Evidence-based and adverse-effects analyses of cupping therapy in musculoskeletal and sports rehabilitation: A systematic and evidence-based review
Mohamed et al. · Journal of Back and Musculoskeletal Rehabilitation · 2023
OBJETIVO
Avaliar o nível de evidência da ventosaterapia no tratamento de condições musculoesqueléticas e esportivas
QUEM
2214 estudos identificados, 22 incluídos na análise (indivíduos de 18-60 anos)
DURAÇÃO
Tratamentos de 1 dia até 12 semanas
PONTOS
Pontos Ashi (locais específicos de dor), BL23-25 na lombar, GB21, LI15 na cervical
🔬 Desenho do Estudo
Estudos Identificados
n=2214
Busca sistemática em bases de dados
Estudos Incluídos
n=22
Ventosaterapia seca ou úmida vs controles
📊 Resultados em Números
Evidência para flexibilidade de tecidos moles
Evidência para dor lombar/cervical
Evidência para outras condições musculoesqueléticas
Incidência de eventos adversos
📊 Comparação de Resultados
Nível de evidência por condição
Esta revisão sistemática mostra que a ventosaterapia pode ser útil para reduzir dores nas costas e pescoço e melhorar a flexibilidade dos músculos, embora a qualidade das pesquisas ainda seja limitada. A técnica é bastante segura, com poucos efeitos colaterais relatados.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Esta revisão sistemática representa o primeiro estudo abrangente a avaliar o nível de evidência da ventosaterapia (cupping) na reabilitação musculoesquelética e esportiva. Os pesquisadores analisaram 2214 estudos inicialmente identificados, dos quais apenas 22 atenderam aos critérios rigorosos de inclusão, destacando a necessidade de mais pesquisas de alta qualidade na área.
A metodologia seguiu diretrizes internacionais para revisões sistemáticas, utilizando cinco bases de dados principais (Scopus, PubMed, Web of Science, EBSCO e CrossRef) e focando em estudos randomizados e séries de casos publicados entre 1990 e 2019. A qualidade dos estudos foi avaliada pela escala PEDro, revelando variabilidade significativa na qualidade metodológica das pesquisas incluídas.
Os resultados mostram que a ventosaterapia, tanto seca quanto úmida, demonstra eficácia variável dependendo da condição tratada. Para o aumento da flexibilidade de tecidos moles, a evidência foi classificada como moderada, sugerindo benefícios consistentes na melhora da amplitude de movimento e redução da rigidez muscular. No tratamento de dor lombar e cervical, a evidência foi considerada baixa a moderada, com vários estudos mostrando reduções significativas nos níveis de dor e melhora funcional.
Para outras condições musculoesqueléticas, incluindo síndrome do túnel do carpo, fascite plantar, fibromialgia e osteoartrite, a evidência foi classificada como muito baixa a baixa. Isso se deve principalmente ao número limitado de estudos, tamanhos de amostra pequenos e qualidade metodológica inconsistente. Notavelmente, nenhum estudo investigou diretamente os efeitos da ventosaterapia na fadiga muscular ou dor muscular tardia, áreas de grande interesse para atletas.
Os mecanismos de ação propostos incluem estimulação de mecanorreceptores através da pressão negativa, melhora da circulação sanguínea local, redução da tensão muscular e possíveis efeitos anti-inflamatórios. A teoria do controle da dor sugere que a estimulação mecânica pode bloquear sinais de dor através da modulação espinhal, enquanto o aumento do fluxo sanguíneo pode facilitar a remoção de metabólitos e toxinas dos tecidos afetados.
Em termos de segurança, a revisão encontrou uma incidência muito baixa de eventos adversos. Os efeitos colaterais relatados foram principalmente menores, incluindo hematomas no local de aplicação, dor muscular temporária de 1-2 dias, e ocasionalmente dor de cabeça breve. Não foram relatados eventos adversos graves, sugerindo que a ventosaterapia é uma intervenção relativamente segura quando aplicada adequadamente.
As implicações clínicas indicam que, apesar da evidência limitada, a ventosaterapia pode ser considerada como uma terapia adjuvante útil na reabilitação musculoesquelética e esportiva. É particularmente promissora para condições envolvendo dor e rigidez muscular, onde pode complementar outras intervenções fisioterapêuticas tradicionais. A baixa incidência de efeitos adversos torna-a uma opção atraente para pacientes que buscam alternativas ou complementos aos tratamentos convencionais.
Pontos Fortes
- 1Primeira revisão sistemática abrangente sobre evidências da ventosaterapia em reabilitação
- 2Metodologia rigorosa seguindo diretrizes internacionais
- 3Análise detalhada da qualidade dos estudos usando escala PEDro validada
- 4Avaliação sistemática de eventos adversos
- 5Busca ampla em múltiplas bases de dados
Limitações
- 1Qualidade metodológica variável dos estudos incluídos
- 2Tamanhos de amostra pequenos em muitos estudos
- 3Falta de padronização nas técnicas de ventosaterapia
- 4Ausência de cegamento adequado na maioria dos estudos
- 5Limitação a estudos publicados apenas em inglês
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241
▸ Relevância Clínica
A ventosaterapia ocupa um espaço terapêutico crescente em serviços de reabilitação e medicina esportiva, e esta revisão sistemática oferece o mapa de evidências mais organizado disponível até o momento para orientar sua aplicação clínica. Para o fisiatra que atende coluna e atletas, os gradientes de evidência são clinicamente operacionais: a evidência moderada para flexibilidade de tecidos moles justifica o uso da técnica em protocolos de ganho de amplitude de movimento, enquanto a evidência baixa a moderada para dor lombar e cervical posiciona a ventosaterapia como adjuvante razoável nesses quadros, especialmente quando as opções de primeira linha já foram exploradas. Em pacientes com dor cervical crônica com limitação de mobilidade, fibromialgia com componente miofascial predominante ou lombalgia não específica refratária a analgésicos convencionais, a inclusão da ventosaterapia no plano multimodal encontra respaldo suficiente para ser discutida e ofertada. O perfil de segurança extremamente favorável identificado na revisão — efeitos adversos menores, sem eventos graves relatados — reduz substancialmente a barreira de prescrição.
▸ Achados Notáveis
O achado que mais merece atenção clínica é a assimetria entre os níveis de evidência conforme a condição: enquanto melhora de flexibilidade de tecidos moles alcança evidência moderada, condições como síndrome do túnel do carpo, fascite plantar e osteoartrite permanecem com evidência muito baixa a baixa — o que orienta seleção de indicações com mais precisão do que uma avaliação global da técnica permitiria. Do ponto de vista mecanístico, a revisão articula de forma consistente a estimulação de mecanorreceptores pela pressão negativa com modulação espinhal da dor, o que alinha a ventosaterapia ao mesmo substrato neurofisiológico do agulhamento seco e da TENS — racionalizando sua combinação em protocolos multimodais. Outro dado relevante é a ausência total de estudos sobre fadiga muscular tardia e recuperação de atletas, o que contrasta com o uso difundido da técnica no contexto esportivo competitivo e sinaliza onde a prática está à frente da evidência.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no ambulatório de dor musculoesquelética, tenho incorporado a ventosaterapia seca principalmente em dois cenários: dor miofascial cervical com restrição de rotação e lombalgia crônica com componente de rigidez matinal intensa. A resposta, em geral, começa a aparecer entre a segunda e a quarta sessão — o que está alinhado ao que esta revisão descreve como benefício em flexibilidade de tecidos moles. Costumo associar a técnica ao agulhamento seco de pontos-gatilho e a exercícios de estabilização, raramente a uso de forma isolada. Para manutenção em pacientes crônicos, chegamos a ciclos de seis a oito sessões com reavaliação funcional ao final. Tenho observado melhor resposta em pacientes com tensão muscular regional predominante e pior em quadros com componente central de sensibilização marcado. A confirmação do perfil seguro desta revisão reforça o que vejo na clínica: os hematomas transitórios são a queixa mais comum e raramente motivam interrupção. Evito a técnica em pacientes anticoagulados e em áreas com alteração de pele.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Journal of Back and Musculoskeletal Rehabilitation · 2023
DOI: 10.3233/BMR-210242
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Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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