados primários na Dinamarca, investigando a eficácia de um protocolo padronizado de acupuntura para mulheres com sintomas moderados a severos da menopausa. A pesquisa envolveu 70 mulheres entre 40 e 65 anos que apresentavam ondas de calor significativas, sendo 36 alocadas para o grupo de intervenção e 34 para o grupo controle. O protocolo utilizou acupuntura médica ocidental com pontos padronizados (CV-3, CV-4, LR-8, SP-6 e SP-9), aplicada por médicos generalistas com formação certificada em acupuntura. O tratamento consistiu em cinco sessões semanais de 15 minutos cada, com agulhas retidas por 10 minutos e estímulo manual para obter a sensação 'de-qi'.
Os resultados foram avaliados através do questionário MenoScores, um instrumento validado e específico para sintomas da menopausa. O desfecho primário foi a redução das ondas de calor, enquanto os desfechos secundários incluíram outros domínios como suores noturnos, problemas de sono, sintomas emocionais e físicos. Os resultados demonstraram eficácia significativa da acupuntura em comparação ao grupo controle. As ondas de calor foram reduzidas em 1,6 pontos na escala (IC 95% -2,3 a -0,8; p<0,0001), com melhora já evidente após apenas 3 semanas de tratamento.
Outros sintomas também apresentaram redução estatisticamente significativa: suores diurnos e noturnos (-1,2 pontos), transpiração geral (-0,9 pontos), problemas específicos de sono relacionados à menopausa (-1,8 pontos), sintomas emocionais (-3,4 pontos), sintomas físicos (-1,7 pontos) e alterações de pele e cabelo (-1,5 pontos). A aderência ao tratamento foi excepcional, com apenas 4 participantes desistindo do estudo e 34 das 36 mulheres do grupo intervenção completando todas as cinco sessões. A taxa de resposta aos questionários foi de 100% em todos os momentos de avaliação. Oitenta por cento das participantes relataram perceber efeito benéfico geral do tratamento.
Quanto à segurança, não foram reportados eventos adversos graves. Apenas quatro participantes relataram efeitos adversos leves: cansaço e dor de cabeça, aumento temporário de ondas de calor relacionado a estresse, aumento da frequência urinária e formigamento local. Uma participante desistiu por considerar o agulhamento desconfortável. As implicações clínicas são importantes, especialmente considerando que muitas mulheres não podem ou preferem não usar terapia hormonal devido aos riscos associados.
A acupuntura mostrou-se uma alternativa pragmática, com protocolo padronizado que pode ser facilmente implementado na atenção primária. O estudo destaca-se pela alta qualidade metodológica, incluindo randomização adequada, ocultação de alocação, cegamento dos avaliadores de desfecho e estatístico, e uso de instrumento de medida validado. O protocolo breve e padronizado aumenta a aplicabilidade dos achados na prática clínica real, oferecendo nova opção terapêutica para mulheres com sintomas moderados a severos da menopausa.
Pontos Fortes
- 1Alta qualidade metodológica com randomização adequada e ocultação de alocação
- 2Protocolo pragmático e padronizado facilmente implementável na prática clínica
- 3Aderência excepcional (94% completaram todas as sessões)
- 4Uso de instrumento validado específico para sintomas da menopausa
- 5Efeitos rápidos observados já na 3ª semana de tratamento
Limitações
- 1Ausência de grupo placebo/sham adequado devido à dificuldade técnica em estudos de acupuntura
- 2Impossibilidade de cegar participantes e acupunturistas
- 3Período de intervenção relativamente breve (5 semanas)
- 4Não avaliação de parâmetros fisiológicos objetivos
- 5Efeito placebo não pode ser completamente descartado
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Prof. Dr. Hong Jin Pai
Doutor em Ciências pela USP
▸ Relevância Clínica
O estudo ACOM preenche uma lacuna prática relevante: oferece um protocolo padronizado, de cinco sessões semanais, aplicável em atenção primária por médicos com formação certificada em acupuntura. Para a clínica do dia a dia, isso significa que não estamos falando de uma intervenção elaborada e de difícil replicação, mas de um roteiro com pontos fixos — CV-3, CV-4, LR-8, SP-6 e SP-9 — executável em 15 minutos por consulta. O impacto imediato é na população de mulheres entre 40 e 65 anos com sintomas moderados a severos que contraindicam ou recusam terapia hormonal — seja por histórico de câncer hormônio-dependente, tromboembolismo ou simples preferência pessoal. Nesse contexto, dispor de um protocolo com eficácia documentada em ondas de calor, suores, sono e sintomas emocionais amplia consideravelmente o arsenal terapêutico do médico que acompanha a mulher no climatério.
▸ Achados Notáveis
O achado que merece atenção especial é a velocidade de resposta: melhora das ondas de calor já evidente na terceira semana, ou seja, após apenas três sessões. Em termos de magnitude, a redução de 3,4 pontos nos sintomas emocionais foi a mais expressiva entre todos os domínios avaliados pelo MenoScores — superando inclusive a redução nas ondas de calor, que era o desfecho primário. Esse dado sugere que a acupuntura pode ter efeito especialmente pronunciado na dimensão psicoafetiva do climatério, muitas vezes subestimada e subtratada. A taxa de 80% de percepção de benefício global pelas participantes, combinada com aderência de 94% ao protocolo completo, indica que a intervenção é bem tolerada e clinicamente significativa do ponto de vista da experiência da paciente — não apenas estatisticamente.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no Centro de Dor do HC-FMUSP, tenho acompanhado mulheres no climatério com sintomas refratários ou com restrição ao uso de hormônios, e o padrão que observo é consistente com o que o ACOM documenta: as primeiras respostas costumam aparecer entre a terceira e a quarta sessão, especialmente para ondas de calor e qualidade do sono. Para resultados mais duradouros, costumo trabalhar com ciclos de oito a dez sessões, seguidos de manutenção mensal conforme a resposta individual. O protocolo padronizado do estudo — com pontos do meridiano Ren Mai e do baço-pâncreas — é compatível com a abordagem que utilizamos, embora frequentemente associemos pontos adicionais conforme o padrão energético da paciente. Combino habitualmente acupuntura com orientação sobre higiene do sono e, quando possível, atividade física regular. O perfil de melhor resposta, na minha observação ao longo dos anos, é a paciente motivada, sem uso concomitante de antidepressivos em doses elevadas e com sintomas de início recente — exatamente o perfil recrutado neste ensaio.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
BMJ Open · 2019
DOI: 10.1136/bmjopen-2018-023637
Acessar Artigo OriginalRevisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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