Effectiveness of Intraoperative Laser Acupuncture Combined with Antiemetic Drugs for Prevention of Postoperative Nausea and Vomiting
Unsal et al. · Journal of Alternative and Complementary Medicine · 2019
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
avaliar a eficácia da acupuntura laser intraoperatória nos pontos PC6 e LI4 combinada com medicação antiemética para prevenir náuseas e vômitos após cirurgia
QUEM
pacientes submetidos à colecistectomia laparoscópica (remoção da vesícula biliar)
DURAÇÃO
aplicação durante a cirurgia com acompanhamento por 6 horas
PONTOS
Pericárdio 6 (PC6) no punho e Intestino Grosso 4 (LI4) na mão, ambos bilateralmente
🔬 Desenho do Estudo
Grupo I
n=44
laser acupuntura + medicação antiemética
Grupo II
n=44
apenas medicação antiemética
📊 Resultados em Números
náuseas 6h após cirurgia - grupo laser
náuseas 6h após cirurgia - grupo controle
significância estatística
necessidade de medicação adicional - grupo laser (6h)
necessidade de medicação adicional - controle (6h)
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
incidência de náuseas no pós-operatório tardio (6h)
Este estudo mostrou que aplicar laser acupuntura durante a cirurgia de vesícula biliar, além da medicação normal para prevenir enjoo, foi mais eficaz do que usar apenas medicação. Os pacientes que receberam laser acupuntura não tiveram náuseas 6 horas após a cirurgia, enquanto alguns do grupo que recebeu apenas medicação ainda sentiram enjoo.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Eficácia da Laserpuntura Intraoperatória Combinada com Antieméticos na Prevenção de Náuseas e Vômitos Pós-Operatórios
A náusea e o vômito após cirurgias são problemas muito comuns que afetam a qualidade de vida dos pacientes e podem trazer complicações sérias. Esses sintomas, conhecidos tecnicamente como náusea e vômito pós-operatórios (NVPO), ocorrem em cerca de 30 a 50% dos pacientes que passam por procedimentos cirúrgicos, podendo chegar a até 80% em casos de maior risco. Além do desconforto evidente, a NVPO pode causar outras complicações como sangramento, pneumonia por aspiração e desequilíbrio dos eletrólitos do corpo. Os tratamentos convencionais com medicamentos antieméticos, embora eficazes em muitos casos, têm limitações importantes: podem causar efeitos colaterais como sedação, dor de cabeça e problemas neurológicos, além de terem custos elevados.
Por isso, pesquisadores têm buscado alternativas não farmacológicas, como a acupuntura, que já demonstrou ser eficaz no controle desses sintomas em estudos anteriores.
Este estudo científico foi realizado por pesquisadores turcos com o objetivo de avaliar se a combinação da acupuntura a laser com medicamentos antieméticos seria mais eficaz do que usar apenas os medicamentos para prevenir náusea e vômito após cirurgia. A pesquisa focou especificamente em pacientes submetidos à colecistectomia laparoscópica, que é a cirurgia para remoção da vesícula biliar por técnica minimamente invasiva. Os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada acupuntura a laser, que é uma forma não invasiva e indolor de estimular pontos específicos do corpo, diferente da acupuntura tradicional com agulhas. Foram escolhidos dois pontos de acupuntura: o PC6, localizado no pulso entre os tendões do antebraço, e o LI4, localizado na mão entre os ossos do polegar e indicador.
O estudo foi randomizado, duplo-cego e prospectivo, envolvendo 88 pacientes divididos em dois grupos iguais de 44 pessoas cada.
A metodologia do estudo foi cuidadosamente planejada para garantir resultados confiáveis. O primeiro grupo recebeu acupuntura a laser bilateral nos pontos PC6 e LI4 durante a cirurgia, além do medicamento metoclopramida como prevenção. O segundo grupo recebeu apenas o medicamento preventivo. A acupuntura a laser foi aplicada com um equipamento específico por 30 segundos em cada ponto, utilizando luz com comprimento de onda de 904 nanômetros.
Para manter o estudo cego, nos pacientes do segundo grupo o aparelho foi apenas encostado nos mesmos pontos, mas sem emitir o laser. Todos os pacientes receberam anestesia geral padronizada e o mesmo protocolo de cuidados pós-operatórios. Os pesquisadores avaliaram a presença de náusea e vômito, assim como a necessidade de medicamentos de resgate (ondansetrona), em três momentos: logo após o acordar da anestesia, 30 minutos depois na sala de recuperação e após 6 horas no quarto.
Os resultados mostraram diferenças interessantes entre os grupos, especialmente no período mais tardio após a cirurgia. Nas primeiras avaliações, logo após acordar e aos 30 minutos, não houve diferenças significativas entre os grupos em relação à náusea e vômito. Entretanto, na avaliação de 6 horas após a cirurgia, as diferenças se tornaram evidentes. No grupo que recebeu acupuntura a laser combinada com medicamento, nenhum paciente apresentou náusea, enquanto no grupo que recebeu apenas medicamento, oito pacientes (18,2%) ainda sentiam náusea.
Esta diferença foi estatisticamente significativa. Quanto ao vômito, não houve diferenças importantes entre os grupos em nenhum momento da avaliação. Outro achado relevante foi que no período tardio, nenhum paciente do grupo da acupuntura precisou de medicamento de resgate, enquanto oito pacientes do grupo controle necessitaram de ondansetrona adicional.
As implicações clínicas destes resultados são promissoras para pacientes e profissionais de saúde. Para os pacientes, a combinação da acupuntura a laser com medicamentos pode significar menos desconforto no pós-operatório, especialmente nas primeiras horas após a cirurgia quando já estão no quarto. A técnica é completamente indolor e não invasiva, não apresentando os efeitos colaterais típicos dos medicamentos antieméticos. Para os profissionais, especialmente anestesiologistas e cirurgiões, esta abordagem oferece uma ferramenta adicional no arsenal terapêutico contra a NVPO, potencialmente reduzindo custos hospitalares e aumentando a satisfação dos pacientes.
A acupuntura a laser é prática de ser aplicada durante a cirurgia, quando o paciente está anestesiado, não requerendo cooperação ou causando ansiedade relacionada ao uso de agulhas. Além disso, a redução na necessidade de medicamentos de resgate pode diminuir os riscos de efeitos adversos e os custos do tratamento.
O estudo apresenta algumas limitações importantes que devem ser consideradas. O número de pacientes avaliados, embora adequado para análise estatística, é relativamente pequeno, e os resultados se aplicam especificamente a pacientes submetidos a colecistectomia laparoscópica. Seria necessário avaliar se os mesmos benefícios se estendem a outros tipos de cirurgia. Além disso, o acompanhamento foi limitado às primeiras 6 horas após a cirurgia, não fornecendo informações sobre efeitos mais prolongados.
O mecanismo exato pelo qual a acupuntura previne náusea e vômito ainda não está completamente esclarecido, embora se acredite que envolva a liberação de endorfinas e alterações na transmissão de serotonina no sistema nervoso. Apesar dessas limitações, o estudo contribui para o crescente corpo de evidências sobre a eficácia da acupuntura como terapia complementar em medicina, especialmente quando usada em combinação com tratamentos convencionais, sugerindo que abordagens integrativas podem oferecer benefícios superiores aos tratamentos isolados.
Pontos Fortes
- 1estudo randomizado duplo-cego bem controlado
- 2aplicação durante anestesia elimina desconforto
- 3técnica não invasiva e sem eventos adversos relatados
- 4resultados estatisticamente significativos
Limitações
- 1amostra relativamente pequena
- 2avaliação limitada a 6 horas pós-operatória
- 3aplicado apenas em um tipo de cirurgia
- 4necessita replicação em outros contextos cirúrgicos
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241
▸ Relevância Clínica
Náusea e vômito pós-operatórios continuam sendo um dos principais determinantes de insatisfação do paciente cirúrgico e de atraso na alta hospitalar. Mesmo com protocolos antieméticos multimodais consolidados, uma parcela significativa dos pacientes — especialmente mulheres submetidas a colecistectomia laparoscópica, perfil de alto risco para NVPO — permanece sintomática nas primeiras horas após a recuperação anestésica. O que este trabalho de Unsal et al. acrescenta ao arsenal disponível é a possibilidade de incorporar laserpuntura intraoperatória como componente adjuvante sem custo em termos de cooperação do paciente, toxicidade ou tempo operatório adicional. A aplicação durante a anestesia resolve o principal obstáculo logístico da acupuntura em contexto perioperatório. Para equipes de anestesiologia e cirurgia que já trabalham com protocolos enhanced recovery after surgery, a laserpuntura nos pontos PC6 e LI4 representa uma adição factível e segura ao protocolo de prevenção.
▸ Achados Notáveis
O dado mais expressivo deste ensaio é a ausência completa de náusea no grupo laser às 6 horas pós-operatórias — 0% contra 18,2% no grupo que recebeu apenas metoclopramida, com p=0,006. Chama atenção que a diferença entre os grupos não se manifestou nos momentos precoces, logo após o despertar anestésico e aos 30 minutos, sugerindo que o efeito da laserpuntura se revela exatamente quando a cobertura farmacológica começa a declinar. Esse padrão temporal tem coerência neurofisiológica: a estimulação do PC6 modula o núcleo do trato solitário e interfere na transmissão serotoninérgica, com latência de ação que ultrapassa a janela de pico dos antieméticos convencionais. O fato de nenhum paciente do grupo laser ter necessitado de ondansetrona de resgate no período tardio — contra oito no grupo controle — reforça a relevância clínica do achado e sugere uma ação sustentada além do período intraoperatório.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática em reabilitação e dor, não atendo rotineiramente o paciente cirúrgico agudo, mas tenho colaborado com serviços de anestesiologia em discussões sobre protocolos perioperatórios que incorporam acupuntura. O que vejo consistentemente na literatura e confirmo em conversas com colegas anestesiologistas é que o PC6 é o ponto mais robusto para NVPO — e a laserpuntura oferece uma vantagem real sobre o agulhamento convencional nesse cenário porque elimina qualquer interação com o campo estéril e com a movimentação intraoperatória. Para pacientes com perfil de alto risco — mulheres, histórico de cinetose, não fumantes, uso de opioides no perioperatório — a adição de um estímulo não farmacológico faz sentido clínico antes mesmo de discutir mecanismos. Tenho orientado residentes a pensar na acupuntura perioperatória não como substituto, mas como camada adicional de proteção quando o protocolo antiemético padrão já está otimizado e o risco ainda é considerável.
Artigo Original Completo
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Journal of Alternative and Complementary Medicine · 2019
DOI: 10.1089/acm.2019.0181
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Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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