Update evidence of effectiveness on pain relieving of cupping therapy: a systematic review and Meta-analysis of randomized controlled trials
WANG et al. · Journal of Traditional Chinese Medicine · 2025
OBJETIVO
Avaliar a eficácia e segurança da ventosaterapia no alívio da dor aguda e crônica
QUEM
Adultos com condições dolorosas variadas (dor lombar, herpes zoster, osteoartrite)
DURAÇÃO
Tratamentos de 7-60 dias com seguimento variado
PONTOS
Ventosas aplicadas conforme localização da dor e tipo de condição
🔬 Desenho do Estudo
Ventosaterapia sozinha
n=1430
diversos tipos de ventosas
Ventosas + outros tratamentos
n=2865
ventosas combinadas com acupuntura, medicamentos ou exercícios
Controles
n=1425
medicamentos, cuidados usuais ou lista de espera
📊 Resultados em Números
Redução na escala visual analógica (EVA)
Melhora na taxa de cura
Incidência de eventos adversos vs controle
Melhora na qualidade de vida (SF-36)
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Escala Visual Analógica (0-10 cm)
Esta grande revisão científica mostra que a ventosaterapia pode ser eficaz para reduzir diferentes tipos de dor, sendo mais segura que medicamentos. Embora a qualidade dos estudos seja baixa, os resultados sugerem benefícios reais no alívio da dor e melhora da qualidade de vida.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Esta revisão sistemática e meta-análise representa a mais abrangente avaliação da ventosaterapia para tratamento da dor já realizada. Os pesquisadores analisaram 72 estudos clínicos randomizados envolvendo 5.720 participantes, sendo uma atualização significativa de revisão anterior que incluía apenas 16 estudos. A pesquisa investigou a eficácia da ventosaterapia no tratamento de condições dolorosas agudas e crônicas, incluindo herpes zoster (20 estudos), dor lombar (14 estudos), dor cervical (9 estudos) e osteoartrite (9 estudos). A metodologia foi rigorosa, seguindo as diretrizes PRISMA e registrada no PROSPERO.
Os pesquisadores realizaram buscas em sete bases de dados, incluindo fontes chinesas e internacionais, cobrindo publicações de janeiro de 2014 a janeiro de 2023. Dois revisores independentes extraíram os dados e avaliaram o risco de viés usando a ferramenta Cochrane RoB 2.0. A análise estatística foi conduzida usando modelo de efeitos aleatórios, com meta-análises realizadas quando a heterogeneidade estatística era aceitável (I² ≤75%). Os resultados mostraram que a ventosaterapia, seja isolada ou combinada com outros tratamentos, demonstrou benefícios consistentes na redução da dor.
Na escala visual analógica, as reduções variaram de 0,16 a 7,0 cm, com diferenças clinicamente significativas. A taxa de cura aumentou em media 20% nos grupos tratados com ventosas. Particularmente notável foi a análise de subgrupos que mostrou maior eficácia da ventosaterapia para dor aguda comparada à dor crônica. A modalidade mais comumente utilizada foi a ventosa úmida (56,25% dos estudos), especialmente para herpes zoster.
O estudo encontrou evidências de baixa qualidade sugerindo que a ventosaterapia pode melhorar a qualidade de vida, medida pelo SF-36, com aumento de 4,78 pontos no componente físico. A qualidade do sono também mostrou melhoras significativas em dois estudos. Um achado importante foi relacionado à segurança: a incidência de eventos adversos foi significativamente menor nos grupos de ventosaterapia comparado aos controles (RR 0,11), com apenas casos isolados de tontura após ventosa úmida e danos cutâneos leves. A limitação principal foi que todos os 72 estudos foram classificados como tendo alto risco de viés, principalmente devido a problemas metodológicos como falta de cegamento adequado, randomização inadequadamente reportada e possível viés de publicação.
A maioria dos estudos (86%) foi conduzida na China e publicada em chinês, o que pode limitar a generalização dos resultados. Apesar das limitações metodológicas, esta revisão fornece evidências substanciais de que a ventosaterapia pode ser uma opção terapêutica valiosa para o manejo da dor. Os autores sugerem que diferentes protocolos de tratamento podem ser desenvolvidos para condições específicas, otimizando a seleção de pontos, tempo de retenção das ventosas e tipo de ventosa utilizada. Para pesquisas futuras, recomendam estudos com maior rigor metodológico, amostras adequadas, randomização apropriada e possível uso de controles sham para cegamento.
Pontos Fortes
- 1Maior revisão sobre ventosaterapia para dor já realizada
- 2Inclusão abrangente de literatura chinesa e internacional
- 3Metodologia rigorosa seguindo diretrizes PRISMA
- 4Análise de subgrupos detalhada por tipo de dor
- 5Avaliação sistemática de segurança
Limitações
- 1Todos os estudos com alto risco de viés
- 2Impossibilidade de cegamento adequado
- 3Maioria dos estudos conduzidos na China
- 4Alta heterogeneidade entre estudos
- 5Evidência de viés de publicação
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241
▸ Relevância Clínica
A ventosaterapia figura cada vez mais nas solicitações de pacientes com dor musculoesquelética crônica, e esta meta-análise com 5.720 participantes em 72 ensaios clínicos randomizados oferece a base quantitativa mais robusta disponível até o momento para orientar essa conversa clínica. As reduções na EVA variando de 0,16 a 7,0 cm, em condições como dor lombar, cervicalgia e osteoartrite, cobrem exatamente o espectro que vemos ambulatorialmente — pacientes que já esgotaram analgésicos de primeira linha ou que buscam reduzir carga medicamentosa. O perfil de segurança é particularmente relevante: incidência de eventos adversos significativamente menor que nos grupos controle, com eventos sérios raros e autolimitados. Isso posiciona a ventosaterapia como coadjuvante viável em programas multimodais de dor, especialmente em pacientes polimedicados, idosos com risco gastrointestinal aumentado ou aqueles com contraindicação a anti-inflamatórios não esteroidais.
▸ Achados Notáveis
O achado que mais me chamou atenção foi a análise de subgrupos demonstrando maior eficácia da ventosaterapia para dor aguda em comparação à dor crônica — dado contracorrente à percepção clínica habitual de que técnicas não farmacológicas são reservadas para cronificação. A dominância da ventosa úmida (56,25% dos estudos), particularmente para herpes zoster, sugere que o mecanismo de ação pode envolver componentes além da descompressão tecidual, possivelmente modulação neuroinflamatória local relevante na fisiopatologia do vírus varicela-zóster. A melhora de 4,78 pontos no componente físico do SF-36 é clinicamente modesta, mas consistente com o que se observa em intervenções adjuvantes de reabilitação. A combinação ventosas mais outros tratamentos produzindo resultados superiores reforça o paradigma multimodal que já estruturamos nos serviços de dor.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática em serviço de dor e reabilitação, costumo incorporar a ventosaterapia como componente de programas multimodais, raramente como monoterapia. Tenho observado que pacientes com dor miofascial lombar e cervical — especialmente aqueles com padrão de hipertonia regional e pontos-gatilho associados — respondem em três a cinco sessões, frequentemente combinando ventosas com agulhamento seco e exercício terapêutico supervisionado. Para manutenção, o padrão que vejo oscilar entre oito e doze sessões ao longo de dois a três meses é consistente com os protocolos reportados nesta revisão. Não indico ventosaterapia sobre pele comprometida, coagulopatias não controladas ou sobre articulações com processo inflamatório agudo ativo. O dado sobre herpes zoster é especialmente compatível com minha experiência: a ventosa úmida nessa população, quando aplicada precocemente, parece reduzir a duração da neuralgia pós-herpética — observação que faço há anos e que esta revisão agora quantifica com maior rigor.
Artigo Original Completo
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Journal of Traditional Chinese Medicine · 2025
DOI: 10.19852/j.cnki.jtcm.2025.02.002
Acessar Artigo OriginalRevisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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