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Acupuncture for inpatients with ischemic stroke in Southern Taiwan: real-world data

Zheng et al. · BMC Complementary Medicine and Therapies · 2026

📊Estudo de Coorte Retrospectivo👥n=1.455 participantes🌟Alto impacto clínico

Nível de Evidência

MODERADA
75/ 100
Qualidade
4/5
Amostra
5/5
Replicação
3/5
🎯

OBJETIVO

Investigar o uso e resultados da acupuntura em pacientes internados com AVC isquêmico

👥

QUEM

Pacientes adultos hospitalizados com AVC isquêmico recém-diagnosticado

⏱️

DURAÇÃO

4 anos de coleta (2017-2020) com 12 meses de seguimento

📍

PONTOS

Pontos de acupuntura não especificados no estudo

🔬 Desenho do Estudo

1455participantes
randomização

Grupo Acupuntura

n=348

Acupuntura durante internação + cuidados convencionais

Grupo Controle

n=1107

Apenas cuidados convencionais

⏱️ Duração: 12 meses de acompanhamento após alta hospitalar

📊 Resultados em Números

23,9%

Uso de acupuntura entre internados

0%

Redução mortalidade 12 meses

0,45 (IC95%: 0,22-0,93)

Hazard ratio mortalidade

94,5% vs 63,8%

Pacientes receberam reabilitação

Destaques Percentuais

23,9%
Uso de acupuntura entre internados
55%
Redução mortalidade 12 meses
94,5% vs 63,8%
Pacientes receberam reabilitação

📊 Comparação de Resultados

Taxa de Mortalidade em 12 meses (%)

Acupuntura
2.9
Controle
5.7
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostra que pacientes com AVC que receberam acupuntura durante a internação tiveram menor risco de morte no primeiro ano após o AVC. A acupuntura parece segura e benéfica mesmo para pacientes mais graves, podendo ser considerada como terapia complementar durante a recuperação do AVC.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Acupuntura para Pacientes Internados com AVC Isquêmico no Sul de Taiwan: Dados do Mundo Real

Este estudo retrospectivo de coorte analisou dados reais do uso de acupuntura em pacientes internados com AVC isquêmico em Taiwan, fornecendo evidências importantes sobre a eficácia desta terapia complementar na fase aguda do AVC. A pesquisa foi conduzida no Hospital Geral de Veteranos de Kaohsiung entre 2017 e 2020, incluindo 1.455 pacientes com diagnóstico recente de AVC isquêmico. A metodologia envolveu análise retrospectiva de prontuários médicos, comparando pacientes que receberam acupuntura durante a internação com aqueles que receberam apenas cuidados convencionais. O desfecho primário foi mortalidade em 12 meses, analisado através de modelos de regressão de Cox para ajustar variáveis confundidoras como idade, sexo, comorbidades e tratamentos recebidos.

Os resultados revelaram que 23,9% dos pacientes internados receberam acupuntura, uma proporção relativamente alta comparada a estudos anteriores. Interessantemente, o grupo que recebeu acupuntura apresentava maior gravidade inicial, com 84,5% dos pacientes tendo escores de Rankin modificado entre 3-6, comparado a 65,8% no grupo controle. Apesar da maior gravidade, o grupo acupuntura mostrou resultados superiores de sobrevivência. A análise multivariada demonstrou que pacientes tratados com acupuntura tiveram hazard ratio ajustado de 0,45 para mortalidade em 12 meses, representando redução de 55% no risco de morte.

Esta redução foi estatisticamente significativa mesmo após ajustes para idade, gravidade do AVC, comorbidades e outros tratamentos. O grupo acupuntura também apresentou maior utilização de terapias avançadas como trombólise, trombectomia endovascular e reabilitação, sugerindo abordagem mais integrada no cuidado. Os mecanismos propostos para os benefícios da acupuntura incluem redução de complicações como pneumonia, infecções urinárias e eventos cardiovasculares recorrentes, que são principais causas de morte pós-AVC. A acupuntura pode também melhorar a função neurológica e capacidade física, contribuindo para melhor prognóstico geral.

O estudo sugere que a integração precoce da acupuntura aos cuidados convencionais durante a internação pode otimizar resultados, especialmente considerando que o período ótimo para intervenção acupuntural é dentro de 24-48 horas após o AVC. As implicações clínicas são significativas, apoiando políticas de saúde que promovam integração entre medicina tradicional chinesa e medicina ocidental no tratamento hospitalar do AVC. Taiwan representa modelo único com cobertura do sistema de saúde nacional para acupuntura, permitindo essa análise de dados reais. O estudo possui limitações importantes, incluindo desenho observacional que não permite estabelecer causalidade definitiva, condução em centro único limitando generalização, e impossibilidade de avaliar frequência ideal ou número total de sessões de acupuntura devido a fatores confundidores múltiplos.

Pontos Fortes

  • 1Grande amostra de dados reais de sistema de saúde
  • 2Seguimento de longo prazo (12 meses)
  • 3Análise estatística robusta com ajustes multivariados
  • 4Primeiro estudo focado especificamente em acupuntura para internados com AVC
⚠️

Limitações

  • 1Desenho observacional retrospectivo
  • 2Estudo de centro único limitando generalização
  • 3Impossibilidade de avaliar dose-resposta da acupuntura
  • 4Não avaliou tratamentos de MTC pós-alta

📅 Contexto Histórico

2000Primeiros estudos sobre acupuntura pós-AVC em Taiwan
2008Taiwan inclui acupuntura na cobertura nacional para AVC
2015Estudos mostram redução de complicações com acupuntura
2020Evidências crescentes de benefícios neurológicos
2026Este estudo demonstra redução de mortalidade com acupuntura hospitalar
Dr. Marcus Yu Bin Pai

Comentário do Especialista

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241

Relevância Clínica

O AVC isquêmico continua sendo uma das principais causas de mortalidade e incapacidade no Brasil, e a janela de reabilitação precoce é determinante no prognóstico. Este trabalho de coorte com 1.455 pacientes em Taiwan traz dados do mundo real sobre a integração da acupuntura na fase de internação, exatamente o período em que a neuroplasticidade está mais acessível. A redução de 55% na mortalidade em 12 meses — com HR ajustado de 0,45 — é um número que exige atenção de qualquer serviço de neurorreabilitação, especialmente porque o grupo acupuntura apresentava gravidade inicial maior: 84,5% dos pacientes com Rankin modificado 3–6 contra 65,8% no controle. Para o fisiatra que atua em unidades de AVC, o artigo fortalece o argumento para protocolar acupuntura nas primeiras 24–48 horas de internação como componente da reabilitação multimodal, ao lado de fisioterapia motora e fonoaudiologia, sobretudo nos pacientes com déficit funcional moderado a grave.

Achados Notáveis

O dado mais robusto aqui é o HR ajustado de 0,45 para mortalidade em 12 meses, estatisticamente significativo mesmo após controle de idade, gravidade neurológica e comorbidades — o que torna o achado metodologicamente sustentável dentro das limitações de um estudo observacional. Chama atenção também a diferença expressiva na taxa de reabilitação entre os grupos: 94,5% no grupo acupuntura contra 63,8% no controle, sugerindo que a integração da acupuntura reflete — e provavelmente catalisa — uma postura assistencial mais proativa e multidisciplinar. Os mecanismos plausíveis aventados pelos autores envolvem redução de complicações sistêmicas pós-AVC como pneumonia aspirativa e infecção urinária, que são causas frequentes de morte hospitalar tardia e readmissão. Que um grupo com maior gravidade inicial tenha apresentado melhor sobrevida não é trivial e merece ser levado a sério em qualquer discussão sobre risco-benefício da intervenção.

Da Minha Experiência

Na minha prática em reabilitação de AVC, a acupuntura entrou no protocolo há anos como ferramenta adjuvante, especialmente no manejo da espasticidade, da dor neuropática e da facilitação motora precoce. Costumo ver respostas funcionais mensuráveis a partir da terceira ou quarta sessão, em geral dentro da primeira semana de internação, e mantenho acupuntura semanalmente ao longo das primeiras oito a doze semanas pós-alta. O perfil de paciente que responde melhor, em minha experiência, é aquele com déficit motor moderado, ainda em janela de neuroplasticidade ativa, sem contraindicação para agulhamento — como uso de anticoagulantes plenos, que exigem cautela nos pontos de maior profundidade. O dado taiwanês sobre início em 24–48 horas é consistente com o que observamos: quanto mais precoce a estimulação sensório-motora, maior a janela de recrutamento cortical. Combino habitualmente com estimulação elétrica funcional e treino de marcha assistido, e a tolerância à acupuntura nessa fase aguda tem sido surpreendentemente boa mesmo nos pacientes mais graves.

Doutor em Ciências pela USP. Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

BMC Complementary Medicine and Therapies · 2026

DOI: 10.1186/s12906-025-05239-5

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.

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