Effectiveness of acupuncture therapy as treatment for tinnitus: a randomized controlled trial
Doi et al. · Brazilian Journal of Otorhinolaryngology · 2016
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Avaliar a efetividade da craniopuntura chinesa com eletroacupuntura no tratamento do zumbido
QUEM
50 adultos de 50-85 anos com zumbido moderado a severo há pelo menos 1 ano
DURAÇÃO
5 semanas, 10 sessões (2x por semana), 40 minutos por sessão
PONTOS
Linha vestibulocochlear da craniopuntura chinesa bilateral com eletroestimulação
🔬 Desenho do Estudo
Grupo Acupuntura
n=25
Craniopuntura chinesa + eletroacupuntura bilateral
Grupo Controle
n=25
Sem tratamento por 5 semanas
📊 Resultados em Números
Redução na intensidade do zumbido (VAS)
Melhora na qualidade de vida (THI)
Redução da intensidade do zumbido
Melhora no grau de interferência
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Intensidade do zumbido (VAS final)
Qualidade de vida (THI final)
Este estudo mostrou que a acupuntura especializada no couro cabeludo, combinada com estimulação elétrica, pode reduzir significativamente a intensidade do zumbido e melhorar a qualidade de vida. Os pacientes tratados relataram uma redução de cerca de 50% na intensidade do zumbido após 5 semanas de tratamento.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Eficácia da Acupuntura no Tratamento do Zumbido: Ensaio Clínico Randomizado Controlado
Este ensaio clínico randomizado investigou a efetividade da craniopuntura chinesa associada à eletroacupuntura bilateral no tratamento do zumbido, uma condição que afeta aproximadamente 17% da população brasileira e causa impacto significativo na qualidade de vida. O zumbido é caracterizado pela percepção subjetiva de som na ausência de estímulo externo, sendo que em 15-25% dos casos causa deterioração importante da qualidade de vida. Atualmente não existe tratamento farmacológico específico efetivo, tornando necessária a investigação de terapias alternativas como a acupuntura. O estudo incluiu 50 participantes entre 50 e 85 anos com zumbido contínuo moderado a severo há pelo menos um ano, randomizados em dois grupos: 25 no grupo acupuntura e 25 no grupo controle sem tratamento.
Os critérios de exclusão incluíram doenças cardiovasculares ativas, uso de marca-passo, implantes metálicos e casos com interferência leve na qualidade de vida medida pelo questionário THI. O protocolo de tratamento consistiu em 10 sessões de craniopuntura chinesa bilateral na linha vestibulocochlear, realizadas duas vezes por semana durante 5 semanas, com duração de 40 minutos cada sessão. A linha vestibulocochlear localiza-se 1,5 cm acima do ápice da orelha, em um segmento horizontal de 4 cm, e foi estimulada com eletroacupuntura bilateral. Os desfechos primários foram avaliados através da Escala Visual Analógica (VAS) para intensidade do zumbido e o questionário Tinnitus Handicap Inventory (THI) para qualidade de vida.
A VAS utiliza uma escala de 0 a 10, onde 0 representa ausência total do sintoma e 10 indica intensidade máxima. O THI consiste em 25 questões com pontuação de 0 a 100, avaliando reações funcionais, emocionais e catastróficas ao zumbido. Os resultados demonstraram diferença estatisticamente significativa no desfecho primário, com redução da intensidade do zumbido (p=0,0001) e melhora na qualidade de vida (p=0,0001) no grupo acupuntura. Houve redução de aproximadamente 50% na intensidade do zumbido quando comparados os grupos acupuntura e controle.
O grupo acupuntura apresentou melhora do grau severo para leve na interferência do zumbido na qualidade de vida, enquanto o grupo controle manteve-se no grau severo. A mediana da VAS reduziu de 8 para 4 pontos no grupo acupuntura, enquanto permaneceu em 8 pontos no grupo controle. No THI, a mediana reduziu de 56 para 28 pontos no grupo acupuntura e manteve-se em 58-68 pontos no grupo controle. As implicações clínicas são relevantes, pois a craniopuntura chinesa mostrou-se uma opção terapêutica segura e efetiva para redução dos sintomas do zumbido no curto prazo.
A técnica pode representar uma alternativa importante considerando a ausência de tratamentos farmacológicos específicos eficazes. O mecanismo proposto envolve a introdução de cargas elétricas que geram potenciais de ação para reequilibrar o sistema auditivo, corrigindo a atividade neuronal anormal característica do zumbido.
Pontos Fortes
- 1Randomização adequada com ocultação de alocação em envelopes selados
- 2Uso de questionários validados (VAS e THI) amplamente aceitos na literatura
- 3Protocolo padronizado de 10 sessões baseado na medicina tradicional chinesa
- 4Análise por intenção de tratar com significância estatística robusta
Limitações
- 1Ausência de grupo placebo verdadeiro, apenas grupo sem tratamento
- 2Falta de seguimento para avaliar efeitos a médio e longo prazo
- 3Amostra relativamente pequena (n=50) de um único centro
- 4Impossibilidade de cegamento dos participantes para a intervenção
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Prof. Dr. Hong Jin Pai
Doutor em Ciências pela USP
▸ Relevância Clínica
O zumbido crônico moderado a severo representa um dos desafios mais frustrantes da prática ambulatorial, exatamente por carecer de farmacoterapia eficaz consolidada. Este trabalho, conduzido em população brasileira entre 50 e 85 anos com zumbido contínuo há pelo menos um ano, preenche uma lacuna prática relevante ao demonstrar que dez sessões de craniopuntura chinesa com eletroacupuntura bilateral, aplicadas ao longo de cinco semanas, produzem redução clinicamente expressiva tanto na intensidade subjetiva quanto no impacto funcional e emocional da condição. A melhora do grau severo para leve no THI representa uma mudança de categoria com repercussão direta na capacidade laboral e no bem-estar psíquico do paciente. Para o médico que atende zumbido refratário às abordagens convencionais — terapia sonora, TCC, alprazolam em doses baixas — este protocolo de craniopuntura oferece uma opção estruturada, segura e mensurável que pode ser integrada ao plano terapêutico multimodal sem conflito com as demais condutas.
▸ Achados Notáveis
A magnitude da resposta chama atenção: redução de aproximadamente 50% na intensidade do zumbido pela VAS em apenas cinco semanas, com a mediana caindo de 8 para 4 pontos no grupo acupuntura, enquanto o grupo controle permaneceu estável em 8. No THI, a mediana passou de 56 para 28 pontos — praticamente uma redução à metade do impacto na qualidade de vida. O que torna esse resultado particularmente digno de nota é o alvo anatômico empregado: a linha vestibulocochlear da craniopuntura chinesa, posicionada 1,5 cm acima do ápice auricular em segmento horizontal de 4 cm, estimulada bilateralmente por eletroacupuntura por 40 minutos por sessão. O mecanismo proposto — geração de cargas elétricas capazes de reequilibrar a atividade neuronal anormal do sistema auditivo — confere um substrato neurofisiológico plausível à técnica, conectando a abordagem clássica da craniopuntura à neurociência contemporânea do zumbido como fenômeno de plasticidade maladaptativa cortical.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática com zumbido crônico, tenho observado que pacientes com perfil semelhante ao desta amostra — idosos com zumbido de alta intensidade e forte componente emocional — costumam apresentar as primeiras respostas subjetivas entre a terceira e a quinta sessão, o que coincide com o protocolo de duas sessões semanais adotado pelos autores. Habitualmente, trabalho com ciclos de dez a doze sessões nessa indicação, associando os pontos do sistema de craniopuntura de Zhu ou de Yamamoto a pontos corporais como SJ3, SJ17, VB2 e ID19, conforme o padrão energético identificado. A eletroacupuntura bilateral na linha vestibulocochlear, como descrita no artigo, é um recurso que incorporei ao serviço há anos, e os resultados observados no cotidiano se alinham à magnitude reportada aqui. Costumo associar orientação sobre higiene sonora e, quando disponível, encaminhamento para terapia cognitivo-comportamental voltada ao zumbido. O perfil que responde melhor, em minha experiência, é o do paciente com zumbido predominantemente subjetivo, sem componente pulsátil, e com engajamento ativo no processo terapêutico.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Brazilian Journal of Otorhinolaryngology · 2016
DOI: 10.1016/j.bjorl.2016.04.002
Acessar Artigo OriginalRevisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
Artigos Relacionados
Baseado nas categorias deste artigo