O que é Bursite Trocantérica?

A bursite trocantérica — atualmente denominada síndrome de dor trocantérica maior (SDTM) — é uma condição caracterizada por dor na região lateral do quadril, sobre o trocânter maior do fêmur. O termo "bursite" é usado historicamente, mas estudos demonstram que a inflamação isolada da bursa raramente é a causa principal.

Na maioria dos casos, a dor resulta de tendinopatia dos músculos glúteos médio e mínimo, com ou sem inflamação da bursa trocantérica associada. Essa compreensão atualizada levou à adoção do termo SDTM, que engloba bursite, tendinopatia glútea e síndrome do ressalto do quadril lateral.

1,8/1000
INCIDÊNCIA ANUAL NA POPULAÇÃO GERAL
4:1
PROPORÇÃO MULHERES:HOMENS
40-60 anos
FAIXA ETÁRIA MAIS AFETADA
25%
DOS PACIENTES TÊM QUADRO BILATERAL
01

Localização

Dor na região lateral do quadril, sobre o trocânter maior do fêmur — não confundir com dor na virilha (articular)

02

População de Risco

Mulheres na perimenopausa, corredores, pacientes com discrepância de membros inferiores

03

Evolução do Conceito

De "bursite" para "síndrome de dor trocantérica maior" — a tendinopatia glútea é o componente principal

Fisiopatologia

A Bursa Trocantérica

A bursa trocantérica é uma estrutura sinovial que reduz o atrito entre o tendão do glúteo máximo e a proeminência óssea do trocânter maior. Quando submetida a compressão repetitiva — como na marcha com pelve instável — a bursa pode se inflamar, mas estudos com ressonância magnética demonstram que a tendinopatia glútea está presente em mais de 50% dos casos diagnosticados como "bursite".

Tendinopatia do Glúteo Médio

O glúteo médio é o principal estabilizador lateral da pelve durante a marcha. Sua inserção no trocânter maior sofre cargas compressivas e de tração significativas a cada passo. Com o tempo, essas forças podem causar degeneração das fibras de colágeno — especialmente em mulheres pós-menopáusicas, quando a queda de estrogênio reduz a síntese de colágeno e a capacidade de reparo tendíneo.

Anatomia do trocânter maior: inserções do glúteo médio e mínimo, bursa trocantérica e banda iliotibial. Demonstração dos vetores de força compressiva.
Anatomia do trocânter maior: inserções do glúteo médio e mínimo, bursa trocantérica e banda iliotibial. Demonstração dos vetores de força compressiva.
Anatomia do trocânter maior: inserções do glúteo médio e mínimo, bursa trocantérica e banda iliotibial. Demonstração dos vetores de força compressiva.

Fatores de Risco

Além do sexo feminino e da idade, outros fatores predisponentes incluem obesidade (IMC elevado aumenta a carga mecânica), osteoartrose de quadril ou joelho (alteração da marcha compensatória), cirurgia prévia de quadril e atividades repetitivas como corrida em superfícies inclinadas.

Sintomas

A apresentação clássica é dor na face lateral do quadril que pode irradiar pela coxa lateral até o joelho. É importante distingui-la da dor na virilha, que sugere envolvimento articular do quadril.

Critérios clínicos
08 itens
  1. 01

    Dor na região lateral do quadril

    Sobre o trocânter maior; piora ao pressionar a área ou ao deitar sobre o lado afetado

  2. 02

    Dor ao subir escadas ou rampas

    Aumento da demanda sobre o glúteo médio durante a fase de apoio unipodal

  3. 03

    Dor ao deitar de lado

    Compressão direta da bursa e tendões entre o trocânter e o colchão — frequentemente causa distúrbio do sono

  4. 04

    Irradiação para a coxa lateral

    Pode se estender até o joelho, mimetizando dor referida da coluna lombar

  5. 05

    Dor ao ficar em pé prolongadamente

    Especialmente apoiado sobre a perna afetada ou com o quadril aduzido

  6. 06

    Rigidez matinal

    Dor e rigidez nos primeiros minutos ao levantar, que melhora com o movimento

  7. 07

    Dor ao cruzar as pernas

    Posição de adução e rotação que comprime os tendões sobre o trocânter

  8. 08

    Claudicação antálgica

    Marcha alterada para evitar a dor na fase de apoio — sinal de Trendelenburg

Diagnóstico

O diagnóstico é predominantemente clínico. A palpação do trocânter maior reproduzindo a dor do paciente é o achado mais consistente. Testes específicos ajudam a confirmar o diagnóstico e diferenciar de outras condições.

🏥Avaliação Diagnóstica da SDTM

Fonte: Adaptado de Grimaldi & Fearon — British Journal of Sports Medicine, 2015

Exame Físico — Achados Essenciais
2 de 3 para diagnóstico clínico
  • 1.Dor à palpação do trocânter maior (sensibilidade ~80%)
  • 2.Dor reproduzida em apoio unipodal por 30 segundos (single-leg stance test)
  • 3.Sinal de Trendelenburg positivo: queda da pelve contralateral em apoio unipodal
Testes Provocativos Especiais
  • 1.Teste FABER (Patrick): flexão, abdução e rotação externa — dor lateral sugere SDTM
  • 2.Teste de Ober: avaliação do encurtamento da banda iliotibial
  • 3.Teste de resistência à abdução em decúbito lateral (dor indica tendinopatia glútea)
Exames de Imagem
  • 1.Ultrassonografia: identifica espessamento e alterações da bursa e tendões glúteos
  • 2.Ressonância magnética: padrão-ouro para avaliar a integridade dos tendões glúteos e excluir patologia intra-articular
  • 3.Radiografia: exclui calcificações, fraturas por estresse e osteoartrose do quadril

Diagnóstico Diferencial

A dor lateral do quadril é um sintoma partilhado por diversas condições. O diagnóstico preciso é essencial, pois cada causa demanda tratamento específico. A avaliação médica sistematizada — incluindo exame físico direcionado e exames de imagem quando necessário — é fundamental para evitar tratamentos inadequados.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Diagnóstico Diferencial

Osteoartrite de Quadril

Leia mais →
  • Dor na virilha irradiada para face medial da coxa
  • Limitação de rotação interna
  • Piora ao carregar peso

Testes Diagnósticos

  • Radiografia do quadril
  • RNM

Síndrome do Piriforme

Leia mais →
  • Dor glútea profunda
  • Piora ao sentar por longos períodos
  • Testes específicos do piriforme positivos

Testes Diagnósticos

  • Teste de FAIR
  • RNM pelve

Tendinopatia dos Glúteos

  • Dor lateral do quadril
  • Piora ao cruzar as pernas
  • Waddling gait

Testes Diagnósticos

  • Ultrassonografia
  • RNM quadril

Lombalgia com Irradiação Lateral

Leia mais →
  • Dor que parte da coluna lombar
  • Irradiação pelo dermátomo L4/L5
  • Movimentos do quadril não reproduzem dor

Testes Diagnósticos

  • Exame da coluna
  • RNM lombar

Fratura por Estresse do Trocânter

  • Atletas de alto impacto
  • Dor progressiva com atividade
  • Pode ser sutil ao exame
Sinais de Alerta
  • Risco de fratura completa sem tratamento

Testes Diagnósticos

  • RNM
  • Cintilografia

Osteoartrite de Quadril versus SDTM: A Localização da Dor é Decisiva

Uma distinção fundamental e frequentemente subestimada é a localização anatômica da dor. A osteoartrite do quadril causa dor predominantemente na virilha (região inguinal) com irradiação para a face medial da coxa e, às vezes, para o joelho — refletindo a disfunção da articulação coxofemoral. A SDTM, por sua vez, localiza-se lateralmente, sobre o trocânter maior, e pode irradiar pela face lateral da coxa. Pacientes com OA de quadril apresentam limitação de rotação interna à mobilização passiva e piora progressiva com atividades de carga, enquanto na SDTM a amplitude de movimento articular está frequentemente preservada.

A radiografia do quadril é o exame inicial: o estreitamento do espaço articular e as alterações ósseas degenerativas confirmam OA. Na SDTM, a articulação coxofemoral é radiograficamente normal, e a ultrassonografia ou RNM revelam as alterações dos tendões glúteos e da bursa.

Fratura por Estresse: Uma Emergência que Não Pode Ser Ignorada

Em atletas — especialmente corredoras de longa distância e militares — a fratura por estresse do colo femoral ou da região trocantérica deve ser considerada no diagnóstico diferencial da dor lateral do quadril. A dor por fratura por estresse tipicamente piora progressivamente com a atividade e pode ser discreta ao exame físico nos estágios iniciais, mimetizando a SDTM. A presença de fatores de risco como déficit energético relativo no esporte (RED-S), baixa densidade mineral óssea ou histórico de fraturas deve elevar a suspeita.

A radiografia simples pode ser negativa nas primeiras 2 a 6 semanas. A RNM é o exame de escolha para diagnóstico precoce — revela edema ósseo e linha de fratura antes de qualquer alteração radiográfica. Não reconhecer e tratar essa condição pode resultar em fratura completa com deslocamento, uma complicação grave que compromete seriamente o prognóstico funcional.

Síndrome do Piriforme: Dor Glútea Profunda que Imita a SDTM

A síndrome do piriforme ocorre quando o músculo piriforme — localizado na região glútea profunda — comprime o nervo ciático, causando dor glútea que pode irradiar pela face posterior da coxa. Embora a dor seja glútea e não estritamente lateral como na SDTM, a sobreposição de sintomas é frequente, especialmente em corredores. O paciente com síndrome do piriforme tipicamente relata piora ao sentar por longos períodos em superfícies duras e ao realizar movimentos de rotação externa do quadril contra resistência.

O teste de FAIR (Flexão, Adução e Rotação Interna do quadril) é o teste provocativo mais utilizado — reproduz a compressão do ciático pelo piriforme tenso. A RNM da pelve com cortes específicos pode demonstrar hipertrofia ou edema do piriforme. A distinção da SDTM é importante porque o tratamento da síndrome do piriforme foca no alongamento e relaxamento do piriforme, enquanto a SDTM requer fortalecimento glúteo — abordagens opostas que podem se prejudicar mutuamente se aplicadas ao diagnóstico errado.

Tratamentos

Educação e Modificação de Comportamento

O primeiro passo é evitar posturas compressivas: não dormir sobre o lado afetado (usar travesseiro entre as pernas), evitar cruzar as pernas e não ficar apoiado sobre um quadril só. Essas modificações simples reduzem a carga compressiva sobre os tendões e permitem o início do processo de reparo.

Exercícios Terapêuticos

O programa de exercícios para a SDTM foi revolucionado pelos estudos de Grimaldi (2015-2020). A abordagem moderna enfatiza exercícios isométricos iniciais (como abdução isométrica em pé contra a parede) seguidos de exercícios isotônicos progressivos dos glúteos. Exercícios de alongamento da banda iliotibial, antes considerados essenciais, devem ser evitados na fase aguda pois aumentam a compressão dos tendões sobre o trocânter.

Infiltrações

A infiltração de corticosteroide na bursa trocantérica guiada por ultrassom oferece alívio em 60-75% dos pacientes, mas o efeito é frequentemente temporário (4-12 semanas). Um estudo randomizado de Mellor et al. (2018) demonstrou que exercícios supervisionados produziram resultados superiores à infiltração em 12 meses. O corticosteroide pode ser útil como "ponte" para facilitar o início da reabilitação.

COMPARAÇÃO DAS OPÇÕES TERAPÊUTICAS PARA SDTM

TRATAMENTOMECANISMOEFICÁCIADURAÇÃO DO EFEITO
Educação + modificação posturalRedução da carga compressivaBase fundamentalPermanente se mantida
Exercícios glúteos progressivosFortalecimento e remodelação tendíneaSuperior a longo prazo (ECR)> 12 meses
Infiltração com corticosteroideRedução da inflamação localBoa a curto prazo4-12 semanas
Ondas de choque (TOCE)Neovascularização e estímulo ao reparoModerada3-6 meses
PRPFatores de crescimento para reparoEmergente3-12 meses
Cirurgia (reparo tendíneo)Reinserção do glúteo médioCasos refratáriosReabilitação 3-6 meses

Acupuntura como Opção Terapêutica

A acupuntura pode contribuir como parte de uma abordagem multimodal para a SDTM. Os mecanismos propostos incluem analgesia local associada à liberação de opioides endógenos e modulação segmentar da dor em níveis medulares correspondentes (L4-S1) — efeitos descritos na literatura experimental e em estudos clínicos.

Embora os estudos específicos para acupuntura na SDTM sejam limitados, a evidência para dor musculoesquelética do quadril em geral sugere benefícios na redução da dor e melhora funcional a curto prazo. A acupuntura pode ser especialmente útil na fase inicial para controle da dor, facilitando a adesão ao programa de exercícios.

Prognóstico e Recuperação

O prognóstico da SDTM costuma ser favorável com tratamento adequado. Estudos sugerem que programas de exercícios supervisionados produzem melhora significativa em boa parte dos pacientes ao longo de 12 meses, ainda que a taxa de resposta varie entre estudos. A condição pode se tornar crônica se não tratada, mas raramente evolui para incapacidade grave.

Fase 1
1-2 semanas
Proteção e Alívio

Modificação de atividades compressivas. Analgesia. Exercícios isométricos de abdução em posição neutra.

Fase 2
2-8 semanas
Carga Progressiva

Exercícios isotônicos dos glúteos em cadeia fechada. Fortalecimento do core. Evitar alongamento agressivo da banda iliotibial.

Fase 3
8-12 semanas
Fortalecimento Funcional

Exercícios em apoio unipodal. Treino de equilíbrio. Retorno gradual a atividades como corrida e subir escadas.

Fase 4
Contínuo
Manutenção

Programa de exercícios domiciliares 2-3x por semana. Monitoramento de sintomas. Ergonomia do sono mantida.

Mitos e Fatos

Mito vs. Fato

MITO

A dor lateral do quadril é sempre "bursite".

FATO

Na maioria dos casos, a causa é tendinopatia dos músculos glúteos médio e mínimo, com ou sem inflamação da bursa. O termo atualizado é "síndrome de dor trocantérica maior".

MITO

Alongar a banda iliotibial resolve a dor.

FATO

O alongamento da banda iliotibial pode piorar a condição ao aumentar a compressão dos tendões glúteos sobre o trocânter. O fortalecimento dos glúteos é mais eficaz.

MITO

A infiltração de corticoide resolve definitivamente.

FATO

A infiltração oferece alívio temporário em 60-75% dos casos, mas o efeito dura em média 4-12 semanas. Exercícios supervisionados são superiores a longo prazo.

MITO

É uma condição exclusiva de idosos.

FATO

Embora mais prevalente entre 40-60 anos, a SDTM pode acometer corredores jovens, pacientes com discrepância de membros e indivíduos com instabilidade pélvica.

Quando Procurar Ajuda Médica

Perguntas Frequentes

PERGUNTAS FREQUENTES · 10

Perguntas Frequentes

O prognóstico costuma ser favorável. Estudos sugerem que programas de exercícios supervisionados produzem melhora substancial dos sintomas em boa parte dos pacientes ao longo de 12 meses, embora "cura" definitiva não seja garantida e recidivas sejam possíveis. A chave para resultados duradouros é tratar a causa subjacente — geralmente fraqueza dos glúteos e biomecânica alterada — e não apenas a inflamação aguda. Casos tratados apenas com infiltração tendem a recorrer, enquanto aqueles que realizam exercícios supervisionados tendem a apresentar melhores resultados a longo prazo.

Está é uma das contraintuições mais importantes no tratamento da SDTM. A sensação de tensão lateral é real, mas o alongamento agressivo da banda iliotibial (em adução forçada do quadril) aumenta a pressão compressiva exatamente sobre os tendões do glúteo médio e mínimo — que já estão sofrendo compressão excessiva. A pesquisa de Grimaldi demonstrou claramente que posturas de adução (cruzar as pernas, sentar em sofá fundo com o quadril aduzido) são prejudiciais. O tratamento correto é fortalecer os glúteos, não estirar a fáscia lateral.

Dormir sobre o lado afetado comprime diretamente a bursa e os tendões entre o trocânter e o colchão, frequentemente causando dor noturna intensa. A recomendação é dormir sobre o lado saudável com um travesseiro entre as pernas (para manter o quadril em posição neutra sem adução) ou em decúbito dorsal. Essas modificações simples de posicionamento noturno podem trazer alívio significativo e são parte fundamental do tratamento conservador.

A infiltração de corticoide guiada por ultrassom é eficaz a curto prazo em 60-75% dos casos, mas o efeito dura em média apenas 4-12 semanas. Um ensaio clínico randomizado de alta qualidade (Mellor et al., 2018) demonstrou que exercícios supervisionados produziram resultados significativamente superiores à infiltração em 12 meses. A infiltração pode ser útil como "ponte analgésica" para facilitar o início dos exercícios, mas não é um tratamento definitivo isolado.

Não necessariamente proibida, mas deve ser modificada temporariamente. Corrida em ladeiras e terrenos inclinados aumenta significativamente a carga compressiva sobre o trocânter e deve ser evitada na fase aguda. Corredores com SDTM geralmente precisam reduzir o volume e a intensidade, corrigir a cadência e o padrão biomecânico da corrida, e realizar o programa de fortalecimento glúteo. Após a reabilitação adequada, o retorno pleno à corrida é frequentemente possível.

Sim, está é uma relação importante e frequentemente negligenciada. Disfunções lombares e sacroilíacas podem alterar a biomecânica da pelve e da marcha, sobrecarregando os tendões glúteos. Discrepância de comprimento dos membros inferiores — muitas vezes relacionada a escoliose ou disfunção sacroilíaca — é um fator perpetuante comum. Por isso, a avaliação de pacientes com SDTM deve incluir a coluna lombossacral, e o tratamento pode precisar abordar ambas as regiões.

A bursite trocantérica — denominada atualmente de forma mais precisa como Síndrome da Dor do Trocânter Maior (SDTM) — é uma condição caracterizada por dor na face lateral do quadril, na região do trocânter maior do fêmur. O mecanismo predominante envolve tendinopatia dos tendões glúteo médio e mínimo, com ou sem inflamação da bursa trocantérica. As causas principais incluem fraqueza dos músculos abdutores do quadril, biomecânica alterada da marcha, aumento súbito de carga em atletas, discrepância de comprimento dos membros inferiores e fatores hormonais que tornam mulheres de meia-idade o grupo mais afetado.

O sintoma cardinal é dor na face lateral do quadril, sobre o trocânter maior, que piora ao deitar sobre o lado afetado, ao subir e descer escadas, ao cruzar as pernas e após períodos prolongados de caminhada ou corrida. Muitos pacientes relatam dificuldade para dormir pela dor noturna ao pressionar o trocânter contra o colchão. A dor pode irradiar pela face lateral da coxa até o joelho, sendo importante distingui-la da dor referida lombar. À palpação, há sensibilidade marcada diretamente sobre o trocânter maior.

O diagnóstico é clínico na maioria dos casos: dor à palpação do trocânter maior, testes provocativos positivos como o Single Leg Stance test (dor ao ficar em um pé só pelo lado afetado por 30 segundos) e reprodução da dor com a adução passiva do quadril. A ultrassonografia musculoesquelética é o exame de imagem inicial de escolha — avalia os tendões glúteos, identifica tendinopatia, rupturas parciais e derrame na bursa. A ressonância magnética do quadril é indicada em casos atípicos, rupturas extensas suspeitas ou falha terapêutica, fornecendo avaliação mais completa das estruturas periarticulares.

A acupuntura médica é segura e bem tolerada quando realizada por médico acupunturista. Os efeitos adversos mais comuns são leves e transitórios: hematomas no local de puntura e sensação de peso ou distensão (chamada de De Qi na acupuntura médica). As contraindicações principais incluem distúrbios hemorrágicos graves, uso de anticoagulantes sem controle, infecção ou lesão de pele na região do quadril a ser tratada. O médico acupunturista pode combinar acupuntura sistêmica com agulhamento local do trocânter e pontos dos meridianos da vesícula biliar e bexiga, respeitando a anatomia e as contraindicações individuais.