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Ultrasound-Guided Electroacupuncture for Thoracic Myofascial Pain Syndrome: A Case Report

Afonso et al. · Cureus · 2023

📖Relato de Caso👤n=1 participante⚠️Evidência Limitada
🎯

OBJETIVO

Demonstrar o uso de ultrassom para guiar eletroacupuntura de forma mais segura na região torácica

👥

QUEM

Homem de 56 anos com síndrome dolorosa miofascial crônica parascapular

⏱️

DURAÇÃO

6 sessões semanais de 20 minutos

📍

PONTOS

Região parascapular direita com 8 agulhas por sessão

🔬 Desenho do Estudo

1participantes
randomização

Eletroacupuntura guiada por ultrassom

n=1

6 sessões de eletroacupuntura com frequência 4Hz por 20 minutos

⏱️ Duração: 6 semanas de tratamento

📊 Resultados em Números

7 para 3

Redução da dor

Reportada

Melhora do sono

Melhorada

Amplitude de movimento

0

Complicações

📊 Comparação de Resultados

Escala numérica de dor (0-10)

Antes do tratamento
7
Após tratamento
3
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostra como o ultrassom pode tornar a acupuntura mais segura na região das costas, especialmente perto dos pulmões. Um paciente com dor crônica muscular teve melhora significativa da dor e do sono após 6 sessões de eletroacupuntura guiada por ultrassom.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Este relato de caso descreve uma abordagem inovadora para melhorar a segurança da acupuntura na região torácica através do uso de ultrassonografia em tempo real. O estudo foi conduzido por pesquisadores do Centro Hospitalar Tâmega e Sousa em Portugal e publicado na revista Cureus em 2023. O caso envolveu um homem de 56 anos que apresentava síndrome dolorosa miofascial crônica na região parascapular direita, com dor intensa (escala 7/10) e limitação da amplitude de movimento do ombro há mais de cinco anos. O paciente também relatava distúrbios do sono e humor deprimido, sendo obeso (IMC 33 kg/m²) e fazendo uso de medicamentos para hipertensão e depressão.

Tratamentos anteriores com anti-inflamatórios, relaxantes musculares e fisioterapia mostraram eficácia baixa ou temporária. A síndrome dolorosa miofascial é caracterizada pela presença de pontos gatilho em músculos, sendo uma das condições de dor musculoesquelética crônica mais comuns. Embora a acupuntura seja geralmente segura, existe risco de complicações como pneumotórax quando realizada na região torácica, especialmente em pacientes obesos onde a localização precisa dos pontos pode ser desafiadora. A metodologia empregada utilizou ultrassonografia em tempo real (equipamento Logic-e da GE Healthcare com sonda linear de 10 MHz) para guiar a inserção de oito agulhas de acupuntura por sessão.

O protocolo consistiu em seis sessões semanais de eletroacupuntura com parâmetros de 4 Hz e 100 ms por 20 minutos, com intensidade considerada significativa mas tolerável pelo paciente. O ultrassom permitiu visualizar as diferentes camadas musculares (trapézio, romboide e eretor da espinha) abaixo do tecido subcutâneo espesso, mantendo distância segura da pleura para prevenir pneumotórax. Os resultados mostraram redução significativa da dor na escala numérica de 7 para 3, melhora da amplitude de movimento e melhor qualidade do sono um mês após completar o tratamento. Curiosamente, o humor não apresentou melhora.

Não foram relatadas complicações durante todo o procedimento. A principal vantagem desta técnica foi permitir posicionamento preciso das agulhas em diferentes camadas musculares profundas e superficiais, mantendo consistência entre as sessões e evitando estruturas vitais. No entanto, os autores identificaram algumas limitações práticas, incluindo dificuldade causada pelo gel de ultrassom durante o posicionamento das agulhas, dificuldade para manipular a sonda após algumas agulhas já estarem posicionadas, e dificuldade na visualização das agulhas finas. Além disso, o procedimento foi mais demorado e custoso comparado à técnica convencional sem orientação.

As implicações clínicas deste trabalho sugerem que a ultrassonografia pode ser uma ferramenta valiosa para practitioners de acupuntura médica ocidental, especialmente ao tratar pontos gatilho na região torácica onde o risco de complicações é maior. A técnica demonstrou ser viável para especialistas em medicina da dor com treinamento em ultrassom. O estudo contribui para o conhecimento sobre como melhorar a precisão e segurança dos procedimentos de agulhamento seco e acupuntura, particularmente em regiões anatômicas complexas e em pacientes obesos onde a palpação pode ser limitada.

Pontos Fortes

  • 1Técnica inovadora para melhorar segurança
  • 2Descrição detalhada da metodologia
  • 3Resultados clínicos positivos
  • 4Ausência de complicações
⚠️

Limitações

  • 1Apenas um caso relatado
  • 2Sem grupo controle
  • 3Seguimento limitado
  • 4Aumento do tempo e custo do procedimento

📅 Contexto Histórico

2008Primeiros relatos de injeções guiadas por ultrassom em pontos gatilho
2017Leow et al. descrevem potencial do ultrassom na acupuntura
2023Primeiro relato de eletroacupuntura guiada por ultrassom em tempo real
Dr. Marcus Yu Bin Pai

Comentário do Especialista

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP 158074 · RQE 65223, 65224

Relevância Clínica

A eletroacupuntura guiada por ultrassom na região torácica responde a uma demanda real dos ambulatórios de dor: como tratar síndrome dolorosa miofascial parascapular com segurança em pacientes obesos, onde a palpação de referências anatômicas é imprecisa e o risco de pneumotórax não é desprezível. O caso descreve um homem de 56 anos, IMC 33 kg/m², com dor crônica parascapular direita há mais de cinco anos refratária a anti-inflamatórios, relaxantes musculares e fisioterapia — perfil que encontramos rotineiramente em serviços de reabilitação e dor. A redução da escala numérica de 7 para 3 após seis sessões, com ganho de amplitude de movimento e melhora do sono, sugere que o protocolo de eletroacupuntura a 4 Hz por 20 minutos pode ser incorporado à abordagem multimodal desses pacientes. A guia ecográfica viabiliza o posicionamento preciso nas camadas de trapézio, romboide e eretor da espinha, mantendo distância segura da pleura — o que amplia a indicação do procedimento para casos em que a técnica cega seria contraindicada ou de alto risco.

Achados Notáveis

A dissociação entre melhora da dor, do sono e da amplitude de movimento, sem correspondente melhora do humor, merece atenção. O paciente em uso de antidepressivo mantinha humor deprimido ao final do tratamento, sugerindo que a modulação nociceptiva obtida pela eletroacupuntura opera por vias distintas das que sustentam o estado afetivo — achado coerente com o que se sabe sobre a independência parcial entre processamento da dor e regulação do humor em dor crônica. Do ponto de vista técnico, a capacidade de distinguir e atingir camadas musculares distintas em tempo real — superficiais e profundas — com consistência reprodutível entre sessões representa um avanço metodológico relevante para o agulhamento em regiões de anatomia complexa. A ausência de complicações em um paciente com obesidade e na região torácica reforça o perfil de segurança quando se dispõe de imagem em tempo real para guiar a inserção, algo que os estudos de agulhamento convencional raramente documentam com este nível de detalhe anatômico.

Da Minha Experiência

Na minha prática no ambulatório de dor musculoesquelética, o agulhamento guiado por imagem já faz parte da rotina para bloqueios e infiltrações, mas a incorporação do ultrassom especificamente para eletroacupuntura em pontos-gatilho torácicos ainda é incipiente entre nós. Tenho observado que pacientes com IMC acima de 30 e dor parascapular crônica são exatamente aqueles em que a técnica cega gera mais insegurança no operador e, consequentemente, agulhamento superficial insuficiente. Costumo ver resposta clínica meaningful a partir da terceira ou quarta sessão nesses casos, com platô por volta da oitava a décima sessão — o que torna o protocolo de seis sessões descrito aqui relativamente conciso, mas plausível para uma resposta inicial. Associo habitualmente com programa de fortalecimento escapular e orientação postural, pois a síndrome miofascial parascapular tem forte componente biomecânico que a eletroacupuntura isolada não resolve a longo prazo. O perfil que melhor responde, na minha experiência, é o paciente com dor localizada, pontos-gatilho ativos identificáveis e sem componente central dominante — exatamente o perfil descrito neste caso.

Doutor em Ciências pela USP. Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

Cureus · 2023

DOI: 10.7759/cureus.36973

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.