Neuralgia pós-herpética (NPH) é definida como dor neuropática que persiste por mais de 90 dias após o início do exantema de herpes-zóster, ocorrendo em 10% a 20% dos pacientes — mais frequentemente em maiores de 60 anos. O quadro pode ser severamente incapacitante, com dor em queimação, alodinia tátil e disestesias persistentes. Tratamentos farmacológicos de primeira linha incluem gabapentinoides (gabapentina, pregabalina), antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, nortriptilina) e adesivo de lidocaína 5%. A vacinação contra herpes-zóster (Shingrix) é a estratégia mais efetiva de prevenção, mas para pacientes com NPH estabelecida, opções adjuvantes — incluindo acupuntura — permanecem em investigação.
O Que a Literatura Mostra
As meta-análises sugerem redução modesta a moderada da intensidade da dor em comparação ao tratamento farmacológico isolado, com magnitude de efeito menor do que a observada em outras dores neuropáticas. Há sinais de benefício adicional em escalas multidimensionais (NPSI, SF-MPQ) e em qualidade de vida. A combinação de acupuntura segmentar (com pontos no dermátomo afetado) e ventosa terapia parece oferecer melhor resposta do que cada modalidade isoladamente.
Plausibilidade Mecanística
A NPH envolve alterações tanto periféricas (perda axonal, fibras desnervadas, sensibilização periférica) quanto centrais (sensibilização central, alterações no corno dorsal medular e em vias supraespinhais). A acupuntura segmentar pode atuar via gate control, modulação descendente via PAG e RVM, redução da sensibilização central e atenuação de marcadores inflamatórios locais. A eletroacupuntura em frequências mistas mostra ativação maior dessas vias do que a acupuntura manual isolada em modelos animais.
Limitações da Evidência
A literatura é dominada por estudos asiáticos com tamanho amostral moderado e cegamento limitado. Critérios diagnósticos para NPH variam, e a duração da NPH antes do tratamento difere entre estudos. Faltam ensaios pragmáticos ocidentais e dados sobre redução de dose de gabapentinoides ou antidepressivos com a acupuntura adjuvante.
MANEJO DA NEURALGIA PÓS-HERPÉTICA
| LINHA | INTERVENÇÃO | COMENTÁRIO |
|---|---|---|
| Prevenção primária | Vacina recombinante (Shingrix) ≥ 50 anos | Estratégia mais efetiva contra NPH |
| 1ª linha farmacológica | Gabapentinoides (gabapentina, pregabalina) | Tituração gradual para tolerância |
| 1ª linha alternativa | Antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, nortriptilina) | Cautela em idosos |
| Tópica | Adesivo de lidocaína 5%, capsaicina 8% | Útil em alodinia localizada |
| Adjuvante | Acupuntura segmentar | Adjuvante razoável; cautela com agulhamento em zona alodínica |
| Refratários | Bloqueios anestésicos, neuromodulação | Encaminhamento a serviço de dor |
Prevenção é prioridade
Vacinação contra herpes-zóster (Shingrix) reduz incidência de NPH futura em ≥ 50 anos.
Cautela em zona alodínica
Agulhamento direto sobre área alodínica deve ser evitado ou usado com técnica superficial.
Adjuvante, não substituto
A acupuntura jamais retarda otimização de gabapentinoides, tricíclicos ou bloqueios anestésicos.
Fonte Original
Pain Practice + Frontiers in Neurology(em inglês)Fundado em 1989 por médicos formados pela USP e especializados na China, o CEIMEC é referência nacional no ensino e prática da acupuntura médica. Com mais de 3.000 médicos formados em 35 anos, colabora com o HC-FMUSP e é reconhecido pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA/AMB).
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