Traditional Chinese medicine: perspectives on and treatment of menopausal symptoms

Yu et al. · Climacteric · 2018

📝Editorial/Revisão Narrativa👥Múltiplos estudos🌟Impacto Moderado

Nível de Evidência

MODERADA
65/ 100
Qualidade
3/5
Amostra
3/5
Replicação
4/5
🎯

OBJETIVO

Revisar as perspectivas e tratamentos da Medicina Tradicional Chinesa para sintomas da menopausa

👥

QUEM

Mulheres de 40-60 anos com sintomas da menopausa

⏱️

DURAÇÃO

Estudos de 3-12 semanas

📍

PONTOS

Feishu, Xinshu, Ganshu, Pishu, Shenshu e Geshu

🔬 Desenho do Estudo

123participantes
randomização

Cápsula Kuntai

n=62

Medicina chinesa patenteada

Estradiol Valerato

n=61

Terapia hormonal

⏱️ Duração: 3 meses

📊 Resultados em Números

0%

Redução de ondas de calor com Kuntai

0%

Redução de ondas de calor com estradiol

0%

Melhora com acupuntura (24h)

0%

Melhora com controle

Destaques Percentuais

92.3%
Redução de ondas de calor com Kuntai
96.5%
Redução de ondas de calor com estradiol
62%
Melhora com acupuntura (24h)
27%
Melhora com controle

📊 Comparação de Resultados

Eficácia para ondas de calor

Medicina Chinesa
92.3
Terapia Hormonal
96.5
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostra que a Medicina Tradicional Chinesa oferece tratamentos eficazes para sintomas da menopausa, incluindo fitoterápicos e acupuntura. Os resultados sugerem que essas terapias podem ser tão eficazes quanto tratamentos convencionais para ondas de calor, depressão e distúrbios do sono.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Este editorial abrangente examina como a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) entende e trata os sintomas da menopausa, oferecendo uma perspectiva holística baseada em milhares de anos de prática clínica. A menopausa afeta aproximadamente 84,2% das mulheres entre 40-60 anos globalmente, manifestando-se através de ondas de calor, distúrbios emocionais, insônia, fadiga e outros sintomas relacionados à diminuição dos níveis de estrogênio. Na MTC, a menopausa é compreendida através do conceito de 'deficiência renal', onde o rim não é visto apenas como um órgão, mas como um sistema responsável pela regulação da temperatura, fertilidade e equilíbrio de fluidos. Segundo a teoria da MTC, a vida feminina é dividida em ciclos de 7 anos, e aos 49 anos (sétimo ciclo), ocorre naturalmente o declínio das funções orgânicas, especialmente renais.

O desequilíbrio entre Yin e Yang, conceitos complementares que mantêm o funcionamento harmonioso do organismo, resulta na disfunção de órgãos viscerais e no aparecimento dos sintomas menopausais. Para ondas de calor, que afetam 60-80% das mulheres menopausadas, a MTC utiliza principalmente métodos para nutrir o Yin e eliminar o calor. Um estudo randomizado controlado com 123 mulheres comparou a cápsula Kuntai, uma medicina chinesa patenteada, com valerato de estradiol por 3 meses. Ambos os tratamentos mostraram eficácia similar na redução de ondas de calor (92,3% vs 96,5%, p>0,05), demonstrando que a medicina chinesa pode ser tão eficaz quanto a terapia hormonal convencional.

Outro estudo com Zhibai Dihuang mostrou melhora significativa nos sintomas vasomotores comparado ao placebo. A acupuntura também demonstrou eficácia notável, com estudos mostrando que mais de 62% dos pacientes relataram melhora em 24 horas, comparado a apenas 27% no grupo controle. Para distúrbios emocionais como depressão e ansiedade, a MTC identifica a causa na deficiência renal que afeta coração, fígado e baço. O fígado, responsável pela regulação emocional na teoria da MTC, apresenta depressão (estagnação), enquanto a interação inadequada entre rim e coração agrava os sintomas psicológicos.

Estudos com Xiangshao granules mostraram regulação dos neurotransmissores séricos, incluindo serotonina, norepinefrina e epinefrina. A acupuntura bilateral em pontos específicos (Feishu, Xinshu, Ganshu, Pishu, Shenshu e Geshu) demonstrou eficácia comparável ao cloridrato de fluoxetina no tratamento da depressão menopausal, com resultados superiores nas semanas 2 e 4. Para distúrbios do sono, a MTC atribui a causa principal à deficiência renal e desarmonia Yin-Yang. Uma revisão sistemática de seis estudos randomizados com 510 pacientes comparou JiaWeiSuanZaoRen soup com medicamentos para dormir, mostrando eficácia comparável ao diazepam e alprazolam, mas superior ao estazolam.

Além disso, a fórmula chinesa melhorou significativamente a qualidade do sono segundo o Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh e apresentou menos eventos adversos. Um pequeno estudo controlado por placebo com acupuntura mostrou melhora significativa no índice de qualidade do sono, com polissonografia indicando aumento da duração do sono profundo. O tratamento da MTC fundamenta-se na diferenciação de síndromes, conceito que identifica padrões de desequilíbrio específicos para orientar terapias personalizadas. Estas podem incluir fitoterapia chinesa, acupuntura, moxabustão, massagem Tuina, auriculoterapia, terapia emocional e dietoterapia.

A abordagem holística da MTC considera não apenas os sintomas físicos, mas também aspectos emocionais e energéticos, buscando restaurar o equilíbrio Yin-Yang e fortalecer o Qi renal. Os estudos demonstram que a MTC pode aliviar significativamente os sintomas, melhorar a qualidade de vida e apresenta perfil econômico e de segurança favorável. No entanto, o autor reconhece a necessidade de mais estudos multicêntricos, randomizados, duplo-cegos e controlados com amostras maiores para desenvolver diretrizes clínicas confiáveis e reproduzíveis para o tratamento dos sintomas menopausais através da MTC.

Pontos Fortes

  • 1Abordagem holística integrando múltiplas modalidades terapêuticas
  • 2Eficácia comparável à terapia hormonal convencional
  • 3Perfil de segurança favorável com menos eventos adversos
  • 4Tradição milenar com ampla experiência clínica
⚠️

Limitações

  • 1Necessidade de estudos com amostras maiores
  • 2Falta de padronização nas formulações fitoterápicas
  • 3Heterogeneidade metodológica entre estudos
  • 4Necessidade de mais pesquisas sobre mecanismos de ação

📅 Contexto Histórico

2005Estudo RCT com cápsula Kuntai vs estradiol
2010Ensaio multicêntrico de acupuntura para ondas de calor
2013Estudo controlado por placebo com acupuntura para sono
2015Revisão sistemática sobre fórmulas para insônia menopausal
2018Publicação desta revisão abrangente sobre MTC e menopausa
Prof. Dr. Hong Jin Pai

Comentário do Especialista

Prof. Dr. Hong Jin Pai

Doutor em Ciências pela USP

Relevância Clínica

A menopausa atinge aproximadamente 84,2% das mulheres entre 40 e 60 anos, e uma parcela expressiva dessas pacientes chega ao consultório com contraindicações ou resistência à terapia hormonal convencional — seja por histórico de neoplasias hormônio-dependentes, eventos tromboembólicos ou simplesmente recusa informada. Para esse grupo, este artigo apresenta dados concretos que validam a MTC como alternativa terapêutica estruturada. A comparação direta entre a cápsula Kuntai e o valerato de estradiol, com resultados equivalentes na redução de ondas de calor (92,3% versus 96,5%), é clinicamente relevante porque permite ao médico oferecer uma opção não-hormonal com respaldo em ensaio controlado. A eficácia documentada da acupuntura sobre sintomas vasomotores, depressão menopausal e qualidade do sono amplia o arsenal disponível, especialmente em serviços que já integram essas abordagens ao protocolo de saúde da mulher climatérica.

Achados Notáveis

Dois achados merecem atenção particular. O primeiro é o desempenho da acupuntura nos desfechos precoces: mais de 62% das pacientes relataram melhora em 24 horas, contra apenas 27% no grupo controle — uma diferença que, se confirmada em amostras maiores, tem implicações diretas sobre o tempo de latência esperado para o alívio sintomático. O segundo achado diz respeito ao tratamento da depressão menopausal com acupuntura bilateral nos pontos Feishu, Xinshu, Ganshu, Pishu, Shenshu e Geshu, que demonstrou eficácia comparável ao cloridrato de fluoxetina com resultados superiores nas semanas dois e quatro do seguimento. O editorial também sistematiza a lógica diagnóstica da MTC para o climatério — centrada na deficiência renal e no desequilíbrio Yin-Yang —, oferecendo ao médico acupunturista um framework conceitual coerente para a diferenciação de síndromes e a personalização do protocolo terapêutico.

Da Minha Experiência

Na minha prática com pacientes climatéricas, a resposta à acupuntura costuma seguir uma curva previsível: as ondas de calor tendem a diminuir em frequência e intensidade já nas primeiras três a quatro sessões, enquanto os distúrbios do sono e a labilidade emocional respondem de forma mais gradual, geralmente a partir da sexta ou oitava sessão. Tenho trabalhado com protocolos que associam acupuntura sistêmica com auriculoterapia e, em casos de depressão menopausal mais marcada, complemento com fitoterapia chinesa orientada ao padrão de síndrome identificado — deficiência de Yin renal, estagnação de Qi do fígado ou desarmonia entre Rim e Coração. O perfil de paciente que responde melhor, em minha observação, é aquele com sintomas de predomínio vasomotor e insônia, sem componente ansioso grave. Quando há contraindicação hormonal absoluta, esse arsenal integrado se torna a espinha dorsal do tratamento, e o seguimento costuma estender-se por 12 a 16 sessões antes de passar a uma fase de manutenção mensal.

Médico especialista em Acupuntura. Professor Colaborador do Instituto de Ortopedia do HC-FMUSP. Coordenador do Grupo de Acupuntura do Centro de Dor do HC-FMUSP.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

Climacteric · 2018

DOI: 10.1080/13697137.2018.1434983

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.