Development of Provisional Acupuncture Guidelines for Pelvic Pain in Endometriosis Using an e-Delphi Consensus Process

Giese et al. · Journal of Integrative and Complementary Medicine · 2023

🎯Estudo e-Delphi + Revisão de Literatura👥n=20 especialistas internacionaisAlto impacto clínico

Nível de Evidência

MODERADA
75/ 100
Qualidade
4/5
Amostra
3/5
Replicação
4/5
🎯

OBJETIVO

Desenvolver diretrizes práticas de acupuntura para dor pélvica em endometriose por meio de consenso de especialistas

👥

QUEM

20 acupunturistas internacionais com mínimo 5 anos de experiência em endometriose

⏱️

DURAÇÃO

Estudo realizado entre junho e setembro de 2020

📍

PONTOS

31 pontos recomendados incluindo CV-3, CV-4, CV-6, ST-25, SP-4, SP-6, LR-3, ST-36

🔬 Desenho do Estudo

20participantes
randomização

Especialistas e-Delphi

n=20

Consenso sobre protocolos de acupuntura

Revisão de Literatura

n=29

Análise de estudos publicados

⏱️ Duração: 3 rodadas de consenso ao longo de 4 meses

📊 Resultados em Números

94 declarações

Consenso alcançado para uso

29 declarações

Consenso contra uso

55 declarações

Sem consenso

0%

Taxa de retenção de participantes

31 pontos

Pontos de acupuntura recomendados

Destaques Percentuais

100%
Taxa de retenção de participantes

📊 Comparação de Resultados

Nível de Consenso por Rodada

Rodada 2
92
Rodada 3
31
💬 O que isso significa para você?

Este estudo criou diretrizes práticas para o tratamento da dor pélvica causada por endometriose usando acupuntura. Vinte especialistas internacionais concordaram sobre os melhores métodos de tratamento, incluindo quais pontos usar e como aplicar as sessões, oferecendo orientação padronizada para profissionais.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Elaboração de Diretrizes Provisórias de Acupuntura para Dor Pélvica na Endometriose por Consenso e-Delphi

A endometriose é uma condição que afeta aproximadamente 10% das mulheres nos países ocidentais, caracterizada pela presença de tecido endometrial fora do útero. A dor pélvica é o sintoma mais frequentemente relatado, causando custos anuais significativos e impacto substancial na qualidade de vida e saúde mental das pacientes. Embora existam tratamentos convencionais como terapias hormonais, analgésicos e cirurgia, suas limitações incluem efeitos colaterais significativos e recorrência dos sintomas, sugerindo a necessidade de opções terapêuticas adicionais.

Evidências crescentes apoiam o uso da acupuntura como intervenção efetiva para reduzir a dor em mulheres com endometriose. No entanto, os tratamentos utilizados nas pesquisas variam consideravelmente, e permanece pouco claro qual protocolo específico poderia ser recomendado para a prática clínica. Este projeto de pesquisa teve como objetivo esclarecer como a acupuntura poderia ser utilizada no tratamento desta condição.

O estudo compreendeu duas fases principais: uma revisão sistematizada da literatura para extrair detalhes dos tratamentos de acupuntura de pesquisas publicadas, e um estudo e-Delphi para obter conhecimento sobre detalhes utilizados por acupunturistas especialistas. A revisão da literatura examinou 29 estudos únicos e encontrou uma ampla gama de detalhes de tratamento com pouca concordância entre os estudos. Muitos estudos não forneceram informações suficientes sobre aspectos importantes do tratamento, como o estilo de acupuntura usado, número de inserções de agulhas, ou se as agulhas eram inseridas uni ou bilateralmente.

O estudo e-Delphi envolveu 20 acupunturistas internacionais com experiência mínima de 5 anos no tratamento de dor pélvica relacionada à endometriose. O processo foi conduzido em três rodadas, com a primeira rodada coletando dados qualitativos e as rodadas subsequentes construindo consenso grupal. O consenso foi definido como uma classificação de pelo menos 5 em uma escala Likert de 7 pontos por pelo menos 70% dos especialistas.

Os resultados mostraram que os especialistas alcançaram consenso em 94 declarações para uso recomendado, discordaram em 29 declarações, e não conseguiram consenso em 55 declarações. As diretrizes provisórias desenvolvidas incluem recomendações para usar acupuntura estilo MTC (Medicina Tradicional Chinesa), estilo Master Tung e eletroacupuntura, aplicadas de forma pelo menos parcialmente individualizada. Trinta e um pontos de acupuntura são provisoriamente recomendados, incluindo CV-3, CV-4, CV-6, ST-25, ST-28, ST-29, ST-30, SP-4, SP-6, SP-8, SP-10, KI-3, LR-3, ST-36, entre outros.

O protocolo recomendado inclui tempo de retenção de agulhas de aproximadamente 30 minutos usando agulhas de aço inoxidável médico descartáveis, com diâmetro e comprimento dependendo do corpo e anatomia da paciente. A frequência de tratamento recomendada é de uma a duas vezes por semana por um mínimo de 2-3 meses, continuando até o alívio da dor. Componentes adicionais importantes incluem o uso de medicina herbal chinesa, moxabustão e orientação dietética, que foram identificados como fatores críticos para a efetividade.

O estudo destacou a importância da individualização do tratamento e da aplicação de uma abordagem de sistemas integrais. Os especialistas concordaram que a estase sanguínea é sempre um ramo da condição, e os praticantes precisam tratar também a raiz subjacente, seguindo a teoria de raiz e ramo da MTC. Além disso, é recomendado combinar pontos locais e distantes, fornecer tratamento durante todo o ciclo menstrual, evoluí-lo adequadamente e adaptá-lo a comorbidades como infertilidade.

As principais limitações do estudo incluem sua dependência na opinião de especialistas, que está na base da hierarquia de evidências, e a variabilidade inerente que pode surgir de diferenças nos antecedentes dos participantes. No entanto, estas limitações foram mitigadas pela diversidade internacional dos participantes e seu alto nível de expertise, com retenção completa dos participantes ao longo das três rodadas.

Este trabalho representa uma tentativa inicial significativa de preencher a lacuna na orientação para profissionais nesta área. As diretrizes provisórias oferecidas fornecem um framework estruturado para o tratamento da dor pélvica relacionada à endometriose usando acupuntura, baseado no consenso de especialistas internacionais experientes. Os autores enfatizam que estas são diretrizes provisórias que aguardam validação através de estudos futuros sobre a efetividade destes protocolos específicos.

Pontos Fortes

  • 1Primeiro estudo a desenvolver diretrizes específicas para acupuntura em endometriose
  • 2Metodologia rigorosa seguindo padrões CREDES
  • 3Painel internacional diversificado de 20 especialistas experientes
  • 4Taxa de retenção de 100% dos participantes
  • 5Abordagem abrangente incluindo revisão de literatura e consenso de especialistas
⚠️

Limitações

  • 1Baseado apenas em opinião de especialistas, não em evidência experimental
  • 2Impossibilidade de síntese completa devido à falta de dados na literatura
  • 355 declarações importantes não alcançaram consenso
  • 4Diretrizes provisórias que aguardam validação através de estudos de efetividade
  • 5Limitação a literatura em inglês e alemão apenas

📅 Contexto Histórico

2002Primeiros estudos de acupuntura para endometriose publicados
2017Meta-análise de Xu et al. confirma eficácia da acupuntura
2020Realização do estudo e-Delphi com especialistas internacionais
2023Publicação das primeiras diretrizes provisórias de acupuntura para endometriose
Prof. Dr. Hong Jin Pai

Comentário do Especialista

Prof. Dr. Hong Jin Pai

Doutor em Ciências pela USP

Relevância Clínica

A endometriose afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva nos países ocidentais, e a dor pélvica crônica permanece refratária às abordagens convencionais em parcela expressiva dessas pacientes. Terapias hormonais e cirurgia têm eficácia reconhecida, porém acompanhada de efeitos adversos relevantes e taxas significativas de recorrência, abrindo espaço concreto para a integração da acupuntura no plano terapêutico. O valor deste trabalho está em oferecer, pela primeira vez, um conjunto estruturado de recomendações baseadas no consenso de 20 especialistas internacionais. Médicos que atendem mulheres com endometriose dispõem agora de um referencial que orienta escolha de estilos — MTC clássica, Master Tung e eletroacupuntura —, seleção de pontos, frequência semanal e duração mínima de 2 a 3 meses de tratamento, além de componentes adjuvantes como moxabustão, fitoterapia chinesa e orientação dietética, tudo integrado à rotina ginecológica habitual.

Achados Notáveis

O processo e-Delphi em três rodadas produziu consenso positivo em 94 declarações, com taxa de retenção de 100% dos especialistas ao longo dos quatro meses — dado que reflete a robustez metodológica e o engajamento genuíno do painel. Entre os achados mais relevantes está a convergência em torno de 31 pontos provisoriamente recomendados, com destaque para CV-3, CV-4, CV-6, SP-6, SP-8, LR-3 e ST-36, organizados na lógica de combinação de pontos locais com distais. A premissa conceitual de que a estase sanguínea é componente universal da condição — devendo o tratamento abordar simultaneamente raiz e ramo segundo a teoria clássica — conferiu coerência clínica ao protocolo. A recomendação de individualização parcial do tratamento, associada à manutenção ao longo de todo o ciclo menstrual, é outro achado clinicamente relevante que distingue este protocolo de abordagens padronizadas utilizadas em estudos anteriores.

Da Minha Experiência

Na minha prática no Grupo de Acupuntura do Centro de Dor do HC-FMUSP, as pacientes com endometriose chegam habitualmente após anos de tratamento hormonal e, não raro, após uma ou mais cirurgias. Tenho observado resposta inicial à acupuntura — sobretudo redução da intensidade da dismenorreia — já nas primeiras 3 a 4 sessões, mas a estabilização do quadro álgico ao longo do ciclo costuma demandar 10 a 16 sessões. O protocolo que mais utilizamos coincide em grande parte com as recomendações deste consenso: SP-6, SP-8, LR-3, CV-4 e ST-36 como coluna vertebral do tratamento, com eletroacupuntura nos pontos lombossacrais em casos de componente neuropático proeminente. Associamos sistematicamente orientação de atividade física e, quando possível, moxabustão em CV-4 para as pacientes com predomínio de padrão frio-deficiência. O perfil que responde melhor, na minha experiência, é a paciente com dor cíclica predominante e menor grau de sensibilização central instalada — justamente aquelas em quem a individualização do tratamento ao longo do ciclo, como preconiza o consenso, faz diferença palpável nos desfechos funcionais.

Médico especialista em Acupuntura. Professor Colaborador do Instituto de Ortopedia do HC-FMUSP. Coordenador do Grupo de Acupuntura do Centro de Dor do HC-FMUSP.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

Journal of Integrative and Complementary Medicine · 2023

DOI: 10.1089/jicm.2022.0659

Acessar Artigo Original

Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

Saiba mais sobre o autor →
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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.

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