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Dr. Marcus Yu Bin Pai·Médico Acupunturista·CRM-SP 158074·RQE 65523 / 65524 / 655241

Aviso: Conteúdo educativo. Não substitui avaliação médica individual. Sempre consulte um médico acupunturista qualificado.

acupuntura.com · 2025–2026Última revisão editorial: 2026-05-04
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MídiaAnálise Completa
3 de novembro de 2025
6 min de leitura

70% dos Oncologistas Globais Já Recomendam Acupuntura e Práticas Integrativas, Mas 79% Consideram que Ainda São Subutilizadas

Pesquisa global com 344 profissionais de oncologia de 8 regiões (MASCC/SIO, BMC novembro 2025) revela que a acupuntura é a prática integrativa mais recomendada no mundo (48%), mas barreiras de acesso, custo e formação mantêm gap entre evidência e adoção

Fonte: BMC Complementary Medicine and Therapies / UC Irvine(em inglês)DOI: 10.1186/s12906-025-05157-6
70% dos Oncologistas Globais Já Recomendam Acupuntura e Práticas Integrativas, Mas 79% Consideram que Ainda São Subutilizadas

Uma transformação silenciosa está acontecendo nas salas de oncologia ao redor do mundo. Médicos, farmacêuticos e enfermeiros especialistas em câncer estão cada vez mais incorporando práticas integrativas ao plano de cuidado dos seus pacientes — e a acupuntura lidera esse movimento. Uma pesquisa global publicada no BMC Complementary Medicine and Therapies em novembro de 2025 pela equipe da Universidade da Califórnia em Irvine (UC Irvine) quantifica esse fenômeno com rigor: 344 profissionais de oncologia de oito regiões do mundo, filiados à Multinational Association of Supportive Care in Cancer (MASCC) e à Society for Integrative Oncology (SIO), responderam sobre seus hábitos de recomendação, barreiras percebidas e visão sobre o estado atual da oncologia integrativa.

O estudo foi liderado pelo Prof. Alexandre Chan, presidente do Departamento de Prática Farmacêutica Clínica da UC Irvine, com contribuição de Reem Nasr, candidata ao título de Pharm.D. Trata-se de uma análise transversal por questionário estruturado, distribuído entre membros das duas principais sociedades internacionais de cuidado de suporte oncológico — o que garante que a amostra representa profissionais engajados com pesquisa e inovação terapêutica em oncologia, não uma amostra de conveniência. As oito regiões incluídas abrangem América do Norte, Europa, América Latina, Oriente Médio, Ásia, África subsaariana, Sul da Ásia e Oceania.

PESQUISA GLOBAL: ONCOLOGIA INTEGRATIVA E ACUPUNTURA (BMC, NOVEMBRO 2025)

344
PROFISSIONAIS RESPONDENTES
Membros de MASCC/SIO · 8 regiões geográficas
70%
JÁ RECOMENDAM PRÁTICAS INTEGRATIVAS
Utilizaram ou indicaram ao menos uma prática no último ano
79%
PERCEBEM SUBUTILIZAÇÃO
Consideram práticas integrativas mal aproveitadas no cuidado oncológico atual
48%
RECOMENDAM ACUPUNTURA
#1 entre todas as modalidades integrativas avaliadas globalmente
69%
MAIOR ACESSO A FORMAÇÃO (AMÉRICA DO NORTE)
Maior disponibilidade de cursos vs Sul da Ásia e África subsaariana
20–67%
PAGAMENTO POR CONTA PRÓPRIA (VARIAÇÃO REGIONAL)
Principal barreira ao acesso em países de renda baixa e média

Acupuntura no Topo: a Modalidade Mais Recomendada

Entre todas as modalidades integrativas avaliadas, a acupuntura foi a mais recomendada globalmente, citada por 48% dos respondentes. Na sequência vieram aulas de exercício (39%), nutrição (38%), respiração/yoga (38%) e exercício personalizado (38%). A liderança da acupuntura reflete o volume crescente de evidências de alta qualidade — ensaios clínicos em dor oncológica, fadiga, insônia, náusea induzida por quimioterapia e neuropatia periférica —, bem como a familiaridade dos oncologistas de ponta com essas públicações. Em países de alta renda (América do Norte, Europa, Oceania), a acupuntura divide o primeiro lugar com massagem terapêutica e exercício individualizado. Em países de renda baixa e média (LMIC), as práticas mais acessíveis lideram: aconselhamento nutricional e exercício em grupo — mas a acupuntura ainda aparece com frequência, especialmente em contextos com tradição de medicina oriental.

PARA QUAIS SINTOMAS ONCOLÓGICOS A ACUPUNTURA É MAIS RECOMENDADA?

Os profissionais indicam práticas integrativas principalmente para três clusters de sintomas:

  • Sintomas emocionais (ansiedade, depressão, distress) — 23% durante tratamento ativo, 26% após tratamento
  • Dor oncológica — 22% durante tratamento ativo, 20% após tratamento
  • Sintomas gastrointestinais (náusea, vômito, anorexia) — 21% durante tratamento ativo, 12% após tratamento
  • Fadiga relacionada ao câncer — 15% durante tratamento ativo, 16% após tratamento

A acupuntura têm evidências robustas especificamente para dor (meta-análises em JAMA Oncology), náusea/vômito por quimioterapia (cochrane reviews) e fadiga (ECRs múltiplos), explicando sua posição de destaque em todos esses domínios.

O Gap Evidência–Prática: Por que 79% Dizem que É Subutilizada?

Se 70% dos oncologistas já recomendam práticas integrativas e as evidências são robustas, por que 79% ainda percebem subutilização? A pesquisa identifica barreiras estruturais concretas: custo e cobertura de seguro são os maiores obstáculos. Os dados de pagamento revelam alta heterogeneidade regional — em algumas regiões, entre 20% e 67% dos pacientes pagam do próprio bolso, o que cria iniquidade de acesso. A cobertura por seguros privados varia de 0% a 26% por região; coberturas governamentais ficam entre 7% e 40%. Nos países de alta renda, as barreiras são mais de infraestrutura e integração (falta de profissionais treinados dentro dos hospitais, dificuldade de encaminhamento formal). Nos LMICs, o custo é o impeditivo central.

A formação profissional também emerge como fator crítico: a disponibilidade de educação continuada em oncologia integrativa é a mais alta na América do Norte (69% dos profissionais relatam acesso a cursos) e a mais baixa no Sul da Ásia e África subsaariana — onde, por sinal, práticas tradicionais locais têm enraizamento histórico mas carecem de sistematização baseada em evidências. O dado é um chamado à ação para sociedades médicas e universidades: a demanda existe, a evidência existe, mas o treinamento e a cobertura não acompanharam.

INSIGHT

Está pesquisa confirma o que médicos acupunturistas com atuação em oncologia integrativa observam no dia a dia: há uma demanda crescente e respaldada por evidências, mas os sistemas de saúde ainda não adaptaram suas estruturas para atendê-la. No Brasil, o contexto é particularmente favorável: a acupuntura médica é reconhecida como especialidade pelo CFM desde 1995, o SUS oferece acupuntura pelo PICS (Práticas Integrativas e Complementares) e temos centros oncológicos de referência com interesse genuíno em integração. O dado de que a acupuntura é a prática integrativa mais recomendada entre oncologistas do mundo inteiro — acima de yoga, nutrição e exercício — deve ser comunicado às equipes de oncologia com as quais trabalhamos. A acupuntura médica não é mais uma opção marginal: figura entre as primeiras escolhas de especialistas em cuidado de suporte oncológico em diversos centros de referência internacionais.
— Dr. Marcus Yu Bin Pai · CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241

PONTOS DE ATENÇÃO METODOLÓGICA

  • Amostra de conveniência (membros de MASCC/SIO) — profissionais já engajados com cuidado integrativo, o que pode superestimar as taxas de recomendação em relação à oncologia geral
  • Dados por autorrelato — sujeitos a viés de desejabilidade social (tendência a reportar mais recomendações do que de fato ocorrem na prática)
  • Diversidade regional limita comparações diretas: contextos culturais, regulatórios e econômicos diferem profundamente entre as 8 regiões
  • Estudo transversal — não permite avaliar tendências temporais nem causalidade entre formação e adoção de práticas integrativas

O QUE ESSES DADOS SIGNIFICAM PARA O MÉDICO ACUPUNTURISTA NO BRASIL?

  • Referenciar-se formalmente às equipes de oncologia locais: hemato-oncologistas, cirurgiões, radioterapeuta — a pesquisa mostra que 70% deles já estão receptivos a práticas integrativas
  • Destacar as indicações mais valorizadas pelos oncologistas: dor, fadiga, sintomas emocionais e náusea por quimioterapia — prepare protocolo específico para cada
  • Documentar resultados clínicos e compartilhar com a equipe oncológica — a integração formal depende de dados de mundo real além dos ensaios clínicos
  • Apoiar iniciativas de inclusão da acupuntura médica nos serviços de PICS do SUS em hospitais oncológicos — o respaldo internacional existe; o desafio é local
  • Participar de sociedades como MASCC/SIO e AAMA para acesso a pesquisa de fronteira e rede internacional de oncologia integrativa
PERGUNTAS FREQUENTES · 03

Perguntas Frequentes

Segundo as evidências disponíveis, a acupuntura não têm interações farmacológicas descritas com quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou hormonoterapia quando praticada por médico acupunturista com conhecimento oncológico. Os cuidados específicos incluem: evitar acupuntura em áreas irradiadas até cicatrização, aguardar recuperação de plaquetas antes de sessões (trombocitopenia severa exige adaptação de protocolo), e utilizar agulhas ultrafinas descartáveis em pacientes neutropênicos. A comunicação direta entre o médico acupunturista e o oncologista responsável é indispensável para ajuste do protocolo às condições hematológicas do paciente.

A acupuntura está incluída na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC/PICS) do SUS desde 2006. O acesso varia conforme o município e o serviço: algumas unidades básicas e hospitais de referência oferecem atendimento por médico acupunturista ou outro profissional qualificado. Para pacientes oncológicos especificamente, o ideal é que o atendimento seja prestado por médico acupunturista com experiência em oncologia, dentro ou vinculado ao serviço de oncologia. Recomenda-se verificar junto ao CAPS, UBS ou serviço oncológico referenciador a disponibilidade local.

Em pacientes recebendo quimioterapia, os protocolos mais estudados e seguros incluem acupuntura para náusea/vômito (ponto PC6 — neiguan — é o mais documentado na Cochrane, com evidência de alta qualidade), acupuntura para fadiga (ST36 — zusanli — e BL23 são referências clínicas consolidadas) e acupuntura para neuropatia periférica induzida por taxanos ou platinas (protocolos com pontos distais dos membros). A acupuntura auricular com agulhas semi-permanentes é especialmente prática para pacientes em ciclos quimioterápicos intensos, pois pode ser mantida entre as sessões. O médico acupunturista definirá o protocolo após avaliação clínica detalhada do esquema quimioterápico e do estado geral do paciente.

Fonte Original

BMC Complementary Medicine and Therapies / UC Irvine(em inglês)

Estudo Científico

DOI: 10.1186/s12906-025-05157-6Ver no PubMed
Conteúdo elaborado por
CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa

Fundado em 1989 por médicos formados pela USP e especializados na China, o CEIMEC é referência nacional no ensino e prática da acupuntura médica. Com mais de 3.000 médicos formados em 35 anos, colabora com o HC-FMUSP e é reconhecido pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA/AMB).

Publicado em 2025-11-03
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