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Dr. Marcus Yu Bin Pai·Médico Acupunturista·CRM-SP 158074·RQE 65523 / 65524 / 655241

Aviso: Conteúdo educativo. Não substitui avaliação médica individual. Sempre consulte um médico acupunturista qualificado.

acupuntura.com · 2025–2026Última revisão editorial: 2026-05-04
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PesquisaAnálise Completa
7 de abril de 2026
6 min de leitura

JAMA: Acupuntura Reduz Incapacidade Lombar em Idosos com 65 Anos ou Mais

ECR pragmático multicêntrico com 800 pacientes em 4 sistemas de saúde dos EUA mostra que acupuntura reduziu a incapacidade por lombalgia crônica vs cuidado habitual aos 6 e 12 meses

Fonte: JAMA Network Open(em inglês)DOI: 10.1001/jamanetworkopen.2025.31348
JAMA: Acupuntura Reduz Incapacidade Lombar em Idosos com 65 Anos ou Mais

A lombalgia crônica é a principal causa de incapacidade funcional em adultos idosos e um dos maiores desafios do envelhecimento saudável — especialmente porque as opções farmacológicas convencionais carregam riscos elevados nessa população: anti-inflamatórios causam sangramento gastrointestinal e comprometimento renal, e opioides aumentam o risco de quedas e dependência. Um ensaio clínico randomizado pragmático publicado no JAMA Network Open — o maior já conduzido para está indicação — demonstra que a acupuntura é eficaz e segura para adultos com 65 anos ou mais, reduzindo incapacidade funcional de forma duradoura ao longo de 12 meses.

NÚMEROS DO ENSAIO BACKINACTION

800
PARTICIPANTES RANDOMIZADOS
Média de 73,6 anos de idade; 62% mulheres
4
SISTEMAS DE SAÚDE DOS EUA
Estudo multicêntrico em 3 regiões geográficas
43,8%
MELHORA CLINICAMENTE SIGNIFICATIVA
Acupuntura intensificada vs. 29,4% no cuidado usual (6 meses)
12 meses
DURAÇÃO DO SEGUIMENTO
Benefício mantido no desfecho primário de incapacidade (RMDQ)

Desenho do estudo

O ensaio BackInAction foi conduzido entre agosto de 2021 e novembro de 2023 em quatro sistemas de saúde dos EUA — Kaiser Permanente entre eles — e recrutou 800 adultos com 65 anos ou mais e lombalgia crônica (dor por mais de três meses). Os participantes foram randomizados para três braços:

  • Cuidado usual (UMC): medicamentos, fisioterapia e intervenções habituais — sem acupuntura (n=266)
  • Acupuntura padrão (SA): 8 a 15 sessões ao longo de 12 semanas, mais cuidado usual (n=265)
  • Acupuntura intensificada (EA): acupuntura padrão mais 4 a 6 sessões de manutenção nas 12 semanas seguintes — totalizando 12 a 21 sessões (n=269)

O desfecho primário foi a mudança no escore do Roland-Morris Disability Questionnaire (RMDQ — escala de 0 a 24, maior = maior disfunção). Melhora clinicamente significativa foi definida como redução ≥30% em relação ao basal. As sessões foram conduzidas por acupunturistas licenciados e experientes da própria comunidade — não em contexto experimental — o que confere ao ensaio alta validade externa para a prática real.

Resultados

Aos 6 meses, ambas as modalidades de acupuntura foram superiores ao cuidado usual em incapacidade lombar. A acupuntura padrão produziu uma diferença média ajustada (AMD) de −1,0 ponto no RMDQ (IC 95%: −1,9 a −0,1; p=0,002); a acupuntura intensificada alcançou AMD de −1,5 ponto (IC 95%: −2,5 a −0,6; p=0,002). Esse benefício se manteve de forma consistente aos 12 meses: AMD de −1,2 para acupuntura padrão e −1,7 para intensificada, ambos com p=0,002. A proporção de pacientes com melhora clinicamente significativa (≥30%) foi de 39,1% (padrão) e 43,8% (intensificada) versus apenas 29,4% no grupo de cuidado usual. A intensidade da dor e a impressão global do paciente também favoreceram o grupo de acupuntura intensificada em relação ao padrão aos 6 meses. Sintomas de ansiedade melhoraram em ambos os grupos de acupuntura em comparação ao cuidado usual.

DESFECHOS PRIMÁRIOS E SECUNDÁRIOS

  • RMDQ (incapacidade): acupuntura superior ao cuidado usual aos 6 e 12 meses (ambos p=0,002)
  • Melhora clinicamente significativa (≥30%): SA 39,1%, EA 43,8% vs. UMC 29,4%
  • Intensidade da dor e impressão global: EA superior à SA aos 6 meses
  • Sintomas de ansiedade: melhora em ambos os grupos de acupuntura vs. UMC
  • Eventos adversos sérios possivelmente relacionados: <1%; eventos leves em 9,7% (desconforto no local da agulha)

Perfil de segurança

Um aspecto central para o uso da acupuntura em idosos é a segurança. Neste ensaio, menos de 1% dos participantes relatou eventos adversos sérios possivelmente relacionados à intervenção. Eventos leves — principalmente desconforto transitório no local da inserção — ocorreram em 9,7% dos pacientes que receberam acupuntura. Não foram registradas complicações graves. Essa comparação é relevante: anti-inflamatórios não esteroidais, amplamente usados para lombalgia em idosos, têm taxas de eventos gastrointestinais e cardiovasculares clinicamente significativas nessa faixa etária. A pesquisadora principal Dr. Lynn DeBar, da Kaiser Permanente, sintetizou: "A acupuntura oferece uma opção menos invasiva com melhor perfil de segurança do que muitos tratamentos convencionais para dor lombar em idosos."

INSIGHT

O ensaio BackInAction preenche uma lacuna importante: até então, a maioria dos ensaios de acupuntura para lombalgia excluía adultos acima de 65 anos ou os sub-representava. Este estudo foi desenhado especificamente para essa população, com acupunturistas da comunidade — não pesquisadores — conduzindo as sessões, o que aumenta a aplicabilidade dos resultados à prática real. Do ponto de vista clínico, o dado mais relevante é a durabilidade: o benefício sobre incapacidade persistiu aos 12 meses, o que indica que as sessões de manutenção do protocolo intensificado podem ser uma estratégia válida para pacientes com lombalgia crônica complexa. Para médicos que acompanham idosos com polifarmacopatia, a acupuntura médica emerge como uma opção segura a ser considerada no plano terapêutico integrado.
— Dr. Marcus Yu Bin Pai · CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241

Contexto e implicações clínicas

A lombalgia crônica afeta aproximadamente um terço dos adultos com mais de 65 anos e é a principal causa de incapacidade nessa faixa etária. Os tratamentos farmacológicos de primeira linha — anti-inflamatórios e opioides — têm eficácia limitada a longo prazo e carregam riscos ampliados em idosos: sangramento gastrointestinal, insuficiência renal, quedas e dependência. O ensaio BackInAction posiciona a acupuntura como alternativa não farmacológica com evidência de alta qualidade metodológica para essa população específica, publicada no periódico de maior impacto em medicina geral do mundo. Os resultados reforçam as recomendações de diretrizes como as da American College of Physicians, que já indicavam intervenções não farmacológicas como tratamento de primeira linha para lombalgia crônica.

PONTOS-CHAVE PARA O MÉDICO

  • Maior ECR de acupuntura para lombalgia crônica em idosos (n=800, 65+ anos)
  • Benefício sobre incapacidade (RMDQ) sustentado aos 6 e 12 meses vs. cuidado usual
  • Acupuntura intensificada (com sessões de manutenção) superior à padrão em dor e impressão global
  • Perfil de segurança favorável: sem eventos sérios relacionados em >99% dos participantes
  • Alta validade externa: conduzido por acupunturistas licenciados da comunidade, não em laboratório
PERGUNTAS FREQUENTES · 02

Perguntas Frequentes

No protocolo padrão, foram realizadas entre 8 e 15 sessões ao longo de 12 semanas. No protocolo intensificado, foram adicionadas 4 a 6 sessões de manutenção nas 12 semanas seguintes — totalizando entre 12 e 21 sessões. Na prática clínica, o médico acupunturista avalia individualmente a resposta terapêutica para definir a frequência e a duração do tratamento.

Os resultados deste ensaio suportam o uso da acupuntura como tratamento eficaz — isolado ou combinado — para lombalgia crônica em idosos, com perfil de segurança superior ao de muitos fármacos usados nessa população. A decisão de integrar, substituir ou combinar tratamentos deve ser individualizada pelo médico, considerando o histórico do paciente, comorbidades, tolerância e preferências.

Fonte Original

JAMA Network Open(em inglês)

Estudo Científico

DOI: 10.1001/jamanetworkopen.2025.31348Ver no PubMed
Conteúdo elaborado por
CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa

Fundado em 1989 por médicos formados pela USP e especializados na China, o CEIMEC é referência nacional no ensino e prática da acupuntura médica. Com mais de 3.000 médicos formados em 35 anos, colabora com o HC-FMUSP e é reconhecido pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA/AMB).

Publicado em 2026-04-07

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