Evaluation of the Sympathetic Skin Response to the Dry Needling Treatment in Female Myofascial Pain Syndrome Patients
Ozden et al. · Journal of Clinical Medicine Research · 2016
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Avaliar a atividade do sistema nervoso simpático após tratamento com agulhamento seco em mulheres com síndrome da dor miofascial
QUEM
60 mulheres (29 pacientes com dor no trapézio, 31 controles saudáveis), 18-40 anos
DURAÇÃO
3 sessões semanais de agulhamento seco, seguimento de 4 semanas
PONTOS
Pontos-gatilho no músculo trapézio superior, máximo 6 agulhas por sessão
🔬 Desenho do Estudo
Grupo Tratamento
n=29
Agulhamento seco em pontos-gatilho do trapézio
Grupo Controle
n=31
Observação sem tratamento
📊 Resultados em Números
Redução da dor (EVA)
Melhora do limiar de dor (algometria)
Diminuição da amplitude SSR
Redução do número de pontos-gatilho
📊 Comparação de Resultados
Limiar de Dor por Pressão (kg/cm²)
Este estudo mostrou que o agulhamento seco é eficaz para reduzir a dor em mulheres com síndrome da dor miofascial. Além de diminuir a dor, o tratamento também alterou a atividade do sistema nervoso simpático, sugerindo que age nos mecanismos neurológicos da condição. O tratamento foi bem tolerado sem efeitos adversos.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Este estudo prospectivo controlado investigou os efeitos do agulhamento seco (dry needling) na atividade do sistema nervoso simpático em mulheres com síndrome da dor miofascial (SDM), utilizando a resposta simpática da pele (SSR) como medida de avaliação. A síndrome da dor miofascial é uma condição complexa que envolve tanto componentes sensório-motores quanto autonômicos, caracterizada pela presença de pontos-gatilho miofasciais em cerca de 30% dos indivíduos afetados. O estudo foi conduzido no Departamento de Medicina Física e Reabilitação da Universidade de Istambul, entre junho e setembro de 2011, com aprovação do comitê de ética institucional. Foram incluídas 29 mulheres com dor no músculo trapézio há mais de 3 meses e 31 controles saudáveis, todas entre 18-40 anos com ciclos menstruais regulares.
Os critérios de exclusão foram rigorosos, eliminando condições que pudessem afetar a resposta simpática da pele, como diabetes, artrite reumatoide, doenças do sistema nervoso central ou periférico, uso de antidepressivos ou ansiolíticos, e histórico de simpatectomia. O protocolo de tratamento consistiu em três sessões semanais de agulhamento seco, com duração de 20 minutos cada sessão. Durante cada sessão, foram utilizadas no máximo seis agulhas (três de cada lado), aplicadas diretamente nos pontos-gatilho do músculo trapézio após esterilização com álcool. As agulhas, de tamanho 0,25 × 40 mm ou 0,25 × 25 mm dependendo da espessura da pele, eram manipuladas aos 10 minutos para recriar o estímulo.
As medidas de desfecho incluíram a resposta simpática da pele, intensidade da dor pela escala visual analógica (EVA) e limiar de dor por pressão medido com algômetro. A SSR foi avaliada utilizando um equipamento de eletromiografia com eletrodos de superfície, aplicando estímulos elétricos sobre o nervo mediano no punho. As avaliações foram realizadas em ambiente silencioso e escuro, com temperatura controlada a 25°C, com as pacientes em posição supina e olhos fechados. Os resultados demonstraram eficácia significativa do agulhamento seco no tratamento da SDM.
A intensidade da dor, medida pela EVA, reduziu significativamente de 6,82 ± 1,46 para 3,58 ± 2,62 na quarta semana pós-tratamento (P < 0,001). O limiar de dor por pressão também melhorou significativamente no lado direito, aumentando de 4,32 ± 1,35 kg/cm² para 4,67 ± 1,19 kg/cm² (P < 0,05). O número de pontos-gatilho diminuiu de 5,17 ± 1,19 para 4,38 ± 1,86 (P < 0,01). Quanto à resposta simpática da pele, observou-se redução significativa nas amplitudes e aumento das latências bilateralmente no grupo de pacientes após o tratamento (P < 0,001), enquanto o grupo controle não apresentou alterações significativas.
As implicações clínicas deste estudo são importantes, pois fornece evidência objetiva de que o agulhamento seco não apenas reduz a dor e melhora o limiar de dor, mas também modula a atividade do sistema nervoso simpático em pacientes com SDM. Esta é a primeira pesquisa a avaliar sistematicamente os efeitos neurofisiológicos do agulhamento seco usando a SSR, sugerindo que a hiperatividade simpática desempenha papel importante na fisiopatologia da condição. Os achados apoiam a teoria de que os pontos-gatilho miofasciais envolvem alterações no sistema nervoso central e autonômico, não sendo apenas um fenômeno muscular local. O tratamento mostrou-se seguro, sem relatos de eventos adversos durante as três sessões ou no período de seguimento.
As limitações incluem o tamanho amostral relativamente pequeno, a impossibilidade de cegamento devido à natureza do procedimento, a realização das medidas SSR pelo mesmo clínico que aplicou o tratamento, e a possível habituação nas medidas repetidas de SSR. Além disso, não foram incluídas questões sobre sintomas autonômicos como sudorese, alterações de temperatura da pele ou piloereção no questionário, o que poderia ter fornecido dados complementares. O estudo não padronizou as diferenças entre ciclos menstruais, que poderiam influenciar os resultados. Apesar dessas limitações, o estudo representa um avanço importante na compreensão dos mecanismos neurofisiológicos do agulhamento seco e fornece base científica para seu uso clínico na síndrome da dor miofascial, destacando a necessidade de estudos futuros com amostras maiores e períodos de seguimento mais longos.
Pontos Fortes
- 1Primeiro estudo a avaliar SSR no agulhamento seco para SDM
- 2Critérios de inclusão e exclusão rigorosos
- 3Protocolo padronizado com medidas objetivas
- 4Avaliação seriada ao longo de 4 semanas
- 5Ausência de efeitos adversos relatados
Limitações
- 1Amostra relativamente pequena (n=29)
- 2Impossibilidade de cegamento do procedimento
- 3Possível habituação nas medidas repetidas de SSR
- 4Não incluiu avaliação de sintomas autonômicos
- 5Não padronizou diferenças do ciclo menstrual
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241
▸ Relevância Clínica
A síndrome da dor miofascial do trapézio é provavelmente a condição mais prevalente no ambulatório de fisiatria e dor musculoesquelética, e a grande maioria dos pacientes chega após meses de analgésicos e fisioterapia convencional sem resolução satisfatória. O que este trabalho agrega ao raciocínio clínico é a evidência de que o agulhamento seco, ao reduzir a EVA de 6,82 para 3,58 em quatro semanas, não apenas alivia a dor como desfecho subjetivo, mas também modifica a atividade autonômica mensurada objetivamente pela resposta simpática da pele. Para o médico que trata essa população — predominantemente mulheres em idade produtiva com cervicalgia crônica associada a estresse e tensão postural — essa dimensão autonômica justifica o tratamento em casos em que há hipersensibilização central concomitante e não apenas um componente mecânico local. O protocolo de três sessões semanais com agulhamento direto no trapézio é facilmente replicável em serviço de reabilitação.
▸ Achados Notáveis
O aspecto mais relevante do estudo não é a redução da dor em si — já bem documentada na literatura de agulhamento seco — mas a modificação significativa da resposta simpática da pele após o tratamento, com redução de amplitudes e aumento das latências bilaterais (p < 0,001), enquanto o grupo controle permaneceu estável. Isso indica que o agulhamento seco altera a excitabilidade do sistema nervoso autônomo simpático, não apenas o componente nociceptivo periférico. O fato de esse efeito ser bilateral, mesmo com agulhamento localizado no trapézio, aponta para um mecanismo central de modulação autonômica — possivelmente mediado por vias espinotalâmicas e núcleos do tronco encefálico envolvidos na regulação simpática. Associado a isso, a redução do número de pontos-gatilho de 5,17 para 4,38 sugere que a intervenção tem impacto real na carga miofascial total, não somente nos pontos tratados diretamente.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no serviço de dor e reabilitação, tenho observado que pacientes com SDM do trapézio associada a componente de hipersensibilidade — aquelas que relatam dor difusa, alodinia ao toque e piora com estresse emocional — respondem de forma notavelmente diferente das pacientes com padrão puramente mecânico. As primeiras costumam demandar mais sessões para consolidar o ganho, mas quando respondem, a melhora tende a ser mais duradoura. Costumo ver resposta inicial perceptível entre a terceira e a quinta sessão, e um ciclo completo com oito a doze sessões é habitual antes de passar para manutenção mensal. Combino rotineiramente o agulhamento seco com exercício de fortalecimento cervicotoracoescapular e orientação postural — sem isso, a recidiva em dois a três meses é frequente. O dado autonômico deste trabalho reforça minha prática de incluir estratégias de regulação do sistema nervoso, como técnicas de relaxamento e, quando indicado, avaliação para tratamento farmacológico da sensibilização central concomitante.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Journal of Clinical Medicine Research · 2016
DOI: http://dx.doi.org/10.14740/jocmr2589w
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Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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