The use of acupuncture for addressing neurological and neuropsychiatric symptoms in patients with long COVID: a systematic review and meta-analysis
Lam et al. · Frontiers in Neurology · 2024
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Investigar a eficácia da acupuntura no tratamento de sintomas neurológicos e neuropsiquiátricos comuns na COVID longa
QUEM
8.514 participantes com fadiga, depressão, ansiedade, comprometimento cognitivo, dor de cabeça e insônia
DURAÇÃO
Tratamentos variaram de 10 dias a 4 meses
PONTOS
Diversos pontos utilizados incluindo Sishencong (EX-HN1), Baihui (GV20), Taichong (LV3) e pontos shu-dorsal dos cinco órgãos
🔬 Desenho do Estudo
Acupuntura
n=4257
Acupuntura manual ou eletroacupuntura
Controle
n=4257
Medicamentos, sham acupuntura ou lista de espera
📊 Resultados em Números
Melhora na Escala de Fadiga vs medicação
Melhora na Escala Hamilton de Depressão vs medicação
Melhora no Mini-Exame do Estado Mental vs medicação
Melhora no Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh vs medicação
Incidência de eventos adversos
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Escala de Fadiga (0-14)
Hamilton Depressão
Este estudo mostrou que a acupuntura pode ser uma opção promissora para aliviar sintomas neurológicos e psicológicos da COVID longa, como fadiga, depressão, problemas de memória e insônia. Os resultados sugerem que a acupuntura foi eficaz e segura, com poucos efeitos colaterais comparado aos medicamentos convencionais.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Uso da Acupuntura para Sintomas Neurológicos e Neuropsiquiátricos em Pacientes com COVID Longa: Revisão Sistemática e Meta-análise
Esta revisão sistemática e meta-análise representa o primeiro estudo abrangente a investigar a eficácia da acupuntura para sintomas neurológicos e neuropsiquiátricos comumente encontrados em pacientes com COVID longa. Embora não tenham incluído diretamente pacientes com COVID longa, os pesquisadores analisaram estudos com sintomas similares aos relatados nesta condição. O estudo incluiu 110 ensaios clínicos randomizados com 8.514 participantes, examinando os efeitos da acupuntura em fadiga, depressão, ansiedade, comprometimento cognitivo, dor de cabeça e insônia. A metodologia foi robusta, seguindo as diretrizes PRISMA e incluindo buscas em oito bases de dados em inglês e chinês.
Os resultados demonstraram que a acupuntura foi superior aos medicamentos ou acupuntura sham em várias escalas clínicas validadas. Para fadiga, a acupuntura mostrou melhoras significativas na Escala de Fadiga comparada tanto a medicamentos quanto à acupuntura sham. No tratamento da depressão, houve benefícios significativos medidos pela Escala de Hamilton, embora análises de sensibilidade com estudos de alta qualidade tenham mostrado resultados mais modestos comparados à fluoxetina. Para comprometimento cognitivo, a acupuntura demonstrou melhoras pequenas mas estatisticamente significativas no Mini-Exame do Estado Mental.
No tratamento de insônia, os resultados foram particularmente promissores, com melhorias consistentes no Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh tanto comparado a medicamentos quanto à acupuntura sham. Para dor de cabeça, a acupuntura foi eficaz na redução da intensidade da dor, embora não tenha mostrado benefícios significativos na frequência dos episódios. Interessantemente, não foram encontradas diferenças significativas para ansiedade. As análises de subgrupos revelaram que tratamentos de curta duração (≤4 semanas) tenderam a ser mais eficazes que tratamentos prolongados, e não houve diferenças substanciais entre acupuntura manual e eletroacupuntura.
Quanto à segurança, aproximadamente 7,8% dos pacientes que receberam acupuntura relataram eventos adversos, principalmente sangramentos locais, hematomas, dor na inserção da agulha e tontura - todos considerados leves e com recuperação completa. Este percentual foi similar ou inferior ao observado com medicamentos convencionais. Apenas 0,48% dos pacientes abandonaram o tratamento devido a intolerância ou eventos adversos. As implicações clínicas são significativas, sugerindo que a acupuntura pode ser uma abordagem terapêutica complementar valiosa para pacientes com COVID longa.
Os mecanismos propostos incluem a modulação de inflamação, regulação da resposta imunológica e normalização da produção de óxido nítrico para melhora do fluxo sanguíneo. No entanto, várias limitações devem ser consideradas: a ausência de estudos diretos em pacientes com COVID longa, variabilidade nos protocolos de acupuntura utilizados, heterogeneidade nas escalas de avaliação, e qualidade metodológica variável dos estudos incluídos.
Pontos Fortes
- 1Maior revisão sistemática sobre o tema com 8.514 participantes
- 2Busca abrangente em bases de dados em múltiplos idiomas
- 3Análises de subgrupos detalhadas por duração e modalidade
- 4Avaliação rigorosa da qualidade metodológica com ferramenta RoB 2
- 5Múltiplas escalas clínicas validadas para avaliação de desfechos
Limitações
- 1Ausência de estudos diretos em pacientes com COVID longa
- 2Alta heterogeneidade entre os estudos (I² >50% em várias análises)
- 3Variabilidade significativa nos protocolos de acupuntura utilizados
- 4Qualidade metodológica inconsistente dos estudos incluídos
- 5Dificuldade de cegamento dos acupunturistas em estudos controlados
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65223, 65224
▸ Relevância Clínica
A COVID longa representa um dos maiores desafios terapêuticos que enfrentamos nesta década. Pacientes que chegam ao ambulatório com fadiga persistente, insônia refratária, comprometimento cognitivo leve e humor deprimido após infecção por SARS-CoV-2 frequentemente esgotam as opções farmacológicas convencionais sem resolução satisfatória. Esta meta-análise, ao reunir 8.514 participantes em 110 ensaios clínicos randomizados com sintomas análogos aos da COVID longa, fornece a base empírica mais robusta disponível até agora para integrar a acupuntura ao plano de reabilitação desses pacientes. Os perfis de melhora em fadiga, sono e cognição — domínios que respondem precariamente à farmacoterapia isolada — apontam para uma lacuna terapêutica que a acupuntura pode preencher de modo concreto, especialmente em pacientes que não toleram ou recusam psicotrópicos e hipnóticos. A taxa de eventos adversos de 7,78%, todos leves e autolimitados, com abandono por intolerância abaixo de 0,5%, reforça a viabilidade de incorporar essa abordagem ao arsenal de serviços de reabilitação pós-COVID.
▸ Achados Notáveis
Os efeitos mais expressivos foram observados justamente nos domínios de maior impacto funcional na COVID longa. A melhora de 2,33 pontos no Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh supera o que habitualmente se obtém com hipnóticos de curta duração em populações semelhantes, e foi consistente tanto frente a medicamentos quanto ao sham — o que fortalece a especificidade do efeito. A redução de 2,27 pontos na Escala de Fadiga é clinicamente relevante para uma condição em que a fadiga é frequentemente o sintoma dominante e o de pior prognóstico funcional. O ganho de 1,15 ponto no Mini-Exame do Estado Mental, embora modesto em valor absoluto, tem peso em pacientes com queixa de névoa cognitiva pós-COVID, onde qualquer recuperação funcional mensurável representa impacto direto na retomada de atividades produtivas. A ausência de benefício para ansiedade e para frequência de cefaleia delimita com clareza o perfil de resposta, o que é clinicamente útil para definir expectativas e indicações precisas.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no ambulatório de dor e reabilitação, tenho acompanhado um volume crescente de pacientes pós-COVID com o padrão clínico descrito nesta revisão: fadiga desproporcional ao esforço, sono não restaurador e queixa subjetiva de lentidão cognitiva. Costumo observar resposta inicial em fadiga e sono após 3 a 5 sessões, o que coincide com o maior benefício documentado nos subgrupos de tratamento curto desta meta-análise — dado que validou minha intuição clínica de priorizar ciclos de 4 semanas com reavaliação. Para esses pacientes, combino habitualmente acupuntura com protocolo de higiene do sono estruturado e reabilitação aeróbica progressiva de baixa intensidade; a medicação fica reservada para casos com depressão moderada-grave ou insônia com comprometimento funcional severo. O perfil que responde melhor, na minha experiência, é o paciente com fadiga e insônia sem comorbidade psiquiátrica grave preexistente — exatamente o subgrupo que esta revisão sugere ser o mais favorável. Não indico acupuntura isolada quando há depressão maior ativa não tratada; nesse cenário, ela entra como adjuvante após estabilização farmacológica.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Frontiers in Neurology · 2024
DOI: 10.3389/fneur.2024.1406475
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Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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