Effect of Acupuncture on Nausea of Pregnancy: A Randomized, Controlled Trial

Knight et al. · Obstetrics & Gynecology · 2001

🎯RCT Duplo-Cego👥n=55 participantes⚠️Resultado negativo

Nível de Evidência

MODERADA
75/ 100
Qualidade
4/5
Amostra
3/5
Replicação
4/5
🎯

OBJETIVO

Comparar acupuntura tradicional versus acupuntura sham para tratamento de náuseas na gravidez

👥

QUEM

55 gestantes entre 6-10 semanas com náuseas (com ou sem vômitos)

⏱️

DURAÇÃO

3 semanas com 3-4 sessões de tratamento

📍

PONTOS

PC6, E36, E44, VC12, E34 conforme diagnóstico da Medicina Tradicional Chinesa

🔬 Desenho do Estudo

55participantes
randomização

Acupuntura tradicional

n=28

Agulhamento nos pontos corretos com estimulação Deqi

Acupuntura sham

n=27

Toque com bastão rombo em pontos ósseos, sem penetração

⏱️ Duração: 3 semanas

📊 Resultados em Números

85.5 → 47.5

Redução de náusea (acupuntura)

87.0 → 48.0

Redução de náusea (sham)

p=0.9

Diferença entre grupos

0%

Poder estatístico

Destaques Percentuais

95%
Poder estatístico

📊 Comparação de Resultados

Escore de náusea final (escala 0-100)

Acupuntura
47.5
Sham
48
💬 O que isso significa para você?

Este estudo testou se a acupuntura real funciona melhor que uma acupuntura 'falsa' para náuseas na gravidez. Ambos os grupos melhoraram igualmente, sugerindo que o benefício pode estar relacionado à atenção e cuidado recebidos, não necessariamente aos pontos específicos da acupuntura.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Efeito da Acupuntura nas Náuseas da Gestação: Ensaio Clínico Randomizado Controlado

Este estudo randomizado controlado investigou a eficácia da acupuntura tradicional chinesa no tratamento de náuseas matinais em gestantes entre 6-10 semanas de gestação. A pesquisa foi conduzida no Hospital Real de Devon e Exeter, Reino Unido, com 55 mulheres que apresentavam náuseas com ou sem vômitos durante a gravidez precoce.

O desenho metodológico foi rigoroso, utilizando mascaramento duplo onde nem as participantes nem o investigador responsável pela coleta de dados sabiam qual tratamento estava sendo aplicado. As mulheres foram randomizadas em dois grupos: acupuntura tradicional (n=28) e acupuntura sham (n=27). O grupo de acupuntura real recebeu tratamento baseado no diagnóstico da Medicina Tradicional Chinesa, com agulhas inseridas em pontos específicos como Pericárdio 6, Estômago 36, e outros, dependendo do padrão de desarmonia identificado. O grupo controle recebeu estimulação com bastão rombo em proeminências ósseas, sem penetração da pele.

O protocolo de tratamento consistiu em sessões de aproximadamente 15 minutos, aplicadas duas vezes na primeira semana e uma vez por semana nas duas semanas seguintes, totalizando 3-4 sessões por participante. O desfecho primário foi medido através de escala visual analógica de 100mm para intensidade de náusea, registrada diariamente pelas participantes. Desfechos secundários incluíram escores de ansiedade e depressão através da Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão.

Os resultados mostraram melhora significativa em ambos os grupos, mas sem diferença estatisticamente significante entre eles. No grupo de acupuntura, a mediana dos escores de náusea diminuiu de 85,5 para 47,5, enquanto no grupo sham a redução foi de 87,0 para 48,0. A análise estatística revelou forte evidência de efeito tempo (p<0,001), indicando que ambos os grupos melhoraram ao longo do estudo, mas nenhuma evidência de diferença entre grupos (p=0,9) ou interação grupo-tempo (p=0,8).

Os autores observaram que a redução mais pronunciada nos escores de náusea ocorreu entre o primeiro e segundo dias de tratamento, sugerindo que fatores não específicos como atenção, cuidado profissional e efeito placebo podem ter contribuído significativamente para a melhora observada. As participantes relataram alta satisfação com o tratamento em ambos os grupos, com mediana de avaliação global de efetividade igual a 4 (numa escala de 1-5).

Quanto aos eventos adversos, foram reportados 19 casos distribuídos igualmente entre os grupos, incluindo cansaço, distúrbios do sono e alterações do paladar, todos de natureza leve. O mascaramento foi eficaz, com apenas uma participante em cada grupo suspeitando ter recebido tratamento sham.

As implicações clínicas deste estudo são importantes para a prática da acupuntura em obstetrícia. Embora a acupuntura não tenha demonstrado superioridade sobre o procedimento sham, ambos os grupos experimentaram melhora clinicamente significativa dos sintomas. Isso sugere que os elementos não específicos da acupuntura - como a relação terapêutica, atenção individualizada e rituais de cuidado - podem ser componentes importantes do efeito terapêutico total.

As limitações incluem o tamanho amostral relativamente pequeno, variações na programação das sessões devido a limitações práticas, e a impossibilidade de determinar se a intervenção sham foi completamente inerte. O estudo também levanta questões sobre a validade dos diagnósticos tradicionais chineses, que não possuem validação formal ou confiabilidade inter-avaliador estabelecida. Estes achados contribuem para o debate sobre a especificidade dos efeitos da acupuntura e destacam a importância de considerar fatores contextuais no tratamento de náuseas gravídicas.

Pontos Fortes

  • 1Desenho duplo-cego rigoroso com mascaramento eficaz
  • 2Randomização apropriada com estratificação
  • 3Uso de escala visual analógica validada
  • 4Poder estatístico adequado (95%) para detectar diferenças
⚠️

Limitações

  • 1Amostra relativamente pequena (n=55)
  • 2Procedimento sham pode não ter sido completamente inerte
  • 3Variações no cronograma das sessões
  • 4Diagnósticos da MTC sem validação formal

📅 Contexto Histórico

1989Hyde publica primeiro estudo sobre acupressão para náuseas na gravidez
1996O'Brien et al. publica estudo rigoroso com resultado negativo para acupressão
1997Revisão sistemática sugere benefícios da estimulação do ponto P6
2000Revisão Cochrane confirma evidências limitadas sobre efeitos fetais
2001Presente estudo demonstra ausência de superioridade da acupuntura sobre sham
Prof. Dr. Hong Jin Pai

Comentário do Especialista

Prof. Dr. Hong Jin Pai

Doutor em Ciências pela USP

Relevância Clínica

Náuseas e vômitos na gestação precoce afetam a maioria das gestantes e constituem um dos motivos mais frequentes de busca por alternativas não farmacológicas, especialmente no primeiro trimestre, quando a exposição medicamentosa preocupa tanto pacientes quanto obstetras. Este ensaio, publicado no Obstetrics & Gynecology em 2001, traz uma contribuição direta a esse cenário ao testar a acupuntura tradicional em gestantes entre seis e dez semanas, período de máxima vulnerabilidade teratogênica e de maior demanda por opções seguras. Ambos os grupos — acupuntura real e sham — alcançaram redução clínica expressiva dos escores de náusea ao longo das três semanas de protocolo, e o perfil de eventos adversos foi benigno e simétrico entre os grupos. Para o médico que atende essa população, o dado de segurança tem peso imediato: a intervenção não oferece riscos relevantes, sustenta a indicação como recurso adjuvante e permite integrá-la com segurança ao acompanhamento pré-natal convencional.

Achados Notáveis

O achado mais digno de atenção neste ensaio não é a ausência de diferença entre grupos — é a magnitude e a velocidade da resposta compartilhada por ambos. A mediana dos escores de náusea caiu de aproximadamente 86 para 48 em apenas três semanas, com a maior queda concentrada entre o primeiro e o segundo dias de tratamento, independentemente do grupo. Isso indica que o contato clínico estruturado, a atenção individualizada e o ritual terapêutico produzem efeito mensurável e rápido nessa condição. O estudo foi desenhado com poder estatístico de 95% — portanto, a ausência de diferença significativa entre acupuntura real e sham (p=0,9) é um resultado robusto, não uma limitação de detecção. A satisfação global relatada pelas participantes, com mediana de 4 numa escala de 1 a 5, foi alta nos dois grupos, reforçando que a experiência terapêutica como um todo carrega valor clínico independente do ponto específico agulhado.

Da Minha Experiência

Na minha prática, as gestantes com náuseas do primeiro trimestre formam um subgrupo que valoriza enormemente a possibilidade de um tratamento sem medicação sistêmica, e a acolhida costuma ser excelente quando o médico explica a natureza do procedimento com clareza. Tenho observado resposta percebida já nas primeiras duas a três sessões, o que é consistente com o padrão de queda precoce descrito neste artigo. Habitualmente, trabalho com PC6 como ponto central — que tem a melhor base de evidência acumulada para êmese gravídica — e complemento conforme o padrão clínico da paciente, muitas vezes associando E36 e pontos de harmonização gástrica. A combinação com orientações de higiene alimentar e repouso programado potencializa a resposta. O que este ensaio reforça o que observo há anos: o vínculo terapêutico e a estrutura da consulta de acupuntura já funcionam como intervenção ativa nessa população, e isso não diminui o valor do tratamento — pelo contrário, pertence ao mecanismo.

Médico especialista em Acupuntura. Professor Colaborador do Instituto de Ortopedia do HC-FMUSP. Coordenador do Grupo de Acupuntura do Centro de Dor do HC-FMUSP.

Artigo Científico Indexado

Este estudo está indexado em base científica internacional. Consulte seu acesso institucional para obter o artigo completo.

Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

Saiba mais sobre o autor →
⚕️

Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.

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