Acupuncture and dry needling for physical therapy of scar: a systematic review
Chmielewska et al. · BMC Complementary Medicine and Therapies · 2024
OBJETIVO
Avaliar a eficácia da acupuntura e agulhamento seco no tratamento de cicatrizes
QUEM
Pessoas com cicatrizes pós-cirúrgicas, queloides ou cicatrizes hipertróficas
DURAÇÃO
Variou de 1 sessão a 40 sessões, com seguimento até 6 meses
PONTOS
Técnicas locais nas bordas e ao redor da cicatriz ('cercando o dragão')
🔬 Desenho do Estudo
2 ensaios clínicos
n=150
acupuntura local vs controle
8 relatos de caso
n=10
acupuntura ou agulhamento seco
1 série de casos
n=11
agulhamento seco + terapias manuais
📊 Resultados em Números
Melhora da dor em 9/10 estudos
Qualidade metodológica baixa-moderada
Apenas 2 ensaios clínicos randomizados
Escalas de avaliação heterogêneas
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Qualidade dos estudos (escala JBI)
Esta revisão analisou se acupuntura e agulhamento seco podem ajudar no tratamento de cicatrizes dolorosas ou problemáticas. Embora a maioria dos estudos tenha mostrado alguma melhora da dor, a evidência ainda é limitada devido ao pequeno número de pesquisas de alta qualidade. São necessários mais estudos para confirmar a eficácia.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Esta revisão sistemática investigou a eficácia da acupuntura e agulhamento seco no tratamento de cicatrizes, um tópico de crescente interesse na fisioterapia. As cicatrizes podem causar dor, limitação funcional e alterações estéticas significativas, especialmente quando não cicatrizam adequadamente, desenvolvendo-se em cicatrizes hipertróficas ou queloides. O agulhamento seco, definido pela medicina ocidental como um tipo de acupuntura, utiliza agulhas filiformes para estimular tecidos moles, incluindo tecido cicatricial. Os autores conduziram uma busca abrangente em múltiplas bases de dados (MEDLINE, EMBASE, Web of Science) desde o início até outubro de 2023, seguindo as diretrizes PRISMA.
Foram incluídos estudos que investigaram a eficácia da acupuntura ou agulhamento seco aplicados localmente em cicatrizes. A busca resultou em 11 estudos elegíveis: dois ensaios clínicos randomizados, oito relatos de caso e uma série de casos, totalizando 161 participantes. Os estudos abordaram diferentes tipos de cicatrizes, incluindo pós-cirúrgicas, queloides, cicatrizes hipertróficas e de queimaduras. A qualidade metodológica foi avaliada usando escalas apropriadas (PEDro para ensaios clínicos, JBI para relatos de caso).
A maioria dos relatos de caso apresentou qualidade baixa a moderada, com apenas um estudo alcançando pontuação máxima. Os ensaios clínicos foram classificados como de qualidade boa a regular. As intervenções variaram significativamente em frequência de tratamento, duração, número de sessões, locais de inserção das agulhas e técnicas de manipulação. Agulhas foram inseridas ao redor das cicatrizes usando técnicas como 'cercando o dragão', com diâmetros variando de 0,15 a 0,30 mm e comprimentos de 5 a 60 mm.
O tempo de retenção das agulhas variou de 2 minutos a 24 horas. Nove dos dez estudos relataram redução da dor relacionada à cicatriz, medida por diferentes escalas (VAS, NRS, Likert). Características das cicatrizes foram avaliadas usando Vancouver Scar Scale (VSS) e Patient and Observer Scar Assessment Scale (POSAS). Entretanto, muitos estudos combinaram acupuntura com outras modalidades terapêuticas, como ultrassom, massagem ou medicamentos, limitando a interpretação dos efeitos específicos da acupuntura.
A heterogeneidade significativa entre os estudos impediu a realização de meta-análise. As limitações incluem a escassez de ensaios clínicos randomizados, qualidade metodológica variável dos relatos de caso, protocolos de tratamento não padronizados e combinação frequente com outras terapias. Além disso, a idade das cicatrizes variou amplamente (de 5 semanas a 8 anos), dificultando conclusões sobre o momento ideal para intervenção. Os autores concluem que, embora a maioria dos estudos sugira benefícios da acupuntura e agulhamento seco para dor e sintomas relacionados à cicatriz, a evidência atual não permite conclusões definitivas sobre a eficácia.
São necessários ensaios clínicos multicêntricos, randomizados e controlados com protocolos padronizados, amostras maiores e medidas de desfecho uniformes para estabelecer a eficácia real dessas intervenções no tratamento de cicatrizes.
Pontos Fortes
- 1Busca abrangente em múltiplas bases de dados
- 2Seguimento das diretrizes PRISMA
- 3Avaliação sistemática da qualidade metodológica
- 4Análise detalhada dos protocolos de tratamento
Limitações
- 1Poucos ensaios clínicos randomizados
- 2Qualidade baixa-moderada dos relatos de caso
- 3Protocolos de tratamento heterogêneos
- 4Impossibilidade de meta-análise
- 5Combinação frequente com outras terapias
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65223, 65224
▸ Relevância Clínica
Cicatrizes disfuncionais são um problema rotineiro em serviços de reabilitação e dor: pacientes pós-mastectomia, pós-cesariana, pós-queimadura ou com queloides frequentemente chegam ao consultório com queixas de dor, alodinia, prurido e restrição funcional que o manejo convencional não resolve satisfatoriamente. Esta revisão sistemática posiciona o agulhamento seco e a acupuntura local como alternativas concretas dentro do arsenal terapêutico multimodal para essas populações. A técnica 'cercando o dragão', com inserções ao redor do tecido cicatricial, pode ser incorporada ao protocolo ambulatorial sem necessidade de equipamentos adicionais, o que amplia o acesso ao tratamento. Pacientes com cicatrizes pós-cirúrgicas hipertróficas, queloides ou sequelas de queimaduras representam os subgrupos com maior potencial de benefício descrito nos estudos incluídos, especialmente quando há componente álgico localizado e resposta insatisfatória a outras modalidades.
▸ Achados Notáveis
O dado mais expressivo desta revisão é que nove dos dez estudos relataram redução da dor associada à cicatriz — uma convergência de 90% em uma amostra heterogênea de desenhos e tipos de lesão que merece atenção clínica, mesmo diante da diversidade metodológica. A amplitude dos protocolos é, ela própria, informativa: agulhas com diâmetros entre 0,15 e 0,30 mm, comprimentos de 5 a 60 mm e tempo de retenção variando de 2 minutos a 24 horas demonstram que o tecido cicatricial responde à estimulação mecânica local em configurações muito distintas, sugerindo robustez do efeito neuromecânico. A coexistência de cicatrizes com idades entre 5 semanas e 8 anos nos estudos incluídos indica que a janela terapêutica para essa intervenção pode ser significativamente mais ampla do que se supunha, alcançando inclusive cicatrizes cronificadas.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no setor de reabilitação, tenho incorporado o agulhamento seco em cicatrizes há vários anos, e o padrão de resposta que observo é bastante consistente com o que esta revisão documenta. Costumo ver as primeiras mudanças perceptíveis — redução da alodinia local e aumento da mobilidade tecidual — entre a terceira e quinta sessão, especialmente em cicatrizes pós-cirúrgicas com menos de dois anos. Para cicatrizes mais antigas, a resposta tende a ser mais gradual e geralmente associo o agulhamento com ultrassom terapêutico e mobilização manual do tecido, o que parece potencializar o efeito de remodelamento. Em média, trabalho com ciclos de oito a doze sessões antes de reavaliar o desfecho funcional. O perfil de paciente que responde melhor, na minha experiência, é aquele com dor localizada clara, sensibilização periférica evidente ao toque e que já completou a fase aguda de cicatrização. Evito indicar o procedimento em queloides muito ativos e em pacientes com distúrbios de coagulação não controlados.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
BMC Complementary Medicine and Therapies · 2024
DOI: 10.1186/s12906-023-04301-4
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Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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