acupuntura.com
BibliotecaAtlas
ExercíciosNotícias
BibliotecaAtlas
ExercíciosNotícias
acupuntura.com

Portal brasileiro de acupuntura médica baseada em evidências. Conteúdo médico gratuito, revisado por equipe de Médicos Especialistas em Acupuntura Médica e Dor.

NAVEGAÇÃO

InícioArtigosAcupunturaAtlasMúsculosExercícios

CONTEÚDO

NotíciasBibliotecaGuiasMultimodal

PACIENTES

SintomasMapa da DorPatologiasFAQPrimeira Sessão

INSTITUCIONAL

SobreEquipeCEIMECPorque Confiar

LEGAL

Política EditorialPrivacidadeTermos de UsoAviso Legal

RECURSO

GRATUITO · EDUCATIVO

Sem publicidade. Sem paywall. Revisão médica contínua.

01 · IDIOMA · LANGUAGE

Disponível em outras línguas

Disponible en otros idiomas

Dr. Marcus Yu Bin Pai·Médico Acupunturista·CRM-SP 158074·RQE 65523 / 65524 / 655241

Aviso: Conteúdo educativo. Não substitui avaliação médica individual. Sempre consulte um médico acupunturista qualificado.

acupuntura.com · 2025–2026Última revisão editorial: 2026-05-04
Voltar para Notícias
PesquisaAnálise Completa
16 de novembro de 2025
6 min de leitura

Ensaio PEACE: Eletroacupuntura e Acupuntura Auricular Melhoram Função dos Membros em Sobreviventes de Câncer com Dor Crônica

Análise secundária com 360 pacientes do Memorial Sloan Kettering demonstra melhora funcional significativa de membros superiores e inferiores em até 24 semanas — com ganhos ainda maiores em quem responde ao controle da dor

Fonte: Current Oncology(em inglês)DOI: 10.3390/curroncol32110640
Ensaio PEACE: Eletroacupuntura e Acupuntura Auricular Melhoram Função dos Membros em Sobreviventes de Câncer com Dor Crônica

Os sobreviventes de câncer enfrentam um desafio que vai além da remissão da doença: a dor musculoesquelética crônica — presente em 30% a 40% desta população — compromete progressivamente a função dos membros, reduz a capacidade de realizar atividades cotidianas e piora substancialmente a qualidade de vida. O ensaio PEACE (Personalized Electro-acupuncture versus Auricular Acupuncture Comparative Effectiveness), conduzido pelo Memorial Sloan Kettering Cancer Center de Nova York entre 2017 e 2019, foi o maior ensaio clínico randomizado até então a comparar duas modalidades de acupuntura com um grupo controle em sobreviventes de câncer com dor crônica. Uma análise secundária publicada em novembro de 2025 no periódico Current Oncology acrescenta uma dimensão fundamental ao estudo original: a recuperação funcional dos membros superiores e inferiores.

O trabalho, coordenado por Lingyun Sun (Hospital Xiyuan, Academia Chinesa de Ciências Médicas) e Jun J. Mão (Memorial Sloan Kettering), analisou 360 pacientes com diagnóstico prévio de câncer e dor musculoesquelética crônica (duração >3 meses, BPI >4). A média de idade foi de 62,1 ± 12,7 anos; 69,7% eram mulheres e 24,4% não brancos. O tipo de câncer mais prevalente foi mama (45,8%), seguido de linfoma (14,2%), próstata (11,4%) e outros. Os pacientes foram randomizados em razão 2:2:1 para eletroacupuntura (EA, n=145), acupuntura auricular (AA, n=143) ou lista de espera (controle, n=72).

MELHORA FUNCIONAL VS. CONTROLE (LISTA DE ESPERA) — SEMANA 12

−7,18
Q-DASH — ELETROACUPUNTURA
IC 95%: −10,39 a −3,96; p < 0,001 (membros superiores)
−9,64
Q-DASH — AURICULOTERAPIA
IC 95%: −12,89 a −6,40; p < 0,001 (membros superiores)
−6,89
WOMAC — ELETROACUPUNTURA
IC 95%: −10,33 a −3,44; p < 0,001 (membros inferiores)
−7,61
WOMAC — AURICULOTERAPIA
IC 95%: −11,08 a −4,14; p < 0,001 (membros inferiores)
−6,74
GANHO ADICIONAL NO Q-DASH
Em respondedores vs. não respondedores à dor (p < 0,001)

O Ensaio PEACE e Seus Braços de Tratamento

Os pacientes do grupo eletroacupuntura receberam 10 sessões de 30 minutos ao longo de 10 semanas, com estimulação elétrica de 2 Hz aplicada em quatro acupontos próximos à região de maior dor. O grupo de acupuntura auricular recebeu o protocolo de "battlefield acupuncture" — desenvolvido originalmente para o tratamento de dor em ambiente militar —, com até 10 agulhas semipermanentes em acupontos auriculares específicos, mantidas por 3 a 4 dias entre as sessões. O grupo controle (lista de espera) manteve seu manejo habitual da dor, incluindo medicamentos, fisioterapia ou injeções, sem restrição.

Os desfechos funcionais foram avaliados por duas escalas amplamente validadas: o Quick Disabilities of the Arm, Shoulder and Hand (Q-DASH) para função dos membros superiores (0–100, maiores valores = maior incapacidade) e o Western Ontario and McMaster Universities Osteoarthritis Index (WOMAC) — subescala de função física — para membros inferiores (0–100, maiores valores = maior incapacidade). Os pacientes foram avaliados nas semanas 4, 10, 12, 16 e 24.

RESPONDEDORES À DOR: QUEM RESPONDE À DOR TAMBÉM RECUPERA MAIS FUNÇÃO

Os pesquisadores definiram como "respondedores à dor" os pacientes que alcançaram redução ≥30% no BPI (Brief Pain Inventory) entre o início e a semana 10 de tratamento. Entre os 288 pacientes dos dois braços de acupuntura, 57,9% (n=173) foram classificados como respondedores.

A análise comparativa revelou um gradiente funcional claro: respondedores obtiveram melhora adicional de 6,74 pontos no Q-DASH (IC 95%: diferença significativa, p < 0,001) e 6,16 pontos no WOMAC (p < 0,001) em relação aos não respondedores na semana 12. Está associação se manteve em praticamente todos os pontos de tempo avaliados — Q-DASH semana 4 (diferença: −4,68; p=0,0014), semana 16 (−3,97; p=0,0077) e semana 24 (−3,84; p=0,01) — sugerindo que o controle eficaz da dor é um mediador importante da recuperação funcional.

Membros Superiores vs. Inferiores: Padrões Distintos de Recuperação

Ambas as modalidades mostraram benefícios significativos em membros superiores (Q-DASH) e inferiores (WOMAC) na semana 12, sem diferença entre EA e AA nos dois desfechos (Q-DASH p=0,068; WOMAC p=0,61). Contudo, os padrões de manutenção ao longo do tempo diferiram entre os segmentos anatômicos. Para os membros superiores, os ganhos no Q-DASH atingiram pico na semana 10 (EA: −9,42; AA: −10,85 vs. controle), mantiveram-se na semana 12 e apresentaram declínio parcial na semana 24 (EA: −7,46; AA: −9,89), com aumento significativo de aproximadamente 2,4 pontos em ambos os grupos (p ≈ 0,02) — indicando que os benefícios para membros superiores diminuem gradualmente após o término das sessões.

Para os membros inferiores (WOMAC), o padrão foi mais favorável: os ganhos da semana 12 (EA: −10,73; AA: −11,45 vs. controle) mantiveram-se praticamente estáveis até a semana 24 (EA: −10,32; AA: −9,78), sem declínio estatisticamente significativo. Ambos os grupos de acupuntura atingiram na semana 12 a diferença mínima clinicamente importante (DMCI) estabelecida em 11 pontos para o WOMAC — um limiar que o grupo controle não alcançou em nenhum momento do seguimento.

INSIGHT

Este estudo é especialmente relevante para a oncologia integrativa porque coloca em foco um desfecho que os pacientes frequentemente relatam como prioridade: não apenas sentir menos dor, mas conseguir usar os braços e as pernas novamente. A associação entre resposta à dor e melhora funcional documenta uma relação que observamos clinicamente — o paciente que passa a controlar melhor a dor têm mais disposição e confiança para se mover, o que retroalimenta positivamente a recuperação funcional. O fato de a acupuntura auricular (battlefield) ter produzido resultados equivalentes à eletroacupuntura é clinicamente relevante: ela é mais acessível, de mais fácil aplicação em contextos oncológicos com imunossupressão ou limitações de acesso (menor risco de sangramento em áreas auriculares), e pode ser mantida entre as sessões. Na prática com pacientes oncológicos, recomendo iniciar o ciclo com eletroacupuntura para controle da dor e, em paralelo, introduzir auriculopressão com sementes (sem agulhas semipermanentes) como modalidade de manutenção entre as sessões.
— Dr. Marcus Yu Bin Pai · CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241

LIMITAÇÕES RECONHECIDAS PELOS AUTORES

  • Análise secundária e exploratória — o PEACE foi desenhado para avaliar dor, não função dos membros; desfechos funcionais são secundários e devem ser interpretados com cautela
  • Ausência de grupo sham: o grupo controle foi lista de espera, não acupuntura falsa, o que pode superestimar os efeitos
  • Desenho pragmático em centros acadêmicos urbanos/suburbanos — limitada generalizabilidade para contextos de atenção primária ou rural
  • Muitos participantes tinham função basal próxima do normal (Q-DASH médio 33,2 e WOMAC 33,3), potencialmente subestimando os ganhos em pacientes com maior grau de incapacidade
  • Seguimento máximo de 24 semanas — não está claro se os efeitos se mantêm a longo prazo sem sessões de manutenção

IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA MÉDICA EM ONCOLOGIA INTEGRATIVA

  • Incluir desfechos funcionais na avaliação de pacientes oncológicos em acupuntura — não apenas dor (BPI) mas também Q-DASH e/ou WOMAC conforme o sítio de maior comprometimento
  • Pacientes com câncer de mama (45,8% da amostra) são candidatos de alto impacto potencial, dada a alta prevalência de dor artralgiante induzida por inibidores de aromatase e comprometimento funcional de membros superiores
  • Membros inferiores respondem com durabilidade maior que membros superiores — pacientes com limitação de joelho/quadril tendem a manter os ganhos após o término das sessões; membros superiores podem se beneficiar de sessões de manutenção mensais
  • Respondedores à dor têm melhor prognóstico funcional — monitorar a resposta à dor nas primeiras 4 semanas permite identificar precocemente quem mais se beneficiará do ciclo completo de 10 sessões
PERGUNTAS FREQUENTES · 03

Perguntas Frequentes

O ensaio PEACE foi conduzido com sobreviventes de câncer (não em tratamento ativo quimioterápico na maioria), mas a literatura de segurança em oncologia ativa é ampla. Em pacientes imunossuprimidos ou com contagem de plaquetas reduzida, o médico acupunturista deve adaptar o protocolo: evitar agulhamento em áreas de linfedema, respeitar limiar de plaquetas (geralmente &gt;50.000/μL para acupuntura padrão), e preferir auriculopressão com sementes (não agulhas) em pacientes com neutropenia grave. A decisão deve ser individualizada e integrada à equipe oncológica responsável.

O Quick-DASH (Quick Disabilities of the Arm, Shoulder and Hand) é uma versão abreviada de 11 itens do instrumento DASH, que avalia a capacidade de realizar atividades cotidianas com membros superiores (escrever, carregar objetos, abrir portas). A escala vai de 0 (sem incapacidade) a 100 (incapacidade máxima). A Diferença Mínima Clinicamente Importante (DMCI) é de 12 a 15 pontos. Neste estudo, os ganhos da eletroacupuntura (−7,18) ficaram abaixo da DMCI, enquanto os da auriculoterapia (−9,64) se aproximaram do limiar. Isso indica melhora estatisticamente significativa e clinicamente relevante para a maioria dos pacientes, embora não todos atinjam o limiar de mudança perceptível pelo paciente.

Os autores especulam que a diferença pode refletir distinções na biomecânica e na fisiopatologia da dor: dor de joelho/quadril (predominante nos membros inferiores da amostra) frequentemente têm componente inflamatório e articular que responde com mais durabilidade à modulação neuroinflamatória da acupuntura, enquanto a dor de ombro/braço (frequente em sobreviventes de câncer de mama) pode ter componente maior de hipersensibilidade central e neuropatia periférica, mais sujeita a recidiva. Está hipótese requer confirmação em estudos específicos.

Fonte Original

Current Oncology(em inglês)

Estudo Científico

DOI: 10.3390/curroncol32110640
Conteúdo elaborado por
CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa

Fundado em 1989 por médicos formados pela USP e especializados na China, o CEIMEC é referência nacional no ensino e prática da acupuntura médica. Com mais de 3.000 médicos formados em 35 anos, colabora com o HC-FMUSP e é reconhecido pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA/AMB).

Publicado em 2025-11-16

Saiba Mais sobre este Tema

Artigos educativos relacionados

Pacientes Oncológicos e Eletroacupuntura

Indicações, precauções e contraindicações para pacientes com câncer

Todas as Notícias