Acupuncture vs. sham acupuncture for cancer-related fatigue in patients with breast cancer: a double-center, randomized, single-blind pilot study
Huang et al. · BMC Complementary Medicine and Therapies · 2026
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Avaliar a eficácia da acupuntura versus acupuntura simulada para fadiga relacionada ao câncer em pacientes com câncer de mama
QUEM
64 mulheres com câncer de mama e fadiga relacionada ao câncer, pontuação BFI ≥ 4
DURAÇÃO
6 semanas de tratamento com 4 semanas de seguimento
PONTOS
CV12, CV4, CV6, LI4 (bilateral), KI3 (bilateral), ST36 (bilateral), SP6 (bilateral)
🔬 Desenho do Estudo
Acupuntura Verdadeira
n=32
Agulhamento com deqi em pontos específicos
Acupuntura Simulada
n=32
Agulhas cegas sem penetração da pele
📊 Resultados em Números
Redução da fadiga (BFI) na semana 10
Redução da fadiga (FS-14) na semana 10
Redução da ansiedade (HADS-A) na semana 10
Redução da depressão (HADS-D) na semana 10
Eventos adversos leves
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Fadiga (BFI) na semana 10
Ansiedade (HADS-A) na semana 10
Este estudo demonstrou que a acupuntura verdadeira foi mais eficaz que a acupuntura simulada para reduzir a fadiga relacionada ao câncer em mulheres com câncer de mama. Os benefícios se tornaram mais evidentes com o tempo, especialmente após o término do tratamento, sugerindo efeitos duradouros da acupuntura.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Acupuntura versus Acupuntura Simulada para Fadiga Relacionada ao Câncer em Pacientes com Câncer de Mama: Estudo Piloto Randomizado Simples-Cego Bicêntrico
Este estudo piloto duplo-centro, randomizado e simples-cego investigou a eficácia da acupuntura no tratamento da fadiga relacionada ao câncer em pacientes com câncer de mama. A fadiga relacionada ao câncer é um sintoma debilitante que afeta até 90% das pacientes com câncer de mama, persistindo mesmo após o término do tratamento e impactando significativamente a qualidade de vida.
O estudo incluiu 64 mulheres com câncer de mama e fadiga relacionada ao câncer (pontuação BFI ≥ 4), randomizadas em dois grupos: acupuntura verdadeira (n=32) e acupuntura simulada (n=32). O protocolo de acupuntura foi baseado nos princípios da Medicina Tradicional Chinesa para deficiência de Qi e Sangue, utilizando pontos específicos: CV12 (Zhongwan), CV4 (Guanyuan), CV6 (Qihai), LI4 (Hegu) bilateral, KI3 (Taixi) bilateral, ST36 (Zusanli) bilateral e SP6 (Sanyinjiao) bilateral.
O grupo de acupuntura verdadeira recebeu agulhamento tradicional com obtenção do deqi (sensação de chegada da agulha), enquanto o grupo simulado utilizou agulhas cegas que não penetravam a pele, aplicadas nos mesmos pontos. Ambos os grupos receberam 20 sessões ao longo de 6 semanas: 4 sessões por semana nas primeiras 3 semanas e 8 sessões nas últimas 3 semanas, cada sessão durando 30 minutos.
Os resultados foram avaliados através do Inventário Breve de Fadiga (BFI), Escala de Fadiga-14 (FS-14) e Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HADS), medidos no início, semana 6, 8 e 10. O estudo revelou um padrão interessante: embora ambos os grupos mostrassem melhorias similares na semana 6, o grupo de acupuntura verdadeira demonstrou benefícios progressivamente maiores nas semanas 8 e 10.
Na semana 10, o grupo de acupuntura mostrou reduções significativamente maiores na fadiga (BFI: diferença de -1.28 pontos, p=0.011; FS-14: diferença de -1.81 pontos, p=0.003) e nos sintomas psicológicos (ansiedade: diferença de -2.06 pontos, p=0.006; depressão: diferença de -1.81 pontos, p=0.003) em comparação com o grupo simulado.
A segurança do tratamento foi excelente, com apenas 9.4% dos pacientes no grupo de acupuntura experimentando eventos adversos leves (equimose subcutânea localizada), que se resolveram espontaneamente em poucos dias. A adesão ao tratamento foi de 100% em ambos os grupos, demonstrando a aceitabilidade da intervenção.
Os mecanismos propostos para a eficácia da acupuntura incluem a modulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, regulação de citocinas inflamatórias, e melhora do metabolismo energético mitocondrial. O protocolo de pontos foi especificamente desenhado para fortalecer o Baço e Estômago (ST36, CV12), tonificar o Qi do Rim (CV4, KI3), e regular o estresse emocional (LI4, SP6).
As limitações do estudo incluem o tamanho amostral relativamente pequeno como estudo piloto, a dependência de medidas autorreportadas, e a impossibilidade de cegar completamente os acupunturistas. Estudos futuros devem incluir amostras maiores, marcadores objetivos (como indicadores inflamatórios), e comparações com cuidados usuais.
Este estudo fornece evidências preliminares promissoras de que a acupuntura pode ser uma opção não-farmacológica eficaz e segura para o manejo da fadiga relacionada ao câncer, com efeitos que se amplificam com o tempo, sugerindo benefícios cumulativos e duradouros além dos efeitos placebo.
Pontos Fortes
- 1Desenho controlado com acupuntura simulada rigorosa nos mesmos pontos
- 2Protocolo de acupuntura padronizado baseado em diretrizes
- 3Seguimento longitudinal mostrando efeitos duradouros
- 4Excelente adesão ao tratamento e baixos eventos adversos
- 5Avaliação de múltiplos desfechos incluindo fadiga e saúde mental
Limitações
- 1Tamanho amostral pequeno como estudo piloto
- 2Dependência de medidas autorreportadas sem biomarcadores objetivos
- 3Ausência de grupo controle sem acupuntura
- 4Impossibilidade de cegamento completo dos acupunturistas
- 5Falta de registro detalhado de comorbidades e medicações concomitantes
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Prof. Dr. Hong Jin Pai
Doutor em Ciências pela USP
▸ Relevância Clínica
A fadiga relacionada ao câncer representa um dos sintomas mais refratários que enfrentamos no suporte oncológico — afetando até 90% das pacientes com câncer de mama e frequentemente persistindo muito além do término do tratamento convencional. O arsenal farmacológico disponível permanece limitado e carregado de efeitos adversos adicionais, o que coloca a acupuntura numa posição estratégica dentro do plano de cuidado integrado. O padrão temporal dos resultados deste trabalho é clinicamente relevante: a divergência entre acupuntura verdadeira e simulada tornou-se evidente apenas nas semanas 8 e 10, ou seja, após o encerramento das sessões. Isso orienta diretamente a conduta — pacientes e equipes precisam ser preparados para uma janela de latência antes de avaliar eficácia definitiva. Além disso, os efeitos sobre ansiedade e depressão reforçam a acupuntura como abordagem capaz de impactar simultaneamente múltiplos domínios do sofrimento oncológico.
▸ Achados Notáveis
O achado mais digno de nota não é a magnitude das diferenças em si, mas o momento em que elas emergem. Ambos os grupos melhoraram de forma comparável ao final das seis semanas de tratamento; a separação real entre acupuntura verdadeira e simulada só se consolidou no seguimento pós-intervenção — semanas 8 e 10 — com diferenças estatisticamente significativas em fadiga pelo BFI (−1,28 pontos, p=0,011), FS-14 (−1,81 pontos, p=0,003), ansiedade (−2,06 pontos, p=0,006) e depressão (−1,81 pontos, p=0,003). Esse padrão é consistente com mecanismos neurobiológicos de ação prolongada — modulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, regulação de citocinas inflamatórias e melhora do metabolismo mitocondrial — que não se extinguem com o término das sessões. O protocolo baseado em fortalecimento de Baço-Estômago e tonificação do Qi do Rim (ST36, CV4, KI3, SP6) produziu efeito cumulativo distinto do placebo de agulha, com apenas 9,4% de eventos adversos leves e adesão de 100%.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no Centro de Dor do HC-FMUSP, temos acompanhado pacientes oncológicas com fadiga há muitos anos, e o padrão descrito neste artigo ressoa fortemente com o que observamos rotineiramente: as primeiras quatro a seis sessões costumam produzir melhora modesta do sono e da disposição geral, mas é habitualmente a partir da oitava sessão que as pacientes relatam diferença funcional perceptível — maior tolerância ao esforço físico, redução da irritabilidade e melhora do humor. Costumo trabalhar com ciclos de 12 a 20 sessões na fase ativa, seguidos de manutenção quinzenal por dois a três meses. O perfil de paciente que responde melhor, em minha experiência, é aquele com fadiga predominantemente de padrão deficiência — hipossomnia, fraqueza de membros inferiores, anorexia — justamente o padrão de Qi e Sangue deficientes que este protocolo aborda. Associo quase sempre orientação de atividade física gradual e, quando há componente emocional proeminente, mantenho acompanhamento psiquiátrico paralelo. Não indico acupuntura como monoterapia em pacientes com fadiga de origem anêmica severa sem correção hematológica prévia — a acupuntura potencializa, mas não substitui o tratamento da causa.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
BMC Complementary Medicine and Therapies · 2026
DOI: 10.1186/s12906-026-05341-2
Acessar Artigo OriginalRevisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
Artigos Relacionados
Baseado nas categorias deste artigo