A dor crônica oncológica afeta entre 55% e 95% dos pacientes com câncer avançado e permanece subtratada em grande parte dos casos, mesmo com o uso de opioides. A escada analgésica da OMS — paracetamol, AINEs, opioides fracos e fortes — alivia a dor em cerca de 70% a 90% dos pacientes, mas os efeitos colaterais dos opioides (náusea, constipação, sedação, risco de dependência) comprometem a adesão e a qualidade de vida. Uma meta-análise publicada no European Journal of Integrative Medicine avaliou sistematicamente se a acupuntura, usada como adjuvante ao tratamento analgésico convencional, é capaz de ampliar o controle da dor e reduzir a carga dos opioides em pacientes oncológicos.
ACUPUNTURA ADJUVANTE PARA DOR ONCOLÓGICA CRÔNICA
Como o estudo foi conduzido
A equipe de Yuxian Li e Bo Li realizou busca sistemática em oito bases de dados chinesas e internacionais, identificando ECRs que compararam acupuntura combinada com tratamento ativo — analgésicos convencionais, quimioterapia, radioterapia — versus tratamento ativo isolado, sem tratamento, ou sham acupuntura. Os 21 ensaios incluídos cobriram diferentes tipos de câncer e regimes analgésicos, com desfechos mensurados por escalas validadas (NRS, VAS), contagem de episódios de dor irruptiva, dose diária de opioides e instrumentos de qualidade de vida.
Qualidade de vida e segurança
Além do controle álgico, a acupuntura adjuvante produziu melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes (MD = 6,37; IC 95%: 3,21 a 9,54; p < 0,0001), um desfecho central no contexto oncológico onde fadiga, ansiedade e funcionalidade diária são tão relevantes quanto a intensidade da dor. O perfil de segurança foi favorável: nenhum evento adverso grave foi atribuído à acupuntura nos estudos que reportaram dados de segurança. Os efeitos adversos leves observados — hematomas pontuais, desconforto transitório no sítio de inserção — não diferiram dos verificados em estudos não-oncológicos.
Perguntas Frequentes
Sim, mas com cuidados específicos de protocolo. Pacientes com neutropenia grave (neutrófilos < 500/mm³) requerem avaliação cuidadosa antes de cada sessão. O risco de infecção pelo agulhamento é mínimo com técnica asséptica rigorosa, e centros oncológicos de referência integram a acupuntura médica ao manejo de sintomas durante a quimioterapia. A decisão deve ser tomada pelo médico oncologista em conjunto com o médico acupunturista.
A meta-análise incluiu diferentes tipos de câncer sem estratificação por localização tumoral. Há evidências específicas mais robustas para câncer de mama, cólon e pulmão. Para dor oncológica óssea por metástases, a acupuntura pode ser adjuvante útil, mas a radioterapia paliativa permanece o tratamento de escolha. O médico acupunturista deve conhecer o estágio da doença, o regime oncológico em curso e as contraindicações específicas do paciente antes de iniciar o tratamento.
Fonte Original
European Journal of Integrative Medicine(em inglês)Estudo Científico
DOI: 10.1016/j.eujim.2025.102493Fundado em 1989 por médicos formados pela USP e especializados na China, o CEIMEC é referência nacional no ensino e prática da acupuntura médica. Com mais de 3.000 médicos formados em 35 anos, colabora com o HC-FMUSP e é reconhecido pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA/AMB).
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