Dry Cupping Therapy for Neck Pain: Monitoring for Adverse Effects
Conceição et al. · Innovations in Acupuncture and Medicine · 2025
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Desenvolver dispositivo para medir pressão em ventosaterapia e investigar efeitos adversos em diferentes pressões
QUEM
Mulheres de 18-59 anos sem contraindicações
DURAÇÃO
Aplicação única de 5 minutos com seguimento de 72 horas
PONTOS
Jianjing (VB-21) bilateral e Dazhui (VG-14)
🔬 Desenho do Estudo
Baixa pressão
n=15
Ventosaterapia seca -150 mmHg
Alta pressão
n=15
Ventosaterapia seca -300 mmHg
📊 Resultados em Números
Média de efeitos adversos grupo baixa pressão
Média de efeitos adversos grupo alta pressão
Participantes com efeitos adversos em 72h (baixa pressão)
Participantes com efeitos adversos em 72h (alta pressão)
Diferença significativa entre grupos
📊 Comparação de Resultados
Efeitos adversos totais por participante
Este estudo desenvolveu um dispositivo para medir com precisão a pressão usada na ventosaterapia (tratamento com ventosas) e investigou os efeitos colaterais. Os resultados mostram que pressões mais altas causam mais efeitos adversos e que estes duram mais tempo, indicando a importância de usar pressões adequadas para maior segurança.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
A ventosaterapia é uma técnica da medicina complementar que utiliza pressão negativa (vácuo) sob a pele para alívio de dores musculoesqueléticas. Apesar de sua popularidade crescente e uso histórico milenar, a prática ainda enfrenta desafios significativos relacionados à falta de padronização e monitoramento adequado de efeitos adversos. Este estudo prospectivo duplo-cego teve como objetivo principal desenvolver um dispositivo reprodutível para medição objetiva da pressão durante a ventosaterapia e investigar sistematicamente os efeitos adversos relatados após aplicação em diferentes intensidades de pressão no pescoço. Os pesquisadores desenvolveram uma adaptação de um kit comercial de ventosaterapia, incorporando um medidor de vácuo analógico entre a pistola de sucção e as ventosas.
Esta modificação permite medição precisa e padronizada da pressão aplicada, abordando uma das principais limitações metodológicas identificadas na literatura científica sobre ventosaterapia. O estudo incluiu 30 mulheres entre 18 e 59 anos, randomizadas em dois grupos: um recebeu ventosaterapia seca com pressão de -150 mmHg e outro com -300 mmHg. O protocolo consistiu em aplicação de três ventosas por 5 minutos nos pontos Jianjing (VB-21) bilateral e Dazhui (VG-14), seguido de monitoramento sistemático através de questionário estruturado durante a aplicação, imediatamente após, e em 24 e 72 horas. Os resultados revelaram diferenças significativas entre os grupos em relação à incidência e duração dos efeitos adversos.
O grupo de alta pressão (-300 mmHg) apresentou média de 1,9 efeitos adversos por participante, comparado a 1,083 no grupo de baixa pressão (-150 mmHg), com diferença estatisticamente significativa (p=0,0007). Durante a aplicação, ambos os grupos relataram principalmente sensações dolorosas, com efeitos neuropáticos como formigamento e coceira sendo mais frequentes no grupo de alta pressão. Na reavaliação imediata, observou-se redução geral dos efeitos adversos, mas com predominância de efeitos inflamatórios, especialmente equimoses no grupo de maior pressão. O seguimento de 24 horas revelou surgimento de sintomas sistêmicos como cefaleia e tensão muscular, mais pronunciados no grupo de alta pressão.
Aos 72 horas, efeitos adversos persistiam principalmente no grupo de alta pressão, com 8 participantes ainda relatando sintomas versus apenas 3 no grupo de baixa pressão. As equimoses no grupo de baixa pressão resolveram-se completamente em 72 horas, enquanto 5 participantes do grupo de alta pressão ainda apresentavam este efeito. O dispositivo desenvolvido mostrou-se eficaz para medição padronizada da pressão durante todo o período de pesquisa, oferecendo solução acessível e replicável para futuros estudos. A adaptação foi de baixo custo e facilmente reproduzível, embora requeira atenção às especificações de cada fabricante de ventosas.
As implicações clínicas deste estudo são importantes para a prática segura da ventosaterapia. Os resultados demonstram que mesmo pressões relativamente baixas podem causar efeitos adversos, e que há correlação direta entre intensidade da pressão aplicada e incidência/duração dos efeitos indesejados. Isso sublinha a necessidade de conhecimento clínico adequado e protocolos de segurança bem estabelecidos. Os efeitos adversos observados foram caracterizados como menores e de baixa severidade, incluindo dor localizada, formigamento, equimoses e, ocasionalmente, cefaleia e tensão muscular.
Não foram observados efeitos adversos graves relatados na literatura, que geralmente decorrem de aplicação inadequada ou falta de precauções necessárias. O estudo apresenta algumas limitações importantes: utilizou apenas uma aplicação única, limitou-se a participantes do sexo feminino para reduzir variabilidade hormonal, e o equipamento desenvolvido não permite monitoramento contínuo da pressão. Futuros estudos devem incluir participantes masculinos, investigar protocolos de múltiplas sessões e desenvolver dispositivos com monitoramento contínuo da pressão.
Pontos Fortes
- 1Desenvolvimento de dispositivo inovador para padronização da pressão
- 2Metodologia rigorosa com seguimento sistemático de efeitos adversos
- 3Randomização adequada e desenho duplo-cego
- 4Monitoramento estruturado em múltiplos pontos temporais
Limitações
- 1Aplicação única limita generalização para protocolos clínicos
- 2Amostra limitada a mulheres reduz generalização
- 3Tamanho amostral relativamente pequeno (n=30)
- 4Ausência de monitoramento contínuo da pressão durante aplicação
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241
▸ Relevância Clínica
A ventosaterapia seca integra cada vez mais os protocolos de serviços de dor e reabilitação musculoesquelética, sendo aplicada em quadros cervicais crônicos, tensão miofascial e síndromes de ponto-gatilho. O que faltava até agora era uma base objetiva para a tomada de decisão sobre dose de pressão. Este trabalho fornece exatamente isso: uma curva dose-efeito adverso com valores numéricos concretos — 1,083 versus 1,9 efeitos por participante entre os grupos de -150 mmHg e -300 mmHg, respectivamente, com p=0,0007. Para o médico que prescreve ou aplica ventosaterapia em cenário clínico real, o dado prático é que a pressão mais alta mais que dobra a probabilidade de efeito adverso persistente em 72 horas. Populações com pele sensível, coagulopatias leves não diagnosticadas ou baixo limiar nociceptivo se beneficiam diretamente de um protocolo que justifique a opção por pressões menores sem perda de fundamentação técnica.
▸ Achados Notáveis
O dado que mais chama atenção não é a diferença total de efeitos adversos, mas a cinética temporal deles. Durante a aplicação, ambos os grupos relataram predominantemente dor e parestesias — o que é esperado. O que surpreende é o surgimento tardio de sintomas sistêmicos como cefaleia e tensão muscular nas primeiras 24 horas, de forma mais pronunciada no grupo de alta pressão, indicando que a resposta inflamatória local transcende o tecido tratado. Aos 72 horas, cinco participantes do grupo de -300 mmHg ainda apresentavam equimoses ativas, enquanto o grupo de -150 mmHg atingiu resolução completa. Esse perfil de resolução diferenciada sugere que a pressão negativa elevada induz microtrauma tecidual com reparo mais lento, algo que precisa ser considerado ao planejar sessões sequenciais. O dispositivo de medição desenvolvido pelos autores, de baixo custo e facilmente replicável, representa também uma contribuição metodológica sólida para a área.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no ambulatório de dor musculoesquelética, tenho utilizado ventosaterapia seca como recurso adjunto ao agulhamento seco e à terapia manual em quadros de dor cervical crônica com componente miofascial importante. A ausência de padronização de pressão sempre foi um incômodo concreto — até hoje a maioria dos protocolos descreve pressão em termos subjetivos como 'moderada' ou 'forte'. Trabalhar com parâmetros objetivos como -150 mmHg muda a conversa com o paciente e com a equipe. Costumo observar resposta subjetiva de alívio já após a segunda ou terceira sessão, e habitualmente construo ciclos de seis a oito sessões antes de reavaliar indicação de manutenção. O perfil de paciente que responde melhor é aquele com tensão miofascial difusa e pouca inflamação articular associada. Equimoses persistentes além de 48 horas sempre geram ansiedade no paciente e são, na prática, o principal motivo de abandono precoce — o que reforça minha tendência de iniciar com pressões mais conservadoras, especialmente em mulheres com pele mais reativa.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Innovations in Acupuncture and Medicine · 2025
DOI: 10.1186/s44424-025-00018-y
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Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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