Dry Needling for Tension-Type Headache: A Scoping Review on Intervention Procedures, Muscle Targets, and Outcomes
Bravo-Vazquez et al. · Journal of Clinical Medicine · 2025
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Examinar características e metodologias do agulhamento seco no tratamento da cefaleia tensional
QUEM
309 adultos com cefaleia do tipo tensional de 7 estudos
DURAÇÃO
Variou de 1 a 5 sessões, com protocolos de 1 a 6 semanas
PONTOS
Temporal e trapézio superior (mais frequentes), suboccipital, masseter, esternocleidomastóideo
🔬 Desenho do Estudo
Agulhamento seco
n=154
Agulhamento seco em pontos-gatilho miofasciais
Controles
n=155
Sham, massagem ou outras intervenções controle
📊 Resultados em Números
Redução intensidade da dor (EVA)
Redução frequência (dias/mês)
Redução duração (horas/dia)
Estudos sem eventos adversos sérios
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Intensidade da dor (EVA 0-10)
Frequência (dias/mês)
Este estudo mostra que o agulhamento seco pode ser uma opção segura e eficaz para reduzir a intensidade, frequência e duração das cefaleias tensionais. A técnica foca principalmente nos músculos temporal e trapézio, onde são encontrados pontos-gatilho que podem estar causando ou contribuindo para a dor de cabeça.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Esta revisão de escopo analisou sete estudos envolvendo 309 participantes para examinar as características e metodologias do agulhamento seco no tratamento da cefaleia do tipo tensional (CTT). A CTT é a forma mais prevalente de cefaleia primária, afetando entre 26% e 38% da população global, manifestando-se como dor bilateral, difusa e de intensidade leve a moderada na cabeça ou pescoço. Embora sua etiologia não seja completamente compreendida, evidências sugerem associação com pontos-gatilho miofasciais (PGM) em músculos cervicais e faciais. O agulhamento seco emergiu como uma opção terapêutica não farmacológica eficaz e segura para alívio da dor, envolvendo a inserção de agulhas sólidas filiformes na pele para atingir PGM, visando interromper placas motoras disfuncionais e aliviar a dor neuromusculoesquelética.
A metodologia seguiu o framework de Arksey e O'Malley, utilizando bases de dados PubMed, Embase, Scopus e Web of Science. Os critérios de inclusão consideraram estudos que avaliaram intervenções de agulhamento seco em adultos com CTT, reportando músculos-alvo, critérios diagnósticos e características técnicas. Dos estudos incluídos, cinco eram ensaios clínicos randomizados e dois relatos de caso, demonstrando um nível metodológico sólido com procedimentos de randomização apropriados e estratégias de cegamento bem implementadas. Os músculos mais frequentemente tratados foram o temporal e o trapézio, corroborando achados prévios sobre sua relevância na ocorrência de PGM relacionados à CTT.
A identificação dos PGM foi realizada principalmente através de palpação manual, embora os critérios diagnósticos tenham variado. Alguns estudos utilizaram algômetros para palpação digital precisa (pressão de 1,5 kg), enquanto outros empregaram palpação plana ou em pinça. As intervenções de agulhamento seco diferiram em técnica, com alguns autores descrevendo o uso de álcool para desinfecção da pele antes da punção. As dimensões das agulhas variaram de 0,2 a 0,3 mm de calibre e 0,13 a 0,5 mm de comprimento.
O posicionamento do paciente durante a intervenção variou de supino a prono ou sentado. As técnicas aplicadas basearam-se na metodologia descrita por Travell e Simons, com alguns estudos enfatizando o ângulo ótimo de inserção da agulha e outros descrevendo várias técnicas baseadas no músculo específico sendo tratado. O número médio de sessões de tratamento foi três, variando de uma a cinco sessões. Todos os estudos indicaram resultados favoráveis das intervenções de agulhamento seco, com melhorias nos sintomas de cefaleia observadas em todos os casos.
Um estudo relatou especificamente que o agulhamento seco foi eficaz não apenas na redução da frequência, intensidade e duração das cefaleias, mas também na melhoria da qualidade de vida relacionada à saúde. Nenhum dos estudos relatou efeitos adversos significativos, sugerindo que a técnica é segura. No entanto, a heterogeneidade nos protocolos e critérios diagnósticos limita a comparabilidade dos resultados. A análise revelou uma tendência clara na seleção dos músculos temporal e trapézio, validando o foco adotado na maioria dos estudos analisados.
Contudo, observou-se ampla diversidade na abordagem de outros músculos envolvidos, refletindo diferentes teorias e metodologias existentes. As limitações do estudo incluem o pequeno número de estudos incluídos, heterogeneidade metodológica significativa, falta de relato abrangente de detalhes-chave em muitos estudos, e o processo diagnóstico para identificação de PGM sendo amplamente subjetivo e sem padronização. A evidência suporta o uso do agulhamento seco em músculos-chave como temporal e trapézio para manejo da CTT, embora a diversidade em metodologias e critérios diagnósticos destaque a necessidade de padronização.
Pontos Fortes
- 1Metodologia rigorosa seguindo framework estabelecido
- 2Análise abrangente de músculos-alvo e critérios diagnósticos
- 3Perfil de segurança favorável sem eventos adversos sérios
- 4Resultados consistentemente positivos em todos os estudos
- 5Inclusão de estudos com diferentes designs metodológicos
Limitações
- 1Pequeno número de estudos incluídos (apenas 7)
- 2Heterogeneidade significativa em protocolos e metodologias
- 3Critérios diagnósticos para pontos-gatilho não padronizados
- 4Falta de distinção clara entre CTT episódica e crônica
- 5Ausência de avaliação formal do risco de viés
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65223, 65224
▸ Relevância Clínica
A cefaleia do tipo tensional responde por parcela expressiva dos atendimentos em ambulatórios de dor e reabilitação, e o arsenal farmacológico disponível frequentemente esbarra em tolerabilidade, dependência ou refratariedade. Esta revisão de escopo consolida evidências de que o agulhamento seco em pontos-gatilho miofasciais dos músculos temporal e trapézio produz reduções clinicamente expressivas na intensidade, frequência e duração das crises, com perfil de segurança favorável em todos os sete estudos analisados. Na prática, isso significa que pacientes com cefaleia tensional episódica ou crônica, especialmente aqueles com uso excessivo de analgésicos ou contraindicação a profiláticos orais, ganham uma opção terapêutica concreta, não farmacológica e de baixo risco. A integração com programas de reabilitação cervical, controle postural e gestão de estresse fortalece o racional biopsicossocial que orienta o manejo moderno dessas cefaleias.
▸ Achados Notáveis
A magnitude das reduções reportadas merece atenção: a intensidade da dor caiu de 4,5 para 0,7 na EVA, a frequência mensal de 18,5 para 3,8 dias e a duração diária de 3,9 para 0,7 horas. Esses números, mesmo considerando a heterogeneidade dos protocolos, sugerem efeito terapêutico robusto e clinicamente relevante, não apenas estatístico. A convergência de múltiplos estudos em torno dos músculos temporal e trapézio como alvos primários é relevante porque valida a hipótese de que a sensibilização periférica oriunda de pontos-gatilho nesses músculos específicos alimenta os mecanismos centrais da CTT. O achado de que nenhum estudo registrou evento adverso sério reforça a viabilidade de incorporar a técnica em protocolos ambulatoriais, inclusive em pacientes com comorbidades que limitam o uso de fármacos.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no ambulatório de dor musculoesquelética, o paciente com cefaleia tensional que mais se beneficia do agulhamento seco é aquele com dor holocraniana acompanhada de tensão cervical palpável, muitas vezes sedentário, com jornada prolongada em tela e histórico de uso abusivo de analgésicos. Costumo observar resposta perceptível já após a segunda ou terceira sessão, com redução clara na frequência das crises. Em média, protocolo de quatro a seis sessões semanais ou bissemanais é suficiente para atingir platô de melhora, e sessões de manutenção mensais ou bimestrais sustentam o resultado. Associo rotineiramente o agulhamento ao trabalho de mobilização cervical e exercícios de estabilização cervicoscapular — a combinação reduz recidivas de forma muito mais consistente do que qualquer intervenção isolada. Evito indicar a técnica como monoterapia quando há componente de cefaleia por uso excessivo de medicação não tratado, pois o substrato central torna a resposta imprevisível. O trapézio superior e o temporal são meus alvos de primeira escolha, exatamente como a revisão documenta.
Artigo Original Completo
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Journal of Clinical Medicine · 2025
DOI: 10.3390/jcm14155320
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Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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