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Dr. Marcus Yu Bin Pai·Médico Acupunturista·CRM-SP 158074·RQE 65523 / 65524 / 655241

Aviso: Conteúdo educativo. Não substitui avaliação médica individual. Sempre consulte um médico acupunturista qualificado.

acupuntura.com · 2025–2026Última revisão editorial: 2026-05-04
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PesquisaAnálise Completa
1 de abril de 2025
6 min de leitura

Acupuntura para Urticária Crônica: Meta-análise de 22 Ensaios Confirma Benefício em Resposta Clínica e Qualidade de Vida

Revisão sistemática com 1.867 pacientes (Frontiers in Medicine, 2025) demonstra que a acupuntura melhora significativamente a taxa de resposta, reduz recidivas, diminui IgE sérica e IgE-mediated inflammation na urticária crônica espontânea — com perfil de segurança superior às médicações convencionais

Fonte: Frontiers in Medicine(em inglês)DOI: 10.3389/fmed.2025.1498795
Acupuntura para Urticária Crônica: Meta-análise de 22 Ensaios Confirma Benefício em Resposta Clínica e Qualidade de Vida

A urticária crônica espontânea (UCE) é uma condição dermatológica que afeta entre 0,5% e 1% da população mundial, manifestando-se por placas eritematosas, angioedema recorrente e prurido intenso por seis semanas ou mais, sem causa externa identificável. Apesar dos anti-histamínicos constituírem a primeira linha de tratamento, uma parcela significativa dos pacientes não responde adequadamente ou apresenta recidivas frequentes após a suspensão. Uma meta-análise publicada na Frontiers in Medicine em 2025 oferece o retrato mais amplo já compilado sobre o uso da acupuntura médica para essa condição: 22 ensaios clínicos randomizados, 1.867 pacientes e desfechos que vão da resposta clínica à modulação imunológica.

O estudo foi registrado no PROSPERO (CRD42024557552) e conduziu uma pesquisa sistemática em oito bases de dados — CNKI, VIP, WanFang e CBMDisc nas bases chinesas, além de PubMed, Cochrane Library, Embase e Web of Science nas bases internacionais —, sem restrição de idioma, abrangendo públicações desde a criação de cada banco até 20 de agosto de 2024. Os 22 ensaios incluídos avaliaram a acupuntura como tratamento principal (sem restrição de técnica, duração ou seleção de acupontos), comparada a medicamentos padrão, acupuntura sham ou placebo. A qualidade metodológica foi avaliada pelas ferramentas ROB2 (Risk of Bias 2) e pelo sistema GRADE.

RESULTADOS DA META-ANÁLISE (FRONTIERS IN MEDICINE, 2025)

22 RCTs
ENSAIOS CLÍNICOS INCLUÍDOS
PROSPERO CRD42024557552 · 8 bases de dados
1.867
PACIENTES AVALIADOS
Diagnóstico de UCE por diretrizes internacionais ou nacionais
↑ Significativo
TAXA DE RESPOSTA GLOBAL
Acupuntura vs. controles — favorável à acupuntura
↓ Significativo
TAXA DE RECIDIVA
Redução mantida no seguimento pós-tratamento
↓ IgE sérica
MARCADOR IMUNOLÓGICO
Redução significativa vs controle — junto com IFN-γ e IL-4
↑ DLQI
QUALIDADE DE VIDA (DLQI)
Dermatology Life Quality Index melhorado significativamente

Desfechos Clínicos e Imunológicos

A meta-análise avaliou uma ampla gama de desfechos. Clinicamente, a acupuntura melhorou de forma significativa a taxa de resposta global ao tratamento e reduziu a taxa de recidiva — dois dos critérios mais relevantes para o paciente com UCE que oscila entre períodos de remissão e exacerbação. O escore de atividade da urticária (UAS), que combina a frequência de aparecimento das lesões e a intensidade do prurido, também diminuiu significativamente. O escore VAS de prurido, a contagem e o tamanho das placas urticariformes e os escores de sintomas da medicina tradicional chinesa apresentaram redução consistente.

No domínio imunológico, a acupuntura reduziu significativamente os níveis séricos de IgE total — o principal mediador da resposta alérgica imediata —, de IFN-γ (interferon-gama, pró-inflamatório) e de IL-4 (interleucina-4, envolvida na polarização Th2 e na promoção da produção de IgE). Essa modulação do eixo Th1/Th2 oferece uma explicação mecanicista plausível para os benefícios clínicos observados: a acupuntura alivia sintomas e, em estudos experimentais, têm sido associada a modulação da desregulação imune subjacente à UCE — efeito que ainda requer confirmação clínica adicional. Os escores da Escala de Hamilton para Depressão também melhoraram — dado relevante, considerando a alta comorbidade psiquiátrica da urticária crônica.

MECANISMO IMUNOLÓGICO: COMO A ACUPUNTURA MODULA A URTICÁRIA?

A urticária crônica espontânea é caracterizada por ativação mastocitária autoimune ou idiopática, com liberação de histamina, leucotrienos e citocinas pró-inflamatórias. A acupuntura atua em múltiplos níveis desse processo:

  • Estimulação de acupontos específicos (notadamente ST36, LI4, SP10) têm sido associada, em estudos experimentais, à liberação de opioides endógenos e modulação do sistema nervoso autônomo
  • Redução de IgE sérica e normalização do eixo Th1/Th2 — diminuindo a propensão a respostas alérgicas exacerbadas
  • Diminuição de IL-4 e aumento relativo de IFN-γ reequilibram a imunidade adaptativa em direção ao perfil Th1
  • Efeitos anti-inflamatórios locais e sistêmicos mediados pelo nervo vago (reflexo colinérgico antiinflamatório)
  • Modulação do eixo HPA com redução de cortisol — relevante porque o estresse é gatilho frequente de exacerbações na UCE

Segurança e Comparação com Medicamentos

Um dos achados mais relevantes da meta-análise para a prática clínica é o perfil de segurança da acupuntura: a incidência de eventos adversos não diferiu significativamente dos grupos controle. Note-se que nenhum ensaio head-to-head direto comparou a acupuntura com esses agentes farmacológicos no contexto da UCE; as considerações a seguir são baseadas em perfis de segurança gerais descritos na literatura: os anti-histamínicos de segunda geração — padrão de tratamento — frequentemente causam sonolência residual, boca seca e interferência com atividades laborais. Os agentes imunossupressores de segunda linha (ciclosporina, omalizumabe) apresentam custos elevados e perfis de risco mais substanciais. A análise de 18 estudos adicionais com 1.829 pacientes confirmou a vantagem da acupuntura sobre a acupuntura sham e sobre listas de espera, reforçando que o efeito não é atribuível exclusivamente à expectativa terapêutica.

INSIGHT

A urticária crônica é uma condição que frustra frequentemente tanto o paciente quanto o clínico: os anti-histamínicos controlam parcialmente, mas não resolvem a fisiopatologia de base. O que me chama atenção nesta meta-análise é a magnitude dos efeitos imunológicos documentados — redução de IgE, IFN-γ e IL-4 são marcadores objetivos que vão além do alívio sintomático. Na minha prática, utilizo protocolos que incluem SP10, ST36 (zusanli), LI11 e LI4 para o componente alérgico-inflamatório, combinados com pontos locais e distais ajustados ao padrão clínico individual. A avaliação médica prévia continua sendo indispensável para descartar urticária secundária a patologias subjacentes — infecções crônicas, doenças autoimunes, neoplasias — que requerem tratamento etiológico específico. A acupuntura médica se posiciona como adjuvante valioso, especialmente em pacientes com resposta incompleta aos anti-histamínicos ou com contraindicação à imunossupressão.
— Dr. Marcus Yu Bin Pai · CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241

LIMITAÇÕES RECONHECIDAS PELOS AUTORES

  • Heterogeneidade moderada a alta entre os ensaios incluídos, limitando a precisão das estimativas combinadas
  • Preocupações com viés de públicação não foram abordadas explicitamente na análise
  • Protocolos de acupuntura variáveis entre os estudos (diferentes acupontos, frequência e duração) dificultam a padronização de recomendações clínicas
  • Qualidade metodológica dos RCTs: GRADE atribui recomendação "moderada a baixa", indicando necessidade de ensaios de maior rigor
  • Períodos de seguimento variáveis entre os estudos — não é possível determinar a durabilidade dos benefícios além do término do tratamento
  • A maioria dos estudos incluídos foi conduzida na China, o que pode limitar a generalização para outras populações

IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA MÉDICA

  • A acupuntura pode ser considerada como adjuvante em pacientes com UCE com resposta parcial a anti-histamínicos, após avaliação médica completa
  • A melhora documentada em IgE e citocinas Th2 (IL-4) justifica o uso especialmente em pacientes com atopia associada (rinite, asma brônquica)
  • Pacientes com UCE e comorbidades ansiosas ou depressivas — frequentes nessa condição — podem se beneficiar do efeito dual da acupuntura sobre humor e imunidade
  • O médico deve realizar avaliação laboratorial prévia (IgE total, ASST — teste do soro autólogo, hemograma, função tireoidiana) para classificar o tipo de UCE antes de iniciar tratamento
  • O protocolo deve ser individualizado; ensaios futuros de alta qualidade são necessários para padronizar acupontos e número de sessões
PERGUNTAS FREQUENTES · 03

Perguntas Frequentes

A urticária aguda dura menos de seis semanas e têm causa identificável na maioria dos casos (alimento, medicamento, infecção). A urticária crônica persiste por seis semanas ou mais, frequentemente sem causa clara (espontânea) ou com causa física identificável (pressão, frio, calor). Esta meta-análise avaliou especificamente a forma crônica espontânea. Para a urticária aguda, o tratamento de suporte com anti-histamínicos é suficiente na maioria dos casos. Para a urticária crônica com curso recorrente, a acupuntura pode ter papel adjuvante relevante, especialmente quando os anti-histamínicos não produzem remissão completa.

Os estudos incluídos nesta meta-análise utilizaram protocolos variados. Em geral, os ensaios que demonstraram benefício empregaram entre 8 e 20 sessões, com frequência de 2 a 3 vezes por semana nas primeiras semanas, seguida de manutenção semanal. O médico acupunturista avaliará o perfil clínico individual — padrão imunológico, frequência das crises, resposta a tratamentos prévios — para propor um plano terapêutico adequado. A avaliação de resposta após 4 a 6 semanas de tratamento é recomendada para decisões sobre continuidade.

Não há evidências suficientes para indicar a acupuntura como substituto das terapias medicamentosas de primeira ou segunda linha. A posição mais sustentada pelas evidências atuais é de uso adjuvante: a acupuntura pode potencializar o efeito dos anti-histamínicos, reduzir a dose necessária para controle e diminuir a frequência das crises. Em casos de resposta incompleta ao omalizumabe ou contraindicação ao tratamento imunossupressor, o médico pode considerar a acupuntura como estratégia complementar dentro de um plano multidisciplinar coordenado.

Fonte Original

Frontiers in Medicine(em inglês)

Estudo Científico

DOI: 10.3389/fmed.2025.1498795
Conteúdo elaborado por
CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa

Fundado em 1989 por médicos formados pela USP e especializados na China, o CEIMEC é referência nacional no ensino e prática da acupuntura médica. Com mais de 3.000 médicos formados em 35 anos, colabora com o HC-FMUSP e é reconhecido pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA/AMB).

Publicado em 2025-04-01
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