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Dr. Marcus Yu Bin Pai·Médico Acupunturista·CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241

Aviso: Conteúdo educativo. Não substitui avaliação médica individual. Sempre consulte um médico acupunturista qualificado.

acupuntura.com · 2025–2026Última revisão editorial: 2026-05-04
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PesquisaAnálise Completa
11 de setembro de 2024
6 min de leitura

Acupuntura Reduz Fadiga na Esclerose Múltipla: Meta-Análise 2024 Revela Potencial Significativo como Terapia Adjuvante

Meta-análise de 6 estudos (Complementary Therapies in Medicine, 2024) com 4 ECRs e 2 estudos observacionais demonstra que a acupuntura reduz significativamente a fadiga na esclerose múltipla (DM=−0,92; IC −1,36 a −0,47; p<0,0001) e melhora a qualidade de vida (SMD=0,91; p=0,03) em pacientes onde a fadiga afeta 75–90% dos casos

Fonte: Complementary Therapies in Medicine(em inglês)DOI: 10.1016/j.ctcp.2024.101902
Acupuntura Reduz Fadiga na Esclerose Múltipla: Meta-Análise 2024 Revela Potencial Significativo como Terapia Adjuvante

A fadiga é o sintoma mais prevalente e incapacitante na esclerose múltipla (EM), afetando entre 75% e 90% dos pacientes em algum momento da doença. Diferente da fadiga por esforço físico, a fadiga na EM têm componentes específicos: fadiga central (por desmielinização de vias corticais e subcorticais), fadiga periférica (muscular, por condução nervosa lentificada) e fadiga secundária (por insônia, dor crônica, depressão e efeitos colaterais de médicações). O arsenal farmacológico para fadiga na EM é limitado: amantadina e modafinil têm eficácia modesta e tolerabilidade variável. Uma meta-análise publicada em setembro de 2024 no Complementary Therapies in Medicine oferece o primeiro panorama sistemático do efeito da acupuntura nessa condição.

O estudo reuniu 6 estudos — 4 ensaios clínicos randomizados e 2 estudos observacionais — avaliando pacientes com diagnóstico estabelecido de EM e fadiga como desfecho primário ou secundário. Os instrumentos de medida incluíram a Fatigue Severity Scale (FSS), a Modified Fatigue Impact Scale (MFIS) e escalas visuais analógicas específicas para fadiga. A qualidade de vida foi avaliada com instrumentos como o MS Impact Scale (MSIS) e o SF-36. Apesar do número reduzido de estudos, os resultados foram consistentes e estatisticamente robustos.

RESULTADOS PRINCIPAIS

6
ESTUDOS
4 ECRs + 2 estudos observacionais sobre acupuntura na EM
−0,92
DM (FADIGA)
Redução vs. controle (IC −1,36 a −0,47; p<0,0001)
0,91
SMD (QOL)
Melhora na qualidade de vida (p=0,03)
75–90%
PREVALÊNCIA
Pacientes com EM afetados por fadiga significativa

Análise dos resultados: efeito robusto apesar do tamanho amostral

A diferença média de −0,92 na escala de fadiga indica redução clinicamente relevante — especialmente considerando que a FSS têm variação de 1 a 7, e uma mudança de 0,7 pontos é geralmente considerada o MCID para essa escala. A magnitude do efeito da acupuntura supera o MCID, sugerindo benefício perceptível pelos pacientes no cotidiano. O SMD de 0,91 para qualidade de vida representa um efeito de grande magnitude na classificação de Cohen (grande > 0,8), indicando que a melhora da fadiga se traduz em ganho substancial no funcionamento diário, social e emocional.

A consistência dos resultados entre os 6 estudos — que incluíram tanto ECRs quanto estudos observacionais em diferentes países — fortalece a robustez dos achados. O intervalo de confiança para a diferença de fadiga (−1,36 a −0,47) não cruza o zero em nenhum de seus limites, confirmando a significância estatística e sugerindo que o benefício é real e não um artefato de análise.

MECANISMOS DE AÇÃO DA ACUPUNTURA NA FADIGA DA EM

A fadiga na EM é multifatorial, e a acupuntura age em múltiplos componentes simultaneamente. Para a fadiga central: a acupuntura em GV20, GV14 e pontos do meridiano Vejiga Urinária pode estimular vias dopaminérgicas e serotonérgicas que regulam o estado de alerta e reduzem a sensação subjetiva de fadiga, em estudos experimentais. Para o componente inflamatório: a acupuntura pode reduzir IL-6, TNF-α e outras citocinas pró-inflamatórias que contribuem para a fadiga nas doenças autoimunes, em estudos experimentais. Para o componente de sono: HT7, PC6 e SP6 modulam o ritmo circadiano e melhoram a qualidade do sono — frequentemente perturbado na EM. Para a qualidade de vida: a melhora simultânea de fadiga, dor e humor têm efeito cumulativo significativo sobre a funcionalidade global.

Contexto clínico: fadiga na EM como prioridade de tratamento

Pesquisas de perspectiva dos pacientes consistentemente apontam a fadiga — e não a espasticidade ou os distúrbios de marcha — como o sintoma de maior impacto no cotidiano de pessoas com EM. Ela interfere com o trabalho, as relações sociais, a capacidade de cuidar da família e a autoestima. Apesar disso, é frequentemente subestimada nas consultas neurológicas, que tendem a focar em desfechos de imagem (lesões em RM, atrofia cerebral) e neurológicos objetivos. A ausência de opções farmacológicas satisfatórias torna a evidência sobre a acupuntura particularmente relevante para neurologistas que buscam complementar o manejo de sintomas.

INSIGHT

A esclerose múltipla é uma das condições onde mais percebo o benefício da acupuntura na qualidade de vida subjetiva dos pacientes. A fadiga na EM não responde bem a estimulantes e frequentemente piora com o calor (fenômeno de Uhthoff) — o que limita muito as opções de exercício que poderiam ajudar. O protocolo que desenvolvi para esses pacientes combina ST36 e SP6 para fadiga sistêmica, GV20 e GV24 para clareza mental e fadiga central, PC6 para regulação do sistema nervoso autônomo, e BL23 como ponto adicional de suporte. A sessão de acupuntura costuma ser realizada em temperatura ambiente controlada (nunca em sala quente) para evitar o fenômeno de Uhthoff. Muitos pacientes relatam que as 24–48h após a sessão são as de menor fadiga da semana.
— Dr. Marcus Yu Bin Pai · CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241

LIMITAÇÕES RECONHECIDAS PELOS AUTORES

  • Número limitado de estudos (n=6), com amostras relativamente pequenas — poder estatístico reduzido
  • Inclusão de estudos observacionais ao lado de ECRs — nível de evidência heterogêneo
  • Heterogeneidade nos protocolos de acupuntura entre os estudos (pontos, frequência, número de sessões)
  • Variação nos instrumentos de medida de fadiga (FSS, MFIS, VAS) dificultando comparações diretas
  • Dados de seguimento de longo prazo ausentes — efeito de manutenção após o término do tratamento desconhecido
  • Não é possível determinar o efeito isolado da acupuntura em pacientes usando imunomoduladores (interferona, natalizumabe, etc.)

IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA DO MÉDICO ACUPUNTURISTA

  • Acupuntura é uma opção adjuvante baseada em evidências para fadiga na EM, especialmente em pacientes refratários a amantadina e modafinil
  • Protocolo base: ST36, SP6 (pontos gerais de suporte), GV20, GV24 (fadiga central), PC6 (regulação autonômica), BL23 (ponto de suporte)
  • Realizar sessões em ambiente com temperatura controlada — evitar calor excessivo para não precipitar fenômeno de Uhthoff
  • Documentar fadiga com FSS ou MFIS pré e pós-tratamento para monitorar resposta
  • Comunicar resultados ao neurologista responsável pelo acompanhamento da EM — integração cuidado multidisciplinar
PERGUNTAS FREQUENTES · 03

Perguntas frequentes

Não há evidência de interação entre acupuntura e os principais imunomoduladores utilizados na EM (interferona beta, acetato de glatirâmer, natalizumabe, ocrelizumabe, siponimode). A acupuntura pode ser realizada em paralelo ao tratamento neurológico convencional. O médico acupunturista deve ser informado de todos os medicamentos em uso, especialmente anticoagulantes (que contraindicam procedimentos mais invasivos) e corticosteroides em uso de curto prazo (nas crises).

Durante uma crise aguda da EM — com piora neurológica ativa e inflamação em curso — recomenda-se aguardar a estabilização antes de iniciar ou retomar a acupuntura. O período agudo de crise geralmente é tratado com corticosteroides em pulsoterapia. A acupuntura é mais indicada como tratamento de fase crônica e de manutenção, não como intervenção para a crise aguda. Após estabilização (2–4 semanas pós-crise), pode ser retomada com foco em recuperação da fadiga e funções comprometidas.

Os estudos desta meta-análise utilizaram protocolos variados de 4 a 12 semanas. Em minha prática, alguns pacientes com EM relatam melhora da fadiga após algumas sessões. Os estudos incluídos utilizaram tipicamente ciclos de 8-12 sessões. Sessões de manutenção podem ser consideradas individualmente pelo médico acupunturista. A consistência do tratamento é fundamental — interrupções frequentes reduzem o efeito acumulativo.

Fonte Original

Complementary Therapies in Medicine(em inglês)

Estudo Científico

DOI: 10.1016/j.ctcp.2024.101902Ver no PubMed
Conteúdo elaborado por
CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa

Fundado em 1989 por médicos formados pela USP e especializados na China, o CEIMEC é referência nacional no ensino e prática da acupuntura médica. Com mais de 3.000 médicos formados em 35 anos, colabora com o HC-FMUSP e é reconhecido pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA/AMB).

Publicado em 2024-09-11
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