A espondilite anquilosante (EA) é uma espondiloartropatia inflamatória crônica que afeta principalmente a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas, cursando com dor lombar inflamatória, rigidez matinal progressiva e risco de anquilose estrutural. Embora os anti-inflamatórios não esteroidais e os imunobiológicos (inibidores de TNF-α e IL-17) sejam os pilares do tratamento, muitos pacientes mantêm sintomas residuais ou apresentam intolerância ou contraindicações aos agentes biológicos. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada na Frontiers in Neurology compilou 52 ensaios clínicos randomizados com mais de 2.600 pacientes para avaliar o efeito da acupuntura como terapia adjuvante, demonstrando reduções significativas tanto nos sintomas clínicos quanto nos biomarcadores inflamatórios.
EFEITOS DA ACUPUNTURA NA ESPONDILITE ANQUILOSANTE
Modulação imunológica: o diferencial desta análise
O diferencial desta meta-análise em relação a revisões anteriores sobre acupuntura na EA é a avaliação sistemática de indicadores imunológicos. Além dos desfechos clínicos habituais (dor, rigidez, BASDAI e BASFI), Wang e colaboradores analisaram citocinas inflamatórias: interleucina-6 (IL-6), interleucina-17 (IL-17), fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e imunoglobulina A (IgA). Em todos esses marcadores, o grupo tratado com acupuntura apresentou reduções significativas comparado ao controle, sugerindo que os efeitos clínicos são acompanhados de modulação do perfil imune inflamatório característico da doença.
Mecanismo proposto
Os autores propõem que a acupuntura atua na EA por meio de uma rede neuro-imune-endócrina. A estimulação desses acupontos têm sido associada a modulação do eixo HPA e da inervação parassimpática em modelos experimentais, com possível redução de citocinas pró-inflamatórias. Pontos como ST36, SP6 e GV14 apresentaram ação imunomoduladora em modelos experimentais de artrite inflamatória, o que é compatível com os achados desta meta-análise em pacientes com EA.
A heterogeneidade substancial identificada entre os estudos — decorrente de variações nos protocolos de pontos, número de sessões e populações — impõe cautela na interpretação. Os autores destacam que 20 dos 52 ECRs foram classificados com baixo risco de viés, o que representa uma base razoável para as conclusões gerais. Ensaios prospectivos com padronização de protocolos e acompanhamento de longo prazo são necessários para definir o posicionamento da acupuntura nos algoritmos de manejo da espondilite anquilosante.
Fundado em 1989 por médicos formados pela USP e especializados na China, o CEIMEC é referência nacional no ensino e prática da acupuntura médica. Com mais de 3.000 médicos formados em 35 anos, colabora com o HC-FMUSP e é reconhecido pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA/AMB).
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