A insônia é uma das complicações mais frequentes e debilitantes do tratamento do câncer de pulmão, afetando uma parcela substancial dos pacientes e comprometendo tanto a qualidade de vida quanto a adesão terapêutica. Um estudo de coorte retrospectiva publicado no Supportive Care in Cancer demonstra que a acupuntura realizada durante o período de tratamento oncológico pode reduzir em aproximadamente 50% a incidência de insônia nesses pacientes — resultado que reforça o papel da acupuntura médica como estratégia de suporte integrativo em oncologia.
O Estudo
Os pesquisadores analisaram prontuários eletrônicos de um grande centro médico chinês, identificando 918 pacientes com câncer de pulmão com características clínicas comparáveis. Após o pareamento estatístico por escore de propensão — técnica que controla diferenças basais entre os grupos — foram constituídos dois grupos de 459 pacientes: um que recebeu acupuntura durante o seguimento e outro que não recebeu. O desfecho primário foi a incidência de insônia após o diagnóstico.
Mecanismos Propostos
Os autores propõem que os benefícios da acupuntura sobre o sono em pacientes oncológicos envolvem a modulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), com consequente redução dos níveis circulantes de cortisol. Paralelamente, a acupuntura estimula a liberação de serotonina — neurotransmissor fundamental na regulação do ciclo sono-vigília e no controle do humor. Esses mecanismos oferecem uma hipótese neurofisiológica plausível que requer confirmação em estudos prospectivos controlados.
Embora o desenho retrospectivo limite inferências causais diretas, a magnitude da diferença observada e o rigor metodológico do pareamento por escore de propensão conferem credibilidade aos resultados. Ensaios clínicos randomizados prospectivos são necessários para confirmar a eficácia preventiva e definir protocolos de dose e frequência ideais para essa indicação.
Fundado em 1989 por médicos formados pela USP e especializados na China, o CEIMEC é referência nacional no ensino e prática da acupuntura médica. Com mais de 3.000 médicos formados em 35 anos, colabora com o HC-FMUSP e é reconhecido pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA/AMB).
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