Acupuncture vs Massage for Pain in Patients Living With Advanced Cancer: The IMPACT Randomized Clinical Trial
Epstein et al. · JAMA Network Open · 2023
Nível de Evidência
FORTEOBJETIVO
Comparar a efetividade de acupuntura e massagem para dor musculoesquelética em pacientes com câncer avançado
QUEM
298 pacientes com câncer avançado e dor moderada a severa, com expectativa de vida ≥6 meses
DURAÇÃO
10 semanas de tratamento semanal + sessões de reforço mensais até 26 semanas
PONTOS
4 pontos locais na área de maior dor + pontos suplementares, com eletroestimulação a 2Hz
🔬 Desenho do Estudo
Acupuntura
n=150
Sessões de 30 min com eletroestimulação
Massagem
n=148
Sessões de 30 min com técnicas específicas
📊 Resultados em Números
Redução da dor - Acupuntura
Redução da dor - Massagem
Diferença entre grupos
Resposta clínica - Acupuntura
Resposta clínica - Massagem
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Redução da dor (BPI worst pain)
Este estudo mostrou que tanto a acupuntura quanto a massagem podem ajudar significativamente a reduzir a dor em pessoas com câncer avançado, além de melhorar fadiga, insônia e qualidade de vida. As duas terapias tiveram resultados muito similares, sendo ambas seguras e eficazes para o controle da dor ao longo de 6 meses.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Acupuntura versus Massagem para Dor em Pacientes com Câncer Avançado: Ensaio Clínico Randomizado IMPACT
O estudo IMPACT é um ensaio clínico randomizado pragmático que comparou a efetividade da acupuntura versus massagem para manejo da dor musculoesquelética em pacientes com câncer avançado. Conduzido entre setembro de 2019 e fevereiro de 2022 em centros de câncer nos Estados Unidos, incluindo o Memorial Sloan Kettering Cancer Center e o Baptist Health Miami Cancer Institute, o estudo representa uma importante contribuição para as diretrizes de tratamento da dor oncológica. O contexto da pesquisa é particularmente relevante, considerando que a dor afeta até dois terços dos pacientes com câncer avançado e que as diretrizes de 2022 da American Society of Clinical Oncology recomendam acupuntura e massagem como modalidades complementares para o controle da dor oncológica. O estudo incluiu 298 participantes com idade média de 58,7 anos, sendo 67,1% mulheres, com diagnósticos diversos de câncer avançado (78,5% tumores sólidos) e dor moderada a severa (escore médio de 6,9 em escala de 0-10).
Os participantes foram randomizados em proporção 1:1 para receber acupuntura (n=150) ou massagem (n=148). O protocolo de acupuntura envolveu sessões semanais de 30 minutos por 10 semanas, seguidas de sessões mensais de reforço até 26 semanas. Os acupunturistas utilizaram 10-20 agulhas em pelo menos 4 pontos locais na área de maior dor, além de pontos suplementares, com eletroestimulação a 2Hz nos pontos locais. O protocolo de massagem seguiu a mesma duração, iniciando com exercícios respiratórios e mobilizações, seguidos de 20 minutos de massagem focada na área de dor primária, utilizando técnicas como compressão, liberação miofascial e mobilização articular.
Os resultados primários mostraram que ambas as terapias foram eficazes na redução da dor. A acupuntura reduziu o escore de pior dor em 2,53 pontos (IC 95%: -2,92 a -2,15) e a massagem em 3,01 pontos (IC 95%: -3,38 a -2,63) em 26 semanas. Crucialmente, não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos (diferença: -0,48; IC 95%: -0,98 a 0,03; p=0,07), sugerindo efetividade comparável. Mais da metade dos participantes atingiu resposta clínica significativa (melhora ≥30%): 55,2% no grupo acupuntura e 65,9% no grupo massagem.
Os resultados secundários foram igualmente encorajadores, com ambas as terapias melhorando fadiga, insônia e qualidade de vida física sem diferenças significativas entre grupos. Notavelmente, houve redução no uso de medicações analgésicas, de 54,7% no início do estudo para 27,5% (acupuntura) e 35,6% (massagem) em 26 semanas. As implicações clínicas são substanciais. O estudo fornece evidência robusta de que ambas as modalidades oferecem benefícios duradouros para uma população vulnerável, com efeitos que persistem além do período de tratamento ativo.
Isso é particularmente importante considerando o contexto da crise dos opioides e a necessidade de alternativas não farmacológicas. A segurança foi excelente, com eventos adversos apenas leves: equimoses (6,5%) e dor localizada (5,8%) na acupuntura, e dor transitória (15,1%) na massagem. O estudo tem limitações importantes. Como ensaio de efetividade comparativa, não incluiu grupo controle placebo ou cuidado usual, limitando a capacidade de determinar quanto da melhora se deve especificamente às intervenções versus efeitos inespecíficos.
O desenho não permitiu cegamento dos participantes, embora investigadores e estatísticos permanecessem cegos às alocações. A pandemia de COVID-19 interrompeu tratamentos para alguns pacientes, mas análises de sensibilidade confirmaram que isso não afetou os resultados principais. O rigoroso treinamento e monitoramento dos terapeutas pode limitar a generalização para contextos comunitários com maior variabilidade na qualidade dos profissionais. O estudo IMPACT representa um marco importante na medicina integrativa oncológica, demonstrando que tanto acupuntura quanto massagem são opções viáveis e eficazes para o manejo da dor em câncer avançado.
Os resultados apoiam as diretrizes atuais e fornecem evidência para decisões clínicas informadas, especialmente considerando que a população de pessoas vivendo com câncer avançado está crescendo devido aos avanços terapêuticos.
Pontos Fortes
- 1Desenho pragmático multicêntrico com grande amostra
- 2Seguimento prolongado de 26 semanas
- 3Protocolos padronizados com monitoramento rigoroso
- 4População diversa e representativa
- 5Baixa taxa de eventos adversos
Limitações
- 1Ausência de grupo controle placebo/cuidado usual
- 2Impossibilidade de cegamento dos participantes
- 3Interrupções relacionadas à COVID-19
- 4Possível viés de generalização devido ao treinamento rigoroso
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Prof. Dr. Hong Jin Pai
Doutor em Ciências pela USP
▸ Relevância Clínica
O estudo IMPACT chega em um momento em que o manejo da dor oncológica exige alternativas não farmacológicas consolidadas, especialmente diante das restrições crescentes ao uso de opioides e da maior sobrevida em câncer avançado. Com 298 pacientes seguidos por 26 semanas, o ensaio demonstra que acupuntura e massagem produzem reduções clinicamente expressivas na dor — superiores a 2,5 pontos em escala de zero a dez — com excelente perfil de segurança. Para o oncologista clínico e para o médico acupunturista inserido em equipe de suporte oncológico, esses dados sustentam a incorporação formal dessas modalidades em protocolos institucionais, especialmente para pacientes com dor musculoesquelética moderada a severa, fadiga e insônia concomitantes. A redução no uso de analgésicos observada ao longo do seguimento reforça o papel dessas intervenções como componentes ativos do plano terapêutico, não apenas como adjuvantes periféricos.
▸ Achados Notáveis
O achado mais digno de nota não é a superioridade de uma modalidade sobre a outra — e sim a ausência dela. Ambas as terapias produziram respostas clínicas substanciais e estatisticamente indistinguíveis ao longo de 26 semanas, com 55,2% dos pacientes do grupo acupuntura e 65,9% do grupo massagem atingindo melhora igual ou superior a 30%. Essa equivalência prática amplia o campo de escolha clínica, permitindo que pacientes com contraindicações relativas a agulhas — trombocitopenia severa, anticoagulação plena, áreas com comprometimento cutâneo tumoral — sejam direcionados à massagem com expectativa de benefício comparável. Outro ponto relevante é a melhora nos desfechos secundários de fadiga, insônia e qualidade de vida física, sem diferença entre grupos, sinalizando que o efeito não se restringe à nocicepção localizada, mas envolve modulação sistêmica do sofrimento oncológico.
▸ Da Minha Experiência
No Centro de Dor do HC-FMUSP, atendemos regularmente pacientes oncológicos encaminhados pela oncologia clínica com dor de difícil controle farmacológico, e a experiência acumulada ressoa com os dados do IMPACT. Costumo observar resposta perceptível já nas primeiras três a quatro sessões de acupuntura, com platô funcional atingido entre a oitava e a décima segunda sessão — o que se alinha bem com o protocolo de dez sessões semanais do estudo. A combinação com fisioterapia motora e manejo da insônia costuma potencializar os ganhos, especialmente em pacientes com dor miofascial secundária ao descondicionamento. Tenho preferido acupuntura com eletroestimulação a 2 Hz para dor difusa e densa, reservando técnicas manuais para regiões com limitação de acesso por lesões cutâneas ou edema linfático. O perfil que melhor responde, na minha prática, é o paciente com diagnóstico recente de câncer avançado, ainda em tratamento ativo, com dor musculoesquelética predominante e sem neuropatia grave estabelecida.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
JAMA Network Open · 2023
DOI: 10.1001/jamanetworkopen.2023.42482
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Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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