Acupuncture for cancer symptoms: Clinical application and longitudinal impact a retrospective observational real‑world data study
Lasheen et al. · Supportive Care in Cancer · 2026
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Avaliar a efetividade da acupuntura tradicional chinesa para sintomas relacionados ao câncer em ambiente clínico real
QUEM
2.239 pacientes com câncer (83% mulheres, idade media 57 anos, 57% câncer de mama)
DURAÇÃO
Coleta de dados entre 2015-2022, sessões semanais por 4 semanas
PONTOS
Aproximadamente 18 agulhas por sessão, pontos individualizados baseados nos sintomas, incluindo pontos Ashi
🔬 Desenho do Estudo
Grupo Principal
n=2239
Acupuntura tradicional chinesa em grupo
Aderentes
n=1867
≥2 sessões de acupuntura
📊 Resultados em Números
Taxa de adesão (≥2 sessões)
Melhora clínica - ondas de calor na 2ª sessão
Melhora clínica - ansiedade na 2ª sessão
Pacientes com múltiplos sintomas
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Severidade dos sintomas na escala 0-10
Este grande estudo acompanhou mais de 2.000 pessoas com câncer que fizeram acupuntura para tratar sintomas como dor, fadiga, ansiedade e ondas de calor. Os resultados mostraram que a acupuntura ajudou significativamente a reduzir esses sintomas já na segunda sessão, com benefícios que se mantiveram entre as sessões. A maioria das pessoas (83%) voltou para fazer mais sessões, indicando boa aceitação do tratamento.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Acupuntura para Sintomas Oncológicos: Aplicação Clínica e Impacto Longitudinal — Estudo Observacional Retrospectivo com Dados do Mundo Real
Este estudo retrospectivo representa a maior análise de dados do mundo real sobre acupuntura em oncologia já realizada, avaliando 2.239 pacientes consecutivos com câncer que receberam acupuntura tradicional chinesa (ACP) em um ambiente ambulatorial entre 2015 e 2022. O estudo foi conduzido no Departamento de Oncologia de Suporte do Atrium Health Levine Cancer, onde foi estabelecida uma Seção de Medicina Integrativa em 2013 para integrar práticas complementares aos cuidados convencionais do câncer. A população estudada foi predominantemente feminina (83%) com idade media de 57 anos, sendo 57% dos casos relacionados ao câncer de mama. Os sintomas mais comuns incluíam dor (61%), problemas de sono (50%), fadiga (45%), ondas de calor (42%), ansiedade (40%) e neuropatia (40%).
A maioria dos pacientes (68%) apresentava múltiplos sintomas, com severidade basal entre 5-6 na escala numérica de 0-10. A intervenção consistiu em sessões de acupuntura em grupo, acomodando até quatro pacientes simultaneamente em cadeiras reclináveis similares às usadas em quimioterapia. Acupunturistas licenciados com mais de 10 anos de experiência aplicavam aproximadamente 18 agulhas por sessão, com número e profundidade adaptados aos sintomas e resposta prévia do paciente. As sessões duravam 30-45 minutos, com recomendação de uma sessão por semana durante quatro semanas.
Os resultados demonstraram efetividade significativa da ACP para todos os sintomas avaliados. Na segunda sessão, todos os sintomas mostraram melhora estatisticamente significativa, com ansiedade e ondas de calor também apresentando melhora clinicamente significativa (≥1 ponto na escala). Na terceira sessão, todas as melhorias eram tanto estatística quanto clinicamente significativas. As taxas de resposta clínica variaram de 57% para ondas de calor a 42% para dor quando todos os pacientes foram incluídos, e de 70% para ondas de calor a 56% para dor entre aqueles que completaram pelo menos duas sessões.
Um achado importante foi que os benefícios da ACP pareceram se sustentar entre as sessões, sugerindo efeitos duradouros do tratamento. Além disso, observou-se uma relação dose-resposta, onde múltiplas sessões foram necessárias para benefício ótimo, especialmente para sintomas como dor e fadiga. Para sintomas de natureza mais aguda, como ansiedade e ondas de calor, o efeito terapêutico foi mais pronunciado e imediato. A adesão ao tratamento foi alta, com 83% dos pacientes retornando para uma segunda sessão.
Pacientes aderentes tenderam a ser mais velhos e com maior carga sintomática. O estudo revelou disparidades importantes no uso da ACP. Mulheres e pacientes mais jovens utilizaram mais os serviços, enquanto homens e adultos mais velhos tiveram menor utilização, apesar de experimentarem benefícios similares quando participaram do tratamento. Mulheres apresentaram maior carga sintomática (3±2 vs 2±2 sintomas) e sintomas mais severos em várias categorias.
Não foram observadas diferenças significativas nas taxas de resposta clínica entre gêneros ou grupos etários. As implicações clínicas são substanciais. O estudo demonstrou que a integração da ACP em ambientes oncológicos ambulatoriais convencionais é viável e sustentável. O modelo de ACP em grupo mostrou-se eficiente em termos de custos, permitindo maior acesso aos serviços.
A frequência semanal de sessões provou ser tanto aceitável quanto eficaz, contrastando com ensaios clínicos que frequentemente empregam múltiplas sessões por semana. O estudo identificou lacunas significativas na base de evidências atual, incluindo a necessidade de pesquisas sobre disparidades de gênero e idade, benefícios em populações diversas, práticas de prescrição, análises de custo-efetividade e padronização de critérios para diferença clinicamente importante mínima. Os achados apoiam a expansão da cobertura de seguros para serviços de ACP como forma de melhorar o acesso e reduzir disparidades no cuidado de suporte ao câncer.
Pontos Fortes
- 1Maior estudo de mundo real em acupuntura oncológica
- 2Grande amostra consecutiva (n=2.239)
- 3Análise longitudinal de múltiplos sintomas
- 4Modelo sustentável e replicável de cuidado em grupo
- 5Alta taxa de adesão (83%)
Limitações
- 1Estudo retrospectivo sem grupo controle
- 2Potencial viés de seleção por autoreferência
- 3Dados de registro interno não originalmente desenhado para pesquisa
- 4Experiência de um único centro urbano
- 5Variáveis clínicas importantes não capturadas
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Prof. Dr. Hong Jin Pai
Doutor em Ciências pela USP
▸ Relevância Clínica
A integração da acupuntura ao cuidado oncológico de suporte deixou de ser uma aspiração para se tornar uma necessidade clínica documentada. Este trabalho, com 2.239 pacientes consecutivos acompanhados por sete anos, fornece a base empírica mais robusta disponível para sustentar essa prática em ambulatórios de oncologia. O perfil sintomático descrito — dor em 61%, distúrbios do sono em 50%, fadiga em 45%, ondas de calor em 42% e neuropatia em 40% — corresponde exatamente ao que se encontra na prática diária com pacientes em tratamento ativo ou sobreviventes de câncer, especialmente de mama. A alta taxa de adesão de 83% traduz aceitabilidade real em contexto não experimental. O modelo de atendimento em grupo, com até quatro pacientes simultâneos em cadeiras reclináveis, oferece uma solução logística e economicamente viável para serviços com demanda crescente. Populações antes sub-representadas em ensaios clínicos — como homens e pacientes mais velhos — demonstraram benefício equivalente quando efetivamente tratados, o que reforça a indicação ampla.
▸ Achados Notáveis
A velocidade de resposta documentada é clinicamente relevante: já na segunda sessão, ansiedade e ondas de calor atingiram limiar de melhora clinicamente significativa, definida como redução de pelo menos um ponto na escala numérica. Na terceira sessão, todos os sintomas avaliados ultrapassaram esse limiar. Essa gradação temporal — resposta mais precoce para ansiedade e ondas de calor, mais tardia para dor e fadiga — sugere mecanismos distintos subjacentes e orienta o médico sobre expectativas realistas por tipo de sintoma. Igualmente relevante é a evidência de efeitos interssessões sustentados, indicando que os benefícios não se esgotam na sala de tratamento. A identificação de uma relação dose-resposta, com ganhos incrementais ao longo das sessões, corrobora a prática de oferecer ciclos completos em vez de sessões isoladas. As disparidades de acesso — menor utilização por homens e idosos apesar de benefício equivalente — sinalizam uma lacuna que os serviços médicos devem endereçar ativamente.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no Grupo de Acupuntura do Centro de Dor do HC-FMUSP, o padrão que este estudo descreve ressoa com décadas de observação clínica. Para ondas de calor induzidas por hormonioterapia em pacientes com câncer de mama, costumo ver resposta consistente entre a segunda e a terceira sessão — exatamente como os dados aqui apresentados sugerem. Para dor neuropática e fadiga oncológica, a resposta é mais gradual; habitualmente, trabalho com ciclos de oito a doze sessões antes de reavaliar o plano terapêutico. Tenho observado que pacientes com maior carga sintomática basal, paradoxalmente, tendem a aderir melhor ao tratamento quando percebem melhora precoce em ao menos um sintoma prioritário — o que justifica mapear o sintoma mais responsivo logo nas primeiras sessões para consolidar o vínculo terapêutico. A combinação com atividade física supervisionada e suporte psico-oncológico potencializa os resultados, especialmente para fadiga e ansiedade. Não indico acupuntura em regiões com linfedema ativo ou plaquetopenia severa. O modelo em grupo descrito aqui é algo que também adotamos em contextos de alta demanda, com resultados de adesão comparáveis aos reportados.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Supportive Care in Cancer · 2026
DOI: 10.1007/s00520-026-10372-z
Acessar Artigo OriginalRevisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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