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Dry Needling and Antithrombotic Drugs

Muñoz et al. · Pain Research and Management · 2022

📖Revisão Narrativa🩸Análise de Segurança⚠️Orientação Clínica

Nível de Evidência

MODERADA
75/ 100
Qualidade
4/5
Amostra
3/5
Replicação
4/5
🎯

OBJETIVO

Revisar o conhecimento atual sobre terapia antitrombótica no contexto do agulhamento seco e estabelecer diretrizes de segurança

👥

QUEM

Pacientes em uso de medicamentos antitrombóticos que necessitam de agulhamento seco

⏱️

DURAÇÃO

Revisão da literatura existente até 2021

📍

PONTOS

Considerações para músculos superficiais e profundos, com cuidado especial próximo a vasos principais

🔬 Desenho do Estudo

0participantes
randomização

Revisão Narrativa

n=0

Análise de literatura sobre segurança do agulhamento seco

⏱️ Duração: Revisão sistemática da literatura

📊 Resultados em Números

0%

Eventos adversos menores em agulhamento seco

0%

Sangramento como evento adverso

<0.04%

Eventos adversos maiores estimados

0%

Risco de hematoma em EMG com anticoagulantes

Destaques Percentuais

19.18%
Eventos adversos menores em agulhamento seco
16%
Sangramento como evento adverso
<0.04%
Eventos adversos maiores estimados
2%
Risco de hematoma em EMG com anticoagulantes

📊 Comparação de Resultados

Incidência de eventos adversos

Agulhamento Seco
19
Acupuntura
39
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostra que o agulhamento seco pode ser realizado com segurança em pacientes que tomam medicamentos para afinar o sangue. Embora possa haver um pequeno aumento no risco de sangramento ou hematomas, os benefícios geralmente superam os riscos quando o procedimento é realizado adequadamente.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Esta revisão narrativa aborda uma questão clínica importante: a segurança do agulhamento seco em pacientes que utilizam medicamentos antitrombóticos. Com o crescente uso do agulhamento seco na prática clínica para tratamento de dor, aumento da amplitude de movimento e melhora da performance, surge a necessidade de orientações claras sobre sua aplicação em pacientes com alterações na coagulação sanguínea. Os autores realizaram uma análise abrangente da literatura existente sobre medicamentos antitrombóticos e sua interação com procedimentos de agulhamento, incluindo comparações com outras técnicas que utilizam agulhas como eletromiografia, acupuntura, injeções de toxina botulínica e biópsias guiadas por ultrassom. Os medicamentos antitrombóticos são classificados em dois grupos principais: agentes antiplaquetários (como aspirina e bloqueadores P2Y12) e anticoagulantes (incluindo antagonistas da vitamina K, anticoagulantes orais diretos e heparinas).

Cada classe apresenta diferentes perfis de risco de sangramento e mecanismos de ação. Fatores como idade, sexo, função renal, interações medicamentosas e alimentares podem influenciar o risco de sangramento. A revisão de estudos com outras técnicas de agulhamento fornece insights valiosos. Em eletromiografia, estudos mostraram baixo risco de hematomas mesmo em pacientes anticoagulados, com incidência menor que 2%.

Na acupuntura, eventos adversos relacionados ao sangramento foram observados em 38,5% dos pacientes em anticoagulantes versus 44,4% no grupo controle, sugerindo que a medicação não aumenta significativamente os riscos. Para injeções de toxina botulínica, INR até 2,6 e agulhas 27G ou menores não apresentaram riscos aumentados. O agulhamento seco apresenta vantagens teóricas em termos de segurança: utiliza agulhas sólidas sem bisel cortante, de menor diâmetro (35G a 28G), e não tem vasos sanguíneos como alvo terapêutico. Os pontos-gatilho, principal alvo do agulhamento seco, localizam-se próximos às placas motoras terminais em músculos e fáscias.

Estudos de segurança mostram que eventos adversos menores ocorrem em 19,18% dos tratamentos, sendo sangramento responsável por 16% destes eventos. Eventos adversos maiores são extremamente raros (<0,04% para 10.000 tratamentos). As recomendações dos autores incluem: avaliação clínica completa antes do procedimento, inspeção da pele para sinais de sangramento excessivo, início com músculos superficiais antes de proceder para músculos mais profundos, aplicação de hemostasia prolongada (10-15 segundos versus 5 segundos em pacientes sem anticoagulação), e uso de ultrassom quando disponível para músculos próximos a vasos principais. Considerações anatômicas são fundamentais, especialmente ao agulhar músculos como pterigóideo lateral (próximo à artéria maxilar), tibial posterior, ou psoas maior.

O estudo conclui que medicamentos antitrombóticos não devem ser considerados contraindicação absoluta para agulhamento seco, desde que riscos específicos sejam adequadamente considerados. A descontinuação de medicamentos antes do procedimento não é recomendada, seguindo orientações similares às da eletromiografia. Esta revisão fornece base científica para orientar a prática clínica segura do agulhamento seco em uma população significativa de pacientes que utilizam anticoagulantes, contribuindo para a expansão responsável desta modalidade terapêutica.

Pontos Fortes

  • 1Revisão abrangente de múltiplas modalidades de agulhamento
  • 2Análise detalhada de diferentes classes de medicamentos antitrombóticos
  • 3Recomendações práticas baseadas em evidências
  • 4Consideração de fatores anatômicos e técnicos específicos
⚠️

Limitações

  • 1Ausência de estudos específicos sobre agulhamento seco e anticoagulantes
  • 2Extrapolação de dados de outras técnicas de agulhamento
  • 3Variabilidade na definição de eventos adversos entre estudos
  • 4Falta de sistema padronizado para relato de eventos adversos

📅 Contexto Histórico

2014Primeiros estudos de segurança em agulhamento seco (Brady et al.)
2015Desenvolvimento de DOACs aprovados pelo FDA
2020Estudos ampliados de eventos adversos (Boyce et al.)
2022Primeira revisão abrangente sobre agulhamento seco e antitrombóticos
Dr. Marcus Yu Bin Pai

Comentário do Especialista

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241

Relevância Clínica

A questão do agulhamento seco em pacientes antitrombóticos é uma das mais frequentes na prática ambulatorial de dor musculoesquelética. Recebo regularmente pacientes com síndrome dolorosa miofascial que utilizam antiagregantes ou anticoagulantes — seja por fibrilação atrial, próteses valvares, doença coronariana ou tromboembolismo prévio — e a dúvida sobre suspender ou contraindicar o procedimento é real. Esta revisão oferece uma estrutura de raciocínio clínico fundamentada: antitrombóticos não constituem contraindicação absoluta, e a conduta de suspender medicação antes do agulhamento seco não encontra respaldo na literatura. O paralelismo com eletromiografia e acupuntura é operacionalmente útil, pois médicos já estão familiarizados com essas referências. A taxa de eventos adversos maiores inferior a 0,04% confirma que o procedimento, conduzido com técnica adequada, é seguro mesmo nessa população.

Achados Notáveis

Dois números merecem atenção especial: eventos adversos menores em 19,18% dos tratamentos com agulhamento seco, sendo sangramento responsável por 16% desses eventos — o que não necessariamente representa risco clínico significativo, mas sim uma frequência esperada de pequeno sangramento local. O dado comparativo da acupuntura é clinicamente elucidativo: 38,5% de eventos hemorrágicos leves em anticoagulados versus 44,4% em controles, ou seja, a medicação não amplificou o risco de forma relevante. A vantagem técnica intrínseca do agulhamento seco — agulhas sólidas sem bisel cortante, calibres entre 28G e 35G, sem alvo vascular — é um argumento fisiopatológico sólido. O destaque para anatomia de risco, como pterigóideo lateral junto à artéria maxilar e psoas maior em região retroperitoneal, oferece critérios objetivos para escalonar cautela conforme o território abordado.

Da Minha Experiência

Na minha prática, nunca adotei a suspensão rotineira de anticoagulantes antes do agulhamento seco superficial, e os resultados têm sido consistentes com o que esta revisão sistematiza. Para musculatura acessível e superficial — trapézio, elevador da escápula, glúteo médio —, sigo a mesma lógica da eletromiografia: procedo normalmente, aplico compressão local por 10 a 15 segundos após a retirada da agulha e oriento o paciente sobre a possibilidade de hematoma discreto. Tenho observado que pacientes em uso de antiagregantes duplos apresentam equimoses um pouco mais evidentes, mas nada que altere o curso terapêutico. Para regiões de maior risco anatômico, costumo utilizar orientação ultrassonográfica — especialmente no psoas e tibial posterior. O perfil que responde melhor são pacientes com síndrome miofascial crônica associada a doenças cardiovasculares, que frequentemente ficam sem opção analgésica adequada por receio infundado do médico assistente. Costumo ver resposta clinicamente perceptível entre a segunda e a quarta sessão, com ciclos de 6 a 8 sessões para a fase aguda.

Doutor em Ciências pela USP. Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

Pain Research and Management · 2022

DOI: 10.1155/2022/1363477

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.