Laser acupuncture and photobiomodulation therapy in Bell's palsy with a duration of greater than 8 weeks: a randomized controlled trial
Wu et al. · Lasers in Medical Science · 2024
Nível de Evidência
FORTEOBJETIVO
Avaliar a eficácia da acupuntura a laser em pacientes com paralisia facial de Bell com mais de 8 semanas de duração
QUEM
84 adultos (18-60 anos) com paralisia facial de Bell por mais de 8 semanas
DURAÇÃO
72 sessões de tratamento ao longo de 6 meses
PONTOS
ST2, ST4, ST6, GB14, GB20, LI4, LI11, ST25, ST36, SP6, KI3, LR3
🔬 Desenho do Estudo
Acupuntura a laser
n=42
Laser classe IV (808nm + 905nm) em pontos de acupuntura
Controle
n=42
Dispositivo igual com parâmetros ineficazes
📊 Resultados em Números
Melhora na escala House-Brackmann
Aumento na escala Sunnybrook
Redução anormalidades ENoG - músc. orbicular olho
Melhora reflexo piscamento R1
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Escala Sunnybrook (0-100)
Este estudo mostra que a acupuntura a laser pode ser uma opção eficaz para pessoas com paralisia facial de Bell que não melhoraram após 8 semanas. O tratamento ajudou significativamente na recuperação dos movimentos faciais, oferecendo esperança para casos mais crônicos onde outros tratamentos podem ter limitações.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
A paralisia facial de Bell é uma condição que causa fraqueza ou paralisia dos músculos faciais, geralmente de início súbito, podendo resultar de infecções virais, doenças autoimunes, diabetes ou fatores emocionais. Embora a maioria dos pacientes se recupere naturalmente, alguns apresentam recuperação incompleta, especialmente após 8 semanas do início dos sintomas. Este estudo randomizado controlado investigou se a acupuntura a laser combinada com terapia de fotobiomodulação poderia melhorar os sintomas em pacientes com paralisia de Bell de longa duração. O estudo foi conduzido entre maio de 2021 e abril de 2023 no Hospital Tongren de Pequim, incluindo 84 adultos com idades entre 18 e 60 anos que apresentavam paralisia facial por mais de 8 semanas.
Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos: o grupo experimental recebeu 72 sessões de acupuntura a laser (3 vezes por semana) usando um laser classe IV com duas fontes sincronizadas (905 nm pulsado com 75W de potência de pico e 808 nm contínuo com 1W), enquanto o grupo controle recebeu o mesmo procedimento mas com parâmetros de laser considerados ineficazes. O protocolo de tratamento incluiu 5 pontos de acupuntura no lado afetado da face (ST2, ST4, ST6, GB14, GB20) e 7 pontos aplicados bilateralmente em membros e tronco (LI4, LI11, ST25, ST36, SP6, KI3, LR3). Cada ponto foi estimulado por 1 minuto, totalizando 19 pontos por sessão. A eficácia foi medida através de escalas clínicas e testes eletrofisiológicos objetivos.
A escala House-Brackmann foi usada para avaliar a função motora facial geral, enquanto a escala Sunnybrook forneceu uma avaliação mais detalhada dos movimentos faciais. Os testes eletrofisiológicos incluíram eletroneurografia (ENoG) para medir potenciais de ação dos músculos faciais, eletromiografia (EMG) para analisar a atividade elétrica muscular, e teste do reflexo piscamento para avaliar a função do nervo facial. Os resultados mostraram melhorias significativas no grupo que recebeu acupuntura a laser. Na escala House-Brackmann, 89% dos pacientes do grupo laser apresentaram melhora significativa comparado a apenas 24% do grupo controle.
A escala Sunnybrook mostrou uma diferença média de 20,26 pontos a favor do grupo laser. Os testes eletrofisiológicos confirmaram essas melhorias clínicas: a eletroneurografia mostrou redução significativa nas anormalidades em todos os músculos testados (orbicular do olho, frontal, orbicular da boca e músculo nasal), com odds ratios variando de 0,06 a 0,14, indicando uma probabilidade muito menor de anormalidades no grupo laser. A eletromiografia demonstrou melhorias na amplitude e duração dos potenciais de ação das unidades motoras em todos os músculos avaliados. O teste do reflexo piscamento também mostrou melhorias significativas, com redução nas anormalidades dos componentes R1 e R2 do reflexo.
As implicações clínicas são importantes, pois este estudo oferece evidências de que a acupuntura a laser pode ser uma opção terapêutica viável para pacientes com paralisia de Bell crônica, uma população para a qual existem poucas opções de tratamento eficazes. A terapia de fotobiomodulação, sendo não invasiva e com poucos efeitos adversos conhecidos, representa uma alternativa segura aos tratamentos farmacológicos. O mecanismo proposto envolve efeitos anti-inflamatórios e de regeneração neural promovidos pela estimulação a laser. No entanto, o estudo apresenta algumas limitações.
Foi conduzido em um único centro, o que pode limitar a generalização dos resultados. O período de acompanhamento foi limitado ao final do tratamento, não permitindo avaliar a durabilidade dos benefícios a longo prazo. Além disso, o estudo excluiu paralisia facial de origem traumática ou iatrogênica, limitando sua aplicabilidade a outras causas de paralisia facial. A seleção dos pontos de acupuntura baseou-se na experiência clínica e medicina tradicional chinesa, mas o mecanismo exato de como a estimulação de pontos distantes na face afeta a função do nervo facial ainda não está completamente elucidado e requer mais pesquisas interdisciplinares.
Pontos Fortes
- 1Design randomizado controlado com cegamento adequado
- 2Uso de medidas objetivas eletrofisiológicas além de escalas clínicas
- 3Tamanho de amostra adequado para detectar diferenças clinicamente relevantes
- 4Protocolo de tratamento bem definido e reproduzível
Limitações
- 1Estudo monocêntrico limitando generalização
- 2Acompanhamento apenas até o final do tratamento
- 3Exclusão de paralisia facial de outras etiologias
- 4Mecanismo de ação dos pontos distantes não totalmente elucidado
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241
▸ Relevância Clínica
A paralisia de Bell com evolução superior a 8 semanas configura um cenário clínico frustrante: a janela dos corticosteroides já se fechou, a maioria dos protocolos de reabilitação convencional produz ganhos modestos, e o paciente frequentemente chega ao ambulatório de dor e reabilitação carregando sequelas funcionais e impacto psicossocial considerável. Este ensaio posiciona a acupuntura a laser classe IV como intervenção ativa nessa fase crônica, com diferença de eficácia de 89% versus 24% na escala House-Brackmann — uma magnitude difícil de ignorar clinicamente. O protocolo de 72 sessões, três vezes por semana ao longo de seis meses, é exigente, mas factível em serviços de reabilitação estruturados. Pacientes entre 18 e 60 anos com paralisia estabelecida, sem recuperação espontânea plena e sem contraindicação ao laser, constituem a população-alvo imediata. A não invasividade da técnica amplia o espectro de elegibilidade, incluindo aqueles que recusam agulhamento convencional.
▸ Achados Notáveis
O que distingue este trabalho da literatura habitual em acupuntura é o uso sistemático de desfechos eletrofisiológicos objetivos — eletroneurografia, eletromiografia e reflexo piscamento — ao lado das escalas clínicas. A redução de anormalidades no ENoG do músculo orbicular do olho com odds ratio de 0,08, e a melhora no componente R1 do reflexo piscamento com OR de 0,03, traduzem recuperação axonal mensurável, não apenas percepção subjetiva de melhora. O ganho de 20,26 pontos na escala Sunnybrook é clinicamente expressivo considerando que essa população já ultrapassou a fase de recuperação espontânea esperada. Chama atenção também a inclusão de pontos distantes — LI4, ST36, SP6, entre outros — cujos efeitos sistêmicos anti-inflamatórios e de modulação neuroimune podem contribuir para o mecanismo de regeneração do nervo facial, hipótese que a neurofisiologia contemporânea começa a sustentar.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática com paralisia de Bell em fase crônica, o desafio central é manter engajamento terapêutico quando o paciente já perdeu a expectativa de recuperação. Tenho associado acupuntura convencional à estimulação elétrica intramuscular e exercícios de reeducação neuromuscular facial, com resposta perceptível geralmente entre a quarta e sexta semana de tratamento consistente. O protocolo descrito neste artigo — laser classe IV em pontos faciais e sistêmicos — dialoga bem com essa abordagem multimodal: incorporo fotobiomodulação como complemento ao agulhamento nos casos em que há alodinia cutânea facial ou quando o paciente resiste à agulha, o que não é incomum nessa topografia. O perfil que melhor responde, na minha observação, é o paciente com menos de dois anos de evolução, sem sincinesia consolidada grave e com algum potencial remanescente ao EMG. Casos com fibrose muscular avançada e ausência total de recrutamento voluntário têm prognóstico mais reservado, independentemente da técnica empregada.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Lasers in Medical Science · 2024
DOI: 10.1007/s10103-023-03970-4
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Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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