Optimizing Postoperative Analgesia After Perianal Abscess Surgery Using Ultrasound-Guided Pudendal Nerve Block Combined with Wrist-Ankle Acupuncture: A Randomized Controlled Trial
Zhang et al. · Journal of Pain Research · 2026
Nível de Evidência
FORTEOBJETIVO
Avaliar a eficácia do bloqueio do nervo pudendo guiado por ultrassom combinado com acupuntura punho-tornozelo para dor pós-operatória após cirurgia de abscesso perianal
QUEM
120 pacientes submetidos à cirurgia de abscesso perianal, divididos em 3 grupos de 40 participantes
DURAÇÃO
Acompanhamento por 72 horas pós-operatórias com avaliações em múltiplos pontos temporais
PONTOS
Acupuntura punho-tornozelo nas áreas inferiores 6 (principal) e 1 (auxiliar) bilateralmente
🔬 Desenho do Estudo
Bloqueio Pudendo
n=40
Bloqueio do nervo pudendo guiado por ultrassom com ropivacaína 0,3%
Acupuntura Punho-Tornozelo
n=40
Acupuntura punho-tornozelo por 7 dias consecutivos
Tratamento Combinado
n=40
Ambas as intervenções aplicadas simultaneamente
📊 Resultados em Números
Redução da dor às 6h no grupo combinado
Duração da analgesia no grupo combinado
Taxa de analgesia de resgate no grupo combinado
Redução de IL-6 às 48h no grupo combinado
Satisfação do paciente no grupo combinado
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Escore VAS de Dor às 24h
Este estudo mostrou que a combinação de bloqueio anestésico local guiado por ultrassom com acupuntura nos punhos e tornozelos proporciona alívio da dor mais eficaz e duradouro após cirurgia de abscesso perianal. Os pacientes que receberam o tratamento combinado tiveram menos dor, precisaram de menos medicamentos adicionais para dor e ficaram mais satisfeitos com o tratamento.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Otimização da Analgesia Pós-Operatória Após Cirurgia de Abscesso Perianal com Bloqueio do Nervo Pudendo Guiado por Ultrassom Combinado com Acupuntura Punho-Tornozelo: Ensaio Clínico Randomizado Controlado
Este estudo prospectivo randomizado controlado investigou uma abordagem inovadora para o manejo da dor pós-operatória em pacientes submetidos à cirurgia de abscesso perianal, uma condição que frequentemente resulta em dor severa devido à rica inervação da região. A pesquisa avaliou 120 pacientes divididos em três grupos: bloqueio do nervo pudendo guiado por ultrassom, acupuntura punho-tornozelo, e tratamento combinado. O bloqueio do nervo pudendo foi realizado bilateralmente no final da cirurgia, utilizando ropivacaína 0,3% sob orientação ultrassônica para localizar precisamente o nervo na região do canal pudendo. A acupuntura punho-tornozelo envolveu a inserção subcutânea de agulhas nas áreas inferiores 6 e 1 bilateralmente, iniciada 6 horas após a cirurgia e mantida por 30 minutos diariamente durante 7 dias consecutivos.
Os resultados demonstraram superioridade significativa do tratamento combinado em todos os parâmetros avaliados. Os escores de dor pela escala visual analógica foram consistentemente menores no grupo combinado em todos os pontos temporais (6, 12, 24, 48 e 72 horas), com redução de até 40% comparado aos grupos individuais. A duração da analgesia foi substancialmente prolongada no grupo combinado (12,8±2,3 horas versus 8,5±1,8 horas no grupo bloqueio pudendo e 6,2±1,5 horas no grupo acupuntura). A necessidade de analgesia de resgate foi significativamente menor no grupo combinado (15,0% versus 37,5% e 32,5% nos outros grupos).
Os marcadores inflamatórios séricos, incluindo proteína C-reativa, interleucina-6 e fator de necrose tumoral-alfa, apresentaram elevações menores no grupo combinado às 48 e 72 horas pós-operatórias, sugerindo um efeito anti-inflamatório sinérgico. A qualidade do sono, avaliada pelo Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh, melhorou significativamente no grupo combinado, assim como a satisfação dos pacientes. Não houve diferenças na incidência de eventos adversos entre os grupos, confirmando a segurança da abordagem combinada. Os mecanismos propostos para os efeitos sinérgicos incluem a interrupção direcionada da transmissão nociceptiva pelo bloqueio pudendo, combinada com a modulação sistêmica da dor pela acupuntura através da ativação de vias analgésicas endógenas e liberação de opioides naturais.
A acupuntura punho-tornozelo pode também influenciar o sistema nervoso autônomo e reduzir espasmos musculares, complementando os efeitos do bloqueio regional. As implicações clínicas são significativas, oferecendo uma estratégia multimodal que reduz a dependência de opioides e melhora a recuperação pós-operatória. A abordagem é factível clinicamente, com o bloqueio pudendo guiado por ultrassom tornando-se mais acessível e a acupuntura punho-tornozelo sendo relativamente simples de implementar. As limitações incluem o desenho unicêntrico e o tamanho amostral relativamente pequeno, além da ausência de análise volumétrica dos abscessos por ressonância magnética, que poderia ter fornecido estratificação mais precisa da severidade da doença.
O estudo representa uma contribuição importante para a medicina da dor pós-operatória, demonstrando como a integração de técnicas convencionais de anestesia regional com terapias complementares pode resultar em benefícios sinérgicos substanciais para os pacientes.
Pontos Fortes
- 1Desenho randomizado controlado bem estruturado com três grupos de comparação
- 2Avaliação abrangente incluindo dor, marcadores inflamatórios, qualidade do sono e satisfação
- 3Técnica ultrassônica padronizada para localização precisa do nervo
- 4Seguimento temporal adequado com múltiplos pontos de avaliação
- 5Perfil de segurança favorável sem aumento de eventos adversos
Limitações
- 1Estudo unicêntrico com amostra relativamente pequena (n=120)
- 2Ausência de análise volumétrica dos abscessos por ressonância magnética
- 3Falta de análise de subgrupos por tipo e complexidade do abscesso
- 4Ausência de avaliação econômica formal de custo-efetividade
- 5Limitação geográfica que pode afetar a generalização dos resultados
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65223, 65224
▸ Relevância Clínica
A dor pós-operatória em cirurgias perianais é sistematicamente subestimada no planejamento analgésico, e o manejo inadequado resulta em mobilização precoce prejudicada, retenção urinária reflexa e alta hospitalar retardada. Este ensaio traz uma estratégia multimodal concreta para um cenário cirúrgico onde o arsenal convencional — opioides, AINEs, bloqueios espinhais — carrega custo em efeitos adversos. A combinação do bloqueio pudendo guiado por ultrassom com acupuntura punho-tornozelo reduziu a necessidade de analgesia de resgate para 15%, comparado a 37,5% no grupo bloqueio isolado, dado com implicação direta no consumo de opioides pós-operatórios. A modulação de IL-6 às 48 horas sugere ação anti-inflamatória além do efeito puramente analgésico, o que interessa ao cirurgião coloretal e ao intensivista igualmente. Pacientes com contraindicação a opioides ou com histórico de náusea pós-operatória intensa constituem o público imediato desta abordagem.
▸ Achados Notáveis
O achado mais substantivo é o prolongamento da duração analgésica no grupo combinado — 12,8 horas versus 8,5 horas no bloqueio pudendo isolado e 6,2 horas na acupuntura isolada — sugerindo que os mecanismos se somam de forma não aditiva linear. A redução da IL-6 sérica às 48 horas para 32,5 pg/mL no grupo combinado, associada a menores níveis de TNF-alfa e PCR, aponta para modulação neuroimune sistêmica que transcende o bloqueio nociceptivo local. A acupuntura punho-tornozelo nas zonas inferiores 6 e 1 iniciada apenas 6 horas após o procedimento evidencia que intervenções precoces no período pós-operatório imediato são toleráveis e eficazes nessa população. A melhora consistente da qualidade do sono pelo Índice de Pittsburgh, associada à satisfação de 4,6 em 5, reforça que desfechos centrados no paciente respondem à abordagem combinada de forma abrangente, não apenas a escalas de dor.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática em dor pós-operatória, a região perianal é onde mais frequentemente vejo falha analgésica silenciosa — o paciente verbaliza dor suportável mas recusa deambulação, e o ciclo de imobilidade complica a recuperação. Tenho orientado anestesiologistas parceiros a incorporar o bloqueio pudendo ecoguiado no protocolo cirúrgico coloretal há alguns anos, e a adição de acupuntura punho-tornozelo na enfermaria é factível porque a técnica de inserção subcutânea é rápida e bem tolerada mesmo em pacientes no pós-operatório imediato. Costumo observar resposta analgésica perceptível já na primeira sessão de acupuntura, com consolidação do efeito entre o segundo e terceiro dia — compatível com os dados de 72 horas deste ensaio. O perfil de paciente que responde melhor, na minha experiência, é aquele sem uso crônico de opioides e sem ansiedade perioperatória grave, que é exatamente a população típica de abscesso perianal eletivo. A combinação com prescrição criteriosa de AINEs horários, sem opioides de demanda, forma o tripé que utilizamos rotineiramente com bons resultados funcionais.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Journal of Pain Research · 2026
DOI: 10.2147/JPR.S592180
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Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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