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Outpatient acupuncture effects on patient self-reported symptoms in oncology care: a retrospective analysis

Lopez et al. · Journal of Cancer · 2018

🔬Estudo Retrospectivo👥n=375 pacientesEvidência do Mundo Real

Nível de Evidência

MODERADA
75/ 100
Qualidade
4/5
Amostra
4/5
Replicação
3/5
🎯

OBJETIVO

Avaliar os efeitos da acupuntura em sintomas autorrelatados por pacientes oncológicos em um centro ambulatorial de medicina integrativa

👥

QUEM

375 pacientes com câncer (68% mulheres, idade media 55 anos), principalmente com câncer de mama (33%) e torácico/cabeça e pescoço (26%)

⏱️

DURAÇÃO

Dados coletados durante 2016, com media de 4,6 tratamentos por paciente

📍

PONTOS

Tratamentos individualizados por acupunturistas licenciados com agulhas de 32-40 gauge por 20-30 minutos

🔬 Desenho do Estudo

375participantes
randomização

Pacientes com acupuntura

n=375

Acupuntura ambulatorial personalizada

⏱️ Duração: 1 ano de coleta de dados (2016)

📊 Resultados em Números

-1.93 pontos

Melhora nas ondas de calor

-1.72 pontos

Redução da fadiga

-1.70 pontos

Melhora no formigamento

-1.67 pontos

Redução da náusea

0%

Pacientes com seguimento

Destaques Percentuais

73.3%
Pacientes com seguimento

📊 Comparação de Resultados

Escala Global de Sofrimento (0-90)

Pré-tratamento
35
Pós-tratamento
23

Sofrimento Físico (0-60)

Pré-tratamento
23
Pós-tratamento
14
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostrou que a acupuntura pode proporcionar alívio significativo para vários sintomas relacionados ao câncer. Pacientes relataram melhorias imediatas em sintomas como ondas de calor, fadiga, formigamento e náusea após uma única sessão de acupuntura.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Este estudo retrospectivo analisou os efeitos da acupuntura ambulatorial em pacientes oncológicos do MD Anderson Cancer Center durante o ano de 2016. A pesquisa examinou 375 pacientes únicos que receberam acupuntura como parte do cuidado padrão em um centro de medicina integrativa, representando um total de 1.728 tratamentos. A população estudada tinha idade media de 55,6 anos, sendo 68,3% mulheres e 73,9% brancas/caucasianas. Os tipos de câncer mais comuns foram mama (32,8%) e torácico/cabeça e pescoço (25,9%).

Os pesquisadores utilizaram a Escala de Avaliação de Sintomas de Edmonton (ESAS) modificada para avaliar 16 sintomas diferentes em uma escala de 0-10, aplicada antes e após cada sessão de acupuntura. Os tratamentos foram realizados por acupunturistas licenciados e experientes, usando agulhas estéreis de aço inoxidável inseridas em pontos específicos por 20-30 minutos. O protocolo de tratamento foi individualizado conforme o julgamento profissional do acupunturista, tipicamente recomendando duas sessões semanais por 3-4 semanas. Os resultados mostraram melhorias estatística e clinicamente significativas em todos os sintomas e subescalas após um único tratamento de acupuntura.

Os sintomas com maior redução media foram ondas de calor (-1,93), fadiga (-1,72), formigamento (-1,70) e náusea (-1,67). As subescalas de sofrimento global, físico e psicológico também demonstraram melhorias clinicamente significativas. Na análise longitudinal, 73,3% dos pacientes tiveram pelo menos um tratamento de seguimento, com media de 4,6 tratamentos por pessoa. Entre os pacientes que retornaram para seguimento dentro de 30 dias, observou-se melhoria estatisticamente significativa em todos os sintomas exceto apetite.

A dor espiritual mostrou melhoria tanto estatística quanto clinicamente significativa (-1,10 pontos). As taxas de resposta clínica foram superiores a 50% para sintomas como dor espiritual (58,9%), boca seca (57,8%) e náusea (57,3%). Este estudo fornece evidências importantes sobre a efetividade da acupuntura no mundo real, complementando os achados de ensaios clínicos controlados. As melhorias observadas foram consistentes com literatura prévia sobre acupuntura em oncologia, particularmente para dor e náusea/vômito.

A capacidade de coletar dados de desfechos relatados pelos pacientes como parte do cuidado padrão (>90% dos encontros tiveram dados pré-tratamento disponíveis) demonstra a viabilidade de integrar pesquisa na prática clínica. Os resultados sugerem que a acupuntura pode ser uma ferramenta valiosa para o manejo não farmacológico de sintomas relacionados ao câncer. As implicações clínicas incluem o potencial para incorporar acupuntura como parte de programas de cuidados de suporte em centros oncológicos, especialmente considerando o crescente interesse em abordagens não farmacológicas para controle de sintomas. O estudo também fornece informações úteis para o desenho de futuros ensaios clínicos, incluindo dados sobre frequência de tratamentos e padrões de resposta dos pacientes.

Pontos Fortes

  • 1Grande amostra de 375 pacientes
  • 2Dados do mundo real em ambiente clínico
  • 3Avaliação abrangente de 16 sintomas diferentes
  • 4Acupunturistas experientes e licenciados
⚠️

Limitações

  • 1Ausência de grupo controle
  • 2Estudo retrospectivo de centro único
  • 3Possíveis fatores de confusão não controlados
  • 4Falta de medidas biológicas objetivas

📅 Contexto Histórico

2013Revisão sistemática de Garcia et al. sobre acupuntura em cuidados oncológicos
2016Período de coleta de dados do estudo
2017Publicação de ensaio clínico SWOG sobre acupuntura para dor articular
2018Publicação dos resultados do presente estudo retrospectivo
Prof. Dr. Hong Jin Pai

Comentário do Especialista

Prof. Dr. Hong Jin Pai

Doutor em Ciências pela USP

Relevância Clínica

A oncologia integrativa ocupa hoje um espaço crescente dentro dos grandes centros de tratamento do câncer, e este trabalho proveniente do MD Anderson Cancer Center documenta, com rigor de dados do mundo real, aquilo que já observamos empiricamente em nossa prática: a acupuntura promove alívio mensurável de um amplo espectro de sintomas em pacientes oncológicos. Com 375 pacientes e 1.728 atendimentos analisados, a análise abrange desde tumores de mama — o grupo mais representado, com 32,8% da amostra — até neoplasias torácicas e de cabeça e pescoço. A aplicabilidade clínica direta está na possibilidade de incorporar a acupuntura como componente formal dos programas de cuidados de suporte, especialmente para pacientes em uso de inibidores de aromatase, quimioterapia emetogênica ou submetidos a tratamentos que cursam com neuropatia periférica. A melhora simultânea em 16 sintomas distintos, avaliada pela escala ESAS modificada, reforça o argumento de que a acupuntura opera sobre múltiplos eixos sintomáticos — físico, psicológico e existencial — tornando-a particularmente valiosa quando o paciente apresenta constelação de queixas difícil de abordar com monoterapia farmacológica.

Achados Notáveis

A magnitude de redução nas ondas de calor — o sintoma com maior resposta, com queda media de 1,93 pontos — merece atenção especial, dado que esse sintoma permanece um desafio terapêutico em pacientes com câncer de mama hormonossensível, nos quais a terapia hormonal convencional é contraindicada. A melhora na fadiga (-1,72 pontos) e no formigamento (-1,70 pontos) reforça a relevância da acupuntura no contexto da neuropatia induzida por quimioterapia, um dos efeitos adversos mais limitantes e de manejo mais difícil na prática oncológica. Chama atenção ainda a resposta da dor espiritual — um domínio que raramente aparece como desfecho primário em ensaios de acupuntura —, com taxa de resposta clínica de 58,9% e redução de 1,10 pontos no seguimento longitudinal. A viabilidade operacional também é um achado em si: mais de 90% dos encontros tiveram dados pré-tratamento disponíveis, e 73,3% dos pacientes retornaram para ao menos uma sessão de seguimento, com media de 4,6 sessões por paciente, sinalizando aceitabilidade e adesão consistentes com o que se espera de uma intervenção integrativa em centro terciário.

Da Minha Experiência

Na minha prática com pacientes oncológicos no Centro de Dor do HC-FMUSP, tenho observado que a velocidade de resposta à acupuntura nessa população costuma ser mais rápida do que em pacientes com dor crônica musculoesquelética — frequentemente percebo algum alívio já após a primeira ou segunda sessão, o que é consistente com os dados de sessão única relatados neste trabalho. Para fadiga e náusea associadas à quimioterapia, costumo recomendar sessões próximas aos ciclos de tratamento, o que potencializa o controle antiemético e reduz o pico de fadiga pós-infusão. O padrão que estabelecemos é de duas sessões semanais nas primeiras três a quatro semanas, passando depois para manutenção quinzenal conforme a resposta — estrutura muito próxima ao protocolo descrito pelos autores. Para neuropatia por taxanos ou platinas, associo eletroacupuntura em pontos distais dos membros, com resultados que tenho considerado superiores à acupuntura manual isolada nesses casos. O perfil de paciente que responde melhor, em minha experiência, é aquele com múltiplos sintomas concomitantes e baixa reserva para polifarmácia — exatamente o paciente que este estudo, em grande medida, representa.

Médico especialista em Acupuntura. Professor Colaborador do Instituto de Ortopedia do HC-FMUSP. Coordenador do Grupo de Acupuntura do Centro de Dor do HC-FMUSP.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

Journal of Cancer · 2018

DOI: 10.7150/jca.26527

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.