Dry Needling and Acupuncture for Scars—A Systematic Review

Trybulski et al. · Journal of Clinical Medicine · 2024

📊Revisão Sistemática👥n=19 estudos⚠️Evidência Limitada
🎯

OBJETIVO

Avaliar a eficácia do agulhamento seco e acupuntura no tratamento de cicatrizes e sintomas associados

👥

QUEM

Pacientes com cicatrizes hipertróficas, queloides e pós-cirúrgicas

⏱️

DURAÇÃO

Tratamentos variaram de 3-8 semanas

📍

PONTOS

Agulhas inseridas na área cicatricial e ao redor (técnica 'dragão circundante')

🔬 Desenho do Estudo

200participantes
randomização

Relatos de caso

n=8

Acupuntura ou agulhamento seco

Ensaios clínicos

n=2

Acupuntura vs controle

Série de casos

n=1

Terapia manual + agulhamento

⏱️ Duração: 3 a 8 semanas

📊 Resultados em Números

50-70%

Redução da dor

40% para 65%

Melhora funcional

6-8 pontos

Qualidade metodológica

0

Estudos incluídos

Destaques Percentuais

50-70%
Redução da dor

📊 Comparação de Resultados

Escala de Dor (VAS/NRS)

Antes do tratamento
7
Após tratamento
3
💬 O que isso significa para você?

Este estudo analisou se a acupuntura e o agulhamento seco podem ajudar a tratar cicatrizes dolorosas ou que causam coceira. Embora alguns pacientes tenham relatado melhorias na dor e aparência das cicatrizes, ainda não há evidência científica suficiente para confirmar que esses tratamentos realmente funcionam.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Esta revisão sistemática investigou a eficácia da acupuntura e agulhamento seco no tratamento de cicatrizes e sintomas relacionados. O estudo seguiu as diretrizes PRISMA 2020 e incluiu uma busca abrangente em múltiplas bases de dados até janeiro de 2024. Dos 706 resultados inicialmente identificados, 19 estudos foram considerados relevantes, com 11 selecionados para análise detalhada. A metodologia incluiu avaliação de qualidade usando escalas JBI para relatos de caso e PEDro para ensaios clínicos randomizados.

Os estudos analisados mostraram grande heterogeneidade em termos de tipos de cicatrizes tratadas, técnicas de agulhamento utilizadas e parâmetros de tratamento. As cicatrizes estudadas incluíram queloides, cicatrizes hipertróficas pós-queimadura, cicatrizes cirúrgicas e cicatrizes maduras de diferentes origens. As intervenções variaram significativamente: agulhas de diferentes tamanhos (0.15×15mm a 0.30×50mm), técnicas de inserção distintas (perpendicular, paralela, angulada), durações de tratamento de 3-8 semanas, e frequências de 2-3 sessões por semana. Alguns estudos combinaram acupuntura com outras modalidades como radiação infravermelha, ultrassom, terapia manual e medicamentos tópicos.

Os resultados mostraram tendências positivas na maioria dos estudos. A avaliação da dor através das escalas VAS e NRS demonstrou reduções significativas: de 8/10 para 3/10 em um estudo e de 7/10 para 4.5/10 em outro. Melhorias funcionais foram observadas através de testes como 'up and go' e 'chair stand test', com o questionário SF-36 mostrando aumento na capacidade física de 40% para 65%. A escala POSAS indicou melhoria significativa na aparência das cicatrizes, diminuindo de 57/70 para 27/70 pontos.

A escala de Vancouver (VSS) também demonstrou melhorias na cor, vascularização, altura e flexibilidade das cicatrizes. Entretanto, a qualidade metodológica dos estudos variou consideravelmente. Os relatos de caso pontuaram entre 4-8 pontos na escala JBI, enquanto os ensaios clínicos randomizados obtiveram 5-8 pontos na escala PEDro. A principal limitação identificada foi a falta de padronização nos protocolos de tratamento e a ausência de diretrizes STRICTA na maioria dos estudos.

O estudo identificou várias deficiências metodológicas importantes: número limitado de ensaios clínicos randomizados, amostras pequenas, falta de grupos controle adequados em muitos estudos, e heterogeneidade significativa nos métodos de avaliação. A diversidade de tipos de cicatrizes, técnicas de agulhamento e parâmetros de dose impossibilitou a realização de uma meta-análise. Os possíveis mecanismos de ação propostos incluem: estimulação mecânica do tecido conjuntivo, modulação da resposta inflamatória, liberação de substâncias bioativas, inibição do fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), e estímulo da atividade dos fibroblastos. No entanto, esses mecanismos não foram adequadamente investigados nos estudos incluídos.

As implicações clínicas permanecem incertas devido à qualidade limitada da evidência. Embora alguns estudos tenham mostrado resultados promissores, a ausência de protocolos padronizados, a falta de estudos de longo prazo e a predominância de relatos de caso limitam a aplicabilidade clínica dos achados. Os autores concluíram que, apesar da popularidade crescente dessas técnicas, não há evidência científica adequada para apoiar seu uso rotineiro no tratamento de cicatrizes.

Pontos Fortes

  • 1Busca abrangente em múltiplas bases de dados
  • 2Avaliação sistemática da qualidade metodológica
  • 3Análise detalhada dos parâmetros de tratamento
  • 4Identificação clara das limitações da evidência atual
⚠️

Limitações

  • 1Número limitado de ensaios clínicos randomizados
  • 2Grande heterogeneidade nos métodos e protocolos
  • 3Amostras pequenas na maioria dos estudos
  • 4Falta de padronização nas escalas de avaliação

📅 Contexto Histórico

2001Primeiro ensaio clínico sobre agulhas intradérmicas para dor cicatricial
2010Emergência de relatos sobre acupuntura para cicatrizes
2020Crescimento do interesse em agulhamento seco para cicatrizes
2024Primeira revisão sistemática abrangente sobre o tema
Dr. Marcus Yu Bin Pai

Comentário do Especialista

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP 158074 · RQE 65223, 65224

Relevância Clínica

Cicatrizes sintomáticas — dolorosas, pruriginosas, restritivas de movimento — representam um desafio real na prática de reabilitação e medicina da dor. Queloides, cicatrizes hipertróficas pós-queimadura e cicatrizes cirúrgicas aderentes frequentemente chegam ao consultório do fisiatra após esgotamento das opções convencionais, e a pergunta sobre agulhamento seco ou acupuntura é cada vez mais frequente. Esta revisão sistemática organiza, pela primeira vez de forma abrangente, o que existe publicado até 2024 sobre o tema, oferecendo ao médico um mapa do território: quais tipos de cicatrizes foram estudados, quais técnicas foram empregadas e quais desfechos foram mensurados. Para o clínico que já considera o agulhamento como parte do arsenal terapêutico em dor musculoesquelética, ter uma síntese estruturada — ainda que baseada em evidência incipiente — é ponto de partida indispensável para decisões informadas e para o desenho de protocolos institucionais mais rigorosos.

Achados Notáveis

Entre os achados que merecem atenção, destaca-se a magnitude das reduções de dor registradas nos estudos incluídos: quedas de 8/10 para 3/10 e de 7/10 para 4,5/10 nas escalas VAS e NRS sugerem impacto clinicamente significativo, não apenas estatístico. A melhora funcional mensurada pelo SF-36 — de 40% para 65% na capacidade física — e a redução expressiva na escala POSAS (de 57/70 para 27/70 pontos) indicam que o benefício vai além da analgesia pura e alcança qualidade de vida e aparência tecidual. Do ponto de vista mecanístico, a revisão elenca estímulo mecânico do tecido conjuntivo, modulação inflamatória, ativação de fibroblastos e inibição do VEGF como hipóteses biologicamente plausíveis, conectando o agulhamento a vias já conhecidas na fisiopatologia do remodelamento cicatricial. A variação técnica documentada — agulhas de 0,15×15 mm a 0,30×50 mm, inserções perpendiculares, paralelas e anguladas — também é clinicamente informativa, pois evidencia que não há um protocolo único e abre espaço para personalização baseada nas características da cicatriz.

Da Minha Experiência

Na minha prática no ambulatório de dor e reabilitação, o agulhamento em cicatrizes é uma das solicitações que mais cresceu na última década, especialmente em pacientes pós-cirúrgicos com aderência fascial e em sobreviventes de queimaduras com restrição de amplitude articular. Costumo iniciar com séries de 6 a 8 sessões, duas vezes por semana, e a resposta analgésica perceptível pelo paciente aparece, na minha observação, entre a terceira e a quinta sessão. Cicatrizes com componente neuropático associado — alodínia, hiperpatia — respondem de forma menos previsível e tenho o hábito de associar neuromodulação farmacológica antes de avançar para o agulhamento isolado. A combinação com ultrassonoterapia e mobilização manual da fáscia cicatricial potencializa os resultados na minha experiência, o que é consistente com o que a revisão descreve nos estudos combinados. O perfil que melhor responde, ao longo da minha carreira, é o paciente com cicatriz madura, aderente e dolorosa, sem processo inflamatório ativo subjacente. Não indico em cicatrizes com infecção ativa ou coagulopatia não controlada.

Doutor em Ciências pela USP. Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura.

Artigo Original Completo

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Journal of Clinical Medicine · 2024

DOI: 10.3390/jcm13143994

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.

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